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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

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Imagem: Arquivo Google



EM 2018, OS SEM-TV TESTAM
O PODER DA INTERNET

As perguntas que boiam na atmosfera são:
A TV ajudará gente sem voto como Alckmin a decolar?
A internet será suficiente para impedir a desidratação
de gente como Bolsonaro?

POR JOSIAS DE SOUZA
UOL – 23/08/2018 – 22H33



O TSE confirmou o tempo que cada presidenciável terá para vender o seu peixe no horário eleitoral. Escancarou-se o paradoxo: Alckmin, sem voto, dispõe do maior latifúndio eletrônico da temporada: 5 minutos e 32 segundos de propaganda no rádio e na TV. Bolsonaro, primeiro colocado nas pesquisas sem Lula, terá 8 segundos —mal dá para dizer o nome. Nesse mato, quem não tem TV caça com a internet.

De acordo com levantamento do Ibope, 70% do eleitorado ainda se informa por meio da TV. Mas a proliferação dos celulares transformou a internet no segundo canal de acesso das pessoas às informações sobre política. A exemplo de Bolsonaro, candidatos como Marina (21 segundos) e Ciro (38 segundos) também terão derramar suor nas redes sociais para compensar o nanismo eletrônico.

As perguntas que boiam na atmosfera são: A TV ajudará gente sem voto como Alckmin a decolar? A internet será suficiente para impedir a desidratação de gente como Bolsonaro? O embate TV versus celular ganhou em 2018 uma dimensão que não teve em nenhuma outra eleição. O eleitor brasileiro já deu demonstrações de que, com boa propaganda, acredita até em ovo sem casca. Resta saber que peso terá cada meio na difusão das mensagens.



POLÍTICA/OPINIÃO: NELSON MOTTA

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Ilustração: Simanca


CONSPIRAÇÕES ELETRÔNICAS

O TSE assegura a segurança do nosso sistema de voto eletrônico:
são várias camadas de códigos, virtualmente inquebráveis. Serão?

POR NELSON MOTTA
O GLOBO – 24/08/2018

Até já me diverti muito com elas, mas hoje não acho mais graça em teorias conspiratórias, que são superadas pela espantosa sucessão de desastres reais que não precisam de conspiradores; são resultado de ignorância, fanatismo, sectarismo, ódio, ressentimento, autoritarismo, intolerância, ou tudo junto. Só duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez humana, assegurava Einstein.

Campanhas presidenciais são terreno fértil para conspirações delirantes, mas, com o avanço da tecnologia — que aumenta a segurança dos dados, mas também fornece novas ferramentas para invadi-los —, se tornaram uma ameaça real.

Uma réplica da base de dados oficial de recente eleição estadual americana foi invadida por um hacker de 17 anos, em dez minutos, e ele nem se achava um bom hacker. Deu no “New York Times”. Foi em eventos patrocinados pelo Partido Democrata e agências governamentais, para testar a segurança dos sistemas e formas de aperfeiçoá-los. Como estava, era vulnerável a fraudes capazes de decidir eleições.

Muita gente começa a achar que já pode ter acontecido nas últimas eleições presidenciais. Junto com a descoberta de hackers russos invadindo bases de dados do Partido Democrata (e certamente do Partido Republicano), uma conspiração teórica se tornou prática.

Aqui, o TSE assegura a absoluta segurança do nosso sistema, diz que são várias camadas de códigos, virtualmente inquebráveis. Serão mesmo? Cresce a pressão pelo voto impresso como fonte confiável da vontade do eleitor. Sim, o impresso pode abrir espaço para venda de votos, como um recibo de prestação do serviço. Sonho com o dia em que votaremos de casa pela internet e só nós teremos a senha.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, que estão mais avançados em tecnologia da informação e segurança de dados (mas até o sistema do Pentágono já foi invadido), os melhores hackers das melhores universidades estão trabalhando dia e noite com partidos e agências do governo. No Brasil, tudo sob controle, só não se sabe de quem.


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: J.R.GUZZO

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FOTO: LUCIO TAVORA/AFP


SOLTEM O LULA!

