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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

XICO BIZERRA

Ayrton - The Voice - You Tube

O GRITO E A VOZ

Foi-se o The Voice. Torci muito pelo único concorrente que prestigiou, em todas as audições, a verdadeira música brasileira. Mas não foi isso que o povo quis (será que foi o povo?). E Ayrton não venceu. Ele que foi Ayrton brasileiro do início ao fim. Mas isso não bastou. Mostrou personalidade e futuro grandioso. Não se rendeu ao consumismo e foi fiel ao que ele acredita. Sua atitude fez o Brasil todo lhe admirar e torcer por ele. Tenho certeza que os anjos da MPB o aplaudiram de pé e os deuses da boa Música sorriram felizes. Para mim ele foi o grande vencedor. O grito venceu a Voz. Mas o grito é breve e a voz, eterna. Digo, sem ser profeta mas sem medo de errar: esse menino será (ou já é) uma das grandes vozes de nossa atual MPB. Falta apenas ser descoberto. O será. (Xico Bizerra)


Xico Bizerra é compositor, poeta, 
cronista e produtor musical

OUÇAM “FORÇA ESTRANHA”.
DE CAETANO VELOSO,
NA INTERPRETAÇÃO DE
AYRTON MONTARROYOS




quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

XICO BIZERRA



Xico Bizerra é compositor, poeta, 
cronista e produtor musical

UM CERTO CHICO


Estará certo Chico? Sobre a polêmica envolvendo Chico Buarque e seu posicionamento político sou dos que acham Chico muito maior que isso. Enquanto houver essa dicotomia imbecil do certo x errado isso acontecerá. Infelizmente. Eu é que não perco amigo ou deixo de admirar meus ídolos por conta de seus posicionamentos ideológicos. Respeito-os, os amigos, os ídolos e seus credos políticos. Tenho o maior respeito pelo que pensam, ainda que pensem diferente de mim. Não interessa. Importa, isso sim, o bem-querer que tenho por aqueles a quem quero bem. Que ele tenha apoiado FHC em 85 (fazendo inclusive o jingle) e hoje apoie Lula, para mim não tem nenhum valor. Alegar, como alegou Millor Fernandes, que desacredita em todo idealista que lucra com seu ideal, também não altera a admiração que nutro pelo Poeta Chico. O mais é verborragia. Continuarei ouvindo sua obra do mesmo jeito que faço desde que ganhei o disco Construção. Faz tempo. E digo mais: só não ouço Lobão porque não gosto da música que ele faz. Mas também respeito o que ele pensa. O nome disso é democracia e só podemos falar em defendê-la se, antes, não lhe faltarmos com o respeito. (Xico Bizerra)









quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

XICO BIZERRA

CONTOS MINÚSCULOS
QUE CONTRARIAM OS DITOS POPULARES

Num só dia ter a ventura de encontrar um monte de gente boa é coisa para se agradecer aos céus. Dentre tantos outros presentes em evento do qual participei citarei dois encontros que têm a ver com a coluna de hoje. Dr. José Paulo, eminente jurista brasileiro e Dr. Marcos Mairton, Juiz Federal lotado em Fortaleza. Ambos colunistas/leitores do Jornal da Besta Fubana. O primeiro comentou que minha coluna sobre as músicas está cada vez menor (a justificativa para tanto está a seguir). O outro escreve micro contos que me inspira a também fazê-lo, um pouco por preguiça, outro pouco por achar que quanto menor o texto, maior será o número de leitores. Honrado em saber que tenho leitores da estatura jurídico-intelectual dos aqui citados, inauguro hoje a edição dos meus.

***

Cada macaco em seu galho. Fiel ao ditado popular o macaquinho morreu virgem por não pular pro galho próximo em que saracoteava a macaquinha traquina, louca por uma ‘traquinagem’.


