Mostrar mensagens com a etiqueta direita. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta direita. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 19 de dezembro de 2023

UM COELHO EM EBULIÇÃO

 



UM COELHO EM EBULIÇÃO

Como qualquer Coelho que se preze Passos Coelho tirou-se , a si próprio, da cartola, desabençoando intensamente  António Costa.

Diria mais: mordendo forte e incivilizadamente  as canelas do seu antigo  adversário político.

E a dentada foi tão intensa que o seu admirador confesso e antigo súbdito André Ventura viu-se ingressado na categoria dos “Há piores do que ele”. Apressou-se, aliás, a mostrar que essa descida no ranking dos insuportáveis não o tinha deixado triste.

Pelo contrário, tinha-o iluminado na escolha do primeiro ministro do PSD de que mais gostaria, qual o líder do PSD que mais facilmente o domesticaria, qual o chefe laranja que engolirá  mais facilmente.

O cerco de Montenegro a si próprio foi reforçado por um irrequieto Coelho que o farpeou sem piedade. Na sua emaranhada desfilada, foi tempo de uma pequena dança de regozijo de André Ventura.

Perdida na  sua campanha malabarística, a direita pergunta-se: Afinal, quem devora quem?

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

A DIREITA EM DELÌRIO

 

A DIREITA EM DELÌRIO

A oposição de direita nas suas várias declinações, num registo agressivo afinado pelo diapasão do Chega, demoniza sofregamente o PS, cobrindo-o de depreciações e insultos.

Com a sofreguidão de poder aguçada pelas circunstâncias infaustas que têm vindo a cercar o PS, rebenta as escalas de todos os exageros. A comunicação social, num orfeão pífio de comentadores e jornalistas captados pela direita e excitados contra o PS e o Governo, embrulha a campanha da direita numa aura de legitimidade e de objectividade imerecidas que escandaliza.

Ainda recentemente um reputado Prémio Nobel da Economia (2008), Paul Krugman, numa entrevista a um jornal português, teceu rasgados elogios à política económica seguida por Portugal nos últimos anos, o que é impossível de não levar a crédito do PS e do seu Governo. Algo que contraria expressivamente a algaraviada pessimista da oposição de direita e dos seus acólitos. As instâncias da União Europeia elogiaram também recentemente a política financeira portuguesa, em clara oposição aos megafones que fazem a direita ecoar na nossa praça.

Os inquietos expoentes das várias declinações da direita em Portugal dão da governação do PS que se aproxima do seu termos uma imagem devastadora. Regougam dislates como se fossem arcanjos de um rigor certeiro e implacável que resumam todos os malefícios possíveis da política de um governo naquilo que o PS fez. Insultam assim tacitamente o eleitorado que sucessivamente alcandorou o PS às vitórias como se ele fosse uma a legião de tontos que se deixou endrominar pela matreirice dos socialistas.

Apoplécticos contestam as consequências do tipo de organização económico-social de que são sequazes como se tivesse sido o PS que a inventou. Defendem incondicionalmente o capitalismo e atacam ferozmente as suas mais nítidas consequências. Pugnam na prática pela manutenção da espinha dorsal das desigualdades sociais como sinal estratégico da sua política, trovejando impropérios contra o PS como se tivesse sido ele a inventá-la. De facto, só lhes é possível fazer política escondendo o que realmente são com homilias angélicas que os falsifiquem.

As várias declinações da direita em Portugal sentem-se irresistivelmente atraídas pela atmosfera queirosiana que os leva a colocar: “Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia" .

 

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

AINDA OS VIOLINOS TORCIDOS

 

AINDA OS VIOLINOS TORCIDOS

Eduardo Santa Cruz ofereceu-nos a memória deste meu texto, que abaixo transcrevo, aqui publicado em 7 de Dezembro de 2021, sublinhando a sua atualidade. Só tenho que lhe agradecer. 

Entretanto,  em 30 de Janeiro de 2022 houve eleições legislativas em Portugal, tendo-se assim iniciado a XV Legislatura da Assembleia da República. Como é sabido, foram ganhas pelo PS com maioria absoluta. A tropa fandanga de que falo no meu texto foi portanto desbaratada. Atualmente, estamos em novo período pré-eleitoral, já que o PR interrompeu uma vez mais legislatura que estava a decorrer.


“ OS VIOLINOS TORCIDOS

Pode ler-se numa página virtual do Expresso:

“Entre julho e setembro, face ao segundo trimestre do ano, só a Áustria e a França viram o PIB crescer mais que Portugal. A nível global, as economias da zona euro e da UE cresceram no terceiro trimestre, quer face ao período homólogo quer em cadeia, indica o Eurostat”.

Assim só pode lamentar-se que a realidade esteja tão largamente errada, alheia aos uivos de lamentação tremendista duma larga coligação de inefáveis aveludados, de subtis malandrecos, de rigorosos numerólogos, ou de simples tontos, que tão exuberantemente anunciam, prenunciam e inventam desgraças inenarráveis que espreitam este descuidado país.

É uma tropa fandanga onde se acotovelam fantasmas acavacados e mal passados de natais sofridos, as sereias ingénuas de um liberalismo imaginário, a atamancada ferocidade dos neofascistas, os paulíssimos das boas famílias, os chicões mais aguçados, o maior partido da oposição solidamente no centro da direita e até os pasteis subtis de todas as sedes de moderação.

Toda essa tuna de desafinados, absolutamente rigorosos, tenta desesperadamente apoucar e assustar o povo, na esperança de lhes cair no regaço a legitimidade política para devastarem o país.

Um país espantado por ver estes oráculos pífios garantirem-lhe desgraças no preciso momento em que começam a levantar-se depois duma tempestade que tão devagar se vem atenuando.

Rapaziada da corda, muito cuidado. Estes violinos rombos de melodias inventadas, anunciando-se como ungidos salvadores, mais não conseguirão nunca do que salvarem os seus privilégios e as suas mais ou menos discretas mordomias.

Cuidado rapaziada, por detrás da sua retórica pessimista, a grande aposta desta gente, o seu gritante sonho, é o de conseguiram ser uma espécie de avesso do Robin dos Bosques: tirar aos pobres para dar aos ricos.

