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sexta-feira, 24 de agosto de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

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Imagem: Arquivo Google



EM 2018, OS SEM-TV TESTAM
O PODER DA INTERNET

As perguntas que boiam na atmosfera são:
A TV ajudará gente sem voto como Alckmin a decolar?
A internet será suficiente para impedir a desidratação
de gente como Bolsonaro?

POR JOSIAS DE SOUZA
UOL – 23/08/2018 – 22H33



O TSE confirmou o tempo que cada presidenciável terá para vender o seu peixe no horário eleitoral. Escancarou-se o paradoxo: Alckmin, sem voto, dispõe do maior latifúndio eletrônico da temporada: 5 minutos e 32 segundos de propaganda no rádio e na TV. Bolsonaro, primeiro colocado nas pesquisas sem Lula, terá 8 segundos —mal dá para dizer o nome. Nesse mato, quem não tem TV caça com a internet.

De acordo com levantamento do Ibope, 70% do eleitorado ainda se informa por meio da TV. Mas a proliferação dos celulares transformou a internet no segundo canal de acesso das pessoas às informações sobre política. A exemplo de Bolsonaro, candidatos como Marina (21 segundos) e Ciro (38 segundos) também terão derramar suor nas redes sociais para compensar o nanismo eletrônico.

As perguntas que boiam na atmosfera são: A TV ajudará gente sem voto como Alckmin a decolar? A internet será suficiente para impedir a desidratação de gente como Bolsonaro? O embate TV versus celular ganhou em 2018 uma dimensão que não teve em nenhuma outra eleição. O eleitor brasileiro já deu demonstrações de que, com boa propaganda, acredita até em ovo sem casca. Resta saber que peso terá cada meio na difusão das mensagens.



sexta-feira, 16 de março de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

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Rio  manifestação em homenagem à Marielle
Foto: Mídia Ninja

 

FATOS ARRASTAM TEMER

PARA AGENDA DE DELEGADO

 

Rodeado por denúncias criminais e inquéritos por corrupção,

Temer convive com o risco de ter um futuro à moda de Sérgio Cabral

 

Por Josias de Souza

UOL – 15/03/2018

 

O fuzilamento da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, aconteceu no centro do Rio de Janeiro. Mas os efeitos dos disparos foram sentidos no Palácio do Planalto. Michel Temer descobriu da pior maneira possível o quão arriscado é fazer populismo com segurança pública. Ao decretar intervenção federal na segurança do Rio, Temer disse que seu governo prevaleceria sobre a bandidagem. Os criminosos ainda não lhe deram crédito. Pior: revelam-se dispostos a balançar o coreto de sua autoridade.

A essa altura, nem as almas mais ingênuas acreditam na lorota de que Temer devolverá a paz ao Rio até dezembro, quando termina o seu mandato. Primeiro porque o tempo é curto. Segundo porque falta uma certa  autoridade a Temer. Há duas décadas, um candidato a prefeito chamado Sergio Cabral dizia que a Rocinha era uma fábrica de marginais. Anos depois, eleito governador pelo PMDB, partido de Temer, Cabral chegou a anunciar que mandaria murar uma favela. Hoje, o aliado de Temer está preso dentro dos muros da cadeia paranaense que guarda os larápios da Lava Jato.

Rodeado por denúncias criminais e inquéritos por corrupção, Temer convive com o risco de ter um futuro à moda de Sérgio Cabral. Mas achou que poderia oxigenar o resto do seu mandato desafiando o crime organizado do Rio. Retirou o governador Luiz Fernando Pezão da linha de tiro. E atraiu para o gabinete presidencial, em Brasília, todas as mazelas da insegurança do Rio. Temer sonhou com a revitalização de sua autoridade de presidente. Mal sabia ele que a realidade o arrastaria para uma agenda de delegado de polícia.



MARIELLE PODE SER O PAVIO
QUE REACENDERÁ AS RUAS

É cedo para dizer se 2018 repetirá 2013. Mas o fuzilamento da vereadora Marielle Franco e do motorista dela, Anderson Gomes, retirou um pedaço da opinião pública de casa. Beneficiário do derretimento do governo de Dima Rousseff, Michel Temer sentiu o hálito quente do asfalto no início da noite desta quinta-feira. Nas palavras de um auxiliar do presidente, “é hora de encostar o ouvido no asfalto para escutar o que ele tem a dizer.”