É a Comissão de Direitos Humanos da ONU que está mandando

J.R.GUZZO
18/08/2018

Há apenas duas coisas realmente sem limites nesta vida, dizia Albert Einstein. Uma é o universo. A outra é a estupidez humana – embora ele fizesse a ressalva de que tinha lá as suas dúvidas quanto ao universo. O Brasil de hoje bem que pode estar oferecendo uma terceira certeza: não existe nenhuma fronteira, também, no grau de cretinice dos esforços que estão sendo feitos para transferir o ex-presidente Lula da cadeia para a presidência da República. O último surto é talvez o mais prodigioso de todos: a pedido da equipe de advogados que conseguiu, até agora, conduzir seu cliente a uma pena de doze anos de cadeia, uma Comissão de Direitos Humanos da ONU mandou o Brasil soltar Lula. Isso mesmo: mandou soltar, porque acha que ele tem o direito humano de disputar a eleição de outubro, e naturalmente não pode fazer isso, e menos ainda exercer a Presidência do país, se estiver no xadrez. É uma das maiores piadas já contadas na história universal do direito, mas até aí tudo bem – vivemos mesmo numa época cada vez mais esquisita. O extraordinário é que um despropósito como esse consiga ser levado a sério, durante horas a fio, por um monte de gente – a começar, acredite-se ou não, pelos “especialistas” em dilemas jurídicos internacionais. Pode um negócio desses? No Brasil pode.

A Comissão de Direitos Humanos da ONU tem tanta possibilidade de soltar Lula quanto a diretoria de um Rotary Club do interior do Maranhão. Seu poder legal é zero. Não lhe cabe dar ordens a governos dos países-membros. A comissão não pode impor sanções a ninguém, nem convocar uma tropa internacional para intervir em lugar nenhum. Não tem a menor relevância, também, do ponto de vista moral. Como poderia ter, se vem se recusando sistematicamente a fazer qualquer crítica a governos celerados como os da Venezuela ou Nicarágua, ditaduras que cometem assassinatos, torturas e outros crimes? Como são países de “esquerda”, o comitê da ONU não dá um pio, com o argumento de que tem de respeitar a sua soberania e que as violações de direitos humanos ocorridas ali são “questões internas”. Na verdade, o que há realmente de concreto a dizer sobre essa comissão é o seguinte: trata-se de uma boquinha clássica, onde parasitas variados vivem como esquerdistas profissionais, sem produzir um prego e com salários de 4.000 a 11.000 dólares por mês.

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J.R. GUZZO É JORNALISTA

O despacho que ordena a soltura de Lula é um pequeno monumento à capacidade humana de socar disparates num pedaço de papel. Diz, para não encompridar o assunto, que não foi verificada até agora “nenhuma violação” de um direito de Lula ao longo do processo que o levou à condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Mas até que chegue a seu parecer final, algo previsto para acontecer só em 2019, é possível que venha a acontecer alguma injustiça contra o ex-presidente. Nesse caso, ele precisa ser solto já, porque a eleição está aí – e o homem não pode ficar sujeito ao risco de sofrer um “prejuízo irreparável”. O efeito de tudo isso, naturalmente, é nulo. Mas e daí? O que importa para Lula, o PT e o seu sistema de apoio, é tumultuar o máximo possível as eleições para dizer, depois, que o resultado não vale. Poderiam festejar, do mesmo jeito, o manifesto lançado no mesmo dia por outro presidiário cinco estrelas, o ex-deputado Eduardo Cunha. Do fundo de sua cela em Curitiba, Cunha, denunciado pela esquerda brasileira como o maior larápio da história desde que Ali Baba encontrou a caverna dos 40 ladrões, declarou-se inteiramente a favor da soltura de Lula e do seu “direito” de concorrer à presidência. Grande companheiro, esse Cunha.


sábado, 9 de junho de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: MARCO ANTONIO VILLA

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Ilustração: Amorim


ESTATAIS A SERVIÇO DO BRASIL

Não é possível falar em história do desenvolvimento
econômico brasileiro no século XX sem falar do Estado.
Foi ele o grande indutor da economia

Por Marco Antonio Villa
IstoÉ – 08/06/2018 – 18h


A greve dos caminhoneiros recolocou a questão da privatização da Petrobras e — por tabela — de todas as estatais. O tema entrou na pauta meio de contrabando. Afinal, a questão envolvia diversas questões e o ataque às empresas estatais foi somente mais um pretexto na longa luta em defesa do que os liberais chamam de Estado enxuto. Os liberais brasileiros sempre foram meio fora da curva clássica: apoiaram ditaduras, fecharam os olhos às graves violações dos direitos humanos, à censura e, quando lhes convinham, à presença estatal na economia.

