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sábado, 17 de março de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: FELIPE MOURA BRASIL

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Anderson: "apenas" um número
Foto: YouTube

NA VIDA E NA MORTE,
A MAIORIA DOS POLÍTICOS
SÓ SE SOLIDARIZA COM SEUS PARES

Anderson é um coadjuvante na morte da vereadora
e está prestes a sumir na estatística que mantém o Brasil
na liderança mundial em número absoluto de homicídios

Por Felipe Moura Brasil
Jornal da Manhã/Jovem Pan
16/03/2018

Era uma vez Anderson Pedro Gomes, filho de torneiro mecânico com dona de casa.

Tinha 39 anos e dois filhos, um deles nascido com má formação. Trabalhou em bar e hotéis, fez curso de mecânico, arrumou apenas estágios, não empregos na área, e virou motorista.

Na noite de quarta-feira, substituindo um amigo de licença médica, Anderson dirigia um Chevrolet Agile branco, de vidros escurecidos, na rua Joaquim Palhares, no Estácio, zona norte do Rio de Janeiro, quando foi atingido por quatro tiros de armas calibre 9 milímetros e morreu.

Sua mulher, a funcionária pública Agatha Reis, assistente-executiva na área de educação do governo do Rio, disse que Anderson era um pai muito amoroso e um marido maravilhoso que estava fazendo bico pra tentar sustentar a família.

O casal morava num bairro de classe média baixa da zona norte.

Anderson seria apenas mais uma vítima dos 61 mil assassinatos por ano no Brasil, dos quais menos de 8% são solucionados, não fosse um pequeno detalhe: quando foi morto, ele conduzia a vereadora do PSOL Marielle Franco, de 38 anos, morta com três tiros.

O presidente Michel Temer lamentou no Twitter esse ato de extrema covardia contra Marielle e solidarizou-se com parentes e amigos. Somente horas depois citou Anderson.

O ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, em entrevista coletiva, mandou recado aos amigos e familiares de Marielle de que as forças de segurança vão encontrar os responsáveis e puni-los por esse crime bárbaro. Anderson foi novamente esquecido.

Em seus discursos na tribuna da Câmara, petistas e demais esquerdistas que exploraram politicamente o cadáver e que sempre defenderam a leniência da lei penal brasileira com criminosos, tratando-os como vítimas da sociedade, abstraíram o motorista.

Anderson é um coadjuvante na morte da vereadora e está prestes a sumir na estatística que mantém o Brasil na liderança mundial em número absoluto de homicídios.

Como disse sua mulher: “A revolta é claro que eu sinto, mas a gente acaba se acostumando. No final das contas, é mais um. É uma frase clichê, mas é isso.”

É isso, Agatha. Na vida e na morte, a maioria dos políticos e das militâncias partidárias só se solidariza com seus pares.



quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

POLÍTICA/OPINIÃO: FELIPE MOURA BRASIL

 Quando não mente descaradamente,
Lula apela a meias verdades

O QUE HÁ DEBAIXO DO COLCHÃO DE LULA

É um colchão e tanto, que pode ter contribuído
e muito para a eventual prisão de Lula

Por Felipe Moura Brasil
Jovem Pan 17/01/2018


Hoje o noticiário mostra que o PT subiu o tom em defesa de Lula.

Eu comentei aqui essa subida recente, que foi desde a convocação de José Dirceu, pregando o ódio como elemento de luta, até a declaração de Gleisi Hoffmann, de que, para prender Lula, vai ter que matar gente.

Mas essa escalada petista contra o Judiciário é comandada pelo próprio Lula.

Isso ficou ainda mais claro ontem à noite, no teatro Oi, no Leblon, lá no meu Rio de Janeiro.

Lula atacou o TRF-4, em particular o presidente do tribunal, Carlos Eduardo Thompson Flores, e o revisor da Lava Jato, Leandro Paulsen, e disse que Sérgio Moro tem de perder o emprego: “Juízes com o comportamento dele deveriam ser exonerados”.

Isso é o sonho dele, né? Tremeu ao ser interrogado pelo Moro, coçou o nariz, tamborilou os dedos e se enrolou todo, então quer se livrar dele.

Mas a declaração mais cínica de Lula foi outra.

Ele disse que a PF revistou seu apartamento e não descobriu nada debaixo do colchão.

Lula, quando não mente descaradamente, apela a meias verdades.




O que realmente aconteceu foi que a PF revistou seu apartamento e descobriu que ele tinha outro apartamento no mesmo andar lá em São Bernardo do Campo, comprado pelo departamento de propinas da Odebrecht e registrado em nome de um laranja.

A PF descobriu também documentos relativos ao triplex no Guarujá, que ele ganhou da OAS, e do sítio em Atibaia, que foi reformado com dinheiro de propina da Odebrecht e da mesma OAS.

Aliás, vale lembrar que, no interrogatório sobre o triplex, Moro questionou Lula sobre o documento encontrado e ele, na cara dura, insinuou que a PF tinha plantado o documento lá. Quer dizer: é papo furado atrás de papo furado.

Vale lembrar também que os eletrodomésticos da cozinha do tríplex foram adquiridos pela OAS na loja Kitchens na Avenida Faria Lima, em São Paulo. E o sítio recebeu cozinha da mesma marca que custou pelo menos R$ 180 mil.

Então, a verdade é que, debaixo do colchão de Lula, no sentido metonímico, claro, porque estamos falando do apartamento inteiro, não de parte dele, a PF encontrou, na prática, dois apartamentos e um sítio.

É um colchão e tanto, que pode ter contribuído e muito para a eventual prisão de Lula.

Lá onde o comandante máximo merece mesmo é dormir no chão.