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sábado, 5 de agosto de 2017

A ÉTICA DO CRUZ-CREDO - 1


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- Fui falar com o vereador sobre aquele troço: o cargo de fiscal na Prefeitura.

- E, aí?

- Ai, nada. É um filho da puta como os outros. Só pensa nele mesmo. Veio com uma conversa de que para ser fiscal precisa passar no concurso. Lorota. Quando eles querem dão um jeito. Ou não dão?

- Claro que dão.

- Fui claro. Falei para ele: Eu não vou prejudicar ninguém, fique sossegado. Quero apenas ganhar uns trocos, sacou? Quero fazer que nem um fiscal conhecido meu. Ele leva R$ 10 do açougueiro; R$ 15 da lanchonete; R$ 25 do mercadinho... Ele tem uma tabela. Da padaria, ele leva R$ 50... Só para fazer vistas grossas.

- Por dia?

- Aloprou, seu maluco? Por semana. Se fosse tudo aquilo por dia, seria corrupção. Com essas coisas, eu não lido.

- Faz bem, faz bem. Isso é coisa pra bandido. (atualizado em agosto de 2017)

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

QUASE HISTÓRIAS


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ARQUIVO GOOGLE



DIÓGENES CANSOU

-- Fui falar com o vereador sobre aquele troço: o cargo de fiscal na Prefeitura.

-- E, aí?

-- Ai, nada. É um filho da puta como os outros. Só pensa nele mesmo. Veio com uma conversa de que para ser fiscal precisa passar no concurso. Lorota. Quando eles querem dão um jeito. Ou não dão?

-- Claro que dão.

-- Fui claro. Falei para ele: Eu não vou prejudicar ninguém, fique sossegado. Quero apenas ganhar uns trocos, sacou? Quero fazer que nem um fiscal conhecido meu. Ele leva R$ 10 do açougueiro; R$ 15 da lanchonete; R$ 25 do mercadinho... Ele tem uma tabela. Da padaria, ele leva R$ 50... Só para fazer vistas grossas.

-- Por dia?

-- Pirou? Por semana. Se fosse tudo aquilo por dia, seria corrupção. Com essas coisas, eu não lido.

-- Faz bem, faz bem. Isso é coisa pra bandido.

***

-- Consultório do doutor João Matos, boa tarde.

-- Boa tarde. Gostaria de marcar uma consulta pra minha filha.

-- Só temos pra janeiro.

-- Três meses! Que absurdo, pior que o SUS!

-- Qual é seu convênio?

-- Nenhum. A consulta é particular.

-- Ah, bom! Pode vir amanhã. Que hora a senhora prefere?


***

-- Esse negócio de catar latinha pra vender já foi bom. Não é mais. Antes pagavam bem pelo quilo. Hoje, pagam uma miséria. E a concorrência é muito grande. Até dono de bar junta lata pra fazer uns trocos. Cheguei a ganhar um bom dinheiro. Ainda mais que colocava areia, pra aumentar o peso.

-- Você punha areia dentro das latas?

-- Era o que mais fazia. Um dia o cara do ferro velho descobriu, bateu um fio para os amigos sucateiros. Nunca mais vendi pra ninguém da região. É uma máfia.

***


-- Doutora: quanto vou gastar para ficar com os dentes em ordem?

-- Depende.

-- Depende de quê? Quero material de primeira qualidade.

-- Sei. Não é disso que se trata. Vai querer recibo para declarar no Imposto de Renda?

***

-- Mana: venha ver que beleza está minha despensa.

-- Nossa. Está abarrotada. Está podendo, danadinha.

-- Que nada. O dinheiro continua curto. Mas comida não falta para as crianças, desde que arrumei emprego de merendeira na Prefeitura. Trago tudo de lá.

DA SÉRIE A ÉTICA DO CRUZ-CREDO

POR ORLANDO SILVEIRA

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

A ÉTICA DO CRUZ-CREDO (CENA X)

-- Quer saber? Eu não estou nem aí se o cara é legal ou não é, se o cara tem a ficha limpa ou não tem. Quero saber quanto vou levar para votar nele?

-- Caracas, você, então, vende o voto?

-- Claro, meu irmão. O que importa é dinheiro no bolso. Eu lá quero saber de discurso! Está doido? Discurso não enche barriga. (maio/2013)


A ÉTICA DO CRUZ-CREDO (CENA IX)

-- Se você estivesse lá, no Congresso ou na Assembleia, com a caneta na mão, mandando e desmandando, não ia pedir para empresários ajudarem seu filho? Você ia deixar sua filha na mão, um sobrinho aos Deus dará? Que pai você é? Que tio você é? Faz favor. Eu arrumava a vida da família toda, todinha. Isso aqui não tem jeito. Quem pode tem mais é que aproveitar. O que não pode é roubar muito. Aí, não. Vai mais um chope? (maio/2013)


A ÉTICA DO CRUZ-CREDO (CENA VII)

-- Aí, já é demais, mano velho. Os caras perderam a noção, não valem nada, não valem o que comem. São uns lixos. Roubar dinheiro da Saúde?