Xico Bizerra é compositor, poeta, 
cronista e produtor musical
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quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

XICO BIZERRA


cvc

HOMEM DE FÉ

Sol inclemente, chuva teimosa insistindo em não cair. Promessas, joelhos ralados de tanta reza e nada de chuva. Padre Melquíades convoca a todos para uma oração forte, em frente à Igreja, todos unidos. Os santos haveriam de ficar sensibilizados com tamanha devoção. E todos vão. Até a mulher do homem do Cartório, não afeita a orações e descrente de tudo, lá estava acompanhando toda a população da pequena cidade. Ao final de 2 horas de ave-marias, pai-nossos e salve-rainhas, nem um céu escuro ajudava o povo a crer na chuva bendita. Voltaram todos. Paulo, o único a levar guarda-chuva, também se foi, com sua fé enrolada embaixo do braço. Enxutos: ele, o guarda-chuva e sua fé solitária e inabalável. (Xico Bizerra)


Xico Bizerra é compositor, poeta, 
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

XICO BIZERRA


Xico Bizerra é compositor, poeta, 
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Tem mais de 270 composições gravadas

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A BENGALA DE FLORISVALDO

Recebi um apelo curioso de um amigo de Salvador. Um poeta, seu amigo, em passeio no Recife, esqueceu sua inseparável bengala em algum lugar dessa Veneza. A bengala, braço amigo do Florisvaldo, perdeu-se na selva do Recife. Ela esteve, junto com seu amigo, no Seu Boteco, que fica defronte ao Centro de Artesanato, e de lá saiu num táxi até o Recife Praia Hotel, no Pina. Andavam sempre juntos, Florisvaldo e sua bengala, acostumada a acompanhá-lo, seja em Paris, seja em Salvador. Iam sempre se acompanhando, um ao outro, no amor de sempre… Pediu-me o amigo que inserisse a bengala do amigo nas redes sociais. Sem bengala, a vida do Poeta Florisvaldo de Mattos fica sem rima e sem verso.

Não me acanhei de fazer um apelo via Facebook (já vi gente apelando por cachorrinho desaparecido). E pedi a quem encontrasse uma bengala por aí, sem dono e chorando a ausência de seu dono, avisasse-me. Eu, Florisvaldo e a bengala ficaremos gratos. E a Poesia agradecerá. A bengala ainda não apareceu mas ainda acredito na bondade de quem a encontrou, triste e solitária, longe de Florisvaldo. (Xico Bizerra)





quarta-feira, 25 de novembro de 2015

XICO BIZERRA

notebook-flor

A FLOR E O NOTEBOOK


Ao lado do notebook uma florzinha murcha, mais morta que viva. Ainda assim, está lá, mais viva que morta. Muito mais viva que a tela fria do computador que, sem sentimento algum, só mostra o que lhe pedimos, sem cheiro ou cor. A florzinha, fora do galho e só esperando a hora de ser jogada fora, ainda exala seu perfume e se mostra viva, embora já se encolhendo, mas ainda ali. O computador, logo será desligado e ficará como a flor até que alguém o ligue, novamente. A flor, em breve se desligará de vez, da tomada da vida, sem bateria para prosseguir seu ofício de beleza e cheiro pelo mundo. Sou mais a flor, sem internet e sem facebook. Sou mais a flor, mais parecida com gente, com cheiro e cor. (Xico Bizerra)


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quarta-feira, 18 de novembro de 2015

XICO BIZERRA

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TEMPOS DE BARDOT


Sou do tempo em que a vontade maior era apenas ser maior para ver Bardot no cinema. Ainda existiam cinemas. Em todo bairro de cidade grande, em toda pequena cidade. Os das cidades grandes tinham, além dos filmes, pipoqueiros e lanterninhas. Hoje há um tal de Netflix. Podem até chamá-lo de cinema mas pra mim cinema era outra coisa. Eram as balas de Weyne em meio à poeira do velho Oeste. Eram os pingos da chuva molhando os sapatos e a dança de Kelly. Eram as máquinas dos tempos modernos moendo a genialidade de Chaplin. Saudades do escurinho do cinema e da fartura de beleza de Brigite Bardot. (Xico Bizerra)


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quarta-feira, 21 de outubro de 2015

