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quinta-feira, 30 de abril de 2015

FRASES: MILLÔR FERNANDES (3/3)

diariodopoder/divulgação

Se todos os homens recebessem exatamente o que merecem, ia sobrar muito dinheiro no mundo.

Aniversário é uma festa pra te lembrar do que resta.

O dinheiro não é só facilmente dobrável como dobra facilmente qualquer um.

Numa vida média de 50 anos, 80 a 100 dias são empregados pelos homens só no ato de fazer a barba. Ignora-se o que as mulheres fazem com esse tempo.

A verdadeira amizade é aquela que nos permite falar, ao amigo, de todos os seus defeitos e de todas as nossas qualidades.

Como são admiráveis as pessoas que nós não conhecemos bem.

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, então diga isto com uma imagem.

Dizem que quando o Criador criou o homem, os animais todos em volta não caíram na gargalhada apenas por uma questão de respeito.

Nunca esqueça: a vida também perde a cabeça.


A única diferença entre a loucura e a saúde mental é que a primeira é muito mais comum.



LEIA TAMBÉM:
Frases: Millôr Fernandes (1/3)
Frases: Millôr Fernandes (2/3)

quarta-feira, 29 de abril de 2015

FRASES: MILLÔR FERNANDES (2/3)



O otimista não sabe o que o espera.

Passado é o futuro usado.

Não devemos resistir às tentações: elas podem não voltar.

Não é que com a idade você aprenda muitas coisas; mas você aprende a ocultar melhor o que ignora.

Metade da vida é estragada pelos pais. A outra metade, pelos filhos.

Errar é humano. Ser apanhado em flagrante é burrice.

O pior não é morrer. É não poder espantar as moscas.

Esnobar é exigir café fervendo e deixar esfriar.

O dinheiro não dá felicidade. Mas paga tudo o que ela gasta.

Os nossos amigos poderão não saber muitas coisas, mas sabem sempre o que fariam no nosso lugar.

Milton Viola Fernandes (16/08/1923 – 27/03/2012),
o grande Millôr Fernandes,
foi desenhista, humorista, dramaturgo,
 escritor, tradutor e jornalista.





segunda-feira, 27 de abril de 2015

FRASES: MILLÔR FERNANDES (1/3)

LÉZIO JÚNIOR

O cara só é sinceramente ateu quando está muito bem de saúde.

Errar é humano. Botar a culpa nos outros também.

Há duas coisas que ninguém perdoa: nossas vitórias e nossos fracassos.

Quem mata o tempo não é assassino: é suicida.

Há homens que devem à esposa tudo o que são, mas em geral, os homens devem à esposa tudo o que devem.

Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim.

Quem fala muito mente sempre porque se esgota seu estoque de verdades.

Viver é desenhar sem borracha.

Depois de bem ajustado o preço, a gente deve sempre trabalhar por amor à arte.

É melhor ser pessimista do que otimista. O pessimista fica feliz quando acerta e quando erra.


Milton Viola Fernandes (16/08/1923 – 27/03/2012),
o grande Millôr Fernandes,
foi desenhista, humorista, dramaturgo,
 escritor, tradutor e jornalista.





quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

CHÁ DAS CINCO: MILLÔR FERNANDES

SER GAGÁ

jboscocaricaturas.blogspot.com


Ser Gagá não é viver apenas nos idos do passado: é muito mais! É saber que todos os amigos já morreram e os que teimam em viver, são entrevados. É sorrir, interminavelmente, não por necessidade interior, mas porque a boca não fecha ou a dentadura é maior do que a arcada.

