segunda-feira, 6 de julho de 2020
O insustentável ranking dos campus
sábado, 18 de fevereiro de 2012
AINDA A CRISE ACADÉMICA DE 1962 - estudantes de Lisboa expulsos
"Meu caro, aqui vai a lista dos expulsos de Lisboa com alguns exemplos das razões da expulsão
António Ribeiro,
José Garibaldi ,
Mário Sotto-Mayor Cardia,
João Carlos Passo Valente,
Eurico Figueiredo,
Manuel Valentim Alexandre,
Eugénio Pinto Basto,
António Correia de Campos,
Nuno Brederode Santos,
João de Freitas Rego Santos,
António Rego Chaves,
Augusto José Amorim,
José Luís Boaventura,
Abílio Teixeira Mendes,
José Marques Felismino,
Manuel da Silva Tavares,
António Montez,
Isabel Vila Maior,
António da Cruz Rato,
António da Conceição Bento,
José Emílio Calvário
Abílio Teixeira Mendes: expulso por trinta meses da UL por ter sido um dos dirigentes associativos da academia de Lisboa que maior actividade desenvolveu no movimento estudantil de 1962 e “por ter comparecido na maioria dos plenários feitos em Lisboa, incitando sempre a massa académica à luta”.
António Manuel Dias da Conceição Bento: expulso por trinta meses por ser um dos alunos encontrados nas instalações da UL na evacuação feita pela PSP durante a greve de fome e por ser um dos responsáveis pelo movimento de 1962.
Augusto José Carvalho de Amorim: expulso por trinta meses da UL por ter sido identificado pela PSP a 3 de Dezembro de 1961 enquanto tomava parte numa manifestação hostil na inauguração da Reitoria da UL, por ter participado na greve da fome e por ser um dos responsáveis pela agitação de 1962.
Eugénio Barata Pinto Basto: expulso por trinta meses da UL por ter participado na manifestação de hostilidade levada a efeito a 31 de Dezembro de 1961 por vários estudantes da UL na inauguração da Reitoria em frente do Presidente da República e por ter sucessivamente aderido à greve de fome".
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Repito o que disse ontem, a propósito dos nomes dos estudantes de Coimbra expulsos: é uma grande honra estar nestas listas. O fascismo certificou-nos para sempre como seus inimigos. Julgando que nos esmagava, elevou-nos. É a subtil ironia da História. Mas esta honra só é na verdade imensa, porque não estamos nelas a título individual. Estamos nelas, em nome de todos. Fomos nós, podiam ter sido outros. Por isso, sendo umas dezenas, sentimo-nos como se fossemos milhares.
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
ACONTECEU EM HARVARD !
De facto, o que aí anda com o falso carimbo de ciência única, a justificar o confisco de bens e a degradação da qualidade de vida, mais não é do que uma simples escola de pensamento económico, questionável como qualquer outra, que partilha com as suas congéneres, algumas das quais bem diferentes dela, a multiplicidade de perspectivas, a partir das quais se procura compreender a sociedade e melhorar a vida. Neste caso, é certo, ela parece destinar-se essencialmente a assegurar que a vida corra bem aos poucos do costume, mesmo que isso exija o sacrifício dos massacrados de sempre.
Sem prejuízo de ser sempre bom exercitarmos sem complexos o nosso pensamento crítico, é estruturalmente saudável e útil darmos conta de que um pouco por todo o mundo, em circunstâncias previsíveis ou inesperadas, há quem não desista do futuro, não se vergando perante os oráculos que o querem usurpar.
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1º TEXTO
De Harvard para as ruas
- João Sicsú
" Dia 2 de novembro. O dia dos mortos. No curso introdutório de economia (rotulado “economia 10”) da Universidade de Harvard, os alunos ressuscitaram. Entregaram uma carta ao renomado professor Gregory Mankiw informando que estavam se retirando da sua sala de aula em protesto contra o conteúdo do curso que o economista está lecionando. Escreveram:
Quando ser novo-keynesiano não significa seguir as ideias de John Maynard Keynes
“Hoje, estamos saindo de sua aula, Economia 10, a fim de expressar o nosso descontentamento com o viés dado a este curso de introdução à economia. Estamos profundamente preocupados com a maneira que esse viés afeta os estudantes, a Universidade e a sociedade, em geral.”
Valeria ter noticiado este evento no Brasil? Sim, vale a pena! Greg Mankiw é bastante conhecido e muito admirado pelos economistas conservadores brasileiros. Tem livros traduzidos para o português e vastamente adotados nos cursos de graduação de economia do Brasil. E muitos de seus artigos acadêmicos são utilizados nos cursos de mestrado e doutorado. Ademais, de 2003 a 2005, foi presidente do Conselho de Consultores Econômicos do presidente George W. Bush. Hoje, é assessor do pré-candidato republicano Mitt Romney à Casa Branca em 2012.
