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quarta-feira, 30 de outubro de 2019

UVAS VERDES






Domingão de sol ardente, onze da manhã, lá vem Deolinda – a “Fabulosa”, primeiro e único símbolo sexual da Vila Invernada – descendo a ladeira, com um daqueles shortinhos descolados que fazem os velhos babarem com gosto. Ela parou na esquina, para trocar dois dedos de prosa com uma conhecida. E ali permaneceu Deolinda por bom tempo, tempo suficiente para que a turma do bar do Carneiro largasse os tacos de bilhar sobre o pano verde, adiasse a próxima partida de dominó, deixasse o buraco para lá e se apinhasse na porta e calçada do estabelecimento – para admirar, o que, na opinião de Romualdo Bastos, o cruzadista, era a oitava maravilha do mundo moderno.

Mas, naquele domingão de sol ardente, a admiração de outrora cedeu espaço ao mais puro e vergonhoso despeito.

-- Ela já foi boa. Hoje, está caída. Os peitos já não são mais os mesmos. Depois que fez regime, a bunda também despencou. Vejam lá: ela tem até varizes. Também deu para todo mundo. Queriam o quê?

Entusiasmados, todos concordaram com o comentário de Teleco, cuja mulher acabara de ser operada, para reduzir o estômago, obesa mórbida que é. O que mais se ouvia ali eram manifestações de apoio ao Teleco: “É isso aí, mano velho. Falou e disse.”

O Velho Marinheiro, então, resolveu pôr ordem na casa:

-- Deolinda continua linda. Alguém aqui já saiu com ela? Se ela deu para todo mundo, não deu para ninguém daqui, porque não é besta. Aqui, só dá pobre desdentado, gente feia e burra. A Deolinda não é para o bico de vocês. Vão se catar.

Mal o Lobo do Mar virou as costas e acenou para Deolinda, que retribuiu o cumprimento com igual entusiasmo. Teleco levantou a dúvida:

-- Será que esse velho safado comeu a Deolinda e ninguém sabe?

As discussões e as apostas duraram o dia todo no bar do Carneiro. (Atualizado em outubro de 2019)

sábado, 10 de dezembro de 2016

O REI DO CONTO

INTERNET

Romualdo Bastos, como sabemos, virou quase unanimidade na Vila Invernada. Por ali, é raro encontrar quem não teça loas à sua sabedoria, forjada ao longo de anos de palavras cruzadas. A desafiar, de peito aberto e olhos nos olhos, seus conhecimentos só um: o Velho Marinheiro, nosso Lobo do Mar, caçador de bicho do pé imaginário – problema que o atormenta desde os anos adolescentes.

Dizem as más línguas que a ira do senhor dos mares contra Romualdo Bastos teve início com a reverência quase vassala que lhe dedicam os frequentadores do bar do Carneiro. É mais que sabido que o Velho Marinheiro tem paciência zero com baba-ovos. Sua irritação, porém – é o que dizem –, adquiriu proporções inimagináveis por conta de Deolinda, que, viúva de defunto ainda quente, passou a arrastar asas e exibir as ancas para o cruzadista de óculos de lentes grossas e cara de acadêmico.

O Velho Marinheiro parece ter jurado o homem de morte – de morte intelectual, porque, apesar das bravatas, é incapaz de matar um inseto, como sabem bem os que o conhecem de perto. Sentindo-se cutucado por vara curta, o Lobo do Mar foi pesquisar o prêmio de que se gabava tanto Romualdo Bastos. Depois de semanas de inúmeros telefonemas e despesas sem fim, concluiu que o cruzadista não mentia: de fato, ele obtivera o primeiro lugar no concurso literário (categoria contos) de Carmo de Iemanjá, próspera cidade do nosso vasto Nordeste, com 2,5 mil habitantes, se tanto.

O Lobo do Mar, para sossego de seu bicho de pé imaginário, descobriu mais: apurou que, além de Romualdo Bastos, do tal concurso participara apenas outro concorrente, ou melhor, outra concorrente: Jussara Bastos, sua esposa, mulher de grande valor, mas sem fôlego para ler Caminho Suave de cabo a rabo.

