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quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

CHÁ DAS CINCO: ASCENSO FERREIRA

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MINHA ESCOLA

A escola que eu frequentava era cheia de grades como as prisões.
E o meu Mestre, carrancudo como um dicionário;
Complicado como as Matemáticas;
Inacessível como Os Lusíadas de Camões!

À sua porta eu estava sempre hesitante...
De um lado a vida... — A minha adorável vida de criança:
Pinhões... Papagaios... Carreiras ao sol...
Vôos de trapézio à sombra da mangueira!
Saltos da ingazeira pra dentro do rio...
Jogos de castanhas...
— O meu engenho de barro de fazer mel!

Do outro lado, aquela tortura:
"As armas e os barões assinalados!"
— Quantas orações?
— Qual é o maior rio da China?
— A 2 + 2 A B = quanto?
— Que é curvilíneo, convexo?
— Menino, venha dar sua lição de retórica!
— "Eu começo, atenienses, invocando
a proteção dos deuses do Olimpo
para os destinos da Grécia!"
— Muito bem! Isto é do grande Demóstenes!
— Agora, a de francês:
— "Quand le christianisme avait apparu sur la terre..."
— Basta
— Hoje temos sabatina...
— O argumento é a bolo!
— Qual é a distância da Terra ao Sol?
— ?!!
— Não sabe? Passe a mão à palmatória!
— Bem, amanhã quero isso de cor...

Felizmente, à boca da noite,
eu tinha uma velha que me contava histórias...
Lindas histórias do reino da Mãe-d'Água...
E me ensinava a tomar a bênção à lua nova.

***

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Pernambucano, Ascenso Ferreira (1895-1965) foi poeta e folclorista. Sua poesia é considerada um dos marcos do Modernismo brasileiro. Suas obras: Catimbó, 1927; Cana Caiana, 1939; Xenhenhém, 1951; Poemas, 1951 (reunindo os três livros); O Maracatu, 1986, póstuma; Presépios e pastoris, 1986, póstuma; Bumba Meu Boi, 1986, póstuma.




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Que dizer, então, das simpatias? Calcinhas brancas para ter paz; amarelas para ter dinheiro. E por aí vai. Suponho que as devassas, por coerentes e pragmáticas, não usem calcinha alguma. Por Orlando Silveira
 
http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2016/12/quase-historias-tempo-de-despertar.html#comment-form

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

CHÁ DAS CINCO: ASCENSO FERREIRA

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www.gartic.com.br

FILOSOFIA

Hora de comer — comer!
Hora de dormir — dormir!
Hora de vadiar — vadiar!
Hora de trabalhar?
— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!




TRADIÇÃO

Terraço da Casa-Grande de manhãzinha, fartura espetaculosa dos coronéis:

— Ó Zé-estribeiro! Ó Zé-estribeiro!


— Inhôôr!


— Quantos litros de leite deu a vaca Cumbuca?


— 25, seu Curuné!


— E a vaca malhada?


— 27, seu Curuné!


— E a vaca Pedrês?


— 35, seu Curuné!


— Sóó? Diabo! Os meninos hoje não têm o qui mamar!



SUCESSÃO DE SÃO PEDRO

— Seu vigário!

Está aqui esta galinha gorda
que eu trouxe pro mártir São Sebastião!


— Está falando com ele!


— Está falando com ele!

***

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www.escritas.org

Pernambucano, Ascenso Ferreira (1895-1965) foi poeta e folclorista. Sua poesia é considerada um dos marcos do Modernismo brasileiro. Suas obras: Catimbó, 1927; Cana Caiana, 1939; Xenhenhém, 1951; Poemas, 1951 (reunindo os três livros); O Maracatu, 1986, póstuma; Presépios e pastoris, 1986, póstuma; Bumba Meu Boi, 1986, póstuma.


quarta-feira, 31 de agosto de 2016

CHÁ DAS CINCO: ASCENSO FERREIRA (1/3)

FAZENDEIRO

Reprodução

─ Ô Maria! Maria!
Compadre Cazuza vem almoçar
amanhã aqui em casa…
Que é que tu preparaste pra ele?!

─ Eu matei uma galinha,
matei um pato,
matei um peru,
mandei matar um cevado…

─ Oxente, mulher!
Tu estás pensando que compadre
Cazuza é pinto?!
Manda matar um boi!!!



Pernambucano, Ascenso Ferreira (1895-1965) foi poeta e folclorista. Sua poesia é considerada um dos marcos do Modernismo brasileiro. Suas obras: Catimbó, 1927; Cana Caiana, 1939; Xenhenhém, 1951; Poemas, 1951 (reunindo os três livros); O Maracatu, 1986, póstuma; Presépios e pastoris, 1986, póstuma; Bumba Meu Boi, 1986, póstuma.


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

IMAGENS: CLÓVIS CAMPÊLO

ASCENSO FERREIRA E O RECIFE

Fotografias de Clóvis Campêlo

Recife, 2013



FAZENDEIRO


─ Ô Maria! Maria!
Compadre Cazuza vem almoçar
amanhã aqui em casa…
Que é que tu preparaste pra ele?!

─ Eu matei uma galinha,
matei um pato,
matei um peru,
mandei matar um cevado…

─ Oxente, mulher!
Tu estás pensando que compadre
Cazuza é pinto?!
Manda matar um boi!!!

***

FILOSOFIA

Hora de comer — comer!
Hora de dormir — dormir!
Hora de vadiar — vadiar!
Hora de trabalhar?
— Pernas pro ar que ninguém é de ferro!




Poeta pernambucano, Ascenso Carneiro Gonçalves Ferreira nasceu na cidade de Palmares no ano de 1895. Dizem que começou a atividade literária enganado, compondo sonetos, baladas e madrigais. Depois da "Semana de Arte Moderna" e sob a influência de Guilherme de Almeida, Manuel Bandeira e de Mário de Andrade, tomou rumos novos e achou um caminho que o conduziria a uma situação de relevo nas letras pernambucanas e nacionais. Voltou-se para os temas regionais de sua terra que foram reunidos em seus livros "Catimbó" (1927), "Cana caiana" (1939), "Poemas 1922-1951" (1951), "Poemas 1922-1953" (1953), "Catimbó e outros poemas" (1963), "Poemas" (1981) e "Eu voltarei ao sol da primavera" (1985).

Foram publicados postumamente, em 1986, "O Maracatu", "Presépios e Pastoris" e "O Bumba-Meu-Boi: Ensaios Folclóricos", em livro organizado por Roberto Benjamin. Distingue-se não pela quantidade, mas pela qualidade, atingindo não raro efeitos novos, originais, imprevistos, em matéria de humorismo e sátira. O poeta faleceu na cidade do Recife (PE), em 1965.

(FONTE: RELEITURAS)