Mankiw se considera um economista novo-keynesiano. Mas, para o leitor que tem a sorte de não conhecer os mínimos detalhes (que beiram a loucura) da vida acadêmica de economia, tal rótulo não quer dizer que Mankiw seja um seguidor do inglês John Maynard Keynes. Pasmem: quer dizer exatamente o oposto.
De volta à carta. Em seguida o texto dos estudantes explicita o viés mencionado: “não há justificativa para a apresentação de teorias econômicas de Adam Smith como sendo mais essenciais ou básicas do que, por exemplo, a teoria keynesiana”.
Segundo os estudantes, o curso teria a tendência de valorizar a teoria da “mão invisível” do mercado, a ideia fundamental do pensamento smithiano, em detrimento das visões que valorizariam o papel do Estado, a concepção keynesiana, como promotor do equilíbrio e do bem estar. Aparentemente, os alunos têm razão, cursos de introdução à economia devem apresentar uma visão ampla da teoria, mostrando que existem diversas possibilidades de leitura da realidade econômica. Embora jovens, os alunos sabem as consequências de cursos tendenciosos:
“Graduados de Harvard jogam um papel importante nas instituições financeiras e na definição de políticas públicas em todo o mundo. Se Harvard não equipar seus alunos com uma compreensão ampla e crítica da economia, é provável que suas ações prejudiquem o sistema financeiro global. A prova disso são os últimos cinco anos de turbulência econômica.”
Melhor ainda: os alunos não se retiraram da sala de aula para lanchar no McDonald´s. Foram para as ruas.
“Estamos saindo hoje para nos juntar a uma ampla marcha em Boston para protestar contra a mercantilização do ensino superior que é parte do movimento global ‘Occupy’. Já que a natureza viesada do curso Economia 10 simboliza e contribui para a crescente desigualdade econômica nos Estados Unidos, nós estamos saindo da aula de hoje tanto para protestar contra a sua discussão inadequada da teoria econômica básica, como para emprestar o nosso apoio a um movimento que está mudando o discurso americano sobre injustiça econômica.”
Em novembro, manifestações do 'Ocuppy' ganharam o reforço dos economistas de Harvard. Foto: AFP/Timothy A. Clary
Mankiw, depois de um mês do ocorrido, se pronunciou em sua coluna do New York Times de 3 dezembro. No artigo, argumenta, como esperado, em defesa do seu curso e da sua trajetória profissional. Não vale a pena comentar. Apenas, vale mencionar dois fragmentos de seu texto. E a conclusão fica para o leitor…
“A administração da universidade, que tinha ouvido falar sobre o planejamento do protesto, enviou vários policiais, como medida de precaução, para sentar na minha classe no dia [da manifestação]. Felizmente, eles não foram necessários.”
“… minha (…) reação foi de tristeza ao percebr como mal informados parecem estar os manifestantes de Harvard. Tal como acontece com grande parte do movimento ‘Occupy’ por todo o país, suas queixas me parecem ser um apanhado de platitudes anti-establishment sem uma análise realística ou claras prescrições de política.”
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2º TEXTO
An Open Letter to Greg Mankiw
By Harvard Talks Politics
(The following letter was sent to Greg Mankiw
by the organizers of today’s Economics 10 walkout.)
Wednesday November 2, 2011
Dear Professor Mankiw—
Today, we are walking out of your class, Economics 10, in order to express our discontent with the bias inherent in this introductory economics course. We are deeply concerned about the way that this bias affects students, the University, and our greater society.
As Harvard undergraduates, we enrolled in Economics 10 hoping to gain a broad and introductory foundation of economic theory that would assist us in our various intellectual pursuits and diverse disciplines, which range from Economics, to Government, to Environmental Sciences and Public Policy, and beyond. Instead, we found a course that espouses a specific—and limited—view of economics that we believe perpetuates problematic and inefficient systems of economic inequality in our society today.
A legitimate academic study of economics must include a critical discussion of both the benefits and flaws of different economic simplifying models. As your class does not include primary sources and rarely features articles from academic journals, we have very little access to alternative approaches to economics. There is no justification for presenting Adam Smith’s economic theories as more fundamental or basic than, for example, Keynesian theory.
Care in presenting an unbiased perspective on economics is particularly important for an introductory course of 700 students that nominally provides a sound foundation for further study in economics. Many Harvard students do not have the ability to opt out of Economics 10. This class is required for Economics and Environmental Science and Public Policy concentrators, while Social Studies concentrators must take an introductory economics course—and the only other eligible class, Professor Steven Margolin’s class Critical Perspectives on Economics, is only offered every other year (and not this year). Many other students simply desire an analytic understanding of economics as part of a quality liberal arts education. Furthermore, Economics 10 makes it difficult for subsequent economics courses to teach effectively as it offers only one heavily skewed perspective rather than a solid grounding on which other courses can expand. Students should not be expected to avoid this class—or the whole discipline of economics—as a method of expressing discontent.