Hora de colocar Romualdo Bastos em seu devido lugar. (OS - 2013)

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Argemiro nunca foi aluno brilhante. Do antigo primário à faculdade, o máximo que conseguiu foi assegurar, quando muito, uma vaga no grupo dos que não cheiram nem fedem. Ou seja: um lugar no pelotão dos medíocres... 
Por Orlando Silveira, em "Argemiro foi com as outras e  se deu (quase) muito bem"
 
http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2016/12/quase-historias.html#comment-form

sábado, 10 de setembro de 2016

DECEPÇÕES À VISTA

racas.org

-- Ananias, o que estão fazendo com os cães é uma barbaridade, verdadeiro crime. Às vezes, tenho vontade de partir para a ignorância – resmungou o Velho Marinheiro.

-- O senhor é contra o uso de animais em pesquisas científicas? - quis saber o jornalista "aposentado" pelo desemprego.

-- Não me refiro a isso, não. Esta é uma polêmica em que não quero entrar. Não por que tenha medo de patrulhas. É que não tenho conhecimentos suficientes. Não sei se é possível (ou não) avançar na medicina sem a ajuda involuntária dos bichos.

-- Então, a que o senhor se refere? 

-- Dia desses, Deolinda esteve com seu cachorro, um poodle, aqui, no bar do Carneiro. Veio para se exibir para o cruzadista. Só faltou esfregar as nádegas nos óculos dele. 

-- Mas, e o cachorro com isso? – questionou Ananias.

-- O cachorro estava todo paramentado. Usava uma roupa esquisita, com direito a cachecol! Numa das orelhas, tinha um brinquinho; numa das patas dianteiras, uma pulseira. E ostentava um colar com os dizeres: “Sou da mamãe”...

-- É que virou moda...

-- Desde quando, Ananias, moda presta? A exibida da Deolinda ficou mais assanhada ainda quando aquele sujeito das palavras cruzadas lhe disse que também tinha uma cachorrinha poodle e que eles poderiam cruzar.

-- Eles quem?

O Velho Marinheiro, nosso Lobo do Mar, não deixou por menos:

-- Acho que os quatro, pelo menos foi o que aquela troca de olhares lânguidos me sugeriu. Se isso ocorrer, teremos duas decepções: a da cachorra do cruzadista com o cachorro da viúva alegre e a de Deolinda com Romualdo Bastos. (ORLANDO SILVEIRA - 2013)


terça-feira, 9 de agosto de 2016

SOBRE PERUCAS E ASAS DE GRAÚNA

YOUTUBE.COM

Deolinda – único símbolo sexual da Vila Invernada – não conteve o espanto:

- Gente: não acredito no que estou vendo. Olha só quem vem lá: Romualdo Bastos e o chato do irmão dele. Romualdo pintou os cabelos de preto, da cor das asas da graúna. O irmão colocou peruca – disse a moça de seios fartos e decote generoso a seus dois companheiros de mesa: Velho Marinheiro e Ananias.

- Barbaridade. Perderam o senso de ridículo. Estão pedindo para, como diz a moçada, serem zoados – limitou-se a dizer nosso Lobo do Mar.

Ananias – adepto dos panos quentes – tentou justificar o injustificável:

- Eles sempre foram vaidosos.

- Ananias: isso não é vaidade, é coisa de boiola – retrucou o Velho Marinheiro, com a concordância imediata de Deolinda. Vaidade é o sujeito andar limpo, de cabelos cortados, com uma roupinha mais ou menos. Você já viu alguma peruca que preste? Imagine eu, que tenho os cabelos brancos, chegar aqui de cabelos pretos, feito urubu. Francamente. O irmão do Romualdo ficou a cara do Zacarias.

- Zacarias?

- Aquele humorista, dos Trapalhões.

- É meio estranho, sim.

