Na geografia da disputa para a liderança do Partido, ele não deve deixar posicionar-se nem à esquerda nem à direita da actual direcção, mas sim acima dela. Perante os diversos "ismos" com que se costumam identificar as correntes e "sensibilidades" dentro do PS (soaristas, guterristas, ferristas, socratistas, etc.), ele deve protagonizar uma nova síntese mobilizadora, um novo mainstream, ou seja, o "costismo". “
sexta-feira, 4 de julho de 2014
Ainda o PS e as coligações
Na geografia da disputa para a liderança do Partido, ele não deve deixar posicionar-se nem à esquerda nem à direita da actual direcção, mas sim acima dela. Perante os diversos "ismos" com que se costumam identificar as correntes e "sensibilidades" dentro do PS (soaristas, guterristas, ferristas, socratistas, etc.), ele deve protagonizar uma nova síntese mobilizadora, um novo mainstream, ou seja, o "costismo". “
quinta-feira, 3 de julho de 2014
O PS e as coligações
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Jardim e o regresso da coligação"canguru"
"Ponho esta em cima da mesa sabendo que posso atrair sobre mim fúrias ainda mais fundamentalistas, mas ficou demonstrado pela primeira vez que era possível um compromisso histórico em Portugal", apontou Jardim, considerando que o comportamento adoptado por Cavaco Silva nestes últimos dias foi "perfeito e impecável".”
Repetidas vezes neste blog tenho referido esta coligação anti-PS, expressa ao longo dos últimos anos em várias circunstâncias, como um deslize objectivo para uma hipótese de concertação política, suficientemente duradoura para poder ser suporte de uma solução governamental que, no actual quadro parlamentar, beneficiaria do tonus estabilizador de ser maioritária. Também tenho sustentado que pela relação de forças objectivamente verificada, no seio do espaço “canguru”, ela será naturalmente hegemonizada ou até liderada pelo PSD. Mas confesso que nunca me passou pela cabeça que esse espaço se viesse um dia a congregar politicamente sob a égide improvável de Alberto João Jardim. Mas o impensável aconteceu, ilustrando que a operacionalização do espaço “canguru” pode afinal ser mais fácil do que os mais cépticos imaginavam. Eis a inusitada bênção do próprio Alberto João Jardim , para o sublinhar fortemente.
Compreendo que esse espaço político descontínuo, que exprime um salto de canguru por cima do PS, seja difícil de interiorizar no plano psicológico e até ético para os dirigentes do subespaço que dentro dele será objectivamente subalterno (ou seja, o subespaço constituído pelo BE e pelo PCP). No entanto, dificilmente se pode fugir ao dilema de se ter que considerar que: 1) ou esse mal-estar interior é uma simples sombra de um anacronismo ideológico, e está certa a caminhada rumo a essa virtuosa aliança;2) ou esse mal-estar é o saudável sobressalto de uma consciência política sobrevivente e atenta, e estão errados os comportamentos de construção desse espaço político atípico que se têm verificado.
Caberá a esses partidos uma decisão final. Por mim, como militante do PS e membro da corrente de opinião Esquerda Socialista, penso que o PS devia pôr em cima da mesa a seguinte alternativa. Ou as oposições se responsabilizam pela projecção no plano do Governo das suas alianças conjunturais e o PS aceita como legítimo um governo “canguru”, prometendo ser uma oposição firme, mas leal; ou as oposições reconhecem a sua incapacidade para transformarem as suas concertações anti-governo numa plataforma de governo e então cessam a guerrilha sectária contra o governo.
O que o PS não pode admitir é uma responsabilidade política global na constância de uma guerrilha mediática e institucional, onde desaguam todas as cumplicidades , que mina de caso pensado a credibilidade de Portugal, na sofreguidão de imputar ao PS a exclusividade da culpa, por tudo o que de negativo acontecer, sem renunciar a ostentar uma partilha de méritos, por tudo o que de positivo ocorrer.