Harvard graduates play major roles in the financial institutions and in shaping public policy around the world. If Harvard fails to equip its students with a broad and critical understanding of economics, their actions are likely to harm the global financial system. The last five years of economic turmoil have been proof enough of this.
We are walking out today to join a Boston-wide march protesting the corporatization of higher education as part of the global Occupy movement. Since the biased nature of Economics 10 contributes to and symbolizes the increasing economic inequality in America, we are walking out of your class today both to protest your inadequate discussion of basic economic theory and to lend our support to a movement that is changing American discourse on economic injustice. Professor Mankiw, we ask that you take our concerns and our walk-out seriously.
Sincerely,
Concerned students of Economics 10
sexta-feira, 28 de maio de 2010
Reestruturar os Saberes na Universidade de Coimbra
Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, do qual faço parte, sendo um testemunho expressivo de alguns aspectos do processo acima mencionado. Eis o documento:
O Conselho considerou que o documento apresentado não trata com a devida prudência um assunto desta natureza. Assim como não se reuniram as condições mínimas necessárias para fundamentar o método de cenários com que se ilustram possíveis alternativas para o futuro da Universidade. Ao não reflectir sobre os efeitos negativos que, previsivelmente alguns dos cenários contêm, a Comissão não cuidou devidamente de assegurar um debate global e construtivo.
Por isso, o Conselho Científico da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra considera que esse exercício está ainda obviamente limitado por duas circunstâncias que justificam fortes reservas. O primeiro desses limites resulta do facto de o inventário e o diagnóstico das questões que, na Universidade de Coimbra, suscitam uma reflexão reestruturadora terem sido excessivamente circunscritos. Parece claro que a Comissão não ousou tratar todos os casos. Ao centrar o essencial da discussão em duas áreas principais e em duas Faculdades gerou um desequilíbrio pouco salutar.
O segundo problema é que o documento não preenche a condição principal para que o debate tenha o enquadramento adequado e a pertinência justificada – não define os termos epistemológicos em que um assunto deste género repousa nem explicitou qual é o objectivo estratégico que prossegue. De facto, não há uma reflexão sobre as principais questões que rodeiam a produção do conhecimento nas sociedades contemporâneas nem sobre os problemas a que se justifica dar resposta. Ao contrário, o documento centra-se excessivamente em arranjos organizativos e funcionais.
Parece, pois, que a 2ª fase agora aberta deve reconhecer a insuficiência do trabalho realizado e deve colocar como objectivo ultrapassar os limites mais notórios. Das tarefas que importa desencadear há-de fazer parte uma cuidada inventariação dos problemas epistemológicos que orientam a reflexão e as decisões, procedendo, designadamente, a audições que contribuam para superar os compreensíveis limites da própria Comissão. Não parece possível que um debate deste tipo assente num relatório tão parcial e num apelo difuso à
participação. Importa, pois, considerar interlocuções institucionais que não foram asseguradas até agora. A Comissão deverá, designadamente, assumir um diálogo construtivo com as instituições que compõem diferentes instâncias da vida universitária.
O Conselho Científico da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra declara-se disponível para contribuir positivamente para o aprofundamento da discussão, encaminhando-a para um patamar aceitável em que seja então possível encarar de modo fundamentado as reestruturações orgânicas que se justifiquem, de modo amplo e equilibrado.
O Conselho Científico deliberou ainda, em relação à eventualidade de uma futura arrumação das especialidades e grupos de disciplinas na Universidade de Coimbra, comunicar às autoridades académicas a sua disponibilidade para participar em soluções globais que venham a reestruturar a investigação e o ensino na Universidade implicando o conjunto das áreas disciplinares e a sua indisponibilidade para colaborar na distribuição eventual ou pontual de áreas disciplinares pelas unidades existentes na Universidade. "
terça-feira, 9 de março de 2010
Sobre o processo de Bolonha
"El esquema con el que el proceso de Bolonia se ha implantado en las universidades españolas (carreras -grados- de cuatro años y másteres de uno) sólo lo comparten otros tres de los 46 países inmersos en la reforma europea de las universidades: Bulgaria, Ucrania y Escocia (que tiene un sistema distinto al del resto de Reino Unido). 19 países han elegido grados de tres cursos y másteres de dos; otros seis (entre otros, Rusia, Lituania o Turquía) tienen sobre todo grados de cuatro años y másteres de dos; y en el resto no hay ninguna posibilidad que predomine sobre las demás, según el informe de la oficina europea de estadística educativa (Eurydice) sobre el nivel de implantación de Bolonia en el año en que los países se habían comprometido a tenerla lista.