Não é possível falar em história do desenvolvimento econômico brasileiro no século XX sem falar do Estado. Foi ele o grande indutor da economia. Qual empresário quis fundar a Companhia Siderúrgica Nacional? E a Petrobras? E a Embraer e a Embratel? E a vale do Rio Doce? E Itaipu? A lista é quilométrica e, para economizar espaço, fico somente nessas empresas.

Todas elas exigiram investimentos de longa maturação e, inicialmente, as taxas de lucros eram baixas. Tudo o que o empresariado brasileiro não gosta.

O lucro fácil é o seu principal objetivo e a história do Brasil é farta em exemplos que reforçam essa afirmação. Portanto, não estamos no terreno da ideologia, mas sim trabalhando com dados muito conhecidos e inquestionáveis.

Ao longo do tempo — e é um problema sério — as empresas estatais foram ocupando espaços que deveriam estar reservados à iniciativa privada. É um fato. Também as estatais foram perdendo seus objetivos originais e acabaram, boa parte delas, tomadas por interesses político-partidários, o que também é um fato de conhecimento geral.

O grande desafio é recolocá-las no seu papel de indutoras do desenvolvimento. Entregá-las de mãos beijadas para investidores, principalmente estrangeiros, será um crime de lesa-pátria

Sendo assim, a questão que se coloca não passa pela privatização indiscriminada de todas as estatais, pelo grito inconsequente de privatize tudo. Não! O Estado, até por razões de segurança nacional, mas não só, tem de continuar controlando com eficiência e competência setores que são fundamentais para o País. É urgente despartidarizar as estatais, limpá-las da corrupção e colocá-las a serviço do desenvolvimento nacional. Essas empresas não devem ser dirigidas com o objetivo de atender prioritariamente os investidores. Se agirem assim é melhor que deixem de ser estatais. O grande desafio é recolocar as estatais no seu papel de indutor do desenvolvimento. Entregá-las de mãos beijadas para investidores — principalmente estrangeiros — será um crime de lesa-pátria.



POLÍTICA/OPINIÃO: NELSON MOTTA

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Ilustração: Dreamstime


VAMPIROS DO POVO

Parlamentares, magistrados, altos funcionários não
têm vergonha de aumentar gastos públicos para
 seu próprio beneficio, mesmo durante
uma de nossas maiores crises

Por Nelson Motta
O Globo – 08/06/2018

Foi o fracasso administrativo, econômico e ético dos governos Dilma e Temer que abriu espaço para um Jair Bolsonaro. Ou algum aventureiro que ainda apareça.

Os culpados pela desilusão popular que se transformou em ódio aos políticos são eles mesmos. Enquanto o governo corta dinheiro do SUS e da educação, não se tem noticia de um mínimo gesto de qualquer um dos Três Poderes, para diminuir suas despesas que afrontam a penúria popular.

Parlamentares, magistrados, altos funcionários não têm vergonha de aumentar os gastos públicos para seu próprio beneficio, mesmo durante uma das maiores crises de nossa história, provocada por um desastre econômico combinado a uma corrupção sistêmica, e protagonizado por políticos e funcionários, com o beneplácito ou a inação do Judiciário.

Quem decide os salários e vantagens dos parlamentares? Eles mesmos.

Quem fixa os vencimentos e bônus dos juízes? Eles mesmos.

E do governo central? Eles mesmos.