Temer e seus operadores políticos assustaram-se com a quantidade de pessoas que foram às ruas por Marielle. Supreenderam-se também com o tamanho da repercussão internacional do episódio. O que pode acontecer?, perguntou o repórter ao colaborador do presidente. E ele: “Difícil prever o desfecho de algo que está em andamento. A única coisa que nos interessa no momento é a investigação. Nossa obrigação é apresentar rapidamente os culpados e providenciar a punição.”

Quando as ruas roncaram sob Dilma, a então presidente anunciou com espalhafato uma proposta de “cinco pactos”. Esfumaçaram-se no ar. Ela também esgrimiu um projeto de constituinte exclusiva. Não conseguiu explicar para quê. Empinou a ideia de uma reforma política moldada por um plebiscito. Tanta empulhação aumentou o caldo em que foi fervido o mandato de Dilma.

Embora o Planalto não se arrisque a prever até onde vai o barulho provocado pela execução de Marielle, há um detalhe do qual ninguém discorda. Dê no que der, Temer não conseguirá ficar alheio às consequências. O presidente saltou dentro do caldeirão há um mês, quando decretou a intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro.

Na manhã desta quinta-feira, quando as ruas ainda não soluçavam, Temer afirmou: ''Não destruirão o nosso futuro; nós destruiremos o banditismo antes”. Até aqui, a principal arma do governo foi a marquetagem. Ao reiterar a promessa de que a intervenção federal restabelecerá a paz no Rio, Temer vende uma ficção que cutuca a paciência do meio-fio. (JS)

quarta-feira, 14 de março de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

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ALGO MUDOU EM CÁRMEN LÚCIA

Ou o Supremo põe a fila para andar ou sua supremacia 
vai caber numa caixa de fósforos

Por Josias de Souza
Jornal da Gazeta - 13/03/2018

Num instante em que muitos reclamam da judicialização da política, a presidente do Supremo Tribunal Federal parece empenhada em evitar a politização da Justiça. Sob o argumento de que não se deve “apequenar” a Suprema Corte, a ministra resiste à pressão para reabrir a discussão sobre a regra que permite a prisão de personagens como Lula, condenados na segunda instância do Judiciário. Como lida com a pressão?, perguntaram a Cármen Lúcia. E ela, implacável: “Eu não lido. Eu simplesmente não me submeto à pressão.”
Em privado, Lula e seus súditos petistas acusam Cármen Lúcia de seletividade. Sustentam que a preocupação da ministra com a estatura do Supremo não parecia tão aguçada quando quem estava na berlinda era o senador tucano Aécio Neves. Nessa ocasião, sustentam os petistas, com boa dose de razão, a presidente do Supremo reduziu o pé-direito do tribunal.
A cúpula do PT se queixa de que Cármen Lúcia foi mais política do que juíza ao ceder às pressões que resultaram na abertura de uma porta de emergência para a saída de Aécio Neves, quando a Primeira Turma do Supremo afastou o senador tucano do mandato e o proibiu de sair de casa à noite. Há, de fato, uma nova Cármen Lúcia na praça. Ao contrário do que alega o PT, ela é melhor do que a anterior. Por duas razões. Primeiro porque aproxima Lula da cadeia. Segundo porque transforma gente como Aécio Neves em bola da vez. Ou o Supremo põe a fila para andar ou sua supremacia vai caber numa caixa de fósforos.

sábado, 24 de fevereiro de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

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Cadê as ideias?

HÁ MUITO CALDO E POUCO FEIJÃO NA PANELA

Se você não abrir os olhos, vai acabar elegendo
a melhor encenação, não o melhor candidato

Por Josias de Souza
UOL/BLOG - 23/02/2018 - 23h25

Os partidos têm até o dia 15 de agosto para registrar no Tribunal Superior Eleitoral os nomes dos candidatos à Presidência da República. Ou seja: faltam seis meses. Há na praça, entre candidatos e pretensos candidatos, uma dezena de nomes. A lista inclui até condenado. Mas, se a sucessão fosse uma feijoada, haveria no panelão muito caldo e pouco feijão. Carne, nem pensar. A grande pergunta é: o que pretendem fazer os candidatos? Ou, por outra: o que eles têm a oferecer? O problema não é nem a falta de projeto, mas a sensação de que todos o consideram desnecessário.