- Meio estranho uma ova. Há anos, eu estava com Mafalda e minha neta num hotel em Serra Negra. Estávamos na piscina, quando chegou uma turma já meio tocada pela uca. O mais tolo de todos era um velho barrigudo, arrogante e peruqueiro. Continuaram bebendo. Depois, sempre falando alto, pularam na piscina. A peruca do homem se soltou. Então, começaram a jogá-la de um lado para outro. De mão em mão. E o velho puto. E mais puto ele ficou quando vários hóspedes, que não eram da família, resolveram aderir à farra. A peruca parecia peteca. Não esquentava a mão de ninguém

- Que vexame. E aí? – quis saber Deolinda.

- Aí que, passado o efeito da cachaça, o velho peruqueiro ficou o feriado prolongado dentro do apartamento, trancado, cheio de vergonha. De lá não saía nem para fazer as refeições. Durante quatro dias, foi o assunto do hotel. Bem feito. (OS)

sexta-feira, 24 de junho de 2016

AS "NAMORADAS" DO VELHO MARINHEIRO

EDRA


O Velho Marinheiro, nosso Lobo do Mar, deu um pontapé na compostura e um chega pra lá no silêncio quase forçado que a família, antes do retorno triunfal de Mafalda ao lar, lhe impusera.  E pediu à neta:

-- Faça um favor a seu avô, Irene: mande este negócio que escrevi pra Deolinda pelo computador, pelo tal de e-mail, que vocês tanto usam. Com essas coisas não sei mexer, não. Nem quero aprender. O endereço está aí, anotado por ela, de próprio punho. Sinal de que espera alguma coisa de mim. Ou não?  

A neta ficou abismada com o que leu:

“Deolinda, Deolinda, coisa linda demais, faço minhas as poucas – mas sempre sábias – palavras de Mário Quintana: ‘Eu queria trazer-te uns versos lindos.../Trago-te estas mãos vazias/Que vão tomando a forma das tuas nádegas’”.

-- Não bastasse sua canalhice, o senhor errou feio: Quintana não falou em nádegas. Ele falou em seios – esbravejou a neta.

-- Eu sei, eu sei. Conheço o poema. Quem não sabe de nada é você. Perto das nádegas, os seios de Deolinda são pinto. O poema original já foi enviado para Guiomar, mulher de bunda miúda e seios fartos, quase uma vaca profana, como a cantada por aquele baiano, o  tal de Caetano. Um amigo me fez o favor de lhe enviar o bilhete. Estou semeando. Uma delas cai na rede desse velho solitário. (atualizada em junho/2016)

segunda-feira, 14 de março de 2016

O SUMIÇO DO VELHO MARINHEIRO


pt.dreamstime.com


Há duas semanas ao menos, o Velho Marinheiro, nosso Lobo do Mar, não dava o ar de sua impaciência no bar do Carneiro. O que passou a alimentar especulações de toda ordem, entre os muitos que tinham os dois pés atrás em relação a ele e também entre seus raros admiradores. Na verdade, estes eram apenas dois: Deolinda, o único símbolo sexual da Vila Invernada, e Ananias, o angustiado jornalista em fim de carreira, seu companheiro de copo e prosa.

"Zeca Péssimas Notícias” – o corvo de Vila Invernada – dizia a quem quisesse ouvir que fontes seguras lhe garantiram que ele estava hospitalizado:

-- Não foi por falta de avisar. Aquela sua mania de cutucar o dedão em busca do bicho de pé deu nisso: gangrena. É capaz de perder a perna.

Alguns chegaram a propor a formação de uma comissão de frente, cuja tarefa seria fazer uma visita ao Velho Marinheiro. Ananias tratou de abortar a ideia:

-- Nem pensar, pessoal. Ele não gosta nem um pouco de visitas, e gosta menos ainda de visitas inesperadas. Só nos resta esperar. Uma hora ele volta.  

-- Volta nada – assegurava Zeca, com aquela certeza típica dos agourentos.

 As especulações duraram mais uns longos dias. Até que o Velho Marinheiro entrou no bar e pediu “o de sempre” ao Carneiro. Parecia estar – e estava – com a saúde nos trinques, mas seu mau humor era evidente.

Ninguém tinha coragem (Ananias não estava ali, mas "Zeca Péssimas Notícias" estava) de lhe perguntar o motivo do sumiço. Eis que chega Deolinda:

-- Que saudades, meu amigo e conselheiro. Por onde o senhor andava?

