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sábado, 10 de dezembro de 2016

O REI DO CONTO

INTERNET

Romualdo Bastos, como sabemos, virou quase unanimidade na Vila Invernada. Por ali, é raro encontrar quem não teça loas à sua sabedoria, forjada ao longo de anos de palavras cruzadas. A desafiar, de peito aberto e olhos nos olhos, seus conhecimentos só um: o Velho Marinheiro, nosso Lobo do Mar, caçador de bicho do pé imaginário – problema que o atormenta desde os anos adolescentes.

Dizem as más línguas que a ira do senhor dos mares contra Romualdo Bastos teve início com a reverência quase vassala que lhe dedicam os frequentadores do bar do Carneiro. É mais que sabido que o Velho Marinheiro tem paciência zero com baba-ovos. Sua irritação, porém – é o que dizem –, adquiriu proporções inimagináveis por conta de Deolinda, que, viúva de defunto ainda quente, passou a arrastar asas e exibir as ancas para o cruzadista de óculos de lentes grossas e cara de acadêmico.

O Velho Marinheiro parece ter jurado o homem de morte – de morte intelectual, porque, apesar das bravatas, é incapaz de matar um inseto, como sabem bem os que o conhecem de perto. Sentindo-se cutucado por vara curta, o Lobo do Mar foi pesquisar o prêmio de que se gabava tanto Romualdo Bastos. Depois de semanas de inúmeros telefonemas e despesas sem fim, concluiu que o cruzadista não mentia: de fato, ele obtivera o primeiro lugar no concurso literário (categoria contos) de Carmo de Iemanjá, próspera cidade do nosso vasto Nordeste, com 2,5 mil habitantes, se tanto.

O Lobo do Mar, para sossego de seu bicho de pé imaginário, descobriu mais: apurou que, além de Romualdo Bastos, do tal concurso participara apenas outro concorrente, ou melhor, outra concorrente: Jussara Bastos, sua esposa, mulher de grande valor, mas sem fôlego para ler Caminho Suave de cabo a rabo.

Hora de colocar Romualdo Bastos em seu devido lugar. (OS - 2013)

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Argemiro nunca foi aluno brilhante. Do antigo primário à faculdade, o máximo que conseguiu foi assegurar, quando muito, uma vaga no grupo dos que não cheiram nem fedem. Ou seja: um lugar no pelotão dos medíocres... 
Por Orlando Silveira, em "Argemiro foi com as outras e  se deu (quase) muito bem"
 
http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2016/12/quase-historias.html#comment-form

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

MAQUININHAS. SEMPRE ELAS

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ARQUIVO GOOGLE

-- Ananias, como anda nosso tal de blog? – quis saber o Velho Marinheiro de seu amigo transformado em assessor de imprensa informal, por paga miúda, negócio de compadres.

-- Está indo bem. Em breve, estará no ar. Já temos alguns artigos escritos. As entrevistas que tenho feito com o senhor estão sendo muito úteis. Sua experiência é grande; suas opiniões, contundentes.

-- Obrigado pela sinceridade. Não tenho pressa. É que gostaria de lhe pedir mais um artigo.

-- Sobre?

-- Sobre as desgraças do Carneiro.

-- Do carneiro? O que tem o bicho?

-- Não estou falando de bicho, Ananias. Estou falando do Carneiro, dono do boteco. Carneiro faz jus ao sobrenome. É um manso – disse nosso lobo do mar, enquanto caçava o bicho do pé imaginário. Por isso, lhe pedi que viesse até minha casa. Não dá para comentar certos assuntos na frente dele.

-- Mas, noves fora os fiados, que outros problemas ele têm?

-- Vários, a começar pela saúde arruinada. Ele jura que tem catorze doenças.

-- Catorze?