Muitos dizem: ah, isso é assim mesmo. O brasileiro está noutra sintonia. Mal acabou o Carnaval. O Tite ainda nem convocou a seleção da Copa. Por essa lógica, o eleitor só vai acordar para a sucessão quando começar a propaganda dos candidatos na televisão. Beleza. Tudo normal. Mas foi esse tipo de normalidade que transformou a democracia brasileira num empreendimento político que saiu pelo ladrão. Depois de tantos escândalos, imaginou-se que algo de anormal aconteceria.

A oligarquia política que caiu nas ratoeiras do mensalão e da Lava Jato se rearticula para oferecer dois tipos de mercadoria nessa eleição: mais do mesmo ou algo muito pior. Nesse exato momento, os principais candidatos montam suas coligações. Seguem a mesma lógica maldita que colocou o Brasil no caminho do brejo. Em troca do tempo de propaganda, negociam a alma com Jeffersons e Valdemares, Jucás e outros azares. Só no final do processo aparecerão as ideias… Dos marqueteiros. E você, se não abrir os olhos, vai acabar elegendo a melhor encenação, não o melhor candidato.



sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

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Luis Roberto Barroso
Foto: Fellipe Sampaio /SCO/STF

MUDAR REGRAS SOBRE PRISÕES
SERIA “RUIM E TRÁGICO”

Ministro Luís Roberto Barroso, do STF:
"Você tem uma elite extrativista que cria um país só para si.
Em qualquer democracia, você pode ter um projeto liberal,
progressista ou conservador de poder.
Mas jamais um projeto desonesto de poder,
e esta é a circunstância brasileira"



Por Josias de Souza
UOL/BLOG – 23/02/2018 – 2h35

Num instante em que o Supremo Tribunal Federal se prepara para discutir pela quarta vez a jurisprudência sobre prisão, o ministro Luís Roberto Barroso declarou que será “entre muito ruim e trágico” se a maioria dos seus colegas decidir rever a regra que permitiu o encarceramento de condenados na segunda instância. A presidente da Suprema Corte, Cármen Lúcia, vem sendo pressionada a colocar o tema na pauta de julgamentos do plenário. Condenado a 12 anos e 1 mês de cadeia no TRF-4, Lula aguarda o desfecho com indisfarçável interesse.

Entrevistado pela repórter Míriam Leitão, Barroso declarou: “Acho que esta discussão vai se colocar, e vai ser entre muito ruim e trágico se o Supremo reverter a posição. Quando se passou a permitir a execução depois da condenação em segundo grau, pela primeira vez a imensa quantidade de ricos delinquentes que há no Brasil passou a evitar cometer crimes e, depois, a colaborar com a Justiça. Foi a coisa mais importante que aconteceu para se punir a criminalidade do colarinho branco.”

A conversa foi exibida pela Globonews na noite desta quinta-feira. A certa altura, Barroso afirmou que uma eventual meia-volta do Supremo beneficiará os criminosos de colarinho asseado, pois “o pobre é preso antes da sentença de primeiro grau, é preso em flagrante, com droga, e não sai mais.”

Ministros como Dias Toffoli e Gilmar Mendes defendem que a execução das penas seja empurrada para a terceira instância. Nesse caso, os criminosos só começariam a cumprir o castigo depois que as condenações fossem confirmadas pelo STJ, o Superior Tribunal de Justiça. Barroso recordou dados que desaconselham a postergação.

“Pedi uma pesquisa no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e se revelou que o índice de absolvição pelo STJ é de 0,62%, menos de 1% dos casos. Portanto, você esperaria o julgamento pelo STJ, o que às vezes leva uma década, por uma hipótese raríssima” de reversão da sentença condenatória.

O ministro fareja na atmosfera um cheiro reação da delinquência poderosa e endinheirada. “O combate à corrupção no Brasil atingiu setores e pessoas que se sentiam imunes e impunes. O que estamos vendo é a reação oligárquica. A corrupção no Brasil é parte de um pacto oligárquico, celebrado entre boa parte da classe política, boa parte da classe empresarial e boa parte da burocracia estatal, um pacto de saque ao estado brasileiro, de desvio de dinheiro. Agora há a reação oligárquica ao enfrentamento dessa corrupção. E esta gente tem aliados em toda parte: nos altos escalões dos poderes da República, na imprensa e até onde menos se poderia esperar.”

