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domingo, 12 de junho de 2016

CHÁ DAS CINCO: ANTONIO MARIA

FRASES DE DEZEMBRO


Dezembro é o mês de uma infinidade de frases, que se repetem em todos os anos, sempre as mesmas. Vamos lembrar algumas, que estão sendo ditas, desde o dia 1º.:

"O ano passou num abrir e fechar de olhos"

"Você reparou quanta gente conhecida morreu este ano?"

"E todas quando a gente menos esperava"

"Eu espero que o ano que vem seja um pouquinho melhor"

"Pois eu, minha filha, não tenho nada que me queixar. Luís Mário passou de ano"

"Nunca houve um ano tão ruim para negócios"

"Vocês já viram quanto está custando um quilo de castanhas?"

"Minha filha, com a vida pelo preço que está, nós não vamos fazer nada.    Mas,  se você quiser aparecer lá em casa, com as crianças, só nos dará prazer"

"Eu tenho horror a datas... se não fossem as crianças..."

"Natal de pobre é no dia 26"

"Se o Dagoberto não estivesse tão atropelado,eu ia pedir para ir, com as crianças, passar Natal nos Estados Unidos"

"Olhe, Daniel, como eu sei que os seus negócios não vão bem, vou deixar os brincos de e esmeraldas para o ano que vem"

"Mamãe, o Luís Otávio falou que Papai Noel é o pai da gente"

"Olhe, se você não comer o ovinho todo, Papai Noel vai ficar tão triste que é capaz de não vir"

"Deixa passar esse negócio de Natal e Ano-Bom, que eu vou estudar uma maneira de ir pagando devagarzinho"

"Bom, o regime eu só vou começar depois do ano"

"Você não vai encontrar banco nenhum que desconte este título, a não ser depois do dia 1º."

"Eu quero ver se, de janeiro em diante, paro de fumar e de beber"

"Este ano só quem mandou presente foi o armazém e, assim mesmo, uma garrafinha de vinho do Porto"

"Eu já avisei a todo mundo, que não quero nada, porque não tenho para dar a ninguém"

"Logo que as crianças terminarem os exames, eu boto tudo num automóvel e levo lá para um sitiozinho que eu tenho em Thiago de Melo"

"Vocês sabiam que, no Norte, eles chamam rabanadas de fatias paridas?"

"O que é que você mais desejaria que o Ano Novo lhe trouxesse?"

"Minha filha, eu e as crianças estando com saúde, não preciso de mais nada"

"Minha mulher é uma santa. Ela falou que tudo o que eu tivesse de dar de Natal, desse às crianças"

"Falaram tanto dessas cestas! Você viu o que veio dentro?"

"Pois olhe, lá em Portugal, um quilo de castanhas custa três escudos"

"Mas, hoje em dia, qual é a diferença que existe entre o champagne nacional e o francês?"

"Com este, faz não sei quantos natais que eu não como uma fatia de peru"

"Você acha que, com as coisas como estão, este Governo agüenta até o fim do ano?"

Rio, 14/12/59



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

CHÁ DAS CINCO: ANTÔNIO MARIA

O PIOR ENCONTRO CASUAL

sulinhacidad3.blogspot.com

O pior encontro casual da noite ainda é o do homem autobiográfico. Chega, senta e começa a crônica de si mesmo: "Acordo às sete da manhã e a primeira coisa que faço é tomar o meu bom chuveiro". Como são desprezíveis as pessoas que falam no "bom chuveiro!" E segue o parceiro: "Depois peço os jornais, sento à mesa e tomo meu café reforçado". Ah, a pena de morte, para as pessoas que tomam "café reforçado!" E a explanação continua: "Nos jornais, vocês me desculpem mas, a mim, só interessa o artigo de Macedo Soares e as histórias em quadrinhos". Nessa altura o autobiográfico procura colocar-se em dois planos, que lhe ficam muito bem: o que ele julga de seriedade política (Macedo) e o outro, de folgazante espiritual (histórias em quadrinhos).

E vai daí para outra modesta homenagem a si mesmo: "Aí, então, é que vou me vestir. Quanto à roupa, nunca liguei muito, mas, camisa e cueca, tenha paciência, eu mudo todo dia". O "tenha paciência" é porque está absolutamente certo de que estamos com a camisa e a cueca de ontem. "Acordo minha senhora, pergunto se ela quer alguma coisa e vou para o escritório". Gente que chama a mulher de "minha senhora" está sempre pensando que: não acreditamos que eles sejam casados no civil e no religioso; no fundo, desconfiamos de que sua mulher lhe seja infiel. E vai adiante o mal-feliz: "Só aí vou para o escritório, mas nunca antes de passar no jornal, para ver se há alguma coisa". Esse "passar no jornal" é um pouco difícil de explicar. Mas todo homem banal tem muita vergonha de não ser jornalista e alude sempre a um jornal, do qual tem duas ações ou pertence a um primo, ou amigo íntimo.

Vai por aí contando sua vidinha, que termina, melancolicamente, com esta frase: "À noite, eu sou da família!". Bonito! "Visto meu pijama, janto, deito no sofá e vou ver a televisão, com as crianças em cima de mim". Está aí o retrato perfeito do cretino nacional. E, o que é triste, além de numeroso, está em toda parte. Que horror me causam as pessoas do "bom chuveiro", do "café reforçado", os de "Macedo Soares e das histórias em quadrinhos" (os que gostam só de Macedo Soares ou só de histórias em quadrinhos são ótimos), que precisam dizer que mudam camisa e cueca todos os dias, as que citam "sua senhora" e os que "passam no jornal, antes de ir para o escritório". Nossa maior repulsa, ainda, por quem janta de pijama e deita no sofá, com as crianças em cima. Ah, essa gente me procura tanto!