Ser Gagá é ficar pensando o dia inteiro em como seria bom ter trinta anos ou, vá lá, quarenta, ou mesmo, ó Deus, sessenta! É ficar olhando os brotinhos que passeiam, com o olhar esclerosado, numa inútil esperança. É ficar aposentado o dia inteiro, olhando no vazio, pensando em morrer logo, e sair subitamente, andando a meia hora que o separa dos cem metros da esquina, porque é preciso resistir. É dobrar o jornal encabulado, quando chega alguém jovem da família, mas ficar olhando, de soslaio, para os íntimos da coluna funerária. Ser Gagá é saber todos os mortos inscritos no Time, em Milestones. Não é saber o Who is who, mas os WHEN. É só pensar em comer, como na infância. E em certo dia passar fome as vinte e quatro horas, só de melancolia. É, na hora mais ativa do mais veloz Bang-Bang, descobrir, lá no terceiro plano, uni ator antigo, do cinema mudo, e sentir no peito a punhalada. É surpreender, subitamente, um olhar irônico que trocam dois brotinhos, que, no entanto, o ouvem seriamente. É querer aderir à bossa nova, falar “Sossega Leão” e morrer de vergonha ao perceber o fora. É não querer, não querer, mas cada dia ficar mais necessitado de amparo do que outrora. É ter estado em Paris, em 19. É descobrir, de repente, um buraco na roupa e dar graças a Deus, por ser na roupa.

Ser Gagá é sentir plenamente que tudo que se leu, que se aprendeu, que se viu e se viveu não vale nada diante do que estua. Ser Gagá é estar sempre na iminência de ouvir em plena rua: “Olha o tarado!” É ficar contente em ver Chaplin e Picasso como os “mais charmosos” de sessenta! É chamar de menina à quarentona. É ter uma esperança senil nos cientistas. É reparar, nos mais jovens, o imperceptível sinal de decadência. É ficar olhando o detalhe, nos amigos; a lentigem nas mãos, o cabelo que afina, a pele que vai desidratando. Ser Gagá é o orgulho vão de ainda ter cabelo e poucos brancos! A vaidade tola de não ter barriga; a felicidade de ter dentes próprios. E fazer grandes planos qüinqüenais que espantam os jovens que acham cinco anos a própria eternidade, mas que o Gagá sabe que voam como voaram tantos, tantos, tantos.

É se apegar, desesperadamente, pelo tremendo impulso da existência, aos filhos, aos netos e aos bisnetos, embora saiba que eles não o querem, que a convivência com eles é apenas parte e total do egoísmo vital que o enterra. É sentir que agora, outra vez, está bem de saúde. É sentir a saúde ocasional. É carregar o corpo o tempo todo. É sentir o caixão no próprio corpo. É saber que já não há quem tenha prazer em lhe acarinhar a pele. É já não ter prazer em passar a mão na própria pele. É esquecer de coisas importantes e lembrar, sem saber por que, um gosto, um calor, uma palavra há tempos esquecidos.

Ser Gagá é procurar com afã a importância do cargo para de novo ser solicitado, embora pelo cargo. É sentir que nada do que faça, espantoso que seja, terá a importância do feito de outro homem, nos inícios da vida. Ser Gagá é quando dormir tarde se torna uma loucura, resgatada em feroz resfriado que dura uma semana. É ter sabido francês, e esquecido. É já não jogar xadrez como outrora! É olhar o retrato amarelado e lembrar que fotógrafo usava magnésio. É dizer, como um feito, que ainda lê sem óculos. É ouvir que alguém diz, quando passa na rua: “inda está firme!” É ficar galante e baboseiro na terceira taça de champanha. É casar com uma mulher mais jovem e querer dar logo ao mundo a inegável prova de um filhinho.

Ser Gagá é, num esforço mortal, aceitar tudo que inventam, todas as idéias, as modas, a música, o ritmo de vida, mas não deixar de dizer numa ironia profunda e amargurada. “Eu não entendo”. É sentir de repente o isolamento. É ficar egoísta, e amedrontado. É não ter vez e nem misericórdia.

Ser Gagá é fogo. Ou melhor, é muito frio.


(Texto extraído do livro “As Cem Melhores Crônicas Brasileiras”, editado pela Editora Objetiva, Rio de Janeiro - 2007, pág. 226.)