A despeito dos embates que travou com Gilmar Mendes no plenário do Supremo, Barroso disse não ter problema pessoal com o colega de toga. “São diferentes visões do país e do Direito. Eu acho que é a hora de empurrarmos a história e, dentro da Constituição e das leis, respeitando o direito de defesa, mudarmos o patamar ético do Brasil”, declarou o ministro, antes de repetir expressões que já havia utilizado num de seus entreveros com Gilmar. “Não faço parte do pacto oligárquico, nem tenho essa identificação com esse modelo que está aí.”

O ministro prosseguiu: “Este pacto oligárquico significa que não há desenvolvimento, não há distribuição de renda… A corrupção traz esse problema. Você tem uma elite extrativista que cria um país só para si. Em qualquer democracia, você pode ter um projeto liberal, progressista ou conservador de poder. Mas jamais um projeto desonesto de poder, e esta é a circunstância brasileira.”

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

Lula e Gleisi: a PF tem que estar por lá
Foto: Divulgação

PT, 38, JÁ TEM IDADE PARA
NÃO SABER MUITA COISA

Velho aos 38, o PT deveria evitar na festa desta quinta-feira
o tradicional “parabéns pra você”. Qualquer “parabéns”
soaria como ironia. O pior da velhice petista
é o convívio com a amnésia

Por Josias de Souza
UOL – 22/02/2018 – 6h00

Ainda moço, o PT já não tem carne, apenas osso. Ainda assim, encontrou ânimo para celebrar seu aniversário de 38 anos. Recomenda-se aos convidados que evitem a bebida servida na festa. Num partido que vai da mocidade à indignidade, sem um estágio qualquer para chamar de maturidade, a água já não vira vinho, vira direto vinagre.

O convite anuncia uma festa “com Gleisi e Lula”. Nem sinal de Dilma. É como se a legenda tivesse desligado da tomada a “guerreira do povo brasileiro”. Importa agora denunciar o “golpe da eleição sem Lula”. A pregação anti-impeachment também virou vinagre.

Em maio de 2014, ao discursar na convenção em que o PT aclamou Dilma como recandidata ao Planalto, Lula parecia farejar o que estava por vir. Comparou o PT que ele fundara em fevereiro de 1980 com o partido que ocupava a Presidência da República havia 12 anos:

“Nós criamos um partido político foi para ser diferente de tudo o que existia”, declarou o Lula de 2014. “Esse partido não nasceu para fazer tudo o que os outros fazem. Esse partido nasceu para provar que é possível fazer política de forma mais digna, fazer política com ‘P’ maiúsculo.”

A Lava Jato dava seus primeiros passos. Sem suspeitar que a operação alcançaria o seu calcanhar, Lula foi ao ponto:

“Nós precisamos recuperar o orgulho que foi a razão da existência desse partido em momentos muito difíceis, porque a gente às vezes não tinha panfleto para divulgar uma campanha. Hoje, parece que o dinheiro resolve tudo. Os candidatos a deputado não têm mais cabo eleitoral gratuito. É tudo uma máquina de fazer dinheiro, que está fazendo o partido ser um partido convencional.”

Enquanto Lula discursava, o dinheiro sujo da Odebrecht entrava na caixa registradora do comitê Dilma-Temer. De resto, Lula se absteve de dizer no discurso de 2014 que ele próprio já havia se tornado “uma máquina de fazer dinheiro.” Moído pela força-tarefa de Curitiba, o companheiro Palocci cuidou de apresentar Lula a si mesmo numa carta que enviou ao PT, desfiliando-se da legenda:

“Até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do ‘homem mais honesto do país’ enquanto os presentes, os sítios, os apartamentos e até o prédio do Instituto Lula são atribuídos a dona Marisa?”, indagou Palloci na carta que endereçou à direção do PT.