El profesor de la Universidad de Londres José Ginés Mora defiende enérgicamente el modelo adoptado por España, sobre todo, el que los grados (que sustituyen a las licenciaturas y diplomaturas) tengan cuatro años (lo que comparten otros 12 países europeos). Asegura que la empleabilidad es mayor, porque el mercado los acepta mejor, y porque en tres años es muy difícil incluir prácticas en empresas o estancias en el extranjero. Además, recuerda que es el esquema vigente en EE UU.
El experto francés en la reforma de Bolonia Guy Haug está de acuerdo en las bondades de los grados de cuatro años, pero está convencido de que hacer la inmensa mayoría de los másteres de sólo un año como se ha hecho en España (también se pueden establecer de uno y medio y de dos cursos) es un "error gravísimo". Lo es, asegura, porque no pueden competir en calidad con los posgrados del resto de países. "Los másteres de un año deben ser la excepción, no la regla", dice. Sin embargo, cree que, más que el esquema, lo importante es que haya "buenos grados y másteres".
Y la calidad de las reformas tiene mucha relación, entre otras cosas, con la inversión. El informe de Eurydice señala que, en medio de la crisis económica, 11 países han aumentado el presupuesto universitario más de un 5% este curso (Austria, Francia o Portugal, entre otros), mientras siete lo han disminuido más de un 5% (por ejemplo, Croacia, Islandia o Irlanda). España está en el grupo mayoritario de los 18 países que lo han aumentado, pero por debajo del 5%."
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
As amargas amêndoas de Bolonha
Recebi do meu amigo e colega Júlio Mota o texto que abaixo transcrevo, supondo eu que tenha sido ele a traduzi-lo. Julgo que esta minha iniciativa corresponde bem a uma interpretação adequada do sentido que foi dado à sua difusão, a qual, aliás, fez com que eu o tivesse recebido.
O texto é da autoria de Paolo Tortonese, Professor na Universidade de Paris III – Sorbonne, tendo sido publicado no Le Monde de 23 de Outubro.
Eis o texto:
A profissionalização da Universidade não é solução,
“No Le Monde de 2 de Outubro, Alain Renaut, professor de Filosofia em Paris-IV, entoa um hino à profissionalização dos ensino universitário.
Conhecemos esta ideia ao nível dos diversos governos e que tem passado da esquerda para a direita, desde a época de Claude Alegre (PS) até à actual de Valérie Pécresse (época Sarkosy). Renaut não acrescenta grande coisa a esta mesma ideia: afirma que a universidade deve fornecer uma formação profissional, mas não dá nenhuma explicação em que consistirão os seus cursos, no dia em que a profissionalização venha a ser uma realidade. Abandonará Renaut a exegese de Kant para se dedicar às técnicas da comunicação de empresa? Seria muito lamentável quer para os seus estudantes que ele sabe introduzir no universo dos filósofos quer para a comunicação ao nível da empresa, de que ele não conhece nada.
Quando se fala de profissionalismo, seria necessário ser claro e fazer imediatamente algumas distinções. A confusão reina, primeiro e sobretudo no decreto sobre o estatuto dos professores-investigadores, que atribui aos professores a tarefa da inserção profissional dos seus estudantes, enquanto que esta tarefa só pode e deve assentar na própria instituição.
Não compete ao professor ajudar os seus estudantes a procurar um trabalho depois de ter concluído os seus estudos. Esta função de apoio aos estudantes diplomados deve ser atribuída à serviços ad hoc, que convém criar em cada universidade. E não é necessário confundir uma política de ajuda aos estudantes aquando do seu acesso ao mercado de trabalho, com uma política de profissionalização dos ensinos.
Além disso - é a terceira distinção - não é absolutamente indiferente propor formações profissionais que se situam depois das formações generalistas e disciplinares, ou alternativamente propor a substituição destas segundas pelas primeiras, pelas formações profissionais. A primeira estratégia tem em conta uma necessidade de sempre, diferentemente satisfeita pela sociedade, pelas empresas e pelas instituições: que os jovens que tenham adquirido um saber adquirem também um correspondente saber fazer.
A segunda estratégia pretende impor a substituição do saber pelo "saber-fazer", sob pretexto da inutilidade dos conhecimentos teóricos. É um espanto vermos um excelente professor de Filosofia colocar-se do lado dos que pensam que o espírito crítico, a reflexão metodológica e a abstracção são coisas já fora de uso, obsoletas. Os universitários, sobretudo em ciências humanos, deveriam ao contrário reafirmar o que a sociedade corre o risco de esquecer: que o saber teórico tem também uma eficácia prática. Por outras palavras, que as competências se baseiam no conhecimento.
Renaut coloca como argumento em defesa da profissionalização o exemplo da filosofia: dado que um número muito limitado dos seus estudantes em Paris-IV consegue passar no concurso da agregação, será então necessário transformar as formações filosóficas de acordo com as orientações profissionais que não sejam as do ensino secundário. Mas Renaut não nos diz quais são estas profissões que deveriam, a partir de agora, dar forma e moldar pelas suas exigências os cursos dos professores e as teses dos estudantes. O seu raciocínio poderia ser posto ao contrário : desde há muito tempo, que os diplomados em filosofia, como os diplomados em letras ou em história, não se tornam maioritariamente professores.
Nós pensamos que se trata do principal mercado, em termos de saídas profissionais, destes estudos, mas unicamente porque ignoramos a trajectória profissional dos nossos estudantes. É uma ilusão da qual nos deveríamos desembaraçar para olhar de frente a realidade : os estudos em letras, em ciências humanas e sociais conduzem os estudantes para uma grande diversidade de empregos. Nestas condições, como reorganizá-lo de acordo com uma orientação profissional mais precisa?
Não vale melhor ter em conta notável riqueza destes ensinos, que permitem a integração em meios profissionais muito diversificados? Objectar-nos –ão que a preocupação incide não sobre os que encontram um emprego, mas sim sobre os que não o encontram. Mas ninguém conseguiu até agora o demonstrar o que se dá sempre a entender : que o carácter não especialista e disciplinar das formações seria responsável pela taxa de desemprego. Dá-se como adquirido o que é mais incerto: que não se encontra trabalho porque não se recebeu uma formação profissional bastante desenvolvida.
Há uma outra grande ilusão, inutilmente desmentida pelos economistas: pretende-se criar um sistema ideal, no qual a previsão das necessidades do mercado de trabalho permitiria planificar as formações, e de trazer às empresas exactamente que estas necessitam como recursos humanos. Podemos então ficar espantados com a paixão planificadora de que dão mostras os nossos liberais.
Os nossos liberais esquecem duas coisas: por um lado que os dirigentes de empresa são incapazes de saber o que irão necessitar como competências precisas daqui a cinco ou oito anos, tempo este que corresponde ao tempo de formação em mestrado e ao tempo de doutoramento; por outro lado, que os jovens não são apenas recursos humanos mas seres humanos, e que a sua motivação no momento de escolher a sua fileira de estudos superiores não é redutível a um projecto profissional.
É necessário ser burocrata e nunca não ter falado com um estudante, o que infelizmente, é o caso em números instâncias de decisão, para não compreender que esta motivação é complexa, e que responde à necessidades, aspirações, ansiedades pessoais que nenhum formulário de inscrição poderá alguma vez reflectir.
A conversão do filósofo Renaut à profissionalização forçada é tanto mais surpreendente quanto ele mesmo emitiu a este respeito, há alguns anos, importantes reservas. Permito-me recomendar-lhe a leitura do seu livro: O que fazer das universidades? (ED. Bayard, 2002). Há nesta obra uma discussão muito convincente sobre os perigos da profissionalização das páginas 90 à 94.
Depois de ter evocado a política profissionalizante seguida pelas universidades americanas nos anos 1960, Renaut escreveu então: “O risco parece grande, se se procede de maneira cega a uma semelhante profissionalização das fileiras, ao mesmo tempo que se destinam sectores importantes do saber (os que estão sem saída directa para as profissões) ao destino que se foi o dos estudos latinos ou gregos, de os fazer desaparecer definitivamente dos estabelecimentos superiores referidos qualquer dimensão verdadeiramente universitária. Por um lado, a componente constituída pela formação do saber dava o lugar , exactamente como nas escolas profissionais, a uma simples formação ao saber constituído e profissionalmente explorável. Por outro lado, a diversificação de sectores também compartimentados como o são as profissões acabaria por retirar qualquer sentido a este projecto de ajuntamento que exprime a ideia de universidade(p. 92).
A posição de Renaut era então matizada: abordava o problema pesando os prós e os contras e defendia-o fortemente a formação generalista no primeiro ciclo. O que é feito hoje destas matizes? É deplorável que a controvérsia política as tenha apagado.”
[Paolo Tortonese. Professeur de littérature française à l’Université de Paris III-Sorbonne, La professionnalisation de l’Université n’est pas la solution, former diplômés généralistes n’est pas produire chômeurs, Le Monde, 23 de Outubro de 2009].
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Universitários de toda a Europa, uni-vos!
"Universitaires de toute l'Europe, unissez-vous !
Connaissez-vous la "MOC" ? Dans la novlangue européenne, cela veut dire "Méthode Ouverte de Coordination": on fixe des objectifs - tant de diplômés du supérieur par exemple - et chaque Etat essaie d'être le meilleur. Pour ses détracteurs, c'est une "Méthode Opaque de Convergence" qui détruit l'université à petit feu. Le débat est ouvert.
