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domingo, 12 de novembro de 2017

POLÍTICA/OPINIÃO: MARY ZAIDAN

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Getúlio, por Sponholz

INSPIRAÇÕES GOLPISTAS

Getúlio orientava-se pela premissa de que os fins
justificam os meios, parâmetro usual entre populistas,
extremistas e fundamentalistas. Não tinha limites

Por Mary Zaidan
Blog do Noblat
12/11/2017 - 01h25

“Tanto os velhos partidos como os novos, em que os velhos se transformaram sob novos rótulos, nada exprimem ideologicamente, mantendo-se à sombra de ambições pessoais ou de predomínios localistas, a serviço de grupos empenhados na partilha dos despojos e nas combinações oportunistas em torno de objetivos subalternos”.

Dita há exatos 80 anos, a frase cabe como luva aos dias de hoje. Com um agravante de arrepiar: com ela, o então presidente Getúlio Vargas justificava o fechamento do Congresso Nacional, ato primeiro do Estado Novo, golpe de 10 de novembro de 1937.

Com o poder de cassar mandatos, suspender eleições, vigiar e censurar a imprensa, prender comunistas – entre eles o jovem escritor Jorge Amado --, a ditadura Vargas prosperou com a conjunção demoníaca de economia em frangalhos e ausência de lideranças capazes de dialogar com a população pobre e descrente.

Ambiente similar ao que vemos hoje, ainda que as condições objetivas de agora, na economia, e, especialmente, da maturidade institucional do país, estabeleçam e evidenciem a distância histórica.

Líder inconteste da extrema direita nacionalista, Getúlio misturou seu imenso carisma a modelagens fascistas que tanto sucesso faziam na Itália de Benito Mussolini, na Espanha franquista e na Alemanha nazista.

Mas, ao contrário da ojeriza que esses ditadores provocam em seus países de origem e em todo o mundo democrático, Getúlio virou ícone de partidos ditos da esquerda nacional, que deram a ele o status de divindade – o pai dos pobres. Até os neocomunistas tupiniquins o vangloriam.

Mary Zaidan
Mary Zaidan é jornalista

Por ignorância, má-fé, ou ambos, esse segmento apagou da história o golpismo getulista e pesou as tintas no criador da Petrobras e da Consolidação das Leis do Trabalho, editada por decreto, em 1943, com inspiração na Carta del Lavoro (1927), da lavra de Mussolini.

Pode ser coincidência – aquela que dizem não existir – ou traquinagem da história o fato de as novas leis trabalhistas, desta vez aprovadas pelo Congresso Nacional, terem entrado em vigor no sábado, um dia depois do golpe octogenário.

Presidente do país de 1930 a 1945 e de 1951 a 1954, único período para o qual foi eleito, Getúlio orientava-se pela premissa de que os fins justificam os meios, parâmetro usual entre populistas, extremistas e fundamentalistas. Não tinha limites. E demonstrou isso até na dramaticidade de sua morte.

Ainda hoje sua herança é disputada a tapa. Já foi pendenga entre o PDT e o PTB no período da redemocratização, está no discurso de todos os matizes, antagoniza e une extremos.

Sem tirar nem pôr, Getúlio cabe em qualquer manequim.

Lula, outrora reencarnação, e que já teria superado Getúlio segundo a sua tropa, usa e abusa das “conquistas” dos anos 1940 nos palanques e da popularidade do golpista que ele diz admirar. Na outra ponta, Jair Bolsonaro arrebata os getulistas saudosos dos vínculos do ditador com os militares, com a extrema direita e os anticomunistas.

Ambos partilham outra adoração: o modelo Ernesto Geisel.

Bolsonaro exibe a foto do general em sua sala e Lula elogia, com vigor, o modelo nacional-desenvolvimentista do penúltimo presidente militar, aplicado ao pé-da-letra por sua pupila Dilma Rousseff, com consequências nefastas para o país: recessão e desemprego recordes.

Os dois – Lula e Bolsonaro – também disputam aconselhamentos de Delfim Neto, ex-ministro da Fazenda, Agricultura e Planejamento do regime militar.

Ainda que pareça estranho ao paladar e irrite aos fundamentalistas de um lado e de outro, Lula e Bolsonaro tentam cozinhar o público com os mesmos ingredientes: a unção divina de ser o salvador da pátria, o falso moralismo e o apelo por nacionalismo de ocasião. Usam e abusam do falseamento da História, dos exemplos de Getúlio, Geisel e até JK. Tudo temperado por populismo barato.