O que são essas bonificações por “triênios”, “licença-prêmio” e outras bandalhas que juízes e o funcionalismo abocanham com a ajuda dos políticos? O cara ganha uma bonificação porque cumpre o seu dever? Mas não é sua obrigação? Não é seu contrato, que justifica o salário que recebe? Aqui qualquer funcionário mequetrefe tem carro e motorista. Já os ministros da Suprema Corte americana andam de táxi ou de metrô. Aqui, castigo de juiz ladrão é aposentadoria com salário integral. E o CNJ não se envergonha?

O dinheiro que cada cidadão paga ao Estado parece uma abstração, números, mas é fruto de trabalho, de horas e dias e meses de esforço, de chateação, de repetição, de calor e de frio, de dor e suor. De tempo de vida! Para sustentar a boa vida dessa gente?

Vou votar em quem não só prometa, mas mostre como fará, assuma o compromisso público de acabar com todas essas vantagens bilionárias e indecentes que beneficiam os Três Poderes. Antes de qualquer coisa, de planos de governo, de projetos grandiosos, de grandes ações sociais.

Seria a prova constitucional de que todos os cidadãos são iguais perante a lei na hora de pagar a conta.
  

sábado, 17 de março de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: FELIPE MOURA BRASIL

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Anderson: "apenas" um número
Foto: YouTube

NA VIDA E NA MORTE,
A MAIORIA DOS POLÍTICOS
SÓ SE SOLIDARIZA COM SEUS PARES

Anderson é um coadjuvante na morte da vereadora
e está prestes a sumir na estatística que mantém o Brasil
na liderança mundial em número absoluto de homicídios

Por Felipe Moura Brasil
Jornal da Manhã/Jovem Pan
16/03/2018

Era uma vez Anderson Pedro Gomes, filho de torneiro mecânico com dona de casa.

Tinha 39 anos e dois filhos, um deles nascido com má formação. Trabalhou em bar e hotéis, fez curso de mecânico, arrumou apenas estágios, não empregos na área, e virou motorista.

Na noite de quarta-feira, substituindo um amigo de licença médica, Anderson dirigia um Chevrolet Agile branco, de vidros escurecidos, na rua Joaquim Palhares, no Estácio, zona norte do Rio de Janeiro, quando foi atingido por quatro tiros de armas calibre 9 milímetros e morreu.

Sua mulher, a funcionária pública Agatha Reis, assistente-executiva na área de educação do governo do Rio, disse que Anderson era um pai muito amoroso e um marido maravilhoso que estava fazendo bico pra tentar sustentar a família.

O casal morava num bairro de classe média baixa da zona norte.

Anderson seria apenas mais uma vítima dos 61 mil assassinatos por ano no Brasil, dos quais menos de 8% são solucionados, não fosse um pequeno detalhe: quando foi morto, ele conduzia a vereadora do PSOL Marielle Franco, de 38 anos, morta com três tiros.

O presidente Michel Temer lamentou no Twitter esse ato de extrema covardia contra Marielle e solidarizou-se com parentes e amigos. Somente horas depois citou Anderson.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, em entrevista coletiva, mandou recado aos amigos e familiares de Marielle de que as forças de segurança vão encontrar os responsáveis e puni-los por esse crime bárbaro. Anderson foi novamente esquecido.

Em seus discursos na tribuna da Câmara, petistas e demais esquerdistas que exploraram politicamente o cadáver e que sempre defenderam a leniência da lei penal brasileira com criminosos, tratando-os como vítimas da sociedade, abstraíram o motorista.

Anderson é um coadjuvante na morte da vereadora e está prestes a sumir na estatística que mantém o Brasil na liderança mundial em número absoluto de homicídios.

Como disse sua mulher: “A revolta é claro que eu sinto, mas a gente acaba se acostumando. No final das contas, é mais um. É uma frase clichê, mas é isso.”

É isso, Agatha. Na vida e na morte, a maioria dos políticos e das militâncias partidárias só se solidariza com seus pares.



sexta-feira, 16 de março de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: NELSON MOTTA

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Ratos unidos jamais serão vencidos


TEM QUE MUDAR ISSO AÍ, VIU?