Douze syndicats et associations - Attac, Sauvons l'Université (SLU), Sauvons la Recherche (SLR), le Snesup, l'Unef, etc - organisaient le 30 mai une journée de rencontres européennes sur le thème de l'université. Le CentQuatre, nouveau haut lieu artistique de la capitale - de beaux bâtiments rénovés mais plutôt vides -, leur avait fourni gracieusement un amphithéâtre.
L'objectif des organisateurs: préparer un contre-sommet européen au printemps 2010 "pour une autre Europe du savoir" A l'approche des élections européennes, l'université veut aussi s'inviter dans la campagne. Elle lance d'ailleurs d'autres actions cette semaine, notamment l'appel de la Ronde des obstinés aux candidats.
L'intérêt d'une telle initiative est double: prendre du recul par rapport à des réformes qui, complexes aux yeux du non-initié, semblent souvent illisibles et dépasser le cadre franco-français.
De nombreux mouvements - jeunes, étudiants, enseignants, etc - traversent l'Europe. Et l'on constate que si les situations diffèrent, les réformes vont dans le même sens, avec les mêmes menaces : privatisation rampante, précarisation grandissante, rôle toujours plus grand de l'évaluation, de la rentabilité avec la gestion manageriale de l'université, etc.
L'inconvénient est que l'on resort de ces débats avec un grand spleen. Avant un exposé très érudit sur l'université au fil des siècles, l'historien Michel Blay a ainsi débuté: "nous sommes dans les anciennes Pompes funèbres générales"... C'est vrai mais d'entrée de jeu, ça plombe un peu l'ambiance.
Clair et incisif, le sociologue Christian Laval a démonté la logique insidieuse, selon lui, des réformes qui se mettent en place en France et en Europe, "une révolution silencieuse, qui se cache et qui se fait par étapes, qui ne concerne pas seulement l'enseignement supérieur et la recherche mais la maternelle jusqu'à l'université, y compris la formation permanente".
Tout commence avec l'appel de la Sorbonne en mai 1998, explique-t-il. Quatre pays européens disent vouloir construire une "Europe du savoir" pour faire pièce à l'Europe des banques et du tout-économie.
En 1999, le processus de Bologne (lire la déclaration commune des ministres) introduit le LMD (licence-master-doctorat) pour harmoniser les systèmes d'enseignement.
En mars 2000, lors du sommet de Lisbonne, le discours se précise: l'UE veut constituer un "espace européen" de l'éducation, de la recherche, de la formation professionnelle, etc. Il faut rattraper les Etats Unis, le Japon, etc. Le mot-clé devient "l'économie de la connaissance".
"Cela veut dire que la connaissance est un bien économique. Une transformation radicale de la façon dont on la regarde. (...) L'impératif suprême est désormais la compétitivité, la connaissance doit devenir un secteur compétitif pour que l'économie soit la plus compétitive du monde."
Cela a, selon lui, deux conséquences principales:
- "la recherche, c'est désormais l'innovation: toute activité de recherche doit déboucher sur un dépôt de de brevet, mesure de la justesse des investissements",
- "l'enseignement, c'est l'employabilité. Et cela commence en maternelle, avec le livret de compétences".
Dans ce cadre, la fameuse MOC "est un outil puissant de transformation. Des groupes informels d'experts se réunissent. Ils définissent des lignes directrices, des objectifs intermédiaires et des outils d'évaluation", avec notamment le benchmarking (score à atteindre).
Logiquement, toujours selon Christian Laval, cela conduit à "un marché de l'éducation. Ce qui ne veut pas dire une privatisation immédiate. Mais une mise en concurrence généralisée des institutions et des acteurs".
L'historienne Cecile Deer a ensuite pointé les évolutions inquiétantes au Royaume Uni: "depuis le début des années 2000, on a introduit graduellement des frais de scolarité, afin d'habituer les esprits à payer pour avoir accès à l'enseignement supérieur. Maintenant on voudrait faire passer une loi autorisant des frais différenciés, selon les universités, les départements. On paierait beaucoup plus cher par exemple pour Oxford que pour une université dont le diplôme est moins valorisé."
Elle a rappelé que le mouvement a été lancé sous les travaillistes: "c'était une logique de gauche, de redistribution des richesses, et pas du tout du libéralisme échevelé. Ceux qui accèdent à Oxford et à Cambridge viennent d'écoles privées très chères, ont estimé les travaillistes, ils peuvent donc payer dans le supérieur."
Le sociologue Marco Pitzalis est intervenu pour l'Italie où des mouvements de protestation ont lieu "chez nous l'autonomie a été introduite à l'université au début des années 90, sous la gauche. Au début, 50 à 60% des budgets universitaires étaient consacrés aux salaires. Aujourd'hui c'est 100%. Il y a de plus en plus de précaires.
"Le gouvernement voudrait donner maintenant tous les pouvoirs aux présidents d'université. Il veut aussi une libéralisation totale des frais d'inscription - qui s'échelonnent actuellement entre 400 et 2000 euros. Ceci afin que les meilleures universités embauchent les meilleurs professeurs qui négocient les meilleurs salaires."
