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terça-feira, 29 de abril de 2014

CHACRINHA E O AUTOQUE RETAL


tvfoco.biz

Não são poucos os parlamentares – vereadores, deputados e senadores – que levam ao paroxismo aquela máxima de Abelardo Chacrinha Barbosa: “Na televisão, nada se cria, tudo se copia”. Quem conhece o Legislativo sabe bem como a coisa funciona. Há parlamentares que escalam assessores para acompanhar com lupa os projetos de seus pares publicados no Diário Oficial. Objetivo: copiá-los, com pequenas alterações, para, digamos assim, “enriquecer” seu currículo e engabelar eleitores incautos. Muitos, no final de cada ano, saem alardeando: “Apresentei mais de uma centena de projetos, não tenho culpa se a Casa não os aprova”. São uns cínicos.

Mas há uma categoria de parlamentares ainda pior que a dos “copiadores”: são os que se pretendem criativos e se metem em assuntos que não entendem. Anos atrás, na Assembléia Legislativa de São Paulo, um deputado sério, urologista renomado, apresentou projeto que criava um programa cujo objetivo era promover a detecção precoce do câncer de próstata. À época, o projeto, que virou lei, teve boa repercussão na imprensa.

Um colega seu de bancada, engenheiro, moço de modos maneiros, resolveu pegar uma carona: apresentou projeto que obrigava o governo do Estado a desenvolver e distribuir cartilhas incentivando os homens a fazer o autotoque retal, isso mesmo: o autotoque retal. Afinal, deve ter pensado o engenheiro, mulheres não fazem o autoque da mama? 

Felizmente, a comissão de Saúde abortou a ideia maluca.      


terça-feira, 22 de outubro de 2013

EFEITO TOSTINES

 Eles são iguais a gente?/Foto: Agência Câmara
Políticos, em geral, gostam de dizer que o Parlamento é a cara da sociedade. Talvez seja uma maneira de aliviar suas culpas. Ou, melhor dizendo: talvez seja uma forma dissimulada de pôr os cidadãos contra a parede: “Se estivesse em meu lugar, faria o mesmo que eu faço. Ou faria pior ainda. Então, por que você me rejeita tanto?”

Durante muito tempo, me recusei a acreditar que o Parlamento fosse a “cara” da sociedade. “Não podemos ser tão feios, sujos e malvados como a maioria deles!”, me indignava. Hoje, já não tenho a mesma convicção. Tenho escrito uma série de textos curtos sobre isso. Em breve, estarão no blog que estou finalizando, sob a rubrica “A ética do cruz-credo”. Registro papos de bar e de família, comportamentos no trabalho, flagrantes do dia-a-dia. Conclusão: se falta – e falta – decoro no Olimpo; na planície, ele também não se destaca pela abundância.

O Parlamento é o que é por que a sociedade é assim, ou a sociedade é assim por que o Parlamento é o que é? Ninguém precisa ficar nervoso, não. Sei que há muita gente boa por aí, mas também sei que há gente boa por lá. A desgraça é que, por aqui e por lá, quem presta é minoria.


CONVERSINHA MOLE

Como levar a sério um Congresso que, por interesse e omissão, há anos e anos não cumpre sua tarefa constitucional de deliberar sobre os vetos presidenciais, hoje na casa dos três mil?

Desgraça pouca, sabemos, é bobagem: as demais casas legislativas – Assembleias Estaduais e Câmaras Municipais – do país seguem na mesma batida.


E esta situação de absoluto descrédito da sociedade no Poder Legislativo não irá mudar tão cedo, a partir de medidas cosméticas e pontuais. É preciso colocar um cabresto, como dizia o ex-deputado federal Arnaldo Madeira (PSDB-SP), um dos mais preparados do país, nos que foram eleitos para nos representar no Parlamento. E isto só é possível com o voto distrital. O resto é conversinha.

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

OUVIDO NÃO É PENICO

A falência do sistema educacional brasileiro chegou ao Parlamento – há tempos, registre-se. É raro encontrar um orador que fale coisa com coisa, mais raro ainda encontrar quem fale coisa com coisa e saiba se expressar de forma a atrair as atenções do distinto público e dos próprios pares. Se a presidente fosse parlamentar, não degeneraria. Estaria entre os seus. Melhor mandar os discursos por escrito.