Não é só para salvar Lula, porque se o salvar abrirá espaço
para livrar Eduardo Cunha, Sérgio Cabral e os futuros criminosos

Por Nelson Motta
O Globo – n16/03/2018

‘Há momentos em que o universo conspira a nosso favor”, revelava Paulo Coelho em “O alquimista”, e milhões acreditaram. Se é mesmo assim, nos últimos anos o universo tem conspirado cruelmente contra o Brasil.

Que forças malignas, que sinistras quadraturas, engendraram esta nefasta conjunção que uniu os golpistas Michel Temer, Renan, Jucá e seus emedebistas aos golpeados Lula, Dilma e seus petistas, a Aécio e tucanos, aos pepistas de Valdemar Costa Neto e aos petebistas de Roberto Jefferson? Todos juntos para derrubar a decisão do Supremo Tribunal Federal, confirmada em três julgamentos, autorizando a prisão de condenados em segunda instância. Tem que mudar isso aí, viu?

Não é só para salvar Lula, porque se o salvar abrirá espaço para livrar Eduardo Cunha, Cabral e os atuais e futuros condenados do MDB, PT, PTB, PP, PR e PSDB.

#QuadrilhasUnidasJamaisSerãoVencidas!

De que valerá o trabalho dos procuradores, juízes federais e desembargadores dos TRFs? Tempo perdido.

Cármen Lúcia resistiu bravamente, aguentou a pressão e não se apequenou. Mas até quando? Em seis meses termina sua presidência, que vai ser assumida por Dias Tofolli, que pode colocar em pauta o processo que quiser. E aí, como na canção de Chico Buarque, larari lariri...

A instituição de mais uma instância, no STJ, proposta por Dias Tofolli e apoiada por Gilmar Mendes, terá maioria no plenário e será uma vitória da impunidade dos ricos e poderosos. Bons e caros advogados continuarão arrastando recursos anos a fio, aliados à lentidão da Justiça de instâncias superiores, muitas vezes até a prescrição dos crimes, como sempre foi.

Tem que manter isso aí, viu? Gritam em coro Temer, Lula, Aécio, Renan, Valdemar e Jefferson.

O que há de pior no país, políticos, empresários, funcionários e juízes criminosos que saquearam o Estado, estará livre para afrontar a lei e desmoralizar a Justiça.

Como na “Crônica de uma morte anunciada”, de García Márquez, já se sabe o desfecho desde o início, mas a narrativa é tão emocionante que torcemos e alimentamos esperanças infundadas até o final inexorável.

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

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Rio  manifestação em homenagem à Marielle
Foto: Mídia Ninja

 

FATOS ARRASTAM TEMER

PARA AGENDA DE DELEGADO

 

Rodeado por denúncias criminais e inquéritos por corrupção,

Temer convive com o risco de ter um futuro à moda de Sérgio Cabral

 

Por Josias de Souza

UOL – 15/03/2018

 

O fuzilamento da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, aconteceu no centro do Rio de Janeiro. Mas os efeitos dos disparos foram sentidos no Palácio do Planalto. Michel Temer descobriu da pior maneira possível o quão arriscado é fazer populismo com segurança pública. Ao decretar intervenção federal na segurança do Rio, Temer disse que seu governo prevaleceria sobre a bandidagem. Os criminosos ainda não lhe deram crédito. Pior: revelam-se dispostos a balançar o coreto de sua autoridade.

A essa altura, nem as almas mais ingênuas acreditam na lorota de que Temer devolverá a paz ao Rio até dezembro, quando termina o seu mandato. Primeiro porque o tempo é curto. Segundo porque falta uma certa  autoridade a Temer. Há duas décadas, um candidato a prefeito chamado Sergio Cabral dizia que a Rocinha era uma fábrica de marginais. Anos depois, eleito governador pelo PMDB, partido de Temer, Cabral chegou a anunciar que mandaria murar uma favela. Hoje, o aliado de Temer está preso dentro dos muros da cadeia paranaense que guarda os larápios da Lava Jato.

