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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

CHÁ DAS CINCO: OSWALD DE ANDRADE

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FIM E COMEÇO

A noite caiu sem licença da Câmara
Se a noite não caísse
Que seria dos lampiões?

3 DE MAIO

Aprendi com meu filho de dez anos
Que a poesia é a descoberta
Das coisas que eu nunca vi.

O CAPOEIRA

— Qué apanhá sordado?
— O quê?
— Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada.

RELICÁRIO

No baile da corte
Foi o conde d’Eu quem disse
Pra Dona Benvinda
Que farinha de Suruí
Pinga de Parati
Fumo de Baependi
É comê bebê pitá e caí

VÍCIO NA FALA

Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

CHÁ DAS CINCO: CANÇÕES DO EXÍLIO

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IMAGEM: ARQUIVO GOOGLE

CANÇÃO DO EXÍLIO
De Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.

Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.

Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar sozinho, à noite
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que disfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

De Primeiros cantos (1847)

POEMAS INSPIRADOS EM CANÇÃO DO EXÍLIO:

NOVA CANÇÃO DO EXÍLIO
De Ferreira Gullar

Minha amada tem palmeiras
Onde cantam passarinhos
e as aves que ali gorjeiam
em seus seios fazem ninhos
Ao brincarmos sós à noite
nem me dou conta de mim:
seu corpo branco na noite
luze mais do que o jasmim
Minha amada tem palmeiras
tem regatos tem cascata
e as aves que ali gorjeiam
são como flautas de prata
Não permita Deus que eu viva
perdido noutros caminhos
sem gozar das alegrias
que se escondem em seus carinhos
sem me perder nas palmeiras
onde cantam os passarinhos



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FOTO: DARIO SANTOS


JOGOS FLORAIS
De Cacaso

Minha terra tem palmeiras
onde canta o tico-tico.
Enquanto isso o sabiá
vive comendo o meu fubá.
Ficou moderno o Brasil
ficou moderno o milagre:
a água já não vira vinho,
vira direto vinagre.

Minha terra tem Palmares
memória cala-te já.
Peço licença poética
Belém capital Pará.
Bem, meus prezados senhores
dado o avançado da hora
errata e efeitos do vinho
o poeta sai de fininho.

(será mesmo com dois esses
que se escreve paçarinho?)


CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA
De Oswald de Andrade

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo

***
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ARGEMIRO FOI COM AS OUTRAS E SE DEU (QUASE) MUITO BEM. 
POR ORLANDO SILVEIRA
http://orlandosilveira1956.blogspot.com.br/2017/02/quase-historias.html#comment-form

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

CHÁ DAS CINCO: OSWALD DE ANDRADE

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FOTO: ARQUIVO GOOGLE

RELÓGIO

As coisas são
As coisas vêm
As coisas vão
As coisas
Vão e vêm
Não em vão
As horas
Vão e vêm
Não em vão


PRONOMINAIS

Dê-me um cigarro
Diz a gramática
Do professor e do aluno
E do mulato sabido
Mas o bom negro e o bom branco
Da Nação Brasileira
Dizem todos os dias
Deixa disso camarada
Me dá um cigarro.


ERRO DE PORTUGUÊS

Quando o português chegou
Debaixo duma bruta chuva
Vestiu o índio
Que pena! Fosse uma manhã de sol
O índio tinha despido
O português

Oswald de Andrade (1890-1954) é um dos mais significativos autores modernistas da literatura brasileira. Participou da Semana de Arte Moderna, editou o jornal "O Homem do Povo" e ajudou a fundar "O Pirralho" e a "Revista Antropofágica". É de sua autoria o Manifesto Antropófago de  1928.
FONTE: RELEITURAS.COM.BR

***

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Sou sócio majoritário, tenho 75% de participação na empresa. Eu decido. Quem criou a agência? Fui eu. Quem colocou essa porcaria de pé?  Fui eu. Quem conseguiu os melhores clientes? Fui eu.... Por Orlando Silveira


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sábado, 7 de janeiro de 2017

CHÁ DAS CINCO: OSWALD DE ANDRADE

Rua Quinze de Novembro 1915
RUA XV DE NOVEMBRO, 1915 (*)

CANTO DE REGRESSO À PÁTRIA

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo

Oswald de Andrade (1890-1954) é um dos mais significativos autores modernistas da literatura brasileira. Participou da Semana de Arte Moderna, editou o jornal "O Homem do Povo" e ajudou a fundar "O Pirralho" e a "Revista Antropofágica". É de sua autoria o Manifesto Antropófago de  1928.
FONTE: RELEITURAS.COM.BR

 (*)  FOTO: HISTÓRICO DEMOGRÁFICO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO


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ESTORVO: O velho sumiu. A família levou dez dias para se dar conta. 
Por Orlando Silveira, em "Rapidíssimas"



sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

CHÁ DAS CINCO: OSWALD DE ANDRADE

wikipedia.com



- Qué apanhá sordado?
- O quê?
- Qué apanhá?
Pernas e cabeças na calçada.

(O CAPOEIRA)

***

Para dizerem milho dizem mio
Para melhor dizem mió
Para pior pió
Para telha dizem teia
Para telhado dizem teiado
E vão fazendo telhados.

(VÍCIO DA FALA)

***

Senhor
Que eu não fique nunca
Como esse velho inglês
Aí do lado
Que dorme numa cadeira
À espera de visitas que não vêm

***

o mar urrava
como um fauno
após o coito