A turma apurou os ouvidos:

-- Deolinda: fiquei três semanas sem sair de casa. Esse país é uma vergonha, os governantes são uma lástima. Quando a água, finalmente, chegava, a luz picava a mula. Como sair à rua sem banho ou de roupa amarfanhada?

-- Nossa! Sempre soube que o senhor é vaidoso, mas não tanto.

-- Não é vaidade, Deolinda -- falou nosso Lobo do Mar, caçador de bicho de pé imaginário, de olhos fixos em ZPN. . É higiene. Se todos os que estão aqui presentes tivessem feito o que fiz, o bar do Carneiro não estaria fedendo desse jeito nem teria sido palco de tantas fofocas e maledicências. Gente porca e linguaruda. Aceita uma cervejinha Deolinda? (OS - 2014)

  



quinta-feira, 10 de março de 2016

VIVA O MÉRITO!


Lata D'água - Lan
LAN


Naquela manhã de sábado, no bar e mercearia do Carneiro, o Velho Marinheiro, nosso Lobo do Mar, era a própria candura. Também pudera. Deolinda – a “Fabulosa”, único símbolo sexual digno do nome da Vila Invernada – sentou-se à sua mesa, aceitou um copo de cerveja e começou a prosear, sem se preocupar em esconder o que o decote avantajado e o sutiã três números menor insistiam em exibir:

-- Passei um susto danado, esta semana. Meu chefe me chamou e foi direto ao ponto: “Você não tem se saído bem como secretária. Alguns clientes reclamam que você nem sempre anota os recados, fica impaciente quando a conversa se estende etc. Assim, fica difícil.

-- E então? – quis saber o Velho Marinheiro.

-- Quase surtei, dependo do meu trabalho, o senhor sabe. Custei tanto a arrumar um emprego de secretária! Estava com medo, mas lhe perguntei: “O senhor vai me demitir?”. Para minha surpresa, ele me disse: “Não. Vou promovê-la.” Quase cai da cadeira. E ele concluiu assim: “Seu corpo roliço na medida certa, suas nádegas e seus seios fartos botam esse coração velho afogueado, são verdadeiro colírio para minhas vistas fatigadas.” O que o senhor, Velho Marinheiro, acha disso?


-- Seu chefe é homem de bom senso. Logo se vê. Sabe que é impossível agradar a todos e que clientes são chatos, acham que têm sempre razão. Parabéns pela promoção merecida. Vamos comemorar: “Carneiro: traga mais uma cerveja e uma porção de croquetes. Dona Deolinda precisa se alimentar, para manter essa forma exuberante.”

(novembro/2014)

quinta-feira, 12 de junho de 2014

DEOLINDA NA COPA

LAN

E lá vinha ela como sempre, cheia de graça, lascívia em pessoa, short bem curtinho e branco, camiseta do Brasil amarrada acima da cintura, bonezinho, umbigo de fora, salto alto. Pra realçar as ancas. Descendo a ladeira como quem vai para o abate, com a satisfação de quem adora ser abatida – e abater.

Deolinda, Deolinda. Sonho de consumo dos machos de Vila Invernada.

No Bar do Carneiro, a turma de sempre esquentava os tamborins. Ninguém é de ferro. Dia de estreia da seleção na Copa do Mundo, é sempre dia tenso. Alguém avisou:

-- Olha a Deolinda, gente!

Tacos repousaram sobre o pano verde. O baralho foi deixado de lado. Até quem nunca bebeu, bebeu. A porta do bar ficou entupida de admiradores. Alguém disse nunca ter visto duas “brazucas” daquelas ameaçando desertar da blusa colada e do sutiã três números a menos. Outro não deixou de registrar a beleza da “caxirola” de Deolinda. Mas a palavra definitiva veio de quem menos se esperava – do sempre acanhado Carneiro, dono da espelunca:

-- Nada se iguala ao “fuleco” de Deolinda, nada!


acaatinga.org.br






sábado, 26 de abril de 2014

OURO DE TOLO

Mestre Lan

Aquele chacoalhar de ancas de Deolinda prometia tudo, entregava nada, promessa deslavada.

sábado, 8 de março de 2014

CUIDADO COM DEOLINDA, MATIAS

-- Estou preocupado com você, Matias. Nos últimos cinco anos, Deolinda já enterrou três. Você está brincando com o fogo. Esse negócio de entornar jurubeba e carregar no Viagra não dá certo, não. Tome juízo.

