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quinta-feira, 13 de outubro de 2016

FOLHA CORRIDA

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-- Tiago, eu preciso de um favor seu. Quero que me ajude a escolher uma boa assessoria de comunicação, a melhor que tiver. Dinheiro não é problema, você sabe disso. As eleições estão chegando. A disputa será acirrada. Não posso correr o risco de não me reeleger. É hora de contar com o apoio de especialistas em gerenciamento de crises e reposicionamento de imagem. Tenho sido muito injustiçado pela mídia – discorria, com o cinismo habitual, Campos Filho, deputado de vários mandatos e reputação abaixo de qualquer suspeita.

-- Conte comigo, deputado Campos. Sei bem o quanto o senhor tem sido vítima da imprensa e do Ministério Público. Tenho uns bons contatos nessa área de comunicação. Fique tranquilo – respondeu o noivo de Irene, a neta predileta do Velho Marinheiro. Não há nada que bons marqueteiros não resolvam.

-- Você, Tiago, sabe que a política me fez empobrecer...

O Velho Marinheiro, nosso Lobo do Mar não se conteve:

-- Deputado, esse negócio de gerenciamento de crise e reposicionamento de imagem não funciona no seu caso. Não há quem modifique sua folha corrida. Suas digitais estão em toda parte. Vai gastar uma fortuna, um dinheiro que não lhe pertence, para nada. Mais prejuízo para o povo.

E foi adiante:

-- Tiago, eu vou lhe dizer uma coisa: se trouxer Sua Excelência aqui em casa de novo – o que espero que não aconteça mais –, me avise antes. Mando a empregada tirar os objetos de valor da sala. Com licença. Vou tirar uma soneca.  (OS - janeiro/2014)

     



domingo, 28 de fevereiro de 2016

UM HOMEM DA "MASSA"

Tiago, noivo de Irene, neta predileta do Velho Marinheiro, tem uma capacidade ímpar: irritar sem limites nosso Lobo do Mar, irritadiço por natureza e sina. Mas Tiago é capaz de levá-lo à loucura – e quem paga a conta é o bicho de pé imaginário. Problema de pele. Mal o moço entra na sala com sua cara de sonso, Mafalda sabe que o marido vai ficar empolado. E fica: roxo feito aquela variedade de repolho. Com pintinhas pretas, cravos em adolescente.

-- Já lhe pedi, Tiago, para não trazer mais político em casa. Vou ter que desenhar? Você é teimoso, insiste. Ainda lhe meto um tiro de sal na bunda, que é o que você merece – esbravejou vovô VM, como gosta de chamá-lo o alvo das críticas.
blogladob.com.br


-- Mas o Zeca é um cara ficha limpa, do bem, preocupado com o povo, de esquerda, homem da massa – tentou argumentar Tiago.

-- Se é ladrão, como a maioria, não sei. Ficha limpa? Decência não é mérito: é obrigação. O que sei é que ele é um analfabeto juramentado, incapaz de entender o que vai escrito em bilhete. O que um homem desses pode fazer na Assembléia Legislativa? Nada. Vai fazer papel de besta – e vai fazer de besta quem nele votou. 

-- O senhor é muito desconfiado, vovô VM.

-- Desconfiado, não sem razão, é seu pai. Quanto ao seu candidato, o tal de Zeca, saiba o que penso: a incompetência, na vida pública, é uma forma de corrupção. E cuide bem de sua bunda. Espingarda eu tenho; sal grosso também. 

-- Credo, vovô VM!

-- Vovô VM é o corno de seu avô. (OS-2013)

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

PORTA DA RUA

DIVULGAÇÃO

E o Velho Marinheiro, nosso Lobo do Mar, caçador incansável de bicho de pé imaginário, fez o que sempre faz: rasgou o verbo:

-- Tiago, você é uma porcaria. Ora, quer ser político. Ora, quer ser empresário. Ora, quer ser sei lá o quê. Você é mandrião, não gosta de trabalhar, quer dar um golpe na praça. Quando a coisa aperta, se faz de maluco, abraça árvores, fala com pássaros, pisa em brasas pra queimar a sola dos pés e ficar de licença médica, recebendo sem pegar no batente. 

A neta predileta, Irene (a eterna noiva), e a patroa, Mafalda, se encresparam:

-- Que barbaridade! -- protestaram em uníssono.

-- Barbaridade é este sujeito estar aqui com essa cara deslavada. Não pense você, Tiago, que me amuo por você ainda não se ter casado com Irene, muito embora estejam noivos há mais de década. Por mim, não se casariam nunca. De estorvo, estou cheio. Cansei de carregar malas que não são minhas. Você é uma mala que não me pertence. 

-- Vovô!!!

-- Meu velho!!!

-- Moleque: saiba que opiniões diferentes das minhas não me incomodam, não. Ao contrário. Em geral, elas me fazem melhor. Ou menos ruim, como quiser. Mas, para emiti-las, o sujeito precisa ter caráter. Não é o seu caso. A porta da rua é serventia da casa. (OS- 2013)