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quinta-feira, 21 de maio de 2015

CHÁ DAS CINCO: GERALDO CARNEIRO (3/3)

contraplano.sesctv.org.br



os anjos não têm sexo


o sexo é o guarda-chuva da felicidade
a felicidade é o guarda-chuva do sexo
o guarda-chuva é a felicidade do sexo
o sexo é a felicidade do guarda-chuva
o guarda-chuva é o sexo da felicidade
a felicidade é o sexo do guarda-chuva


kynoma.blogspot.com

fortuna crítica

sonhou sonhos de poder & glória
pavoneou-se: espalhou jactâncias
pensou que era um profeta angelicaos
o penacho como um sol de solidão
no céu de deuses marginais;
foi morar no palácio do Parnaso
entre líricos & burlescos
nem penthouse pra lá de suas posses:
não passava de um novo-rilke



Escreveu roteiros para os filmes "Sônia: morta & viva", de Sérgio Waissman, contemplado com o "Tucano de Ouro" no "FestRio II", "Eternamente Pagu", em parceria com Márcia de Almeida, e "O judeu", em parceria com Millôr Fernandes).

Adaptou diversas obras literárias para a televisão, destacando-se os episódios "O santo que não acreditava em Deus", "A Desinibida do Grajaú", "Lúcia McCartney" e "O Compadre de Ogum", da série "Brasil Especial". Escreveu as minisséries "Tudo em cima", exibida em 1985, e "O sorriso do lagarto (do romance homônimo de João Ubaldo Ribeiro), exibida em 1991.

Participou da equipe de criação do programa "Tamanho Família" e da série "Você Decide".

 (FONTE: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira)






quarta-feira, 20 de maio de 2015

CHÁ DAS CINCO: GERALDO CARNEIRO (2/3)

quem diria

ser cético era sonho de consumo
quando eu me consumia sendo jovem,
ser joyce, guimarães ou ser vinicius
no trânsito das musas musicais,
naquele tempo ainda não sabia
que a mim só me cabia ser eu mesmo.
hoje mudei, Ulisses de mim mesmo,
procuro minha ilha em Tordesilhas,
uma sereia que me faça bem,
me faça mal, me faça quase tudo.
eu que só tinha credo dos ateus
quero que a vida voe sempre assim
no piloto automático de Deus


lulacerda.ig.com.br


os fogos da fala


a fala aflora à flor da boca
às vezes como fogos de artifício
fulguração contra os terrores do silêncio
só espada espavento espelho
ou pedra ficção arremessada
ou canção pra cantar as graças
as virilhas as maravilhas da amada
a deusa idolatrada de amor:
essa outra voz quase jazz
que subjaz ventríloqua de si mesma


***

o solipsismo

só lida
com sua sólida
solidão




Geraldo Carneiro é autor de várias peças teatrais como "Lola Moreno", em parceria com Bráulio Pedroso, encenada em 1979 e em 1982, "Folias do coração" e "Apenas bons amigos", ambas em parceria com Miguel Falabella, encenadas em 1983, além de "Divina Increnca", "A bandeira dos cinco mil réis", encenadas em 1986, "Manu Çaruê", ópera performática com música de Wagner Tiso encenada em 1988, e "Imaginária", encenada em 1992.

Traduziu "A tempestade", de William Shakespeare, encenada em 1982 e em 1983 e publicada em 1991 pela Editora Relume-Dumará. Adaptou "As you like it" (William Shakespeare), encenada em 1985 e publicada, no ano seguinte, por Cadernos do Tablado, "Lúcia McCartney" (Rubem Fonseca), encenada em 1987, "Lulu" (Frank Wedekind), encenada em 1989, "As 1001 Noites", encenada em 1991, e, em parceria com Millôr Fernandes, "A Megera Domada" (William Shakespeare).

(FONTE: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira)


terça-feira, 19 de maio de 2015

CHÁ DAS CINCO: GERALDO CARNEIRO (1/3)

www.istoe.com.br

aquarela dela

quem é minha saúde, minha rosa
meu jajá, meu quindim, minha overdose
quem é minha verdade, meu caô
meu tamborim, meu surdo e agogô
meu Che, meu Fidel Castro, meu palanque
meu ângelus, meu caos, meu baile funk
quem é minha orixá, minha maçã
minha odalisca de Cubanacan
quem é a minha, a minha foice
a minha Capitu, meu James Joyce
quem é minha iaiá e meu ioiô
minha Naomi Campbell de maiô
quem é minha nação iorubá
meu samba, rock'n'roll e chachachá
quem é a minha flor, a minha ave
a minha idolatrada salve, salve?
(Deus pode até ter cometido enganos,
mas em você acertou todos os planos)



www.filipipa.org


recado no avião

busco em você o sol do meu sistema
eu circulando sempre ao seu redor.
busco em você o bem e o mal de amor
o sonho o carnaval e a dor maior

não sei em que sessão, em que cinema
você nasceu do mar como sereia,
desde que encarnação você passeia
na Ipanema da imaginação

só sei que é cedo sempre que te vejo
e acendo o sol de que o desejo é feito
e fico aqui pairando e percebendo
que até agora o mundo era imperfeito



Poeta, letrista, escritor, roteirista e teatrólogo, Geraldo Carneiro nasceu em Belo Horizonte em 11 de junho de 1952. Aos três anos de idade, mudou-se para o Rio de Janeiro.

É autor dos seguintes livros, entre outros: "Na busca do sete-estrelo" (Ópera de cordel) (Coleção Frenesi - Mapa Editora, 1974), "Verão vagabundo" (Editora Achiamê, 1980), "Vinicius de Moraes: A fala da paixão" (Brasiliense, 1984), "Piquenique em Xanadu" (Espaço & Tempo, 1988), contemplado com o Prêmio Lei Sarney, "Pandemônio" (Arte Editora, 1993), "Folias metafísicas" (Editora Relume-Dumará, 1995), "Leblon: a crônica dos anos loucos" (Rioarte/Relume-Dumará, 1996).

Traduziu alguns sonetos de William Shakespeare, publicados na coletânea "Sonhos da insônia" (Impressões do Brasil, 1997), editada em parceria com Carlito Azevedo. Escreveu artigos, poemas e ensaios para diversas publicações brasileiras.


(FONTE: Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira)