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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

CHÁ DAS CINCO: SÉRGIO PORTO

Resultado de imagem para ILUSTRAÇÃO CASAL JANTANDO EM RESTAURANTE
ILUSTRAÇÃO: FREEPIK


O INFERNINHO E O GERVÁSIO

O cara que me contou esta história não conhece o Gervásio, nem se lembra quem lhe contou. Eu também não conheço o Gervásio nem quem teria contado a história ao cara que me contou, portanto, conto para vocês, mas logo vou explicando que não estou inventando nada.

Deu-se que o Gervásio tinha uma esposa desses ditas "amélias", embora gorda e com bastante saúde. Porém, Mme. Gervásio não era de sair de casa, nem de muitas badalações. Um cineminha de vez em quando e ela ficava satisfeita.

Mas deu-se também que o Gervásio fez 25 anos de casado e baixou-lhe um remorso meio chato. Afinal, nunca passeava, a coitada, e, diante do remoer de consciência, resolveu dar uma de bonzinho e, ao chegar em casa, naquele fim de tarde, anunciou:

- Mulher, mete um vestido melhorzinho que a gente vai jantar fora!

A mulher nem acreditou, mas pegou a promessa pelo rabo e foi se empetecar. Vestiu aquele do casamento da sobrinha e se mandou com o Gervásio para Copacabana. O jantar - prometia o Gervásio - seria da maior bacanidade.

Em chegando ao bairro que o Conselheiro Acácio chamaria de "floresta de cimento armado", começou o problema da escolha. O táxi rodava pelo asfalto e o Gervásio ia lembrando: vamos ao Nino's? Ao Bife de Ouro? Ao Chauteau? Ao Antonio's? Chalet Suisse? Le Bistrô?

A mulher - talvez por timidez - ia recusando um por um. Até que passaram em frente a um inferninho desses onde o diabo não entra para não ficar com complexo de inferioridade. A mulher olhou o letreiro e disse:

- Vamos jantar aqui.

- Aqui??? - estranhou Gervásio. - Mas isto é um inferninho!

- Não importa - disse a mulher. - Eu sempre tive curiosidade de ver como é um negócio desses por dentro.


SÉRGIO PORTO (FOTO: ARQUIVO GOOGLE)

O Gervásio ainda escabriu um pouquinho, dizendo que aquilo não era digno dela, mas a mulher ponderou que ele a deixara escolher e, por isso, era ali mesmo que queria jantar. Vocês compreendem, né? Mulher-família tem a maior curiosidade para saber como é que as outras se viram.

Saíram do táxi e, já na entrada, o porteiro do inferninho saiu-se com "Boa-noite, Dr. Gervásio" marotíssimo. Felizmente a mulher não ouviu. O pior foi lá dentro, o maitre d'hotel abriu-se no maior sorriso e perguntou:

- Dr. Gervásio, a mesa de sempre? - e foi logo se encaminhando para a mesa de pista.

Gervásio enfiou o macuco no embornal e aguentou as pontas, ainda crédulo na inocência da mulher. Deu uma olhada para ela, assim como quem não quer nada, e não percebeu maiores complicações. Mas a insistência dos serviçais de inferninho é comovedora. Já estava o garçom ali ao pé do casal, perguntando:

- A senhorita deseja o quê? - e, para o Gervásio: - Para o senhor o uísque de sempre, não, Dr. Gervásio?

A mulher abriu a boca pela primeira vez, para dizer:

- O Gervásio hoje não vai beber. Só vai jantar.

- Perfeito - concordou o garçom. - Neste caso, o seu franguinho desossado, não é mesmo?

O Gervásio nem reagiu. Limitou-se a balançar a cabeça, num aceno afirmativo. E, depois, foi uma dureza engolir aquele frango que parecia feito de palha e matéria plástica. O ambiente foi ficando muito mais para urubu do que para colibri, principalmente depois que o pianista veio à mesa e perguntou se o Dr. Gervásio não queria dançar com sua dama "aquele samba reboladinho."

Daí para o fim, a única atitude daquele marido que fazia 25 anos de casado e comemorava o evento foi pagar a contar e sair de fininho. Na saída, o porteiro meteu outro "Boa-noite, Dr. Gervásio", e abriu a porta do primeiro táxi estacionado em frente.

Foi a dupla entrar na viatura e o motorista, numa solicitude de quem está acostumado a gorjetas gordas, querer saber:

- Para o hotel da Barra, doutor?

Aí ela engrossou de vez:

 - Seu moleque, seu vagabundo! Então é por isso que você se "esforça" tanto, fazendo extras, não é mesmo? Responde, palhaço!

O Gervásio quis tomar uma atitude digna, mas o motorista encostou o carro, que ainda não tinha andado cem metros, e lascou:

- Dr. Gervásio, não faça cerimônia: o senhor querendo eu dou umas bolachas nessa vagabunda, que ela se aquieta logo.