Rodeado por denúncias criminais e inquéritos por corrupção, Temer convive com o risco de ter um futuro à moda de Sérgio Cabral. Mas achou que poderia oxigenar o resto do seu mandato desafiando o crime organizado do Rio. Retirou o governador Luiz Fernando Pezão da linha de tiro. E atraiu para o gabinete presidencial, em Brasília, todas as mazelas da insegurança do Rio. Temer sonhou com a revitalização de sua autoridade de presidente. Mal sabia ele que a realidade o arrastaria para uma agenda de delegado de polícia.



MARIELLE PODE SER O PAVIO
QUE REACENDERÁ AS RUAS

É cedo para dizer se 2018 repetirá 2013. Mas o fuzilamento da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, retirou um pedaço da opinião pública de casa. Beneficiário do derretimento do governo de Dima Rousseff, Michel Temer sentiu o hálito quente do asfalto no início da noite desta quinta-feira. Nas palavras de um auxiliar do presidente, “é hora de encostar o ouvido no asfalto para escutar o que ele tem a dizer.”

Temer e seus operadores políticos assustaram-se com a quantidade de pessoas que foram às ruas por Marielle. Supreenderam-se também com o tamanho da repercussão internacional do episódio. O que pode acontecer?, perguntou o repórter ao colaborador do presidente. E ele: “Difícil prever o desfecho de algo que está em andamento. A única coisa que nos interessa no momento é a investigação. Nossa obrigação é apresentar rapidamente os culpados e providenciar a punição.”

Quando as ruas roncaram sob Dilma, a então presidente anunciou com espalhafato uma proposta de “cinco pactos”. Esfumaçaram-se no ar. Ela também esgrimiu um projeto de constituinte exclusiva. Não conseguiu explicar para quê. Empinou a ideia de uma reforma política moldada por um plebiscito. Tanta empulhação aumentou o caldo em que foi fervido o mandato de Dilma.

Embora o Planalto não se arrisque a prever até onde vai o barulho provocado pela execução de Marielle, há um detalhe do qual ninguém discorda. Dê no que der, Temer não conseguirá ficar alheio às consequências. O presidente saltou dentro do caldeirão há um mês, quando decretou a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro.

Na manhã desta quinta-feira, quando as ruas ainda não soluçavam, Temer afirmou: ''Não destruirão o nosso futuro; nós destruiremos o banditismo antes”. Até aqui, a principal arma do governo foi a marquetagem. Ao reiterar a promessa de que a intervenção federal restabelecerá a paz no Rio, Temer vende uma ficção que cutuca a paciência do meio-fio. (JS)

quinta-feira, 15 de março de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: CARLOS MELO

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Marun: sem medo de ser ridículo
Foto:Sérgio Lima


O IMPEACHMENT DE BARROSO

Mais que indecoroso, ameaçar o ministro
com o impeachment é irresponsabilidade
própria de quem é dado a bravatas

Por Carlos Melo
Blog do Carlos Melo
13/03/2018 – 23h56

Quando é o caso de soltar a língua, Carlos Marun é o gatilho mais rápido que há no deserto do governo Temer. Volta e meia, ganha holofotes não por elaborações políticas, conquistas no Congresso ou por uma visão de futuro, mas em virtude da contundência destemperada e de exageros recorrentes a que é dado. Tapeado pelo poder e habilidade que não possui, torna-se especialista em bravatas, desconhecendo que o ridículo é um lugar sem volta.

De fato, nestes tempos em que a natureza parece estéril, Marun é uma força da natureza política nacional. Em primeiro mandato, tornou-se ministro responsável pela articulação, talvez pelo estilo pouco polido e pela desfaçatez sarcástica que expressava na Câmara e diante das câmeras de TV. É a cara da base de Michel Temer, o perfil acabado do Centrão. Trombador, pau-de-toda-obra, espicaça adversários esquecendo-se da elegância e da permanente necessidade de diálogo.

Foram tantas as suas… Flagrado no Plenário cantando e dançando em comemoração à votação que salvou o presidente na denúncia por formação de quadrilha, levou uma espinafrada homérica, do autor da canção, Benito di Paula. Depois, declarações de que bancos públicos liberariam recursos em favor da reforma da Previdência, revoltaram governadores e funcionários públicos.

