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quinta-feira, 23 de março de 2017

COISAS DA VIDA: VIOLANTE PIMENTEL






O CHOFER


(Por Violante Pimentel) Antigamente, não se falava em “motorista de táxi”. O que havia era “chofer de praça”. E na praça, concentravam-se os carros de aluguel.

O táxi, propriamente dito, apareceu historicamente quando foram aplicadas taxas à sua utilização, através do taxímetro, aparelho mecânico ou eletrônico, que mede o valor cobrado pelo serviço, com base em uma combinação entre a distância percorrida e a tarifa inicial. Foi inventado no século XIX, pelo alemão Wilhelm Bruhn.

Em Natal, o chofer de praça trajava sempre terno cáqui, camisa branca, gravata preta e sapatos pretos.

Seu Josias era um conhecido chofer de praça de Natal, educado, conversador e simpático, beirando os 60 anos. Era um contador de histórias. Muito supersticioso, não trabalhava no dia em que tinha um sonho mau. Se sonhasse com gato preto, urubu, sapato ou arrancando dente, sabia que, naquele dia, nada para ele ia dar certo, e preferia ficar em casa. Gostava muito de relembrar episódios de sua vida.

Contava que, antes de ser chofer de praça, tinha sido chofer de um caminhão misto e havia feito muitas viagens pelo sertão nordestino, transportando passageiros. Gostava muito da profissão, até que, num certo dia, em plena viagem, um dos passageiros do misto foi acometido de uma tremenda dor-de-barriga e ele viu-se obrigado a parar o carro na estrada, diversas vezes. O passageiro entrava correndo de mato a dentro, para satisfazer suas necessidades e voltava pálido e envergonhado. A viagem, nesse dia, sofrera um atraso enorme, o que o deixou bastante contrariado. Numa das paradas solicitadas pelo passageiro, para ir ao mato, disse seu Josias que também desceu e se dirigiu a uma casinha que avistou ao longe, em busca de alguma “meizinha” que curasse essa infeliz dor-de-barriga. Foi recebido por uma velhinha, que lhe perguntou:

– O senhor já experimentou dar o olho da goiaba a ele (o chá)?

Disse seu Josias que não gostou da pergunta e respondeu grosseiramente:

– Se depender disso, esse passageiro pode se acabar pelo fundo, feito balaio! A senhora é doida, dona? Vôtes!

E o chofer contou que voltou muito contrariado, e meteu o pé no acelerador, enquanto, nessas alturas, a catinga do passageiro empestava a boleia do misto. Ao chegar a Natal, deixou o passageiro no pronto-socorro e foi direto tratar de mandar lavar o carro.

Foi a última vez que dirigiu o misto. Ficou traumatizado com o ocorrido. Afinal, teve de parar o carro umas dez vezes, para que o passageiro corresse para o mato. A partir de então, abominou a profissão de chofer de misto, e se tornou chofer de praça.
 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

COISAS DA VIDA: O CANDIDATO

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COMÍCIO (FOTO:ARQUIVO GOOGLE)






O CANDIDATO                                    

(Por Violante Pimentel) Manoel da Telha, homem do interior nordestino e de pouco estudo, foi candidato a vereador, numa cidade pequena e atrasada. Como seu apelido indica, negociava com telhas.

Em um comício, em plena campanha eleitoral, foi dada a palavra a um deputado estadual, filho da terra. O orador meteu o pau em candidatos a vereador, que mal assinavam o nome, e que não tinham as mínimas condições de fazer alguma coisa pela cidade e seu povo. Citou um certo “vendedor de telhas”, semianalfabeto e ignorante, que a oposição tivera a ousadia de lançar como candidato a vereador. Mais claro do que isso, não precisava dizer nada.

Manoel da Telha tomou conhecimento do discurso do deputado, no dia seguinte, e ficou indignado. A oposição, a cujo partido era filiado, organizou, então, uma passeata de desagravo e um comício, onde seria dada a resposta ao deputado que humilhou, publicamente, o candidato a vereador.

 À tardinha, Manoel da Telha, para relaxar, tomou umas chamadas de cachaça em um boteco, na companhia de correligionários.  Entre eles, estava o Dr. Murilo, exímio advogado, que redigiu um discurso de desagravo, para o candidato decorar e falar ao microfone durante o comício. Fez o candidato repetir o discurso diversas vezes, até decorar.

Durante o comício, foi dada a palavra ao candidato Manoel da Telha, que, embriagado, deixou-se dominar pela ira, e esqueceu completamente o discurso escrito pelo advogado. Sem prática de fazer discurso, o candidato foi curto e grosso:

- Nasci pobre e nunca estudei em escola! Aprendi a ler com Dona Antônia, a minha avó. Nunca roubei, nem nunca vou roubar, pois aprendi que não se deve pegar no que é alheio. Pra esse deputado rico, que acha que pobre não pode ser vereador, só tenho um recado: “Ele vá se lascar!!! Pronto! Só digo isso!!!”

Manoel da Telha foi muito aplaudido, e saiu do palanque nos braços do povo, que o elegeu com significativa votação. 