Para isso, têm que afastar o PS da governação ou tolhê-lo o mais possível, substituindo-o, se possível, pela anemia crónica mas perigosa da direita.

Felizmente, a realidade tem resistido aos sonhos salteadores.”

 

Parte superior do formulário

 

terça-feira, 5 de dezembro de 2023

CAVACO

 


CAVACO

Cavaco veio, num destes dias num jornal de referência,  sublinhar uma vez mais o seu ódio ao PS. Exprimiu uma convicção forte. Mas não a soube  envolver em qualquer  acutilância genial .

 Assim,  produziu apenas  uma papa insalubre feita de insultos , de insinuações vagas e torpes, de sapiências apavonadas.

Na verdade, por mais  que se escave na  sua esforçada prosa, não se descobre o brilho de uma ideia original ou a sombra de uma crítica percuciente. Apenas o regougar azedo de um ódio que não cansa.

Perdido, o PSD ostentou-o como um troféu de excelência.  Fê-lo passear pelo seu silêncio, como uma ruidosa orquestra de tambores. Julgou talvez que desfraldava uma bandeira, mas apenas mergulhou numa estéril anedota.

domingo, 26 de novembro de 2023

O CONGRESSO

 


O  CONGRESSO

Assombração e Silva não desiste de fazer de homem do saco. Julga ele que assusta a esquerda, oferecendo-se como ícone ao que julga serem as legiões da direita.

A direita comove-se com o reaparecimento do fantasma dos seus sonhos perdidos. Ouve entretanto com reserva o alarido que rodeia o modesto salvador que lhe oferecem.

Esperava com ansiedade um robusto galo de combate. Teme que lhe estejam a querer fazer engolir o que os seus adversários possam com verosimilhança considerar um modesto, ainda que pomposo, garnisé.

O bom povo, que eles querem cercar, olha com desconfiança o circo mediático. Das apregoadas glórias do laranjal, recorda-se vagamente. Mas menos como glórias do que como pesadelos.

São também apregoadas legiões de sábios que, em reuniões muito circunspectas, congeminam gravemente os muros com que querem rodear o nosso futuro. No essencial, procuram convencer os explorados que acentuar-se a exploração é o caminho mais seguro (quiçá o único!) para que os pobres tenham a boa sorte de aproveitar o enriquecimento dos ricos para colherem os frutos da sua proverbial generosidade.

O bom povo pensa e torce o nariz. Habituado a migalhas, estranha quando lhe ofereçam banquetes.

Assombração e Silva sai para jantar, na esperança de que a esposa o espere com um petisco.

Os jornalistas e os comentadores, plenos de imparcialidade garantem que o número caváquico foi o sucesso de topo do transcendente conclave

domingo, 30 de julho de 2023

Frustração e hipocrisia em Espanha.

 

Frustração e hipocrisia em Espanha.

 

O Partido Popular espanhol, em cuja claque alinham a direita e a extrema-direita portuguesas, alguns distraídos da esquerda baixa ou do “nem esquerda nem direita antes pelo contrário”, confrontou o PSOE com o hipotética dever deste de viabilizar um governo seu. 

Sem isso, a sua vitória revela-se incapaz de gerar uma maioria parlamentar. O PSOE, tendo sido o segundo partido mais votado, embora com dificuldade, pode negociar apoios que lhe permitam liderar um governo de coligação de esquerda com o SUMAR. Também por isso, não se mostrou disponível para dar esse “presente” ao PP.

Com os olhos em alvo, o PP alardeia a qualidade democrática da sus pretensão. No entanto, realmente, se virmos bem  o que revela é descaramento e hipocrisia políticos. Profundos!

Na verdade, depois das mais recentes eleições locais e regionais de 28 de maio, em que a direita teve mais votos, reforçando largamente os seus poderes locais e regionais, foram reconfigurados os diversos executivos com base nas respectivas assembleias municipais e regionais.

Olhemos para alguns exemplos de como a direita espanhola se comportou nesse processo. Na região da Estremadura, o PSOE foi o partido mais votado, mas quem governa é uma aliança do PP com o VOX a qual conseguiu maioria na Assembleia.

E não se ficou por aqui. Realmente, no campo municipal, o PP ocupou as presidências de mais de 200 municípios em que a sua não foi a lista mais votada; na maioria das quais, aliás, foi o PSOE o partido mais votado. E se olharmos para a Espanha como um todo, há 684 municípios em que o partido mais votado não lidera o governo municipal.

Como se vê, a pretensão do PP é o contrário do modo como se tem comportado em situações idênticas. Não é mais, desse modo  do que uma hipocrisia de náufrago que já se julgava no Palácio da Moncloa mas que  afinal “morreu na praia”.

domingo, 21 de maio de 2023

Regresso pardo do fantasma de Boliqueime

 

Regresso pardo do fantasma de Boliqueime

O fantasma de Boliqueime voltou, espumando  uma raiva fria. O seu rosto foi assolado por um ódio pardo, quase desregrado.

Na plateia laranja e chique pairava um cheiro acre  a  cavaquistão.  Montenegro, titubeante mas deleitado, hesitava em convencer-se que estava a ser auxiliado pelo mago algarvio.

Houve então um conselho de urbanidade no debate político. Mas o conselho  sentiu-se perdido no discurso do mestre. “O que é isto?” perguntou  assarapantado. “Que moleza é esta?” quase se indignou.

No entanto, foi o  próprio mago que lhe respondeu, fazendo-o perceber que a alegada urbanidade era apenas um voto pied0so e descartável. E, para que tudo voltasse ao normal, ele próprio mostrou como realmente devia ser a cartilha do PSD: explodiu num discurso de desbragado ódio ao PS, ao seu Governo, a António Costa. Sem nuances, sem reservas, sem excepções ─ um oráculo em fúria.