Mais tarde, afirmou que o diretor-geral da PF ''tem o dever de observar inquéritos de grande repercussão'', o que indicava a manobra para arquivar os processos contra Michel Temer. E, agora, ameaça retomar seu mandato no Congresso especialmente para pedir o impeachment de Luís Roberto Barroso, ministro do Supremo Tribunal Federal.

Como se sabe Barroso mandou quebrar o sigilo bancário do presidente da República, assim como anulou os efeitos mais escandalosos do indulto presidencial que livraria a cara de corruptos pegos pela Operação Lava Jato. O magistrado tem-se notabilizado como pedra no sapato de Michel Temer, dos suspeitos protegidos pelo foro privilegiado e dos corruptos em geral, tornando-se um obstáculo na direção do forno onde o governo pretendia assar a grande pizza política nacional. É arrimo da resistência.

Mais que indecoroso, ameaçar ao ministro com o impeachment é irresponsabilidade própria de quem é dado a bravatas. Possivelmente, revela um sentimento e um desejo que não é só seu. Mas, demonstra também desconhecer os aspectos mais básicos de qualquer disputa de poder — indispensável a políticos em geral —, que é saber da própria força e da força do inimigo.

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Carlos Melo é cientista político e professor do Insper
Foto: Fiesp
Ignorando a opinião pública a respeito do presidente da República e de boa parte de seus ministros, apresenta-se como um tipo de ''Napoleão de Hospício'', de estatura avantajada.

Como a maior parte do governo, Carlos Marun parece sofrer a síndrome de gabinete, aquela ensimesma o sujeito, o afasta da realidade e compromete seu discernimento. Por osmose, engana-se cercado que está por seus iguais. Tem má avaliação da realidade, ''como o sujeito que vai à Rua Javari e passa a acreditar que a torcida do Juventus é maior que a do Flamengo'' — fica o crédito da frase a Renato Meirelles. É natural do poder encastelado e distante das ruas; natural de governantes cercados de aduladores. Natural dos últimos governos.

Enquanto a reforma da Previdência passa ao largo do Congresso, objetivo e razão para que o deputado fosse deslocado ao Executivo, Marun passa para o folclore político nacional. Desvela-se neste novo Febeapá — festival de besteiras que [torna a] assola[r] o país. Ficará marcado na história. É para poucos.

POLÍTICA/OPINIÃO: MARCO ANTONIO VILLA

Joaquim Nabuco (1849 - 1910)


O TENENTISMO QUER VOLTAR

Estamento militar quer se recolocar na política.
Tenta construir projeto intervencionista.
Mas não sabe de onde partir

Por Marco Antonio Villa
O Globo – 13/03/2018

Em outubro de 1891, Joaquim Nabuco, em carta enviada ao amigo Aníbal Falcão, escreveu: “Já lhe respondi que se quisesse entrar novamente em política, primeiro assentaria praça (é um pouco tarde, não lhe parece?) por estar certo de que o melhor governo que a República pudesse dar ao país seria incapaz de receber direção que não partisse dos próprios quartéis. Vocês, republicanos, substituíram a monarquia pelo militarismo sabendo o que faziam, e estão convencidos de que a mudança foi um bem. Eu […] pensei sempre que seria mais fácil embarcar uma família do que licenciar um exército.”

Até 1889, os militares tinham papel pouco relevante na cena nacional. O militarismo era um mal platino. A sucessão de golpes de Estado, típica da região, era inexistente no Brasil. No Segundo Reinado (1840-1889), a maioria dos ministros do Exército e da Marinha foi civil. As atribuições das Forças Armadas estavam determinadas nos artigos 145 a 150 da Constituição. A obediência ao Poder Executivo era clara: “a força militar é essencialmente obediente; jamais se poderá reunir sem que lhe seja ordenado pela autoridade legítima.” (artigo 147)

As Forças Armadas foram arrastadas à política, agindo corporativamente, quando da Questão Militar. Os liberais foram os principais agentes naquele processo. Estimularam a desobediência castrense acreditando que, dessa forma, enfraqueceriam seus adversários, os conservadores. Ironicamente, em novembro de 1889, foram derrubados — e com eles, a monarquia — por um golpe militar.