VIOLANTE PIMENTEL É PROCURADORA APOSENTADA DO RIO GRANDE DO NORTE 

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 Quando o amanhã finalmente chega, me pega animado que só. Em geral, nos dois primeiros dias, supero de longe todas as expectativas. Consumo muito menos calorias que o planejado... Por Orlando Silveira
 
http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2016/12/quase-historias-sabe-ultima-botero-me.html#comment-form

domingo, 13 de novembro de 2016

COISAS DA VIDA


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ARQUIVO GOOGLE





A PACIENTE IMPACIENTE

Dona Nilda, uma viúva de 65 anos, marcou uma consulta com um mastologista, e disse que estava sentindo um caroço em cada mama.

Muito nervosa, a mulher deixou que o médico a examinasse, mas, a olho nu, nada foi encontrado. Antecipando-se ao médico, pediu para se submeter a outros exames de saúde, pois tinha certeza de que estava muito doente. O médico requisitou uma série de exames, inclusive mamografia e tomografia.

Por ocasião da mamografia, a paciente reclamou muito da técnica em radiologia, sendo grosseira ao perguntar: “Vai estourar o meu peito!?” A moça respondeu: “Calma, dona Nilda! É assim mesmo! Mas só dói na hora!”

Saindo da mamografia, a paciente foi encaminhada à sala de Tomografia. Ao entrar, viu quando saiu um médico muito charmoso, um tipão de homem, moreno de olhos verdes. Era o anestesista que tinha acabado de acompanhar uma ressonância magnética feita em um paciente.

Dona Nilda, para chamar a atenção do bonitão, fingiu uma crise de pânico e exigiu que lhe aplicassem uma anestesia geral, para fazer a tomografia. Fazia questão de que aquele médico bonito a anestesiasse. Vestiu a ridícula bata azul, e ficou aguardando, deitada na maca.

Quase morre de raiva, ao ver chegar perto dela, para anestesiá-la, um homem baixinho, muito branco, careca, raquítico e feio. Na mesma hora, ela disse que tinha desistido da anestesia. A assistente, irritada, respondeu:

-- O anestesista foi chamado, a pedido da senhora, dona Nilda!!!

Quase gritando, a mulher respondeu:

“E eu não posso ter mudado de ideia, não?!”

A paciente desceu da maca, contra tudo e contra todos, recusando-se a fazer a tomografia! 

Saiu da sala, esbravejando contra a assistente, por ter levado para anestesiá-la um médico horroroso, quando ela queria mesmo era aquele moreno de olhos verdes, lindo e maravilhoso.

Uma paciente indesejável, que torrava os nervos dos médicos, dona Nilda confundia os mamilos, com dois caroços, apavorada com câncer de mama.

Seu caso era apenas hipocondria e chatice mesmo. 


(Violante Pimentel é procuradora aposentada do Rio Grande do Norte)

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"Durante doze anos, vereador Inácio não perdeu uma chance sequer de provar
 – e comprovar – sua inutilidade como homem público. Deu no que deu: 
às vésperas da eleição, levou uma sapatada verbal do Velho Marinheiro. 
Foi a pá de cal na sua candidatura..." 
Por Orlando Silveira
 

sábado, 8 de outubro de 2016

COISAS DA VIDA: VIOLANTE PIMENTEL


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GOOGLE


DESCULPE, DOUTOR


(Por Violante Pimentel) Um grande cardiologista, da capital paraibana, recebeu em seu consultório, um senhor com pouco mais de sessenta anos de idade, para uma consulta preventiva. Antes de requisitar alguns exames clínicos, o médico quis saber o ritmo de vida que o paciente levava. E fez-lhe várias perguntas:

- Como é a sua alimentação?

 O paciente respondeu:

- Só como verduras, legumes, frutas, carne magra, peixe, zero de gordura e nada de sal. Leite, somente desnatado. O açúcar que uso é mascavo.

- Faz alguma atividade física?

- Faço, sim senhor. Diariamente, quando clareia o dia, caminho dez quilômetros. À noite, faço uma hora de musculação, em uma Academia.

- O senhor é fumante?

- Não, senhor. Nunca fumei, nem por brincadeira. E tenho horror a quem fuma perto de mim.

- O senhor bebe?

- Bebo, apenas, uma taça de vinho tinto por dia.

- Como está seu desempenho sexual? Sobre sua virilidade, tem alguma queixa a fazer?

- Ah, doutor... Aí, é que não vou bem... Faço sexo, com muita dificuldade, somente quatro a cinco vezes por ano.

O médico calou-se por alguns segundos, analisando as respostas do paciente.

Depois, continuou:

- O senhor está muito bem, no que tange à alimentação e à atividade física. Estou vendo que sabe se cuidar. Uma alimentação saudável é a chave da saúde. Da mesma forma, uma atividade física paralela. O sedentarismo, por si só, é um perigo, principalmente depois dos cinquenta anos. A única falha que estou vendo no seu ritmo de vida é com relação ao aspecto sexual. O senhor tem que melhorar a frequência, pois a atividade sexual retarda o envelhecimento, melhora a pele e ajuda a manter o bom humor. Sexo é fundamental para a saúde física e mental. Eu, por exemplo, tenho quase dez anos a mais do que o senhor e não perco tempo: Tenho relações sexuais, no mínimo, três vezes por semana!

O paciente, encabulado, sentiu-se na obrigação de dar uma explicação ao médico:

- Doutor, o senhor leva uma vida bem diferente da minha. Deve ser casado... Quanto a mim, além de não ser casado, sou o Bispo de Guarabira!

(Violante Pimentel é procuradora aposentada do Rio Grande do Norte)