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domingo, 17 de novembro de 2013

PAIS SACANAS

Tenho para mim que o “bom velhinho” é um dos personagens mais sacaneados da história. O que sempre fizeram – e ainda fazem – com ele é coisa que não se faz com ninguém. Nem com Judas. Nem com os quadrilheiros que tomaram de assalto o Estado brasileiro. Os tempos, eu sei, mudaram. As crianças de hoje não são tão tolas quanto as de ontem. Mas continuam sendo vítimas de propaganda enganosa.


Durante alguns poucos anos, ouvia que se fizesse (ou não fizesse, dependendo do caso) isso ou aquilo, Papai Noel não “viria”. Ou seja: o velhote barbudo e suas renas iriam me largar na mão, sem presente algum, em pleno Natal.  O jeito era tomar a benção da madrinha e do padrinho, evitar palavrões, suportar sem um pio a injeção no traseiro. Não foram poucas as vezes que pai e mãe me incentivaram a escrever cartas para o amigão das crianças. Fazia meus pedidos e recebia algo completamente diferente do que desejava. Eu lhe pedia um triciclo e recebia uma peteca. Eu lhe rogava um autorama e lá vinha uma bola de plástico.

Pai e mãe vinham com a lenga-lenga de sempre. “Papai Noel está pobre, neste ano”. Até aí, tudo bem. Estava acostumado com a vida dura. O que não conseguia entender era por que o vizinho sempre recebia presentes melhores que os meus. Que diabos! Este velho só pode estar de sacanagem comigo. Todo ano a mesma ladainha? Que seletividade é esta? Fui tomando uma ojeriza pelo velho que só eu sei. Só não rompi as relações porque, afinal, uma peteca é melhor que nada. Certo dia, pai e mãe vieram com a “bomba”: “Papai Noel não existe”. Recebi a “bomba” com alívio. Minha ira mudou de foco.

Até hoje não consigo compreender as razões que levam os pais a fazer o filho acreditar numa “mentira” e a sentir bronca da “mentira”, para depois lhe dizer que a “mentira” nunca existiu. Vão puxar trenós.




sábado, 16 de novembro de 2013

MEU AMIGO É...



camila-entrequatroparedes.blogspot.com
Papai Noel – qualquer criança de hoje sabe disso – não existe, mas o “amigo oculto” existe, sim. Está presente nas firmas, nas famílias, nos bares e becos. É uma lástima. Muda o cenário, mas a desgraça é a mesma. De lá ou de cá, o “amigo oculto” não arreda pé. Ser um deles não é coisa pra qualquer um. Sem uma dose generosa de tolice ninguém chega lá.

A desgraça começa no sorteio, mas nele não termina. Noventa por cento odeia o “amigo” sorteado. “Ferrou”, diz o filho do meio, em casa, antes de pedir para que a mãe (ou o pai, ou um dos irmãos) assuma o mico: “Porra, Paulinho não dá”. Troca feita, quase tudo acertado, chega-se à segunda etapa: “O que comprar para baleia da tia Madalena, com dez reais”?  Nada que preste, evidentemente. “Mas ela também não merece nada que preste”, argumenta a mãe pacificadora. O pai não se faz de rogado: “Filho: tua tia é uma vaca. É capaz de lhe dar uma cueca usada. Não esquenta”.

Eis que chega o grande dia, hora de trocar presentes, de mostrar o amor que une a família.

A gorducha toma a palavra, em tom de suspense:

-- Meu amigo oculto é... Gorduchinho. Bonitinho. Amor de criatura.

As dicas são inservíveis. Ali, todo mundo é gordo. Beleza é coisa relativa. Amor de criatura não quer dizer nada. Mas o gordo mórbido acertou na mosca:

-- Sou eu.

Era.

E lá foi ele cumprir seu duro dever:

-- Meu amigo oculto é...


quinta-feira, 14 de novembro de 2013

DONATO ACREDITA EM PAPAI NOEL

Se um grupo abaixo de qualquer suspeita – convenhamos a fama de fiscais da Prefeitura nunca foi das melhores, e os sérios que me perdoem – começasse a lhe destinar recursos vultosos, para que você os usasse a seu bel prazer, até para fazer campanha eleitoral, duas perguntas – suponho – martelariam sua cabeça. 1 – Qual será o preço de tamanha generosidade? 2 – Qual a origem do dinheiro? O preço da “generosidade” já se sabe: garantir a presença dos quadrilheiros no atual governo do PT. Preço pago, compromisso honrado. Segundo um dos membros da quadrilha do ISS, o auditor Eduardo Barcellos, o ex-secretário municipal de Governo, Antonio Donato, não tinha ciência da origem do dinheiro que recebia da turma.
Donato – quem diria? – acredita em Papai Noel.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

ALI, EU NÃO PISO MAIS

Se há coisa que aprendi a respeitar na vida é a decepção alheia. Decepção não escolhe idade nem motivo. Decepção é sempre dolorida para quem a sofre. Rejeito de pronto essa conversa mole de que a minha decepção é a maior que a sua ou vice-versa. Imagino, por exemplo, que seja motivo de decepção medonha o sujeito juntar durante anos suas economias, troco por troco, gastar os olhos lendo guias turísticos, financiar a viagem em intermináveis prestações, ir a Roma... E não ver o Papa. Que lástima!

Felizmente, essa decepção eu não sofri. Nunca fui a Roma. E por uma razão muito simples: fiz e refiz as contas e concluí que era melhor ver mesmo o Papa pela tevê. Jamais juntaria os trocos necessários para tal empreendimento. Até porque o gasto é medonho. É passagem. É estadia. É alimentação. E não é tudo: o sujeito tem que ir bem vestidinho, porque não tem cabimento se apresentar ao Papa em andrajos. Só alguém muito malcriado – e agnóstico ou ateu – faria algo assim.

Optamos sempre pelo sistema bate e volta. Quando possível – o que é raro –, encaramos um pernoite com direito ao café da manhã. Não deixa de ser uma maneira, forçada, de minimizar o risco de sofrer decepções. Mas nem sempre é possível evitá-las. Agora mesmo, sofremos um baque em nosso tour em Penedo. Não sou nem um pouco chegado a trilhas, muito menos a cavalgadas ou a banhos em cachoeiras acidentadas. Por isso, aceitei a ideia de visitar a “casa de verão” do Papai Noel – um dos atrativos do distrito, logo após as trilhas, as cavalgadas e os banhos em cachoeiras acidentadas.

Relutei, mas cedi à argumentação de minha conselheira: “Vir a Penedo e não ver o Papai Noel e sua casa é o mesmo que ir a Roma...” Muito bem. Lá fomos nós. E demos com as fuças na porta. A casa estava fechada, por um motivo triste:

“O Papai Noel está doente” – nos informou a balconista encarregada de vender os ingressos, com aquela falta de interesse típica de quem vende bilhete para que se possa entrar na casa de Papai Noel. “Não sei quando ele volta... Se é que volta”, arrematou.


Francamente, ela não poderia ter inventado uma desculpa melhor, do tipo “ele está cuidando das renas”, “o trenó quebrou” ou “foi vistoriar a fábrica de brinquedos”? Que decepção. Que falta de sensibilidade. De ilusão também se vive. Ou a balconista não sabe disso? (abril de 2013)