***

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Alceu respirou fundo, resolveu mentir (amou Matilde, sim) e colocar um ponto final na história arrastada, pois de uns tempos pra cá só tinha cabeça, coração e membros para Verinha, a cunhada mais nova, dona de bunda e peitos fartos... Por Orlando Silveira


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quinta-feira, 25 de agosto de 2016

FRASES: STANISLAW PONTE PRETA (2/2)


Nem todo gordo é bom, muitos se fingem de bonzinhos
 porque sabem que correm menos.

***

Sempre ouviu dizer que o homem totalmente realizado
 é aquele que tem um filho, planta uma árvore e escreve um livro. 
Tinha um filho, plantou uma árvore, 
o filho trepou na árvore, caiu e morreu. 
Só lhe restou escrever um livro sobre isso.

***

Mania de grandeza é a desses suplementos literários
 que têm um aviso dizendo que é proibido vender separadamente.

***

Mulher expondo teoria sobre educação infantil é solteira na certa.

***

Ou restaure-se a moralidade ou locupletemo-nos todos!

***

Esperanto é a língua universal que não se fala em lugar nenhum.

***

terceiro sexo já está quase em segundo.

***

A polícia prendendo bicheiros? 
Assim não é possível. Respeitemos ao menos as instituições!

***

A polícia anda dizendo que prende um bandido de meia em meia hora, 
então a gente fica desconfiado que eles assaltam de 15 em 15 minutos.

***

Ninguém se conforma de já ter sido.

***

A diferença entre o religioso e o carola 
é que o primeiro ama a Deus, o segundo, teme.

*** 

Mulher e livro, emprestou, volta estragado.




Ainda no campo da música, Sérgio Porto criou e produziu As Certinhas do Lalau, um concurso de beleza disputado entre as vedetes mais famosas na época. Neste concurso, figuravam nomes como Maria Pompeo, Irma Alvarez, Rose Rondelli, Diana Morel e Anilza Leoni. Estudioso e polêmico, o jornalista alcunhou uma nova definição para a MPB, alterando a sigla para MPBB, que significava Música Popular Bem Brasileira.

Apesar das contribuições para a música, Sérgio era também um grande crítico da ditadura militar. Com um senso de humor refinado, fazia críticas contundentes ao sistema de governo, à moral de sua época e aos costumes burgueses. Uma de suas criações mais inovadoras foi o Festival de Besteiras que Assola o País (FEBEAPÁ). O objetivo deste projeto era a simulação de matérias de jornal que criticavam a repressão dos militares com sarcasmo. Em um dos textos, Sérgio noticiou a prisão de Sófocles, um dramaturgo grego, pelos militares, que acusavam suas peças de apresentar conteúdo subversivo. O jornalista faleceu aos 45 anos por problemas cardíacos. (www.infoescola.com)




quarta-feira, 24 de agosto de 2016

FRASES: STANISLAW PONTE PRETA (1/2)

GOOGLE

O sol nasce para todos:
 a sombra, para quem é mais esperto.

***

No Brasil as coisas acontecem,
 mas depois, com um simples desmentido,
deixaram de acontecer.

***

Antes só do que muito acompanhado.

***

Uma feijoada só é realmente completa
 quando tem uma ambulância de plantão.

***

Quando estamos fora, o Brasil dói na alma;
quando estamos dentro, dói na pele.

***

Nos trens suburbanos não livram a cara nem de padre,
que dirá mulher de minissaia.

***

Se você não acredita que o reino do céu é aqui,
repare então como os pobres de espírito se divertem.

***

Política tem esta desvantagem:
 de vez em quando o sujeito vai preso em nome da liberdade.

***

Desligou o telefone com uma violência de PM em serviço.

***

Mais monótono do que itinerário de elevador.

***

Consciência é como vesícula:
 a gente só se preocupa com ela quando dói.


 
GOOGLE


Nasceu no Rio de Janeiro em 11 de janeiro de 1923. Sérgio Porto foi compositor, escritor e radialista. Ficou conhecido como Stanislaw Ponte Preta, seu pseudônimo. O início de sua carreira deu-se ao fim da década de 40, quando começou a participar do jornal Última Hora, Diário Carioca, Tribuna da Imprensa, revistas Manchete e Sombra.

Naquela época, houve a criação do pseudônimo Stanislaw Ponte Preta, que ocorreu da seguinte forma: Tomás Santa Rosa, ilustrador, trabalhava em diversas mídias e acabou conhecendo Sérgio Porto. Juntos, os dois criaram Stanislaw como um personagem de textos satíricos, crônicas e críticas que foi inspirado em Serafim Ponte Grande, protagonista do livro homônimo do escritor Oswald de Andrade. Além da criação do personagem, Sérgio Porto foi um grande apaixonado por música, tendo contribuído com jornais e revistas sobre o assunto, fazendo coberturas de shows e, até mesmo, compondo. Ele é o compositor da canção “Samba do Crioulo Doido”.

Outra grande contribuição de Sérgio Porto para a música brasileira foi a redescoberta de Cartola. No ano de 1957, Cartola havia desaparecido e trabalhava como lavador de carros e vigia de um edifício no bairro de Ipanema. Então, foi reconhecido por Sérgio, que começou a ajudar o músico a retornar aos palcos e retomar sua carreira. Além disso, publicou artigos sobre Cartola em jornais de grande circulação. (www.infoescola.com)