Um contraponto: o PS e os seus Governos foram e são o mal absoluto; o PSD e os seus governos foram e garantem vir a ser o bem supremo. Equilíbrio, imparcialidade e tolerância; forte sentido do ridículo…

Não hesitando em proclamar-se arcanjo do seu próprio céu,  e em beatificar a memória de Durão, quebrando o seu compromisso com os Portugueses após servir umas bicas aos senhores do mundo que vieram a uma terra portuguesa fazer a  dança da guerra; Santana dissipando-se; e Passos na glória de querer ser pior que a “troika”.

Quanto ao PS, fulminou-o com um resumo das larachas rasteiras da propaganda da direita, disparando-se  num festival de diatribes, com que admoestou severamente o povo português, censurando-o indirectamente por lhe ter dado os seus votos há pouco mais de um ano. De facto, o descavacado  povo apesar de décadas de experiências  de convivência com os “diabos cor de rosa” deu a um seu Governo um suporte maioritário que o pôs a coberto de surpresas e traições parlamentares.

Na verdade, a democracia tem muito que penar até chegar aos calcanhares da filosofia política iluminada do mago algarvio. Realmente votar é um desporto ocioso; melhor seria pedir ao Senhor de Boliqueime a lista dos ministros e um programa de governo e deixarmo-nos conduzir inebriados para o paraíso caváquico. Lá CHEGARÃO: ( julgam eles!).

Por mim, permito-me um sorriso final: forte da sua consabida cultura poética, para deixar respirar um pouco a sua prosa cinzenta, não conseguiu recorrer a outro exemplo que não fosse uma leve e tosca evocação  de Sofia, uma grande voz da poesia portuguesa que no seu tempo se sentou na bancada parlamentar do PS. 

Embora espantadas, as musas sorriram. Mesmo na poesia, o comité laranja  dos arcanjos prosaicos tem de se socorrer da tribo rosada  dos sonhadores.

 

 

quarta-feira, 15 de junho de 2022

DEMOCRACIA ─ E DA BOA!

 


DEMOCRACIA
─ E DA BOA! 

A direita, revelando um apurado bom senso e um profundo sentido de justiça, insiste generosamente na perfumada sinfonia da reforma eleitoral.

Engrossando o coro com energia, levantam-se das suas sepulturas políticas, onde a história displicentemente os colocou, alguns dos seus mais clássicos expoentes. O próprio Oráculo de Boliqueime , ágil e enciclopédico, disse  de sua justiça com a grave sabedoria do costume. Há mesmo um balbuciar vago, tímido e alegadamente científico oriundo da esquerda baixa que dá algum aconchego ao transcendente desígnio da direita.

Círculos uninominais, apagamento da diversidade de representação política pela redução da proporcionalidade ─ enfim, qualquer coisa que possa dispensar a direita e os seus acólitos de conquistarem lugares electivos sem precisarem de ganhar mais votos. Dar a palavra ao povo, sim senhor. Mas nada de exageros. Não lhe deixar nunca espaço para poder fintar a direita em momentos cruciais. Enfim, democracia de fino recorte.

Mas estando volátil o xadrez político, o desígnio guloso e esperto da direita para a reforma eleitoral, pode tornar-se num verdadeiro “hara-kiri”. Por isso, certo, certo e do seu interesse “nacional” é obedecer a dois grandes princípios estruturantes.

1º- o total dos votos no PS será  corrigido, amputando-lhe 33%;

2º -qualquer maioria parlamentar de esquerda (PS sozinho ou acompanhado) terá que ser previamente autorizada pelo actual Presidente da República, após parecer favorável do Oráculo acima referido.

Quando tal for alcançado, as sereias da democracia sem peias dar-nos-ão a melodia dos seus cânticos…

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Pesadão e Silva falou.

 

Pesadão e Silva falou.

 


Pesadão e Silva falou.

Como irmão mais velho reduziu Rio a um esquálido ribeiro que censurou sem fraternidade pela irremediável secura.

Decretou teocraticamente a caducidade  da repartição entre a esquerda e a direita, mas inventou-se firmemente como o mais esotérico social democrata.

Glosou a vulgata crescimentista neoliberal com a transparência do simplismo economicista. Pavoneou-se  com a sua alegada vocação reformista, ruminando os mais sagrados tiques ideológicos  da direita mais classicamente inequívoca.

Massacrou ferozmente o PS, fornecendo o roteiro da sua oposição. Esmagou olimpicamente António Costa com o peso imenso da sua grandeza. O povo de esquerda exultou:” Se Pesadão e Silva nos ataca é sinal de que estamos no bom caminho-”

Antóno Costa limitou-se a fintá-lo. E a sorrir…

Num rasgo de última instância, o Prof. Silva ignorou corajosamente os trinca-fortes da saudade, varrendo-os para debaixo do tapete.

Só então a corte respirou de alívio e descansou:” afinal existimos! Uf!”

terça-feira, 7 de dezembro de 2021

OS VIOLINOS TORCIDOS

 


OS  VIOLINOS  TORCIDOS

Pode ler-se numa página virtual do Expresso :

“Entre julho e setembro, face ao segundo trimestre do ano, só a Áustria e a França viram o PIB crescer mais que Portugal. A nível global, as economias da zona euro e da UE cresceram no terceiro trimestre, quer face ao período homólogo quer em cadeia, indica o Eurostat”.

Assim só pode lamentar-se que a realidade esteja tão largamente errada, alheia aos uivos de lamentação tremendista duma larga coligação de inefáveis aveludados, de subtis malandrecos, de rigorosos numerólogos, ou de simples tontos, que tão exuberantemente anunciam , prenunciam e inventam desgraças inenarráveis que espreitam este descuidado país. 

É uma tropa fandanga onde se acotovelam fantasmas acavacados e mal passados de natais  sofridos, as sereias ingénuas de um liberalismo imaginário, a atamancada ferocidade dos neofascistas, os paulíssimos das boas famílias, os chicões mais aguçados, o maior partido da oposição solidamente no centro da direita e até os pasteis subtis de todas as sedes de moderação.

Toda essa tuna de desafinados, absolutamente rigorosos, tenta desesperadamente apoucar e assustar o povo, na esperança de lhes cair no regaço a legitimidade política para devastarem o país. 