MESTRE LAN

-- Deolinda não enterrou ninguém. Eles se foram porque eram velhos.

-- E você é novo?

-- Tenho 72.

-- Sem contar as pontes de safena, diabetes e pressão nas alturas.


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

CONFESSIONÁRIO

-- Dona Deolinda, hoje, depois de anos – mais de década, talvez – vamos inverter os papéis.

-- Como assim, padre Toninho? – quis saber a mulata, dona do par de nádegas mais famoso e cobiçado da Vila Invernada.

-- De seus pecados eu sei, a senhora me fez conhecê-los em depoimentos semanais, muitos de erotismo de colocar monge budista no desvio. Hoje, quem fala, peca e pede perdão sou eu. O povo tem razão.

-- Como assim, padre Toninho?


-- A senhora tem uma bunda extraordinária. 

MESTRE LAN

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

LÁ VEM A MAFALDA

O Velho Marinheiro estava que estava: insuportável, inquieto que só, pior que mulher da vida de olho no relógio, porque o rebento tem hora certa de mamar. Ou alguém acha que filho da p... não mama? É o que mais faz. Brasília prova que não minto. Aquele seu mutismo – do nosso Lobo do Mar – era mau sinal. Escarafunchava o dedão do pé com a fúria dos piores ventos em mar aberto. Ira à vista. 

-- Que foi? – quis saber Mafalda.

-- Foi nada, mulher.

-- Foi sim. Essa cara sua eu conheço. Há quarenta anos. Homem: diga. 

-- Então, lhe digo: Romualdo Bastos é um lixo. E a Deolinda, mulher à toa. O corpo do marido nem bem esfriou... E ela já está a exibir o corpanzil para aquele sujeito. Só faltou babar nas palavras cruzadas.

-- Quem? Com quem Deolinda se engraçou?

-- Surda: Romualdo Bastos. O das palavras cruzadas.

-- Pensei que o assanhamento de Deolinda fosse para Ananias.

-- Esse é mais que um coitado: é um jornalista injustiçado. Vou ajudar esse moço sair da depressão. É uma vítima da burrice que solapa Vila Invernada.

-- Tá com ciúmes de Deolinda?

-- Sabia. Lá vem você, lá vem a Mafalda com a conversa de sempre. Ciúme de quê? Nem ligo para aquelas nádegas fabulosas.



LEIA TAMBÉM AS NÁDEGAS DA DEOLINDA

http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2013/09/as-nadegas-da-deolinda.html#comment-form

terça-feira, 22 de outubro de 2013

SANTÃO, 70

14h30. Domingo. Mafalda estava amuada que só. De ciúmes. E o Velho Marinheiro, tocado por três ucas e duas cervejas, nada mais que isso, entrou livre, leve e solto em casa. De volta do aniversário do amigo, grande Santos, que fazia 70 anos naquele dia da graça de Nosso Jesus Cristo. E foi direto ao assunto:

-- Mafalda, o que temos pra comer?

-- Você não comeu feijoada, no bar da Bendita?

-- Benedita, Mafalda. Comi. Mas sou educado. Peguei prato pequeno. Na casa dos outros não repito. Você sabe. Tenho fome.

-- Quem estava lá? – quis saber Mafalda, mais desconfiada que detetive de classificados.

-- Todo mundo, ora.

-- Ela estava lá?

-- Ela quem, mulher de Deus?

-- Deolinda.

-- Deolinda estava sim.

-- E daí?

-- Suas nádegas foram atração da festa. Não minto. O aniversariante passou quase batido.

-- Velho safado.

-- Safado por quê? Só admirei. Como os outros. (setembro/2013)