Não menosprezemos a qualidade do Dr. Jardim como barómetro político, aprendamos a olhar para a coisa política como ela objectivamente vai sendo. A sua defesa do que ele curiosamente chama “compromisso histórico”, nos termos em que é feita está muito longe de se poder reduzir a uma simples “boutade”.
E precisamente, por poder vir aí um tempo em que teremos que ser sozinhos oposição a um governo “canguru”, não posso deixar de estranhar que a actual direcção do PS se conforme com o estado de adormecimento político em que deixou cair o Partido. É como se no horizonte se prometesse uma batalha, ao mesmo tempo que num dos exércitos o estado-maior continuasse fechado no quartel-general, talvez desenhando planos, mas esquecendo que os soldados impacientes não sabem, entretanto, o que hão-de fazer. E na política a luta pode ser de baixa ou de alta intensidade, mas nunca pára, por completo.
domingo, 20 de dezembro de 2009
O sonho impossível das oposições
O sonho de que um “deus” qualquer, chame-se ele, Cavaco, Ferreira Leite, Portas, Louçã ou Jerónimo, pode vir dizer ao PS quem o deve representar na liderança de qualquer governo da sua responsabilidade, não é mais do isso: um sonho. E mesmo que todos esses "pequenos deuses caseiros"o sonhassem em conjunto, muito aconchegadamente, continuaria a não passar disso: um sonho. Irrealizável.
Pelo que me diz respeito, a minha posição é clara. De facto, falando com o à vontade de quem, quer no mais recente Congresso do PS, quer no que levou Sócrates pela primeira vez á liderança do Partido, alinhou publicamente, por moções alternativas, eu não só nunca apoiaria um imaginado substituto de Sócrates imposto de fora do PS como o combateria firmemente. E tomem bem nota disto: aquele que por estupidez momentânea admitisse sequer ser o rosto dessa traição induzida, estaria a riscar-se a si próprio de qualquer hipótese futura de desempenhar um papel de relevo em representação do PS.
Deixem-se pois de fantasias, não derrubem aquilo que não forem capazes de substituir, não sonhem com o êxito de possíveis manipulações grosseiras do PS. Repito: se derrubarem ou inviabilizarem o actual governo do PS, suas excelências os corajosos derrubadores não terão êxito na cobardia política de quererem derrubar o PS, para depois o constrangerem a reassumir o poder com um novo rosto. Se levarem por diante essa manobra irresponsável: ou há novas eleições, ou a "coligação canguru" forma governo.
E, por favor, tenham pelo menos a coragem política de assumirem a responsabilidade pelo que vierem a fazer. Não enveredem pela manobra de ilusionismo e contrabando político de tentarem derrubar o governo, ao mesmo tempo que procuram transferir para ele a responsabilidade pelos vossos actos.
sábado, 24 de janeiro de 2009
A coligação canguru
De facto, o acirramento antigovernamental tem construído uma improvável irmandade, dentro da qual convivem com ardor de combatentes, o CDS e PSD, com o BE e o PCP. Vituperam num tom idêntico, a propósito da mais ligeira oportunidade de eco mediático, unem-se como gladiadores implacáveis em votações parlamentares. Sindicalistas de referência da CGTP dão a cara a favor do CDS, partilhando as suas derrotas parlamentares como se também as tivessem sofrido. Todos aproveitam todas as crispações sociais, não com a habitual subtileza discreta, a que aconselha a prudência da distinção entre o que é sindical e político, mas com a ostensiva ostentação de quem já se fundiu num objectivo comum.
É certo que em anos pretéritos na longínqua Grécia, por uma vez sem exemplo, já os comunistas gregos se aliaram formalmente é direita numa coligação contra os socialistas do PASOK. Foi efémera? Foi. Mas existiu. Resultados? Pouco brilhantes.
É certo que, cumprindo uma dissimulação felina, em vários dos nossos municípios, em diversas circunstâncias, autarcas do PCP têm dado uma mãozinha a maiorias relativas do PSD.