Um país espantado por ver estes oráculos pífios garantirem-lhe desgraças no preciso momento em que começam a levantar-se depois duma  tempestade que tão devagar se vem atenuando.  

Rapaziada da corda, muito cuidado. Estes violinos rombos de melodias inventadas.  anunciando-se como ungidos salvadores, mais não conseguirão nunca do que salvarem os seus privilégios e as suas mais ou menos discretas mordomias. 

Cuidado rapaziada, por detrás da sua retórica pessimista, a grande aposta desta gente o seu gritante sonho é o de conseguiram ser uma espécie de avesso do Robin dos Bosques : tirar aos pobres para dar aos ricos. Para isso, têm que afastar o PS da governação ou tolhê-lo o mais possível, substituindo-o, se possível, pela anemia crónica mas perigosa da direita .

Felizmente , a realidade tem resistido aos sonhos salteadores.

 

domingo, 28 de novembro de 2021

O MISTÉRIO DO LARANJAL EXTRAVIADO

 

O mistério do laranjal extraviado

Era uma vez um laranjal com um disfarçado perfume de direita. Discreto para não afastar os pacatos portugueses suaves. Suficientemente detectável para fixar a nebulosa conservadora, não desiludir o entusiasmo dos liberais, nem excluir os prisioneiros distantes da ressaca salazarista.

No passado, num tempo de pujança eleitoral, chegaram a falar em  cavaquistão. Há anos que muitos o procuram reencontrar num saudosismo infrutífero. Os museus acolhem memórias; não prenunciam regressos.

Ontem, houve dentro do laranjal uma competição feroz entre Rio e Rangel, para legitimar a entrega do leme partidário a um deles. O segundo desafiava o primeiro que, aliás, dirigia já o laranjal em questão.

Os notáveis, os notabilíssimos e os híper-notáveis, reconhecidos como frequentadores ou proprietários  do laranjal, fizeram os seus alinhamentos. Estilos diferentes: alguns deixavam deslizar um esgar aqui um sorriso ali sugerindo uma posição; outros almoçavam com, pouco inocentemente; outros recebiam indiscretamente cumprimentos. Só alguns desferiam verdadeiras cacetadas. Uns tantos frequentavam lançamentos e cerimónias sentando-se uns ao lado dos outros com um sorriso maroto. Queriam tornar bem clara a sua preferência sem que pudessem ser acusados de a ter explicitado. No meio desse  labirinto de subtilezas e de hipocrisias, pode nem sempre ter sido claro o apoio a Rangel, mas foi sempre evidente a recusa em apoiar Rio.

Marcelo, Balsemão, Cavaco, Moedas, Manuela Ferreira Leite, Passos Coelho, Poiares Maduro, Morais Sarmento, não apoiaram Rio. O chamado aparelho, ao que disseram vozes conhecedoras, também não. Apesar disso, 52,43 % dos votantes nas primárias deram a vitória a Rio.

Os derrotados, sem deixarem de o ser , deixaram contudo uma mensagem devastadoras quanto ao vencedor: Rui Rio não seria um primeiro-ministro desejável. Mas mostraram também que, todos juntos, só foram ouvidos por 47,57 % dos militantes do PSD que votaram. Para tão ilustre equipa é pouco, muito pouco, muitíssimo pouco. No entanto, Rio está desde já condenado a suportar o peso desses 47,57 % e da luzidia plêiade de notáveis que o abandonou. Incontornável!

Como podem os portugueses confiar para os governar em alguém que reúne uma tal unanimidade cética  de tão ilustres figuras tão próximas dele ?  

Por isso, se pode dizer que se há ainda um verdadeiro laranjal com o respetivo perfume ainda ativo , seguramente que se extraviou.

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

TONITROANTE HIPOCRISIA

 


Tonitruante hipocrisia

Na sua tonitruante hipocrisia, a direita decreta desesperadamente que a unidade de esquerda está morta. Todo o seu discurso pela boca dos mais seráficos ou insuspeitos porta-vozes diz que por isso chegou a sua vez.

Reparem: se descontarmos as ladainhas gastas dos narizes de cera neoliberais, a direita não é capaz de dar ao povo uma razão para votar nela. A não ser a sua estranha promessa de que vai enriquecer de imediato os ricos para que eles possam depois distribuir calmamente  aos pobres algumas generosas migalhas.

A mim parece-me que a direita só encontra como única razão para que votem nela o facto de a esquerda se ter desentendido.

O ruído vai crescer. Ela vai distribuir números esotéricos e prantos crocodílicos para nos dizer que Portugal está de rastos, preparando-se para tentar uma vez mais colocar-se em posição de permitir que os ricos e poderosos suguem mais livremente o país.

domingo, 17 de outubro de 2021

O TRANSCENDENTE RANGEL E A LUZ

 


O transcendente Rangel e a luz.

O transcendente Rangel acendeu-se como um pirilampo mágico na alegada escuridão lusitana, tendo começado por transformar num discreto ribeiro o frondoso rio que afirmava sonhar que ganhou politicamente as eleições que perdeu. 

Antes de se ocupar generosamente de nos salvar a todos, não sabemos bem de que desgraças, propôs-se estancar sem piedade um espantado ribeiro. Não o deixando trovejar a sua imaginária vitória autárquica, confronto-o com uma refrega dramática que teve o país suspenso: as primárias do PSD eram ou não eram adiadas?

Os conselheiros espremeram rudemente as suas agitadas  mentes e deram ao transcendente Rangel um inesperado presente : não eram! O transcendente transcendeu-se ainda mais e ganhou um novo suplemento de alma, quando num esforço arqueológico reuniu apoios de velhas glórias de pretéritos desastres governamentais do PSD.

Concedendo subir à varanda da História, deu–nos a chave mágica das glórias futuras que nos oferecia e da fácil planície que nos levaria a percorrer. Desde logo ele prometeu oferecer-nos um elevador social que permitiria aos portugueses submetidos a um excesso de agruras, por uma sociedade desigual e injusta, que subissem na vida rumo à felicidade e ao sucesso. 