Ex-ministro de Lula e Dilma, Palloci ainda não estava preso em 2014. Mas já havia petistas atrás das grades: “Precisamos começar a nos preocupar, porque o problema não são apenas os companheiros que estão presos”, disse Lula na convenção pró-Dilma. “O problema é que a perseguição é contra o nosso partido. A perseguição é porque eles não admitem […] que a gente consiga provar que é possível fazer nesse país o que eles não fizeram durante tantas décadas.”

Hoje, Lula preocupa-se com sua própria prisão. Se o Supremo Tribunal Federal não o socorrer, o mandado de captura deve ser expedido por Sergio Moro até o final de março, quando o TRF-4 dará por encerrado o julgamento do caso do tríplex do Guarujá na segunda instância.

Na noite passada, durante um compromisso partidário em Belo Horizonte, Lula reiterou que não respeita o veredicto que o condenou a 12 anos e 1 mês de cadeia. Antes, contentava-se em apertar o botão do “não sabia”. Agora, cercado por uma dúzia de processos, aciona a tecla da “perseguição política” também como autodefesa.

Velho aos 38, o PT deveria evitar na festa desta quinta-feira o tradicional “parabéns pra você”. No seu caso, qualquer “parabéns” soaria como ironia. O pior da velhice petista é o convívio com a amnésia. Dilma cuida dos netos em Porto Alegre, Palocci faz companhia a Vaccari na carceragem de Curitiba, Dirceu arrasta uma tornozeleira eletrônica em Brasília e Lula é um presidiário esperando para acontecer. Mas o PT não se lembra de nada do que fez no verão passado. Aos 38, o PT já tem idade para não saber muita coisa. Ao promover uma festa de aniversário, o PT sinaliza que optou por viver no mundo da Lua.

quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

PAIXÃO/GAZETA DO POVO (PR)

CÚPULA MILITAR RECEIA USO
POLÍTICO DE INTERVENÇÃO

Desde que decidiu guindar a segurança pública
à condição de prioridade, na terça-feira de Carnaval,
Temer não dá nem “bom dia” sem consultar
marqueteiros que leva a tiracolo

Por Josias de Souza
UOL/BLOG – 21/02/2018

O ritmo de toque de caixa que marca o início da intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro ateou desconforto na cúpula das Forças Armadas. Em privado, os militares se queixam do excesso de improviso. Preferiam que o planejamento tivesse precedido o anúncio da novidade. Receiam que o trabalho a ser executado sob o comando do general-interventor Walter Braga Netto seja utilizado para fins político-eleitorais.

Sob o compromisso do anonimato, um oficial declarou ao blog: “Acionados nos termos da Constituição, estamos cumprindo nossa missão, como de hábito. Fazemos isso para servir ao país, não a interesses políticos. As Forças Armadas se confundem com o próprio Estado. Não seria aceitável que fossem utilizadas para fins eleitorais. Com razão, costuma-se dizer que militar não deve se meter em política. Do mesmo modo, não convém politizar ações militares.”

De acordo com o decreto editado por Temer e aprovado pelas duas Casas do Congresso, a intervenção vai durar até 31 de dezembro, último dia do atual governo. Com base na experiência de operações convencionais de manutenção da ordem, os militares avaliam que, num primeiro momento, o surto de violência que inquieta os cariocas será sedado pela presença das tropas e pelo refinamento da colaboração com as forças policiais do Estado.

Operadores políticos de Temer imaginam que esse efeito anestésico pode retirar a imagem do presidente da UTI, vitaminando seu projeto eleitoral. Desde que decidiu guindar a segurança pública à condição de prioridade, na terça-feira de Carnaval, Temer não dá nem “bom dia” sem consultar marqueteiros que leva a tiracolo. É indisfarçável a pretensão do presidente de extrair dividendos eleitorais da intervenção no Rio. Embora já tenha sido alertado sobre o incômodo dos militares, Temer parece dar de ombros. Encomendou uma pesquisa para avaliar os humores do eleitorado.

JARBAS/ DIÁRIO DE PERNAMBUCO

Para além da política, os militares revelam-se preocupados com o orçamento da intervenção. Receberam uma missão. E esperam contar com o dinheiro necessário para executá-la. Temer assegurou que não faltará verba. Mas as últimas declarações do ministro Henrique Meirelles (Fazenda) não soaram no mesmo tom.