"Il attaque aussi le caractère national des diplômes. Enfin, il a annoncé une baisse de 15% des fonds alloués aux universités. L'an prochain, certaines ne pourront pas payer tous les salaires".
Pour la Grèce, théâtre d'une quasi insurrection des jeunes en décembre (photo), l'historien Efthymios Nicolaidis a parachevé le tableau. "Heureusement, seuls 10 à 20% des étudiants suivent les cours. Si tous venaient, il n'y aurai pas assez de tables. Déjà lors des examens, certains doivent écrire assis par terre."
"Aujourd'hui le gouvernement veut faire payer les manuels, gratuits jusqu'ici, et instaurer des frais d'inscription - à l'université, on paie déjà pour les masters."
"En 1995, il a par ailleurs arrêté de subventionner la recherche, ne finançant plus que les salaires. Cherchez vous-mêmes de l'argent, a-t-il dit, ou postulez à des programmes européens."
"Aujourd'hui 30% des enseignants sont sous contrat de six mois, renouvelables durant trois ans maximum. Dans ce qui est l'équivalent du CNRS, la moitié des chercheurs sont précaires, la moyenne des contrats est de deux ans. De plus, on a introduit l'obligation de terminer sa thèse en trois ans, y compris en histoire."
"Je ne suis pas très optimiste. Depuis quinze ans, la mentalité des enseignants-chercheurs a évolué: ils rêvent de monter des petites entreprises, de faire des business plans, ils voient les étudiants comme des clients. En même temps, il y a un mouvement universitaire assez fort."
Une discussion a suivi. Où un participant a regretté le ton un peu trop nostalgique, pouvant paraître conservateur alors que des réformes sont bien nécessaires. Un autre a rappelé que l''"employabilité n'était pas un gros mot", qu'il "s'inquiétait lui-même du devenir de ses étudiants en mathématiques qui n'ont pour toute perspective que la recherche ou le professorat". Un autre débat, à suivre."
domingo, 24 de maio de 2009
A Universidade em obras
terça-feira, 24 de março de 2009
O Fantasma de Bolonha
Hoje, é, aliás, um dia simbólico na história do movimento estudantil português. Foi a 24 de Março de 1962 que, em Lisboa se desencadeou a crise académica de 1962, que se estenderia a Coimbra. Aproveito para saudar os estudantes que então se bateram por uma outra Universidade e por um outro país. Não esqueço que foi essa crise que levou a que me expulsassem da Universidade, onde hoje sou professor. Essa expulsão é a mais honrosa distinção que até hoje me foi concedida.
" É muito importante que se proceda a uma avaliação objectiva das consequências do chamado Processo de Bolonha e do Regime Jurídico do Ensino Superior que procurou projectá-lo no nosso país. Desse modo, poder-se-á preparar com cuidado um sério processo de correcção dos seus aspectos que claramente prejudicam a qualidade e o desenvolvimento do ensino superior em Portugal, fazendo-o ainda correr enormes riscos no futuro imediato.
De facto, tal como foi materializada, a reforma efectuada corre o risco de falhar a prossecução dos objectivos que consubstanciaram a sua razão de ser, acabando por se traduzir na prática numa degradação do sistema do ensino superior português.
A Universidade como espaço democrático, científico e crítico, está posta em causa e ficam longe de ser realizáveis os objectivos gerais que a política global lhes atribui, e, em especial, a Estratégia de Lisboa. Tendo a mudança ocorrida decorrido com completa desconsideração pelos aspectos políticos de médio prazo implicados pela reforma e pelas suas consequências imediatas, as boas intenções afixadas pelos seus arautos correm o risco de desembocarem numa enorme operação de confisco de bens públicos por grupos de interesses privados. Confisco, expresso em novos mandarinatos corporativos, tanto mais prováveis e incontroláveis, quanto mais habilmente utilizarem as novidades jurídicas aconselhadas pela tutela.
Tudo isso se agrava com uma divergência crescente entre os ambiciosos objectivos fixados às instituições de ensino superior e os recursos financeiros que lhes são atribuídos. Como é possível levar a bom porto uma estratégia de efectiva transformação de um sector que em simultâneo se estrangula financeiramente?
Por último, parece claro que o PS não pode seguir para o ensino superior a mesma lógica que já recusa expressamente para a sociedade em geral. Na verdade, o pensamento que guiou as acções que no plano económico conduziram o mundo para o drama que vivemos, é do mesmo tipo daquele que informou o Processo de Bolonha e o RJIES. Seria trágico que só acordássemos para essa perigosa incoerência, quando nas nossas Universidades eclodisse uma crise paralela à que hoje abala o mundo da economia."
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
As barbas do vizinho a arder!