19/10/1959


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

ESTÓRIAS E HISTÓRIAS DA MPB – PARTE 1

(POR BRUNO NEGROMONTE) Hoje trarei mais algumas curiosidades sobre o nosso cancioneiro. Ao longo do último mês, tive a oportunidade de contar, no Jornal da Besta Fubana, algumas passagens interessantes na vida do poetinha Vinícius de Moraes. Na ocasião, comemorava-se um século de seu nascimento. E abordar o nome do “branco mais preto do Brasil” (como o próprio Vinícius se auto intitulava) me fez lembrar de outra figura do nosso cancioneiro que por muitos anos acompanhou o poeta carioca em sua vida noturna assim como também em algumas situações inusitadas como veremos a seguir.
Bruno Negromonte

Quem conhece a biografia do Vinícius não a desassocia da figura do poeta, cronista, comentarista esportivo e compositor pernambucano Antônio Maria. Parceiro de pena e de copo, Antônio era tão notívago quanto o poetinha, e isso os aproximou de modo bastante intenso. Essa aproximação, além de uma grande amizade, gerou uma parceria musical que rendeu canções como “Quando tu passas por mim”, “Dobrado de amor a São Paulo” e “Bate, coração”. Vale salientar que Antônio Maria foi autor de clássicos do nosso cancioneiro como as canções “Manhã de carnaval”, “Ninguém me ama”, “Frevo Nº 3 do Recife”, entre outras.

Começou sua carreira como locutor da Rádio Clube de Pernambuco aos 17 anos.  Dois anos depois resolve mudar-se para o Rio de Janeiro e arrisca a carreira de locutor esportivo na Rádio Ipanema. No Rio foi morar no Edifício Souza, na Cinelândia, no apartamento 1005. Este prédio tornou-se famoso por ter entre seus moradores nomes como Dorival Caymmi, Fernando Lobo e Abelardo Barbosa, que então ainda não era o famoso Chacrinha (o poeta e compositor descreve em sua coluna Pernoite, publicada na revista Manchete, um pouco dessa época em que morou no Souza). No entanto, por não ter alavancado a sua carreira passou apenas dez meses na então capital federal e resolveu voltar para o Recife onde acabou casando.

Como diretor das Emissoras Associadas, muda-se para duas cidades nordestinas: Fortaleza e Salvador. Na primeira vai trabalhar na Rádio Clube do Ceará, já na capital baiana trabalha como diretor. Por volta de 1947 volta ao Rio de Janeiro para trabalhar como diretor artístico na Rádio Tupi. Sendo em seguida convidado pelo próprio Assis Chateaubriand a ser o primeiro diretor de produção da TV Tupi, inaugurada em 20 de janeiro de 1951. No ano seguinte a então maior concorrente da Rádio Tupi, a Rádio Mayrink Veiga, contrata Antônio Maria por 50 mil cruzeiros, o salário mais alto do rádio brasileiro de então.
Vem dessa segunda estadia no Rio a sua aproximação ao então poeta, compositor e ainda diplomata Vinícius de Moraes. Dessa época, uma passagem interessante na biografia do pernambucano, que ocorreu quando Maria precisou fazer uma viagem até São Paulo e como morria de medo de aviões passou a noite junto a Vinícius de Moraes que tentava tranquilizá-lo entre uma dose e outra. Todas as tentativas foram em vão. Vinícius o acompanhou até o aeroporto ainda na esperança de deixar o amigo mais tranquilo. 

No entanto,  Antônio Maria manteve-se apreensivo até o momento do embarque. Já dentro do avião, Maria senta-se ao lado de uma lindíssima loira que abriu a bolsa e retirou um dos livros do poetinha. Antônio, que sabia a obra de cor e salteado, não perdeu a oportunidade e citou um dos poemas existentes no livro em voz alta chamando atenção da mulher que estava ao seu lado. Ao perceber que a loira havia “caído em sua armadilha”, disse o nome do poema, a página onde ele se encontrava e apresentou-se como Vinícius de Moraes. A partir daí, o medo de avião esvaiu-se e a investida foi tão bem sucedida que “Vinícius de Moraes” conseguiu marcar um jantar com a loira. A noite rendeu boas conversas e um convite do falsário (prontamente aceito pela loira) de passarem a noite juntos. Na volta ao Rio, Vinícius de Moraes foi recepcionar o amigo e saber como tinha sido a viagem. Encontrou um Antônio bem diferente daquele que havia saído do Rio e o questionou:

- O que lhe fez ficar assim tão animado?

Antônio respondeu:  
Antonio Maria


- Tenho uma notícia boa e outra ruim, qual você quer primeiro Vinícius?

O poetinha responde que queria primeiro a notícia boa, aí então Maria começou a contar:

- Conheci uma baita loira no voo e ela estava lendo um livro seu. Confesso que me apresentei como se fosse você e ela encantou-se por mim...

Vinícius por curiosidade nem deixou Antônio Maria terminar de contar a história e perguntou logo pela notícia ruim que foi respondida da seguinte forma:

- Meu amigo, após a aterrissagem, marcamos um jantar e entre uma taça e outra a convidei para irmos até o local onde eu estava hospedado e não é que Vinícius de Moraes falhou...