-- Catorze. Muita embora tenha minhas dúvidas. Por diversas vezes, começou a me dizer quais eram. Mas, depois da sexta ou sétima, repetia os nomes das chagas. Tem a cabeça fraca. Agora, quem lhe arruína os nervos mesmo é a mulher, viciada nas maquininhas. Quando ela está no bar, todo cuidado é pouco. Ela pega R$ 20 do caixa e vai jogar. E leva a chave da máquina junto. Perde os R$ 20, abre a gaveta, toma os R$ 20 de volta, torna a perder, retoma os R$ 20... E assim vai. Tem dado muito prejuízo ao marido. O dono da máquina não quer saber de conversa, quer a parte dele. 

-- Dessa eu não sabia. Por que o Carneiro não esconde a chave da mulher? 

-- Ele escondeu, não adiantou. Ela fez cópias. Com um fardo desses, os males do Carneiro só tendem a aumentar. O coitado vai entrar no livro dos recordes como o homem mais doente do mundo. E um título desses ninguém quer, ninguém merece. Muito menos um manso como Carneiro. Escreva alguma coisa sobre isso, mudando os nomes, claro. Vamos publicar um artigo no jornal do bairro. (atualizado em 2016)

leia também algumas "RAPIDÍSSIMAS"

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quarta-feira, 14 de setembro de 2016

DA COSTA, O PENTELHO

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Da Costa não viveu e não deixou ninguém viver. Passou a vida em busca da condição ideal. Pra viver. Pra fazer isso e aquilo. Da Costa não fez nada (ou quase nada) que lhe desse um pingo de prazer. É unanimidade na Vila Invernada. Unanimidade dupla, não lhe bastasse uma – a lhe assegurar a burrice. Ah, Nelson Rodrigues... 

No bar do Carneiro, não há quem lhe negue o mérito de ter sido e ser bom pai, marido prestimoso, trabalhador incansável, pagador de contas. Mas também não há ser vivente que não lhe atribua o título devido: pé no saco. Dá Costa é um chato. Sem cura! Da Costa gosta de dar conselhos que ninguém lhe pediu. E de distribuir livros que ninguém quer ler. Da Costa é assim: incansável.

Passa no bar do Carneiro só pra ver quem bebe. Balança a cabeça – e pergunta: “Por que bebem?” Implica com Romualdo Bastos, nosso cruzadista: “Não basta, senhor Bastos, saber quais foram os times e jogadores que ganharam todas as Copas do Mundo. Quem eram os reservas?”

Para Da Costa, que viu a vida pela janela, nunca ninguém está pronto pra tomar banho de mar, atravessar a rua, fazer sexo... Da Costa busca a condição ideal. E quer seguidores. Todo louco precisa de loucos, multidão de loucos a lhe fazer loas.

Da Costa acabou com o livro de Ananias, nosso repórter em fim de carreira. “Cem páginas, se tanto! Ananias: crie vergonha na cara, homem. Livro que presta tem que ter, no mínimo, no mínimo, quatrocentas páginas” – defecou o autor de nada.

Da Costa tentou engatar prosa com o Velho Marinheiro, não deu certo:

-- Da Costa, sossegue o facho.  Quando você se for, espero que não tarde, mando fazer uma placa para colocar na sua campa: “Aqui jaz um pentelho!" 

(ORLANDO SILVEIRA - 2014)


sexta-feira, 5 de setembro de 2014

POEIRINHA

leandrofca.blogspot.com

Décio Pinto, nosso POEIRINHA, é um senhor esquecido. Nunca sabe que dia é hoje, não faz a menor ideia de que dia amanhã será. Quando a família descuida, ele foge, vai até o bar do Carneiro, toma duas, às vezes três, faz três perguntas no máximo, não espera as respostas. Respostas não lhe interessam. Naquele dia, não foi diferente.

-- Velho Marinheiro, qual foi o resultado do jogo de ontem à noite, Portuguesa Santista e Jabaquara?

-- Ananias, meu jornalista: o Jânio já tomou posse?

-- Velho Carneiro: o Lula terminou o primário?

E POEIRINHA se foi, como sempre: sem respostas. Feliz da vida.