XICO BIZERRA

Gonzaga-de-Pai-pra-Filho

GONZAGA PELA METADE

Vi, de novo, GONZAGA, DE PAI PRA FILHO. Embora ciente de que duas horas é muito pouco pra se contar toda a grandiosidade de Gonzaga e que o foco do Diretor foi voltado, preponderantemente, para a relação conflituosa entre Pai e Filho, continuo achando imperdoável o fato de o autor não ter abordado (ainda que de passagem como fez em relação a Humberto Teixeira) a ligação afetiva de Gonzaga com 3 pessoas da mais alta significância em sua trajetória como homem e como artista: Zé Dantas, o seu maior parceiro; Dominguinhos, o eterno e fiel amigo e sucessor; e Idelzuita Rabelo, o grande amor de sua vida, companheira até o último instante. No mais, fora alguns outros ‘pecadilhos’, o filme teve o mérito de mostrar ao público mais jovem detalhes da vida de um homem que revolucionou, influenciou e ainda influencia toda a MPB. Que a metade omitida de Gonzaga venha a ser tema de outro filme. (Xico Bizerra)


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quarta-feira, 14 de outubro de 2015

XICO BIZERRA

UM TAL DE FLÁVIO QUE ILUMINA O FORRÓ

Lá vem o cavaleiro-sertão chamado Flávio descendo do reino do Claranã para alumiar com luzes azuis e de todas as cores o céu do Bodocó e de outros lugares, encantando rainhas e plebeus que gostem do que é bom. Ele se achega com seu aboio cantante e cativante, tão agreste quanto universal, tão mundo e tão aldeia, catingueiro e cheio de uma pureza das que só se encontra na alma do povo que habita aquelas bandas de lá. Que bom que existam esses Leandros num sertão próximo-distante pra fazer o povo ser feliz e se orgulhar de suas coisas belas, cantar seus bens e espantar os males que um dia haverão de não mais existir. Segue tua sina, cabra do sertão, conhecedor das grutas e dos caldeirões araripenses, cantador verdadeiro das verdades do sol quente, Poeta dos nossos, sem tirar nem pôr; solta tua voz e canta o teu verso sabendo que juntinho de Nosso Senhor um rei de pela escura, sanfona no peito, voz e jeito de quem sabe das coisas, estará se orgulhando do jardineiro que continua aguando a semente que um dia ele plantou e que, por serem bons, semente e jardineiro, floresce e enflorará.

Xico Bizerra, numa quase noite de um Janeiro recém-brotado, admirando a lua se refletir no mar ainda azul de Candeias.

– Texto escrito em Janeiro 2011 para o encarte do CD de Flávio Leandro – CHEIRO DE NÓS e já publicado neste JBF. Mas, por sua atualidade, continua valendo mais que nunca e serve como como convocação para a gravação do DVD do Poeta, em Petrolina, dia 07 de novembro de 2015.




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quarta-feira, 7 de outubro de 2015

XICO BIZERRA


ARCO DE CORES

É manhã e a chuva anuncia que vem. O céu avisa que ela está chegando. Bernardo aponta pra cima e mostra-me o colorido entre as nuvens. Que novidade era aquela? – pareceu perguntar-se. E perguntar-me. Quis explicar-lhe que era a esperança e a paz. Os dois, juntos. Calei. Apenas olhei. Um olhar, às vezes, vale muito mais que mil palavras e as crianças entendem essa magia. Mas havia algo além da luz. E o arco pôs-se no céu, iluminando a íris dos humanos, pequenos como eu e grandes como o menino Bernardo, colorindo a alma dos da terra e alegrando o coração de quem, ao contrário das crianças, pouco costuma olhar pro alto em busca de cor, à cata de um arco-íris que ainda existe e existirá, enquanto houver céu, enquanto houver cor, enquanto houver esperança de paz. Enquanto houver crianças, grandes e pequenas. Como eu e Bernardo. (Xico Bizerra)



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quarta-feira, 30 de setembro de 2015

XICO BIZERRA

gonzaguinha

SETENTA ANOS DA MOLECAGEM BOA

Dia 22 de setembro deste 2015 foi o aniversário de 70 anos de Gonzaguinha, o Moleque do Bem. Era um Moleque que sabia de tudo, do que precisava e do que não precisava. Moleque da coragem, do bater de frente, fosse com quem fosse, sem medo de ser feliz. Foi moleque do começo ao fim e deixou um legado moleque pra quem tem consciência do que é ser moleque com responsa, por uma justa causa. Pena que a molecagem ativa partiu tão cedo. Bom que a molecagem que lhe inspirou continua por aqui inspirando outros moleques que não se conformam, que têm na justeza dos ideais o ideal de vida. Como ele. Salve, Salve, Menino Gonzaga, Menino moleque, Moleque do Bem! (XICO BIZERRA)
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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