A entrada dos militares na política foi nociva ao país e às Forças Armadas. Na maioria dos estados — antigas províncias — a República foi proclamada pelas guarnições militares. O entusiasmo pela política foi tão grande que para a Assembleia Constituinte, escolhida em setembro de 1890, foram eleitos 54 constituintes militares: 40 deputados e 14 senadores. Desde então, tiveram papel permanente na política, participando ativamente dos embates eleitorais e agindo como uma corporação que estaria acima das instituições, como uma espécie de reserva moral da nação, um caricato Poder Moderador.

Nos anos 1920, o militarismo renasceu como elemento renovador da política. O tenentismo serviu como receptáculo reunindo a insatisfação militar da jovem oficialidade com os rumos do país. Tinha apoio civil. Mas, na sua essência, desprezavam a política e os “casacas”, forma depreciativa como se referiam à elite dirigente. O salvacionismo levou às rebeliões de 1922, 1924 e à Coluna Prestes. E, em 1930, chegou ao poder sob direção — ironia da história — de um civil. Tomaram e expandiram o aparelho de Estado. Determinaram os rumos do país tanto nos momentos democráticos, como nos autoritários. Basta recordar que durante o populismo (1945-1964), nas quatro eleições presidenciais, sempre houve candidatos militares. Mesmo assim — ou apesar disso — estiveram presentes nas conspirações e golpes ocorridos no período, como na pressão contra a posse de Getúlio Vargas, em 1951, na crise de agosto de 1954, nos dois golpes de Estado de novembro de 1955, nas revoltas de Jacareacanga e Aragarças no governo Juscelino Kubitschek, na crise da renúncia de Jânio Quadros, em agosto de 1961, e, finalmente na derrubada de João Goulart, em abril de 1964.

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Marco Antonio Villa é historiador
Foto: Jovem Pan/Divulgação

De 1964 a 1985, o militarismo nunca foi tão dominante. Determinou o rumo do país, inclusive do processo de transição para o regime civil. Centenas de militares ocuparam postos na estrutura estatal. As polêmicas castrenses ocuparam o espaço da política. Tudo era definido de acordo com os interesses das Forças Armadas. Os cidadãos eram meros espectadores, pois havia brasileiros mais iguais que outros. Isto foi absolutamente nocivo ao aperfeiçoamento profissional das três armas e — por mais paradoxal que seja — à segurança nacional, tão propalada pelos generais-presidentes.

Os governos civis não conseguiram colocar os militares nas funções constitucionais e muito menos elaborar uma doutrina que definisse claramente o papel das Forças Armadas. Também — forçoso reconhecer — as lideranças castrenses não souberam produzir propostas que pudessem ser debatidas pela sociedade destacando, por exemplo, a importância de um país com as dimensões do Brasil ter um orçamento militar adequado. Ficaram na defensiva tentando legitimar os atos dos anos 1964-1985. Perderam tempo. Este não era o principal embate. Optaram pelo discurso, ao invés da ação.

Agora, ainda sem clareza do que fazer, o estamento militar quer se recolocar na política. Tenta construir um projeto intervencionista. Não sabe de onde partir, nem como fazer. Buscar no guarda-roupa da história a roupagem tenentista vai transformar a ação das Forças Armadas numa comédia pastelão. As sucessivas declarações políticas de altos oficiais violam o regulamento disciplinar das três forças. E não passam de respostas desesperadas, símbolos da esterilidade corporativa.

Pior será se os militares forem seduzidos pelas novas vivandeiras que rondam os quartéis. São os oportunistas de sempre. Para as Forças Armadas, quanto mais distantes da política partidária, melhor. Mais ainda do atual processo eleitoral para a Presidência da República. Desenterrar o modelo do soldado-cidadão, que serviu para justificar o golpe militar republicano e as diversas intervenções ao longo do século XX, conduzirá o país e as Forças Armadas a uma grave crise política e institucional. A advertência de Joaquim Nabuco está de pé. Não foi ouvida em 1889. Espero que seja ouvida agora.