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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

DE HOMEM PRA HOMEM




O mais velho de todos (80) foi categórico:

- Depois dos 60, homem não presta.

O velho do meio (70) endossou a opinião do decano:

- Viramos lixo sexual.

O mais sábio e mais novo dos velhos (60), 
botou ordem na casa de viração sem putas – o bar do Carneiro:

- Porra. Mas, depois de tantos anos, ninguém pensa nisso. 
Às rabanadas.  
Às sobras do Natal. Abaixo a insulina!


terça-feira, 24 de dezembro de 2013

FELIX NATAL

25 de Março.
Foi até lá com a fé improvável de sempre.
O dinheirinho miúdo no bolso lhe permitiu comprar quinquilharias, duas ou três.
O resto lhe foi roubado.
O caldo de cana com pastel lhe custou os olhos da cara.
Voltou pra casa, quase feliz.
Sem ver o Felix.

Aprendeu que a vida não é novela.

domingo, 17 de novembro de 2013

PAIS SACANAS

Tenho para mim que o “bom velhinho” é um dos personagens mais sacaneados da história. O que sempre fizeram – e ainda fazem – com ele é coisa que não se faz com ninguém. Nem com Judas. Nem com os quadrilheiros que tomaram de assalto o Estado brasileiro. Os tempos, eu sei, mudaram. As crianças de hoje não são tão tolas quanto as de ontem. Mas continuam sendo vítimas de propaganda enganosa.


Durante alguns poucos anos, ouvia que se fizesse (ou não fizesse, dependendo do caso) isso ou aquilo, Papai Noel não “viria”. Ou seja: o velhote barbudo e suas renas iriam me largar na mão, sem presente algum, em pleno Natal.  O jeito era tomar a benção da madrinha e do padrinho, evitar palavrões, suportar sem um pio a injeção no traseiro. Não foram poucas as vezes que pai e mãe me incentivaram a escrever cartas para o amigão das crianças. Fazia meus pedidos e recebia algo completamente diferente do que desejava. Eu lhe pedia um triciclo e recebia uma peteca. Eu lhe rogava um autorama e lá vinha uma bola de plástico.

Pai e mãe vinham com a lenga-lenga de sempre. “Papai Noel está pobre, neste ano”. Até aí, tudo bem. Estava acostumado com a vida dura. O que não conseguia entender era por que o vizinho sempre recebia presentes melhores que os meus. Que diabos! Este velho só pode estar de sacanagem comigo. Todo ano a mesma ladainha? Que seletividade é esta? Fui tomando uma ojeriza pelo velho que só eu sei. Só não rompi as relações porque, afinal, uma peteca é melhor que nada. Certo dia, pai e mãe vieram com a “bomba”: “Papai Noel não existe”. Recebi a “bomba” com alívio. Minha ira mudou de foco.

Até hoje não consigo compreender as razões que levam os pais a fazer o filho acreditar numa “mentira” e a sentir bronca da “mentira”, para depois lhe dizer que a “mentira” nunca existiu. Vão puxar trenós.




sexta-feira, 15 de novembro de 2013

MISSA DO GALO

missadogalobdp.blogspot.com
Eu nem tinha me dado conta – com a graça de Deus. Dezembro chegou – apesar da graça de Deus. Dezembro é o mês mais chato de todos, com o perdão de Nosso Senhor Jesus Cristo, que, a exemplo deste escriba, nasceu no décimo segundo mês do ano. Mamãe diria que a relevância de tal fato não há de ser obra do acaso. Adiante.

Dezembro deveria ser mês de reflexão, carinho, solidariedade, amor cristão. Não é. Não é mesmo. É o mês do assalto a mão desarmada. É o mês do achaque. Você não tem para onde fugir. Bote reparo.

Se você mora em casa, está ferrado. Os caras que medem a luz, o gás e a água não lhe dão um segundo de paz. Querem porque querem uma caixinha. O sujeito dos Correios, embora só lhe traga más notícias ao longo de uma vida, empina o nariz e exige o seu. Garis vem em bandos, uma turma por dia. Nem se dão ao luxo de revezar com aqueles que, uma vez por ano, batem enxada na calçada para eliminar o mato malsão. Que voltará a ser cortado em dezembro vindouro. Com certeza. E com caixinha.

Se você mora em apartamento, vai se ferrar do mesmo jeito. Faxineiros, porteiros, zelador... Mal cumpriram sua obrigação, têm salário em dia, férias e tudo o mais (se é pouco, não temos culpa), mas... Sem caixinha – uma forma de propina light –, este país vagabundo não anda. Ninguém sabe o dia de amanhã. O portão da garagem pode cair sem querer querendo em cima de seu carro. Acidentes acontecem.

Não importa onde você mora. Na padaria, no açougue, na barbearia, há e haverá sempre uma caixinha pedindo caixinha. Não é tudo. Você pagará o dobro, na melhor das hipóteses, por um cacho de uvas, uma fatia de panetone, um naco de pernil estorricado. O décimo terceiro cobre 10% da lambança. Se tanto. O desfalque financeiro é certo.

E eu que só queria tomar “uma” depois da Missa do Galo...



terça-feira, 22 de outubro de 2013

TEMPO DE DESPERTAR

Já fui muito festeiro, não sou mais. Se houvesse uma enquete para definir o mês mais chato do ano, cravaria, sem pestanejar: dezembro. É um porre de bebida ordinária. É pior que cuecas e sapatos apertados.  Não chega a aleijar, mas incomoda.

Os preços disparam e raramente se encontra nas lojas o que se procura. O trânsito consegue ficar infinitamente pior do que já é. O telefone não para: de asilos a creches, todos querem uma doação extra. Os funcionários do prédio esperam uma “caixinha gorda”, os balconistas da padaria também. O ajudante do açougueiro, o carteiro e os medidores de água, luz e gás não fogem à regra. Caracas: esta gente já não recebe o décimo-terceiro salário?

Não sei o que é pior: as festas de Natal ou as comemorações do dia 31. Todo mundo de olho no relógio. Afinal, meia-noite é a hora de abraçar com entusiasmo aquele parente que você paga para não ver ao longo do ano. Aquela felicidade forçada é de arrebentar corações pouco valentes, como o meu. Pior que isso, só o tal de “amigo oculto”. Perde-se muito tempo e dinheiro com essa bobagem. Em geral, você dá ao “amigo” o que ele abomina, e recebe algo que para nada lhe serve. É a lei da vida: aqui se faz e aqui se paga. Isso quando não ocorre de você dar um panetone para a tia e receber da tia um panetone, da mesma marca e tamanho. É patético.

Ah, temos os foguetórios, anunciando a chegada do novo ano. Todo mundo de boca aberta, olhando para o céu e dizendo em uníssono: “Que lindo!” Francamente. Que dizer, então, das simpatias? Calcinhas brancas para ter paz; amarelas para ter dinheiro. E por aí vai. Suponho que as devassas, por coerentes e pragmáticas, não usem calcinha alguma. 

Ainda bem que não há mal que sempre dure. Janeiro logo chega. É tempo de pôr em marcha tudo aquilo que, há duas décadas, em marcha prometemos pôr. Tempo de recomeçar – a contar os dias que faltam para dezembro próximo.