O oficial que conversou com o blog carrega no bolso da farda um recorte de jornal com uma frase do ministro da Fazenda grifada em vermelho: “Estamos fazendo uma avaliação juntamente com o Ministério do Planejamento e com o Ministério da Defesa. Vamos ver se é necessário (recurso extra), se o que já está lá (no orçamento das Forças Armadas) será suficiente para custear as despesas. Governar é definir prioridades, e definir Orçamento também. Estamos já no teto de gastos, qualquer despesa adicional vai significar um remanejamento.”

Farejou-se na notícia uma pretensão de Meirelles de retirar do Orçamento das próprias Forças Armadas a verba a ser despejada no Rio. Os comandantes militares queixam-se de que suas forças já operam no osso. Reivindica-se mais verba. Remanejar o que já é insuficiente está fora de questão. Aguarda-se para os próximos dias a conclusão do plano de ação do general Braga Netto. Vai-se saber, então, o montante a ser pleiteado. Espera-se que Temer cumpra o compromisso de prover os meios.


terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

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Villas Bôas: "Precisamos dar segurança a esses jovens,
para que eles cumpram suas missões.”
Foto: Arquivo Google

COMANDANTE DE EXÉRCITO QUEIXA-SE DE
INSEGURANÇA JURÍDICA NA ATUAÇÃO DO RJ

A ''segurança'', no caso, seria a garantia de julgamento em foro militar

Por Josias de Souza
UOL – 20/02/2018 – 6h16

O comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, revela em suas conversas privadas uma enorme preocupação com as consequências do que chama de “insegurança jurídica” na atuação dos soldados em ações de segurança urbana - como as que serão intensificadas no Rio de Janeiro, agora sob intervenção federal.

Villas Bôas costuma citar a situação dos recrutas. Diz coisas assim: “O Exército tira o jovem da família dele, para o serviço militar obrigatório. Treina-o para atuar como soldado. O jovem é destacado para uma operação no Rio de Janeiro. Ele se depara com traficantes. Troca tiros. Mata os bandidos para se defender. Depois, o Exército devolve esse jovem para sua família como um indiciado pela Justiça comum, sob o risco de ser submetido a um júri popular. Precisamos dar segurança a esses jovens, para que eles cumpram suas missões.”

A ''segurança'', no caso, seria a garantia de julgamento em foro militar. As preocupações de Villas Bôas vinham crescendo na proporção direta do aumento do número de operações para a garantia da lei e da ordem em áreas urbanas, as chamadas GLO. O general voltou a grudar os lábios no trombone depois que Michel Temer decretou intervenção no setor de segurança do Rio, nomeando como interventor um general.

Nesta segunda-feira, ao participar de reunião de Michel Temer com os conselhos da República e de Defesa, Villas Bôas utilizou uma analogia infeliz para realçar sua inquietação. Ele declarou que os militares precisam se cercar de garantias no Rio de Janeiro, para que daqui a três décadas não tenham que se submeter a uma “nova Comissão da Verdade.”

Como se sabe, a Comissão da Verdade, criada sob Dilma Rousseff, apurou violações aos direitos humanos praticadas pelo Estado brasileiro durante a ditadura militar –da tortura ao sumiço de pessoas. Considerando-se que não há espaço para a reiteração desse tipo de prática nas ações militares que serão realizadas no Rio de Janeiro, o general faria um bem a si mesmo e à tropa se arrumasse argumentos melhores.

domingo, 18 de fevereiro de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

Temer assina intervenção ao lado de Rodrigo Maia e Luiz Fernando Pezão
Temer assina intervenção, ao lado de Maia e Pezão
Foto: Beto Barata/PR

BARBÁRIE DO RIO DE JANEIRO DÁ
MEIA-SOLA NO GOVERNO TEMER

Para sorte de Temer, a barbárie ofusca o senso crítico 
dos barbarizados. A cegueira coletiva facilita muito as coisas, 
pois o PMDB sujo de Brasília pode intervir na administração 
do PMDB mal lavado do Rio como se a facção de Temer 
não tivesse nada a ver com a quadrilha de Sérgio Cabral

Por Josias de Souza
UOL – 17/02/2018


A barbárie do Rio de Janeiro revelou-se muito oportuna para Michel Temer. Potencializada pelo Carnaval, a barbárie estimulou o presidente. Ele andava meio desanimado com a perspectiva de ser empurrado para o rodapé de um noticiário monopolizado pelas eleições. A barbárie deu a Temer uma sensação de utilidade.