XICO BIZERRA

serpentina

CARNAVAL QUE PASSA


Desceu na Guararapes, bem em frente ao Trianon. Como sempre fazia. Dali, pegou a ponte que vai dar no São Luiz e dobrou à direita, pela rua da Aurora, à beira do Rio. O vento assanhava seu cabelo e a beleza da paisagem fazia-lhe esquecer o carnê não pago, a televisão quebrada e o desemprego de João, seu marido. Como se estivesse no paraíso, andava pelas calçadas da Aurora, sem tempo de ficar triste. Foi quando se deu conta de que o celular, cujo carnet estava atrasado tanto quanto a conta mensal, já não mais lhe pertencia. Alguém mais esperto dele apoderou-se no trajeto Bomba do Hemetério, centro do Recife. Nem deu tempo de ficar triste. Os blocos de carnaval já começavam a tocar seu frevos de bloco e a tristeza das letras era mais triste que a sua história. Sentou-se no primeiro banco e ficou a sorrir, vendo o carnaval passar. Tentou ligar pra João. Estava sem celular. (XICO BIZERRA)


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quarta-feira, 16 de setembro de 2015

XICO BIZERRA

steps

CENTO E QUATRO DEGRAUS


Subiu contando os degraus, um a um. Cento e quatro degraus para dois andares, cada andar valendo por dois. Coisas de prédio antigo. O elevador, também dos antigos, vivia quebrado e cada conserto demandava pelo menos quinze dias. Peças que já não existiam, que tinham que ser fabricadas. Enfim, coisas de prédio antigo. Mas teve que subir. A entrevista estava marcada havia dois meses e espaço em rádio não era coisa de se desprezar, ainda que o elevador estivesse quebrado. Assim, subiu. Devagarzinho, contando-os para minorar o esforço, parando a cada dezena de degraus para menos cansar. Chegou. Esbaforido, mas chegou. Naquela quinta já havia andado na praia, pela manhã, e suas pernas acusavam o cansaço típico de quem, já não mais tão novo, andara na praia e subira cento e quatro degraus. Veio a verdade, a triste verdade. A entrevista estava marcada para a sexta e não para a quinta. Ele se enganara de dia. Teria que voltar no dia seguinte. Ali mesmo tomou a decisão de não voltar. Afinal, espaço em rádio não é coisa para se desprezar, a menos que o elevador esteja quebrado. (XICO BIZERRA)

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quarta-feira, 9 de setembro de 2015

XICO BIZERRA

cd
INTERNET

CAVALO DOURADO


E lá vai a vida montada em seu cavalo dourado, de patas azuis e amarelas, atravessando bosques e pântanos, chuvas e sóis, desertos e florestas. Por tantas luas já passou e por quantas haverá de passar, doravante? Ninguém sabe. Seu destino e hora de chegada também são desconhecidos, mas sabe-se que algum dia chegará. Até lá, pedras e flores, o claro e o escuro, o novo e o velho à beira da estrada. E o cavalo dourado, em sua cavalgada incansável, segue viagem nos conduzindo em seu dorso. Até quando? Para onde? (Xico Bizerra)


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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

XICO BIZERRA


MENINA

SONHO É PARA SER SONHADO

Um sonho voava alto e sem destino na terra triste dos sonhos não sonhados. Procurava alguém que o adotasse. Ninguém o desejava, por triste que era. Mas era um sonho, como outro qualquer, e seria sonhado algum dia. Uma menina bonita apiedou-se e resolveu sonhá-lo, fazer do sonho perdido um sonho verdade naquela noite de sono pouco. Águias enormes povoaram o céu denso e cinzento da menina e sobrevoaram seu lençol fazendo com que seu travesseiro ficasse duro como pedra. Antes de acordar, as águias voltaram a ser pequenos pássaros cantantes que alegraram a manhã da menina sonhadora em sua cama de lençol branco de cambraia de cheiro bom. Ao acordar, o travesseiro fofo da menina percebeu seu sorriso largo. Foi quando ela fechou os olhos e entendeu, a partir daquele dia, que qualquer sonho, ainda que pareça um pesadelo, é para ser sonhado por ser esse o destino de todos os sonhos. (XICO BIZERRA)
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quarta-feira, 26 de agosto de 2015