Os oráculos gregos esfregaram os olhos estremunhados perante a chegada abrupta de um novo colega capaz de inventar tão luminoso futuro. É certo que alguns deles se atreveram a estranhar que um tão forte defensor de um Estado fraco pedisse as rédeas do poder para dar corpo a um desígnio político tão intenso. Rangel acenava glorioso com a promessa de tornar o Estado paralítico para depois correr com ele os cento e dez metros obstáculos ─ um espanto.

 Alguns entre os mais céticos ainda perguntaram: “ Mas não seria melhor pensar um futuro em que não fosse necessário um elevador social por ninguém precisar de o subir?” Outros, mais presos a um presente que justamente  não suportam, acumulando-se desde já à porta do prenunciado elevador perguntam em uníssono : “Subimos todos?”

Embalado na ascensão irresistível, o transcendente deu mais um passo decisivo.  Como sinal de robustez do seu desígnio de subida, anunciou a sua ideia salvífica e decisiva de oxigenação da esfera pública: logo que lhe fossem dadas as rédeas internas do poder no PSD, sem mais delongas ele arrastaria os outros partidos na Assembleia da República para alimentarem atordoadamente o seu desígnio naturalmente transcendente. Os debates com o Governo deixariam de ser mensais e voltariam a  ser quinzenais. Os politólogos mais exigentes estremeceram de espanto, perante tão luminosa inovação político-institucional. A ciência política abriu a sua exigente porta e acolheu desvanecida este assomo de criatividade: Debates quinzenais!

Esta é a história que conta como o transcendente Rangel se acendeu como um pirilampo mágico na alegada escuridão lusitana.

quinta-feira, 22 de abril de 2021

MOEDAS FALSAS ?

 Moedas entrou em campo como sombra sonhadora da Comissão Europeia e da Gulbenkian, esperando assim escapar dos insalubres ecos “pafiosos”que de longe o vigiam.

Mas logo na segunda vez que se fez à bola, procurou ostensivamente, ainda que sem êxito, a canela do odiado adversário.

Assim mostrou que afinal quem funciona como sua verdadeira treinadora é a candidata do PSD na Amadora, uma acutilante loura de verbo selvático.

Os advogados subtis da “cheguização” do PSD, argutos “Observadores”, aplaudiram com entusiasmo. Porém, a moeda desvalorizou-se mais um pouco.

domingo, 18 de abril de 2021

ESTÃO A PERDER A VERGONHA....


Há uns dias atrás interroguei-me sobre uma estranha diferenciação que ressaltou de uma notícia dada na RTP. Hoje, acrescento mais duas materializações dessa  diferença de tratamento informativo quanto ao mesmo caso.

No Expresso de 16.04.21 na coluna dos “altos e baixos” incluída na página 4, nos “baixos” é destacada em primeiro lugar e identificada como tal a Presidente da Câmara Municipal de Vila Real de Santo António . Quanto a ela, diz-se que estão em causa “suspeitas de crime económico num processo que envolve a venda de um terreno”  e que a autarca, tendo sido detida para interrogatório, se demitiu na quinta-feira “depois de o MP ter defendido a prisão preventiva da autarca”. Não é dada qualquer indicação quanto ao partido pelo qual foi eleita.

Imediatamente a seguir, é identificado um deputado “que foi envolvido pela PJ “no mesmo processo que levou à detenção da autarca” o qual “foi alvo de buscas”, tendo dito que “desconhece o processo”. É dito que ele é candidato às eleições autárquicas, mencionando-se a sua pertença político-partidária que aliás  está também explicitada na legenda da fotografia.

No primeiro caso, omite-se a pertença político-partidária, no segundo caso, sublinha-se essa pertença. Por um estranho acaso, a autarca é do PSD (esconde-se), o deputado é do PS (mostra-se). Claro, que o estranho não é ter-se mostrado uma das pertenças, mas que tal se tenha feito ao mesmo tempo que se omitiu a outra.

Mas o Expresso não foi deixado sozinho. Fez-lhe companhia de novo a RTP. Ontem, 17 de abril no jornal das 8 pela voz do José Rodrigues dos Santos, as imagens sobre o caso foram comentadas, começando por se identificar o nome e a pertença político-partidária do deputado do PS que apareceu no ecrã. Imediatamente a seguir, também apareceu nas imagens da TV a autarca do PSD, mas o apresentador ignorou-a por completo, não a mencionando pura e simplesmente, como se ela fosse uma turista acidental captada por acidente pelas câmaras. Novo acaso, tão estranho como anterior.

Estas ocultações seletivas que apenas protegem o PSD indiciam parcialidade. Não uma parcialidade inerente a uma tomada de partido assumida, mas uma parcialidade inconfessada, melíflua e hipócrita. No Expresso , dada a sua natureza privada, a identidade do seu proprietário e a sua orientação ideológico-política genérica, apenas surpreende o primarismo do expediente que até pode perturbar o que reste da ilusão da sua independência. Na RTP trata-se pura e simplesmente do uso abusivo de um bem público, na medida em que são grosseiramente infringidas as regras mais básicas da equidistância político-partidária.

É claro, que estes casos em si  têm um significado menor, mas mostram com nitidez uma parcialidade instalada, que conhecemos, mas que costuma ser mais discreta. Por que razão? Ou perderam competência na  dissimulação da sua parcialidade; ou estão tão desesperadas pela inocuidade relativa dos seus efeitos que perderam a cautela; ou sentem-se suficientemente blindados para renunciarem ao disfarce, já em modo de pesporrência.


domingo, 7 de março de 2021

Fantasma de um pesadelo passado

 


Fantasma de um pesadelo passado

 

Cavaco Silva explodiu numa suave reunião de senhoras do PSD. A comunicação social dominante fez respeitosamente ecoar a voz tonitruante do seu antigo senhor.

Como se de um ousado pirilampo se tratasse, a sua rápida e modesta luz prometeu salvar-nos não se sabe bem de quê. Qual arcanjo providencial, veio ostentar uma  determinação firme: a de nos salvar, salvando a nossa democracia da terrível mordaça que a malévola geringonça (que assim ressuscitou) tem vindo a perpetrar contra todos nós.