"Le mouvement des enseignants-chercheurs, en grève illimitée depuis le 2 février, entre dans son quatrième jour et s'étend, rejoint par des syndicats de l'enseignement supérieur et des étudiants.
Une coordination nationale des universités – représentant 74 universités, écoles et instituts réunis à Paris-IV – a appelé, lundi soir, à une journée d'actions ce jeudi et à une manifestation nationale, mardi 10 février, à laquelle pourraient se joindre les étudiants, dont la principale organisation, l'UNEF, a appelé à la grève mardi prochain.
Au moins 22 manifestations sont prévues un peu partout en France ce jeudi – Paris, Lille, Lyon, Toulouse, Montpellier, Nantes, Le Mans, Strasbourg, Dijon... A Paris, un cortège partira de Jussieu à 14 h 30 pour se rendre aux abords du ministère de l'enseignement supérieur. A Strasbourg, un rassemblement est prévu jeudi matin devant le Palais universitaire "à l'occasion de la venue de Valérie Pécresse pour inaugurer l'université fusionnée de Strasbourg", indique le Snesup-FSU.
Les raisons de la grève
La modification du décret de 1984 sur le statut des enseignants-chercheurs suscite un mécontentement croissant chez nombre d'entre eux qui craignent l'arbitraire des présidents d'université, une hausse des heures d'enseignement et l'atteinte à leur indépendance. Ils demandent le retrait de la réforme.
Ils protestent aussi contre la réforme de la formation des enseignants et les suppressions de postes (900 en 2009) dans l'enseignement supérieur, rejoints par les principaux syndicats du supérieur.
"Aujourd'hui, alors que le gouvernement reste sourd aux revendications, la mobilisation dans les universités s'amplifie, avec la multiplication des décisions de grèves", écrivent les syndicats FSU, CGT, CFDT, FO et Solidaires de l'Enseignement supérieur dans un communiqué commun diffusé mercredi.
Les universités en grève
Selon un communiqué de la coordination nationale des universités, la mobilisation s'est poursuivie mercredi dans certains établissements, avec des assemblées générales, comme à Aix-Marseille, Clermont-Ferrand, Nancy, Nantes, Paris-IV, Paris XII notamment. A Toulouse II, la grève a été votée par une assemblée générale d'étudiants. A Toulouse III, la grève a été décidée jusqu'à jeudi soir.
Certains IUFM (Instituts universitaires de formation des maîtres) sont aussi en grève, comme celui de Paris.
Le ministère campe sur ses positions
La ministre de l'enseignement supérieur, Valérie Pécresse, a écarté tout retrait de la réforme du statut des enseignants-chercheurs. Son ministère a recensé "70 enseignants-chercheurs déclarés grévistes" et une "dizaine d'universités concernées par la rétention des notes" (l'UFR de droit à Toulouse I, celle de lettres à Orléans, la littérature à Paris-III, entre autres), estimant "les perturbations sont limitées".
L'opposition soutient le mouvement
Le premier secrétaire du Parti socialiste, Martine Aubry, a demandé mercredi à Nicolas Sarkozy d'interrompre les réformes. "On ne peut pas à la fois dire qu'on prépare l'avenir comme le dit le président Sarkozy et prendre les mesures qu'il est en train de prendre, le changement de statut des chercheurs, la réduction des postes et des effectifs, le mélange des genres entre les enseignants et les chercheurs", a-t-elle déclaré en marge d'un déplacement au Parlement européen à Strasbourg. "
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Sobre as Universidades
Na época em que a Polónia se encontrava sob o regime comunista, havia dissidentes que davam aulas nocturnas em sua casa, que dirigiam seminários sobre escritores ou filósofos excluídos do cânone oficial (Platão, por exemplo). Não havia dinheiro a passar de umas mãos para outras, embora possa ter havido outras formas de pagamento. Para que o espírito da universidade sobreviva, pode ser preciso que surja qualquer coisa deste género nos países onde o ensino superior foi completamente subordinado aos princípios empresariais. Por outras palavras, a verdadeira universidade pode ter de se transferir para casa das pessoas e conferir licenciaturas cujo único apoio sejam os nomes dos académicos que assinam os certificados”
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
O Semeador de Ventos
Para o ano, comemoram-se os quarenta anos da crise de 1969. Será que o Ministro Mariano Gago está a preparar com antecedência uma reprodução actualizada e alargada dessa crise universitária?
Parece determinado numa inovação: desta vez não será só em Coimbra, mas em todas as Universidades públicas do país.
Nota-se ainda um detalhe de monta no acirramento do Ministro: está a extinguir metodicamente os apoios e as simpatias de que o PS dispunha na Universidade.
E esse cerco impiedoso aos socialistas que restam nas Universidades portuguesas pode parecer um episódio menor. Para nós que somos os cercados, é um drama absurdo. Para o PS, a longo prazo, pode ser um desastre irrecuperável.