Resta saber se o eleitor vai engolir ou não essa gororoba.
  

domingo, 6 de novembro de 2016

POLÍTICA/OPINIÃO: MARY ZAIDAN


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ARQUIVO GOOGLE


SÓ RESTOU OCUPAR ESCOLAS

POR MARY ZAIDAN

BLOG DO NOBLAT
06/11/2016 - 01h25

Ocupação de 364 escolas, pouco mais de 2,2% dos 16 mil locais em que se realizam provas do Enem neste fim de semana, adiamento do exame para 240 mil dos 8,6 milhões de inscritos. Essa é a dimensão do movimento que se tornou bandeira única das correntes de esquerda que se viram à margem da preferência popular nas eleições municipais, e que, sem qualquer escrúpulo, jogam em cima dos jovens – estudantes ou não – o peso da derrota.

O não à PEC do Teto, já aprovada na Câmara e perto de ser votada pelo Senado, e à medida provisória que muda o ensino médio, é a principal frente de batalha para esse grupamento. Nas escolas ocupadas, na mídia e no Congresso. Se elas vingarem, afirmam os arautos da esquerda, a educação será definitivamente enterrada.

E o dizem como se o país tivesse alguma excelência a exibir na área, com resultados – especialmente no ensino médio – cada vez piores. No aprendizado e na frequência.

Melhor talvez fosse o envio de um projeto de lei ao de uma MP para estabelecer mudanças no currículo, mas a urgência de alterar o quadro de fracasso do ensino aos jovens justifica a celeridade. Obriga o Congresso, que há anos protela esse debate, a acelerar suas considerações.

A luta contra a PEC e a MP está na boca dos dirigentes de entidades estudantis e dos autointitulados movimentos populares. Aparece em letras garrafais no site do PT e no discurso do ex Lula, repetido esta semana em Buri, interior de São Paulo. “A primeira coisa que ele [ministro da Educação] propôs é uma PEC 241, para cortar gastos da educação, e uma reforma do ensino médio, que vai piorar muito a situação”.

Como é useiro e vezeiro, são falas sem qualquer lastro. O ministro não propôs PEC alguma, e Lula, claro, sabe disso. E a MP da reforma do ensino médio está longe de piorar o que já é para lá de ruim.

A PEC 241 aprovada pela Câmara e transformada em PEC 55 no Senado não diminui um único centavo da saúde, com 15% do orçamento, nem da educação, com 18%, atrelando os reajustes das duas áreas à inflação. Tratadas como exceção, ambas estão aptas a receber incrementos, mas não estão sujeitas a reduções percentuais na participação orçamentária. Em suma, podem ter mais ou menos recursos dependendo da capacidade de recuperação da economia do país.

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MARY ZAIDAN (FOTO: TWITTER)

Nada parecido com os cortes que a então presidente Dilma Rousseff se viu obrigada a fazer depois de impor ao país a pior recessão da História. Encalacrada por gastar muito mais do que podia, dois meses antes de ser deposta, Dilma anunciou cortes severos: R$ 2,3 bilhões na Saúde e R$ 4,2 bilhões na Educação, pasta que já sofrera tesourada de R$ 10,5 bilhões no ano anterior. No Congresso, as medidas receberam apoio irrestrito do PT e aliados da época e até da oposição.

Em nenhuma das duas ocasiões estudantes foram convocados a se manifestar. Não viram na redução orçamentária qualquer risco para a educação. Não piaram.

Prova irrefutável de que boa parte não passa de conveniente massa de manobra, usada para calar ou agir, dependendo das circunstâncias.

Como em qualquer protesto, há méritos a serem registrados: jovens lideranças surgem. Algo que pode refrescar o ambiente desde que a fúria em cooptá-las não seja tão intensa. Por vezes desrespeitosa, chegando a criar cenas de constrangimento.

Historicamente, a esquerda sempre foi eficaz na doutrinação. Talvez creia que ainda é capaz de fazê-lo. Mas o repertório da utopia que tanto sucesso fez no passado foi substituído por ideologias cambaleantes, não raro sustentadas em premissas falsas, ultrapassadas. No fascismo e em populismo barato. E ainda que povoem sonhos, tornam-se absurdamente deseducadoras quando pregam que governos podem e devem gastar mais do que arrecadam.

Para o bem geral da nação, a maioria -- até os mais jovens – não se engana. Sabe (e as eleições municipais demonstram isso) que dinheiro não dá em árvore e que nada é de graça: se governos dão alguma coisa a cobrança sempre vem. E alta.