Com argúcia pôs a nu os sinais mais fortes e mais preocupantes da opressiva mordaça que cerceia a nossa democracia: o ex-Presidente do Tribunal de Contas não foi reconduzido quando terminou o mandato para que havia sido nomeado, o mesmo tendo acontecido com a anterior Procuradora Geral da República. Neste caso o implacável fantasma de si próprio não hesitou em causar um dano colateral no seu sucessor na Presidência já que foi em última instância ele quem a nomeou. Terá o seu olhar de lince da Serra da Malcata descoberto nas brumas do mistério uma secreta implicação do Presidente Marcelo nas perversas maquinações de uma geringonça que afinal existe? O oráculo de Boliqueime deixa crer que talvez.

O ponto fraco desta paixão pela democracia que quer desamordaçar é ter uma intensidade demasiado forte. Tão forte que é dificilmente  harmonizável com a mansidão com que ele suportou  essa coisa que existiu em Portugal antes do 25 de abril e que certamente nem a sua percuciência consegue considerar como algo menos amordaçado do que o agora o atormenta. Pode ser que andasse então apenas distraído e que com o nobre peso dessa distração no seu inconsciente freudiano se exceda agora num paroxismo compensatório de vigilância democrática. Pode também ser um prosaico problema de maus fígados associado a uma possível falta de tempo para encontrar algo de aparentemente consistente que legitimasse algumas farpas mais agressivas no PS, no Governo e na alegada geringonça.

Será talvez a mesma falta de tempo para dar mais consistência ás suas pirilampices que o fez sugerir sem subtileza que os mortos da covid 19 são fundamentalmente culpa do atual governo. Só não se percebeu se o oráculo de Boliqueime imputava ao governo português a culpa apenas pelas consequências nacionais do vírus ou se a estendia à Europa e ao mundo. Não se sabe. De certeza certa, apenas se sabe que sentiu vergonha.

 Anda a OMS na China à procura da raiz da pandemia, quando facilmente evitaria perdas de tempo e dinheiro se perguntasse a Cavaco. Se estiver atenta é o que fará. Terá talvez apenas de inquirir se a culpa foi principalmente do Primeiro-Ministro, da Ministra da Saúde ou de todo o Governo. Aguardemos.

Também foram comoventes as melífluas alfinetadas que espetou em Rui Rio. Não se sabe se para o estimular se para o enfraquecer. Mas foi particularmente brilhante a lógica que uniu a sua enérgica diatribe desqualificativa do PS e a recomendação dirigida ao PSD para atrair os eleitores que têm preferido o PS. Rui Rio ficou tonto:" Então para conquistar os eleitores do PS insulto a escolha que eles fizeram?" Isso o oráculo de Boliqueime não explicou.

Mas onde ele mais se excedeu em rasgo, foi no críptico conselho dado a Rui Rio para lidar com o Chega. Não fale nele. Nunca responda a qualquer pergunta sobre ele. Seja inerte perante qualquer enormidade que venha dele. Notável como Cavaco, que foi tão eloquente em imaginar mordaças para as imputar ao atual  governo, numa pose de intransigente excelência democrática, tenha ficado preso numa bonomia inerte perante as piruetas neofascistas do Chega. Estranho! Tão estranho que é legítimo suspeitar-se que o aferidor de democracia que ele usa está notoriamente avariado. Ou então é o próprio oráculo de Boliqueime que está desbussolado, tendo-se perdido do norte e do simples bom senso.

Cavaco voltou, a direita mais linha do Estoril adorou, o jornalismo mole da matilha dominante mastigou penosamente as banalidades básicas. Mas se me perguntassem em que tipo de programa o colocaram não saberei dizer se foi um programa cómico ou trágico.

segunda-feira, 1 de março de 2021

Leituras criativas de uma sondagem

 

  Leituras criativas de uma  sondagem

1. A parte do complexo mediático dominante que mais ou menos ostensivamente partilha com a direita o seu modo de encarar a realidade teve hoje uma notícia que lhe deu um pequeno alento. Um barómetro de opinião da Aximage revelou uma descida de 2,3% em comparação com o mês anterior nas intenções de voto no PS. Soube-lhes a pouco, dada a furiosa campanha que desenvolveram contra o governo, em consonância com a vozearia histérica dos partidos da direita. Mas para empalidecer um pouco mais a  alegria da matilha mediática, o PSD, ao descer uns irritantes 0,1 % quedou-se nus modestos 26,5% que o mantêm bem longe do PS (37,6%). O CDS manteve uns agonizantes 0,8% e até o irresistível Chega, em vez de subir, desceu de 7,7%  para  6,5%.Foi necessário a IL para salvar a honra do convento, ao subir 2,2 % para chegar a 5,7%.  Só em conjunto a direita podia esconder o quão esquálidos eram estes resultados para os seus objetivos.

Na verdade, embora em relação ao barómetro do mês anterior no seu todo tivesse apenas  subido de uns pífios 0,9 %, a descida de 2,3% do PS permitiu-lhe ter em conjunto uma percentagem de preferências superior em 1,9%  à do PS.

Estranhamente, esta magra vantagem destituída de qualquer significado prático foi o grande aspeto que ridiculamente quiseram extrair da sondagem os vozeadores correntes. Esqueciam assim grosseiramente os 14, 8% dos  outros três partidos de esquerda considerados na sondagem ( BE-7,7; CDU -5,8; Livre- 1,3), bem como os 4% do PAN.

2. Este exercício estéril, de mero aproveitamento mistificatório de uma sondagem, tem como efeito banalizar politicamente um pouco mais os neofascistas do Chega, ao considerá-los em conjunto com a direita democrática. Talvez porque sem eles a direita democrática penaria nuns frágeis 33% que a colocariam ainda mais longe de um governo seu, afinal  com a mesma percentagem que tinham alcançado em 2019.

Na verdade, contra os 52,4% do conjunto da esquerda de que valem os 39,6% do conjunto da direita? Em termos de um possível governo - nada.