A barbárie permitiu que o chefe da nação fizesse rostos graves. Em menos de 24 horas, Temer perfilou-se diante das câmeras três vezes — em solenidade no Planalto, em rede nacional, em visita ao Rio. A barbárie aguçou a inteligência do presidente. As ideias agora brotam-lhe aos pares. Sob atmosfera sombria, vieram à luz duas providências.

Uma medida é inédita em tempos redemocratizados: o setor de segurança encontra-se sob intervenção federal no Rio. A outra iniciativa é recorrente: vem aí o Ministério Extraordinário da Segurança Pública.

A intervenção no Rio é prima-irmã da operação de garantia da lei e da ordem que transferiu os militares dos quarteis para o sopé das favelas cariocas. Mas a barbárie trouxe o comando unificado do general-interventor Walter Souza Braga Neto.

O novo ministério apenas absorverá pedaços do organograma da velha pasta da Justiça que, aliás, já trazia a Segurança Pública enganchada no nome desde o ano passado. A diferença é que a barbárie exigiu um ministro que lhe dedicasse atenção exclusiva.

“Temer é capaz de quase tudo, menos de informar o montante
de dinheiro que a União está disposta a jogar no buraco negro
em que se converteu a segurança pública. Sem dinheiro,
o discurso do novo Temer é uma espécie de inócuo com mesóclises”

A barbárie roçou no nariz de Temer as pesquisas encomendadas pelo PMDB, que guindavam a segurança pública ao topo das inquietações do brasileiro. Súbito, a reforma da Previdência, uma derrota esperando para acontecer na Câmara, foi substituída pela guerra contra a bandidagem, cujo objetivo é a restauração da paz.

Graças à barbárie, Temer se deu conta de que o futuro é um espaço bem mais seguro do que o passado que lhe rendeu duas denúncias criminais e uma equipe ministerial moralmente decomposta. O futuro permite a qualquer governante vender para seus governados mais crédulos uma felicidade jamais vista.

A barbárie mostrou ao presidente que no futuro cabe tudo, pois, sendo futuro, não pode ser apalpado nem conferido. O futuro que inclui um Rio pacificado talvez não chegue nunca. Mas a barbárie já terá sido de imensa serventia para Temer se o crime organizado perceber que pode ser ótimo para os negócios deixar Ipanema em paz durante os dez meses de intervenção federal.

A barbárie revelou ao país que Temer é capaz de quase tudo, menos de informar o montante de dinheiro que a União está disposta a jogar no buraco negro em que se converteu a segurança pública. Sem dinheiro, o discurso do novo Temer é uma espécie de inócuo com mesóclises.

Para sorte de Temer, a barbárie ofusca o senso crítico dos barbarizados. A cegueira coletiva facilita muito as coisas, pois o PMDB sujo de Brasília pode intervir na administração do PMDB mal lavado do Rio como se a facção de Temer não tivesse nada a ver com a quadrilha de Sérgio Cabral.

A barbárie dá ao país a sensação de que Temer está fazendo muito. É como se tudo estivesse em movimento sem que nada precisasse mudar de lugar. Reprovado por 70% dos brasileiros, Temer enxerga na barbárie a renascença de uma reeleição. Talvez não obtenha tudo o que imagina. Mas a barbárie do Rio de Janeiro deu meia-sola no governo de Michel Temer.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: JOSIAS DE SOUZA

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Alckmin vive assombrado com os "amigos"
Foto: arquivo Google

ALÉM DA SOMBRA DE HUCK,
ALCKMIN ENFRENTA DORIA

O tucanato se esforça para confirmar a fama que fez do PSDB
um partido de amigos feito integralmente de inimigos

Por Josias de Souza
UOL – 09/02/2018

As coisas poderiam caminhar bem para o tucano Geraldo Alckmin, pois seu processo na Lava Jato estacionou no STJ, Lula tornou-se inelegível, Jair Bolsonaro parou de subir no Datafolha e abriu-se na sucessão de 2018 uma avenida para a passagem de uma candidatura presidencial de centro. Mas o PSDB parece ter mergulhado num processo de autodestruição. Além do fantasma da candidatura de Luciano Huck, ressuscitado por Fernando Henrique Cardoso, Alckmin toureia nos porões do partido as ambições políticas do seu próprio pupilo, João Doria.

