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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

CHÁ DAS CINCO: DRUMMOND

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RIO DOCE 
ANTES E DEPOIS
 DA TRAGÉDIA

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LIRA ITABIRANA

I

O Rio?
É doce.
A Vale?
Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.

II

Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!

III

A dívida interna.
A dívida externa.
A dívida eterna.

IV

Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?   





O poema de Drummond é de 1984. Em novembro do ano passado – portanto, 31 anos depois –, o rio Doce, outrora chamado de “Nilo brasileiro”, foi totalmente destruído pelo rompimento das barragens da mineradora Samarco, em Mariana (MG).


 TALVEZ VOCÊ GOSTE DE LER: QUASE HISTÓRIAS - BASTA


Diante dos filhos, noras e genros, Vicente foi direto ao ponto, com firmeza: "De agora em diante, não quero mais ouvir 'o senhor tem que fazer isso, o senhor tem que fazer aquilo'. Não tenho interesse em sentar no banco da praça e conversar com outros velhos, muito menos em ir a Poços de Caldas tomar licor de jenipapo e comer goiabada com queijo. Gosto de ficar só, com meu trabalho..." Por Orlando Silveira
 
http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2016/11/quase-historias-basta.html#comment-form

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

quarta-feira, 30 de março de 2016

CHÁ DAS CINCO: CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE (JOSÉ)

DRUMMOND, POR RICE ARAUJO


JOSÉ

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais!
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?

(Carlos Drummond de Andrade)



MÚSICA DE PAULO DINIZ



quinta-feira, 25 de junho de 2015

CHÁ DAS CINCO: DRUMMOND (FRASES)

FRASES DE CARLOS 
DRUMMOND DE ANDRADE

Caricatura: BAPTISTÃO




Os homens distinguem-se pelo que fazem;
as mulheres pelo que levam os homens a fazer.

***

Quem gosta de escrever cartas para os jornais não deve ter namorada.

***

No adultério há pelo menos três pessoas que se enganam.

***

As academias coroam com igual zelo o talento e a ausência dele.

***

Há livros escritos para evitar espaços vazios na estante.

***

Não é fácil ter paciência diante dos que têm excesso de paciência.

***

A confiança é ato de fé, e esta dispensa raciocínio.

***

A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, 
mas, por incrível que pareça,
 a quase totalidade, não sente esta sede.