XICO BIZERRA

hippies

DITADURAS E HIPPIES

Ditaduras não há mais e os hippies já se foram. Até o pássaro azul que habitava meu peito saiu a voar e eu também o fiz, sem tirar os pés do chão. Minhas dúvidas sobre o amanhã já se dissiparam ao som da trilha musical de meus sonhos, os possíveis e os impossíveis. Vi Manoel de Barros e li a lua. Respirei o sol com o vento batendo em meu peito nu. Tentei aprender a cantar em francês, em inglês e em português. Abraçado ao violão, como que abraçado à mulher que amo, ouvi canções de Domingos e de outros mais. Disse as palavras que um dia quis dizer, mesmo as mais difíceis, e hoje vivo a vida com todos os barulhos do mundo pois sempre valerá a pena viver, apesar dos silêncios e zumbidos… (XICO BIZERRA)



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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

XICO BIZERRA

arco-iris-colorido

ARCO DE CORES

É manhã e a chuva anuncia que vem. O céu avisa que ela está chegando. Bernardo aponta pra cima e mostra-me o colorido entre as nuvens. Que novidade era aquela? – pareceu perguntar-se E perguntar-me. Quis explicar-lhe que era a esperança e a paz. Os dois, juntos. Calei. Apenas olhei. Um olhar, às vezes, vale muito mais que mil palavras e as crianças entendem essa magia. Mas havia algo além da luz. E o arco pôs-se no céu, iluminando a íris dos humanos, pequenos como eu e grandes como o menino Bernardo, colorindo a alma dos da terra e alegrando o coração de quem, ao contrário das crianças, pouco costuma olhar pro alto em busca de cor, à cata de um arco-íris que ainda existe e existirá, enquanto houver céu, enquanto houver cor, enquanto houver esperança de paz. Enquanto houver crianças, grandes e pequenas. (XICO BIZERRA)



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quarta-feira, 5 de agosto de 2015

XICO BIZERRA

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ELES NÃO SABEM O QUE TOCAM

Valei-me Nossa Senhora Gostadeirinha de Forró, que saudade tão grande. E eu, mesmo não sendo um Chico, pois apenas Xico sou, faço minhas as palavras do paraibano pra dizer da falta grande que sua sanfona faz, tão imensa quanto sua música. A gente sabe que hoje vosmicê se ocupa de ‘espaiá’ mansidão nos campos do céu, onde chegou e foi entrando sem licença pedir, por não precisar. Foi colher nos campos superiores todo o bem plantado aqui entre nós, do mesmo ‘jeitim’ que seus súditos e seguidores depois fizeram. Aprenderam a lição, seu Luiz. Dê um beijo em Sivuca, outro em seu Domingos e goze da paz tão merecida, perdoando aqueles que tocam bobagem e chamam de forró. Eles não sabem o que tocam.



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quinta-feira, 30 de julho de 2015

XICO BIZERRA

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CANÇÕES NÃO HÁ

O dia já envelhecido, a noite ainda de fraldas e meus botões, com paciência, escutando o nada-a-dizer dos meus olhos. Na calçada, cadeiras vazias não enxergam o que calo e o que não quero dizer. Meus sentidos, todos mudos, silenciam mais ainda diante da lua que já desponta. Aperto o interruptor da lua e deixo o céu quase escuro um pouco mais escuro para escutar uma canção de Humberto, das que já não se faz. Não a ouço, pois canções não há além do barulho que se faz nas rádios de hoje. Violentaram-na com esporas grosseiras, cinturões de grandes fivelas e artefatos de ferro. Não há mais Humbertos. Não há mais Dantas. Não há mais Gonzagas. Não há mais canção.           


Xico Bizerra é compositor, poeta, 
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Parceiro de Dominguinhos,
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