Mas a improvável orquestra política que acima referi, promete mais solidez e não tem procurado esconder-se. Estamos, portanto, perante uma novidade.
O coração combatente dos socialistas sofrerá talvez um calafrio, perante o espectro dessa nova maioria que se desenha contra eles. Mas a sua razão há-de serená-los. De facto, se essa coligação (verdadeiramente canguru, por implicar um salto por cima do PS) amadurecer e despontar, ficará o PS com o peso da concorrência de uma maioria alternativa, mas ganharão os eleitores a clareza transparente de uma alternativa. E com isso, dizem os politólogos encartados da escola da governabilidade, ganhará o país.
Admito que, mesmo os tenores mais visíveis desse orfeão afinado que tem arrasado o Governo, não estejam ainda psicologicamente preparados para assumirem, por completo, tão ousada coligação. Compreendo o incómodo da parte do povo de esquerda que se reconhece no PCP e no BE, quando pretenderem alinhá-lo na mesma procissão, onde sigam o CDS e o PSD. Mas não excluo que a voragem dos factos políticos, em que os quatro partidos têm emparceirado, tenha força suficiente para fazer com que os estados-maiores dessas quatro forças, com a bênção de algumas das mais mediáticas lideranças sindicais, passem das palavras aos actos.
E excluo tanto menos a coligação canguru, quanto, a fazer fé na esmagadora maioria das sondagens dos últimos seis meses, ela teria todas as hipóteses de constituir um governo maioritário. É certo que pode parecer estranho imaginar-se a Dama de Cinza marchando no Primeiro de Maio ao lado de remoçadas lideranças da CGTP, nesse caso, decerto convertidas ao entusiasmo por esse novo governo, em que Jerónimo de Sousa teria talvez a pasta da defesa , para se poder sentar nas reuniões da Nato, ao lado do amigo americano. Alguns se poderiam admirar por ver Paulo Portas. sorridente nas ruas de Pequim, confraternizando com os camaradas capitalistas chineses, e outros se poderiam espantar de deparar com Francisco Louçã confraternizando malandramente com a Srª Merkl. Mas, convenhamos que tudo isso não seriam mais do que detalhes, sempre se podendo aliar, então, qualquer voz pública menos favorável à má fé dos sicários do PS, nessa hipótese a única oposição.
Seria aliás um governo com favor mediático. Pois quando um ministro anunciasse a inauguração de um chafariz, havendo embora o risco de algum socialista surgir torcendo discretamente o nariz, sempre haveria dois esforçados cidadãos da esquerda e dois circunspectos senhores da direita que bebessem deliciados a água do chafariz , aplaudindo calorosamente o Governo.
As relações dos Sindicatos dos Professores com o Ministério da Educação ficariam salomonicamente estabilizadas. No Sul do país, seria Ministra a actual deputada Varela do BE e cada professor se avaliaria a si próprio; no Norte, seria Ministro o jovem dr. Coelho do PSD que privatizaria as escolas, deixando as tarefas de avaliação ao cuidado dos novos proprietários. Uma parte dos professores independentes manifestar-se ia em Belém, contra a ministra Varela, a outra manifestar-se-ia em Belém contra o Ministro Coelho.
Para combater a crise o novo Governo revelaria igual flexibilidade: às segundas , quartas e sextas, funcionaria como Ministro das Finanças o regressado Félix e ás terças, quintas e sábados, seria a vez do deputado Novo. Se algo de mal acontecesse ao domingo, as culpas seriam atribuídas à oposição, ou seja, ao PS.
Alguns inimaginosos comentadores políticos acolhem-se, por vezes, à básica banalidade, atribuída a um político de botas do século passado, que se traduz na ideia de que em política o que parece é. Sem me pretender melhor do que eles, não partilho essa ideia, mas se a partilhasse seria tentado a dizer que se nos últimos tempos parece estar na forja uma coligação canguru, então politicamente há que reconhecer que está na forja uma coligação canguru.