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sexta-feira, 7 de março de 2014

NENÉM NATUREBA

A pós-adolescente andava terrível. Ninguém podia jogar dois litros de PET no lixo. Os jornais, o rolinho do papel higiênico e latas (de cerveja e refrigerante) só podiam ter um destino, o mesmo das caixinhas de leite e sucos: a reciclagem. Depois de serem devidamente lavados. Bem lavados.

sanatoriodanoticia.blogspot.com

Ela não lavava nada. Nem levava nada a lugar algum. A não ser que lhe emprestassem o carro, para que levasse o material, quando arrumava tempo para tanto - coisa rara -, naquele hipermercado chique a vários quilômetros de casa. Não confiava no sistema de reciclagem do prédio. No que estava certa. Nos andares, o lixo era separado. Na garagem, era tudo socado no mesmo balaio de ratos.

A pós-adolescente tinha sempre a consciência tranqüila dos politicamente corretos e o dedo indicador em riste, a acusar os "depredadores" da natureza.



terça-feira, 22 de outubro de 2013

OFERTA E PROCURA

O carroceiro estava inconformado. E não escondia sua revolta de ninguém:

- R$ 1,20! R$ 1,20 o quilo da latinha! Um quilo é igual a 62 latas vazias. Não adianta por areia pra enganar. Os homens são espertos. Se for pego enganando, não vende mais ali e em lugar nenhum na redondeza. Esse negócio já foi bom. Cheguei a receber R$ 1,80 por quilo. Agora, o que dá dinheiro mesmo é juntar só o lacre da lata. Aquilo vale ouro. Se encher duas garrafas de Coca de dois litros e meio, o cara está boneca. Compra o que quiser. Compra até cadeira de roda.

- Cadeira de rodas?


- É mano. Estranha, não. A gente nunca sabe o dia de amanhã.