Quanto a FHC, não há muito o que Alckmin possa fazer. Impossível controlar um ex-presidente da República cultuado como presidente de honra do ninho. Resta ao candidato digerir as juras de fidelidade do correligionário. Juras que foram renovadas por FHC num telefonema que disparou para o Palácio dos Bandeirantes nesta quinta-feira, pouco antes do horário em que receberia Huck para o jantar. A disposição é outra em relação a Doria. Operadores de Alckmin aconselham-no a desligar o prefeito de São Paulo da tomada.

Há dois dias, Doria irritou Alckmin ao tentar uma manobra na reunião da Executiva Nacional do PSDB, em Brasília. Discutia-se a regulamentação das prévias presidenciais do partido, nas quais Alckmin medirá forças com o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio. Agendou-se a eleição interna para a escolha do presidenciável da legenda para 4 de março (a data já passou para o dia 11 e ainda pode ser empurrada para 18 de março). Doria queria estender o calendário federal à prévia estadual, que definirá o nome do candidato do PSDB ao governo de São Paulo. Alckmin e sua infantaria levaram os pés à porta.

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Josias de Souza/ YouTube

Deve-se o interesse de Doria a uma necessidade funcional. Para disputar um novo cargo público, ele terá de deixar a prefeitura paulistana até o dia 7 de abril. E seria mais confortável se pudesse renunciar ao cargo de prefeito depois de ter obtido a vaga de candidato do PSDB ao governo estadual. O problema é que Alckmin flerta com a ideia de uma candidatura única do seu grupo político em São Paulo. Nessa hipótese, a chapa seria encabeçada pelo vice-governador Márcio França, do PSB. O PSDB indicaria o vice e um candidato ao Senado.

França assumirá o governo paulista em abril. E costura sua própria candidatura à reeleição. Um eventual acerto com o PSDB em São Paulo ofereceria a França matéria prima para tentar convencer o seu PSB a apoiar o projeto federal de Alckmin, cedendo-lhe o tempo de propaganda eleitoral no rádio e na TV. Escorando-se numa banda do tucanato que não abre mão de disputar o governo, Doria rema em sentido contrário.

Vencido na Executiva Nacional, o prefeito corre contra o relógio para marcar as prévias de São Paulo. A decisão seria tomada na próxima terça-feira (13), numa reunião da Executiva estadual. Por conta do Carnaval, o encontro foi adiado para 26 de fevereiro. Se depender de Alckmin, as prévias serão marcadas para alguma data entre o final de abril e o início de maio. Desse modo, se quisesse entrar no jogo, Doria teria de trocar o certo (o cargo de prefeito) pelo duvidoso (a candidatura a governador).

Ironicamente, Doria deve justamente a Márcio França parte do seu êxito na eleição em que conquistou a prefeitura da cidade mais rica do país. Foi o vice de Alckmin quem capitaneou a costura da aliança partidária que forneceu a Doria uma vitrine eletrônica ampla na disputa municipal de 2016. Comunicador eficaz, Doria prevaleceu no primeiro turno da eleição. Agora, França move a cintura política em benefício de sua própria candidatura, encurtando a margem de manobra de Doria.

Nesta quinta-feira, Doria encontrou-se em São Paulo com Michel Temer e o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, que cogita disputar o governo paulista pelo PMDB. Realizada a portas fechadas, a reunião resultou em duas versões antagônicas. Correligionários de Temer fizeram circular a informação de que o presidente aconselhou Doria a permanecer na prefeitura, abstendo-se de disputar a poltrona de governador.

O prefeito por sua vez, desperdiçou saliva difundindo a versão segundo a qual a conversa abriu caminho para a negociação de uma coligação com o PMDB no Estado e no país. Alckmin observa o vaivém de sua criatura com um pé atrás. O governador já não confia integralmente no prefeito que apadrinhou. Em privado, rumina o receio de que Doria volte a ser mordido pela mosca azul da Presidência da República, convertendo-se numa espécie de Huck doméstico.

Como se vê, o tucanato se esforça como nunca para confirmar a fama que fez do PSDB um partido de amigos feito integralmente de inimigos.