A não ser que queiram ressuscitar o fantasma apagado em 2015: o sonho de que o PS se tiver menos votos do que a direita a deixará formar governo e governar. Sonho tolo! Convençam-se de uma vez por todas: se quiserem formar um governo democrático  de direita conquistem uma maioria parlamentar de direita.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

Pensar politicamente os resultados de algumas sondagens


 Pensar politicamente os resultados de algumas sondagens 


1. Esbatido o ruído mediático que acompanhou a sua divulgação e os esforços dos atingidos que procuram sempre afeiçoar os seus resultados ao sabor dos seus interesses, vale a pena olharmos com alguma atenção para os resultados de cinco sondagens difundidas entre 16 de janeiro e 13 de fevereiro. Duas da Universidade Católica, duas da Eurosondagem e uma da Aximage . Quatro foram sondagens que seguiram o modelo habitual, uma foi feita à boca das urnas nas eleições presidenciais. Os resultados desta última mostram uma diferença ligeira relativamente ao conjunto dos outros que refletem pesquisas realizadas antes e depois das eleições presidenciais.

2. Os resultados do PS oscilam entre 39 e 39,9%, no âmbito do grupo das quatro sondagens, descendo para 35%, na sondagem feita à boca das urnas no dia das eleições presidenciais.

Os do PSD, entre 26,2 e 28% no grupo das quatro sondagens , atingindo 28% no dia das presidenciais.

Os do BE, entre 6,5 e 7,2 % nas quatro, chegando a 8% na outra.

O Chega, entre 5,5 e 8% nas quatro, chegando a 9% na outra.

A CDU, entre 4,8 e 5,3% nas quatro, atingindo 6% na outra.

O PAN, entre 2 e 3,5% nas quatro, tendo 2% na outra.

O CDS, entre 0,8 e 2,5% nas quatro, tendo 2% na outra.

A IL, entre 1,3 e 5% nas quatro, tendo chegado aos 7% no dia das presidenciais.

O conjunto das esquerdas oscilou entre 50,8 e 52,1 % nas quatro, tendo tido 50% na outra. As esquerdas não PS oscilaram entre 11,7 e 13%, tendo tido 14% no dia das presidenciais.

O conjunto das direitas oscilou entre 36 e 43% nas quatro, tendo tido 41% na outra. A direita sem o Chega oscilou entre 31,4 e 35%, tendo tido 32% na outra.

Se considerarmos o PAN como sendo o centro, os seus resultados estão acima indicados.

3. Estes números não representam uma antecipação dos resultados das próximas eleições, mas retiram verosimilhança a premonições  e cenários que pressuponham o seu contrário.  Larachas sobre mudanças de ciclo político, alegações de que o governo está destroçado podem exprimir desejos de quem os formula, mas não há verificação objetiva de que sejam uma realidade.

Os portugueses não transformaram a angústia e o sofrimento suscitados pela pandemia numa rejeição do governo. Certamente, não porque entendam que a sua ação não refletiu nunca qualquer erro, mas por verem que procurou sempre fazer o melhor, tendo-o conseguido muitas vezes. Certamente, por perceberem que muito do sofrimento e muitas das dificuldades resultam de ressonâncias  estruturais do atual tipo de sociedade e não de decisões conjunturais deste governo. Elas são seguramente um desafio,  para este e para os próximos governos , mas não são culpa sua.

E não ressalta deste conjunto de sondagens que as oposições tenham visto a sua popularidade explodir, como reflexo de uma apreciação entusiástica do seu hipercriticismo antigovernamental.

 

4. Dos resultados comentados podem extrair-se algumas conclusões.

O PS mostra estabilidade na preferência relativa dos portugueses, mas com reforço da posição alcançada nas últimas eleições legislativas (36,34%).

 O PSD revela estagnação, já que nas eleições de 2019 teve 27,76 %.

O BE mostra alguma retração em face dos resultados de 2019: 9,52%. A CDU mostra uma ligeira flexão, perante os 6,33 %, atingidos em 2019.Em  conjunto ficam abaixo dos 15,85 % que  somaram em 2019.

O CDS perdeu mais de metade dos escassos 4,22 % em que ficou em 2019, colocando-se em risco de sobrevivência.

A IL fica claramente acima dos 1,29% de 2019 e o Chega rondando os 9% distancia-se muito dos 1,29 de 2019, parecendo consolidar os resultados que o seu candidato atingiu nas presidenciais. Desse modo, introduz instabilidade e incerteza na direita portuguesa.

Portanto, se a direita democrática resistir ao oportunismo de uma aliança com o Chega fica confinada a uma oscilação entre 31,3 e 32,7% nas quatro primeiras sondagens, chegando aos 35% na sondagem feita no dia das eleições presidenciais. Se renunciar à sua natureza democrática acolhendo o Chega, oscilará entre os 36,9% e os 43 % nas quatro sondagens, tendo tido 41% no dia das presidenciais.

Parece poder concluir-se que a ultrapassagem do conjunto das esquerdas pela direita não parece provável, mas a ultrapassagem das esquerdas pela direita democrática mostra-se uma hipótese muito remota. Não só à luz das sondagens de 2021, mas também em função da trajetória inerente à sua comparação com os resultados das eleições de 2019. Tanto mais que o período desde então decorrido já foi em grande parte sob a pandemia.

5. A intensa campanha política e mediática contra o governo e o PS não parece ter tido o efeito pretendido pelos seus promotores. A tentativa de transformar o mais pequeno erro do governo numa catástrofe de grandes proporções e de lhe imputar as culpas por todas as dificuldades surgidas no país parece não estar a convencer o povo.

Do mesmo modo, acumulam-se sinais de que assusta menos a continuidade deste governo do que a hipótese de cair sobre nós um governo de direita. Em especial porque começa a enegrecer essa ameaça o risco de um governo de direita não poder deixar de incluir o Chega. É como se o fantasma do 24 de abril nos viesse assombrar meio século depois de nos deixar.