-- É verdade, cara, é verdade. Que desviem dinheiro de outras áreas. Dos Transportes, sei lá. Da Pesca, dos Esportes, da Cultura. Mas, da Saúde? Da Saúde não dá, não é, não?


-- Tá certo. (maio/2013) 

A ÉTICA DO CRUZ CREDO (CENA VI)

-- Não leva o carro na oficina durante a semana, não. Você vai pagar muito mais caro. Deixa que eu pego ele na sua casa no domingo, conserto e entrego o danado a domicílio.

-- E se o dono da oficina aparecer por lá? Ele me conhece há muitos anos... Vai pegar mal.

-- Endoidou? No sábado, ele já se manda com a família. Tá montado na grana. Preciso garantir o meu.

-- Fechado. (julho/2013)


A ÉTICA DO CRUZ-CREDO (CENA V)

-- Meu querido: encoste seu carro na última bomba, por favor.

-- Esta enguiçou?

-- Não, não. É que, pra gente como você, especial, só vendo gasolina top. Morou?

-- Valeu. É por isso que só abasteço aqui.


-- Volte sempre. (julho/2013)

A ÉTICA DO CRUZ CREDO (CENA IV)

-- Sucupira, esses salgadinhos são todos de ontem?

-- São. Sobraram. A mulher fritou mais do que devia.

-- Que preju, mano. Agora, vai tudo para o lixo?

-- Tá maluco? Vou fritar de novo. Eles ficam parecendo novinho em folha. Hehehe.

-- Você frita de novo?

-- Claro. Mas só vendo pra quem não é freguês de todo dia. Pra vocês, frito na hora.

-- Você é um cara de responsa. Assim que se faz, Sucupira. Não dá pra confundir freguês com paraquedista. (julho/2013)



A ÉTICA DO CRUZ-CREDO (CENA III)

No fundo, todos ali sabiam da inutilidade de pedir aumento salarial para os donos da revista. Pra variar, o país ia mal das pernas – e o setor editorial, pra não variar, pior ainda. Foi quando o ultraesquerdista – era assim que ele se autodefinia –, sem encarar X, pediu a palavra:

-- Se não dá pra obter aumento, acho justo que X tenha o salário reduzido. Afinal de contas, ele fica menos tempo na redação do que nós.

Inútil argumentar que X não fora contratado por hora, mas para produzir tanto quanto os demais. Não tinha era tempo de passar a maior parte do dia jogando conversa fora, como a maioria. Inútil exibir levantamento mostrando que, naquele determinado período, X produzira mais que todos. Este último argumento, aliás, só piorava as coisas.

Para o “justo”, tal fato comprovava que X era um dos grandes sabotadores da ascensão da classe operária ao paraíso. Muito embora ali ninguém fosse operário. (agosto/2013) 


A ÉTICA DO CRUZ-CREDO (CENA II)

O Parlamento estava prestes a votar uma lei de grande impacto econômico-financeiro. Os “nobres” andavam assanhadíssimos, ante a possibilidade de auferir, digamos assim, ganho$ expressivo$ para aprovar a matéria. O zum-zum-zum era grande.

-- Veja só: ia votar a favor do projeto, porque o considero importante. Mas ia votar de graça. Aí, descubro que há vários parlamentares levando grana. Agora, também quero minha parte. Estou errado? – quis saber Sua Excelência do assessor.

-- Por que você não denuncia o esquema?

-- Ficou louco? Eu me queimo na Casa e fico sem o dinheiro. (agosto/2013)


A ÉTICA DO CRUZ-CREDO (CENA I)

-- Cara, vamos embora pra Brasília. Você é um baita profissional, vai estourar por lá. Sei do trabalho que você fez cobrindo a Câmara Municipal. Os vereadores viviam se perguntando: “O que será que ele vai aprontar agora”? Você é sério, trabalhador, baita repórter, não tem o rabo preso com ninguém. Vai estourar também na cobertura do Congresso.

-- Não dá, não dá, não. O salário é baixo, igual o daqui. Lá, vou ter que pagar aluguel, é tudo mais caro. Por aqui, ainda faço uns textos extras, pra complementar a renda. 

-- Bobagem. Em pouco tempo, lhe arrumam uma sinecura no Congresso. Ou num ministério.

-- Ora, você acabou de dizer que fiz um bom trabalho como repórter porque nunca tive rabo preso com ninguém... Não dá pra ser repórter de política e assessor de político ao mesmo tempo.

-- É uma pena. Mas é você quem sabe. Está jogando fora baita oportunidade, de se projetar e ganhar muito dinheiro. Não dá pra ser Caxias em tempo integral. A gente precisa pensar no futuro.  (agosto/2013)