Também parece claro que a crispação antigovernamental dos partidos de esquerda que não estão no governo não se revela um caminho promissor para o seu reforço eleitoral. E embora com menos nitidez parece merecer mais reservas aos seus próprios eleitorados a crispação agressiva  do BE do que a demarcação tribunícia do PCP. No horizonte a ambos assombra  a dificuldade em calibrarem bem a atitude de oposição ao governo. Ou são tão eficazes na crítica ao PS  que colocam a direita no poder, ou são tão inábeis nessa crítica que apenas alteram ligeiramente a relação de forças. Dificuldade acrescida por haver o risco de  a crítica ao ser excessivamente agressiva , em vez de desgastar o destinatário da crítica,  desgastar os seus autores.

Mesmo a direita não está livre de que isso também  lhe aconteça. Na conjuntura atual o trauliteirismo demagógico antigovernamental se passar certos limites pode virar-se contra os seus promotores.


 

sábado, 13 de fevereiro de 2021

O subtil absurdo

 

Ontem, com virulências distintas, as oposições criticaram o governo apoiado pelo PS, sugerindo que ele é maléfico para o país.Algumas roçaram o insulto, tendo-se indignado depois por o governo não se deixar insultar, quiçá de não lhes agradecer os insultos. Todas me pareceram convictas. Tudo natural , diz-se, como exercício de democracia. Admitamos que sim. Mas sendo o governo tão pernicioso aos olhos de uma maioria de deputados por que razão essa maioria não se concerta e dá à luz um novo governo que ponha em prática as ideias que as levaram a demarcar-se do actual governo ? Não seria um governo de salvação nacional, mas seria um governo de união das oposições apoiado por uma maioria parlamentar. Se esta maioria não o fizer, mostra ser incapaz de pôr em prática uma solução política melhor do que aquela que critica. Ou então as oposições são excelentes a destroçar mas misteriosamente tolhidas a construir. Nada disto tem lógica? Talvez não. Mas aparentemente ou está errada a acirrada unanimidade crítica, ou está errada a recusa em converter essa unanimidade num governo que exprima pela positiva essa maioria. Ou então as oposições estão apenas a tentar desgastar o governo com vista a futuras eleições, usando para isso as dificuldades presentes. Mas se assim for há aqui algo de estranho: por que razão almejam em diminuir o peso do PS em próximas eleições se actualmente já estão em maioria?

sábado, 9 de janeiro de 2021

BRANQUEAMENTO DOS NEOFASCISTAS

 


BRANQUEAMENTO DOS NEOFASCISTAS

 

Há dias mencionei um episódio de objetivo branqueamento do Chega, quando um órgão de comunicação da direita radical, para fazer contraponto ao PS, inventou uma categoria política estranha a “direita junta”, onde meteu o PSD, o CDS, a IL e o Chega. Categoria estranha porque mete no mesmo saco, como se isso fosse natural, três partidos democráticos e um partido neofascista.

Posteriormente, o JN (o jornal que leio mais frequentemente) cometeu uma proeza idêntica, quando, num comentário a uma sondagem que difundiu, resolveu repartir a parte direita do espetro político em duas categorias , a “velha direita” e a “nova direita”. Na primeira, colocou o PSD e o CDS, na segunda, a IL e o Chega. Mencionou a “velha” a descer e a “nova” a subir, como se fossem fungíveis, sublinhando que essa subida era obra do último. 

Através dessas categorias neutras anulou-se a identidade política de todos os abrangidos e banalizou-se por completo a aliança entre a direita democrática e os neofascistas, como se a diferença entre elas fosse uma mera questão programática.

Qualquer branqueamento político da natureza neofascista do Chega  é um auxílio objetivo a esse partido, como aliás se pode ver se atentarmos no modo como ele reivindica desde já diversos ministérios num futuro governo que apoie. E um arranhão na democracia.

Aliás, o  rosto mais mediático do Chega, embora conteste essa qualificação no plano formal, absorve-lhe por completo o conteúdo. E no decurso dos debates presidenciais ouvi-o por duas vezes rejeitar em bloco  as políticas seguidas nos últimos 46 anos. O que significa deixar de fora da sua rejeição o anterior regime fascista e meter dentro de um mesmo saco repudiado todos os governos do PSD. Apesar de ele ser dirigente do PSD quando era governo e seu candidato à Câmara de Loures em 2017. E apesar de querer ser ministro de um futuro governo do PSD. Radical contra o 25 de abril, manso se for essa a condição para ser ministro. Como se pode deduzir da rejeição desses 46 anos de democracia estamos perante um Chega de democracia, regresse o salazarismo.Ou haverá outro sentido a atribuir a essa posição ?

Acho estranho que os  que se lhe opuseram nesses debates tenham dado atenção a  aspectos parcelares  ainda que relevantes e tenham esquecido essa implícita  confissão de simpatia pelo fascismo salazarista. 

Em sentido idêntico, tenho ouvido  referir, como se isso fosse uma atenuante ao seu neofascismo , o facto de expressamente defender   um neoliberalismo económico radical.

Ora, isso é a fiel reprodução  do que foi a governação de Pinochet no Chile, o que  é afinal um outro vergonhosos parentesco. Espanta-me aliás que os seus adversários insistam na denúncia, ainda que justa do seu ódio aos ciganos, em especial, e aos excluídos, em geral; e deixem passar em claro a evidência de que o seu verdadeiro modelo de governação é o Chile de Pinochet.

Os branqueadores do neofascismo  podem discutir  se AV e o seu Chega são fascistas, salazaristas ou pinochetistas, mas nunca conseguirão demonstrar que ele nada tem a ver com nenhuma dessas posições políticas, se alegarem que elas diferem entre si.

Os aleijões sociais inerentes ao capitalismo e a desistência de os superar são um terreno fértil para fenómenos de desespero e irracionalidade colectivos, mas não são a causa única para a emergência de respostas politicas neofascistas. Não são fator um único, precisando de protagonistas e de cumplicidades No caso português, sem menosprezar o auto encurralamento que as direitas democráticas estão a cometer contra si próprias, a grande comunicação social tem contribuído muito para a banalização do neofascismos mesmo que se desdobre em tomadas de posição que digam o contrário.

Os dois casos acima mencionados são exemplos disso.