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terça-feira, 15 de maio de 2012

MENSAGENS DAS ELEIÇÕES ALEMÃS

1. Os resultados das recentes eleições no mais populoso e mais rico  Estado Federado da Alemanha , a Renânia do Norte/Vestefália, acentuaram a decadência política da coligação CDU/FDP (democratas-cristãos /liberais) que detém, em Berlim, o poder federal.  Na verdade, de um empate em 2010, entre os dois maiores partidos (CDU/CSU e SPD), com a pequena vantagem de uma décima para os democratas cristãos, passou-se, dois anos depois, para uma vantagem do SPD de quase treze pontos percentuais (39/26).Os liberais progrediram dois por cento e os verdes regrediram quase um por cento, mas mantiveram cerca de três por cento de vantagem sobre aqueles. A Esquerda (Die Linke), que tinha entrado tangencialmente para o parlamento estadual há dois anos ( 5,4%), tendo eleito 11 deputados, perdeu agora  mais de metade do eleitorado; e desta vez ficou excluída.O Partido Pirata, há dois anos escolhido por menos de dois por cento ( e assim excluído do parlamento estadual), foi agora a grande surpresa, tendo conquistado 7,8% dos votos, o que fez com que elegesse 20 deputados.
Este conjunto de resultados permite folgadamente a instituição de um governo vermelho/verde ( Sociais-democratas/ Verdes), presidido pelo SPD.

2. Olhando para este panorama, são visíveis algumas novidades. Na actual coligação governamental, ao contrário do que vinha acontecendo em eleições anteriores, o mais penalizado foi o partido da Srª Merkl, tendo os liberais, também ao contrário do que vinha acontecendo, resistido melhor.
Do outro lado, desta vez, o SPD teve um crescimento muito relevante e foram os Verdes a murchar. A Esquerda teve um importante revés simbólico, ao ficar fora do parlamento estadual. O Partido Pirata, afirmou-se, em consonância com sondagens nacionais recentes, como uma força emergente que pode introduzir uma inesperada  imprevisibilidade no xadrez político alemão.
Podemos pois dizer que os resultados destas eleições adensaram o risco de uma derrota nacional para a Srª Merkl dentro de dezasseis meses, embora  as sondagens nacionais não apontem ainda inequivocamente nesse sentido.
No entanto, deve sublinhar-se que,  até agora, se podia admitir como forte a hipótese de uma vitória relativa da CDU/CSU, com descalabro dos seus aliados liberais, o que podia conduzir a uma nova grande coligação com um  SPD, nesse caso, eventualmente, com menos votos do que a CDU/CSU. Mas estes resultados tornaram essa hipótese muito mais remota.  Assim , se a paisagem política evoluir no sentido por eles revelado, começa a ser uma probabilidade forte a vitória do centro-esquerda na Alemanha no próximo ano. E esta possível evolução da política alemã não pode deixar de influenciar desde já o xadrez político europeu.

quinta-feira, 31 de março de 2011

LIÇÕES DAS ELEIÇÕES ALEMÃS

1. Houve, recentemente, eleições em dois Estados Federados da Alemanha: Baden-Württemberg (10 milhões e 700 mil habitantes; capital- Estugarda) e Renânia - Palatinato ( 4 milhões de habitantes; capital- Mogúncia). Dois estados do sudoeste alemão, um dos quais é terceiro, quer em termos populacionais, quer em extensão; o outro é um Estado de média dimensão e de média importância em termos populacionais.
O resultado das eleições em Baden-Württemberg pôs fim a meio-século de predomínio democrata-cristão. De facto, o partido da Srª Merkl perdeu, 5,2% dos votos e 9 deputados e os seus aliados liberais perderam 5,4% e 8 deputados. Os Verdes ganharam 12,5% dos votos e 19 deputados, ficando com mais 1, 3% do que o SPD e com mais um deputado, o que faz com que lhes caiba a liderança de um governo estadual, pela primeira vez na história da Alemanha. O governo será pois verde-vermelho, ficando assim bem claro o mau resultado do SPD, que baixou 2,1% e perdeu 3 deputados, tendo tido o seu pior resultado de sempre neste Estado. A Esquerda ( Die Linke) oscilou ligeiramente para baixo (0,3%), continuando fora do parlamento estadual. A coligação de esquerda terá pois 71 deputado estaduais e a direita 67.


Na Renânia -Palatinato, o grande derrotado eleitoralmente foi o SPD que perdeu 9,9% dos votos e 11 deputados. Os liberais (FDP), que tinham 10 deputados, deixaram de ter assento no parlamento estadual, por terem descido de 8% para 4,2%; os Verdes, que antes não estavam representados neste parlamento, passaram a dispor de 18 deputados, já que atingiram os 15,4%, quando antes tinham ficado ligeiramente abaixo da barreira dos 5%. A CDU subiu 2,4% e 3 deputados, tendo ficado com menos um deputado do que o SPD e com menos 0,5% dos votos. A conjugação destes resultados faz com que o SPD possa continuar a liderar o governo estadual, mas, uma vez que perdeu a mairia absoluta, agora com a participação dos Verdes. A Esquerda oscilou agora ligeiramente para cima (0,4 %), tendo continuado fora do parlemento estadual com os seus 3% de votos.


2. A severa derrota política da Srª Merkl, em B. -W., não deve fazer esquecer a incapacidade do SPD para a aproveitar, ao ter descido também mais de 2%. E, embora continue com a liderança do governo da R.- P., não se pode ignorara que perdeu 10% dos votos.

O SPD parece pois consistentemente amarrado a um patamar eleitoral modesto, reflectindo uma clara incapacidade para capitalizar a seu favor o desgaste do governo da Srª Merkl ( CDU-CSU/FDP). A Esquerda também não se tem mostrado capaz de aproveitar a estagnação do SPD para levantar voo. Apenas Os Verdes ( Die Grünen) se têm mostrado pujantes, de acordo com as indicações das sondagens, confirmadas pelos resultados das eleições acima referidos.

Na verdade, se analisarmos a evolução das sondagens dos últimos meses, respeitantes a toda a Alemanha, não vemos grandes oscilações. Na mais recente, já desta semana, a CDU/CSU limita-se a 33%, o SPD não vai além dos 25 %, Die Grünen atingem os 21%, Die Linke fica-se pelos 8% e o FDP cai para uns perigosos 5%. Ou seja, a base eleitoral do Governo da Srª Merkl desceu para uns modestos 38 %, os três partidos de esquerda, actualmente na oposição, se pudessem somar-se, chegariam aos 52%. E mesmo que uma possível coligação abrangesse apenas o SPD e os Verdes, ela atingiria os 46%.

Parece claro que, se não houver uma mutação inesperada, a esquerda tem boas hipóteses de voltar ao poder, após as próximas eleições legislativas alemãs. Mas, contra o que ainda há poucos anos era impensável, não é hoje certo que uma futura coligação de esquerda na Alemanha seja liderada pelo SPD. Pode ser liderada pelos Verdes. Também é nítido que, tal como em comentários anteriores sobre eleições alemãs já alvitrei, a estagnação do SPD não foi aproveitada pela Esquerda. E o papel dos Verdes na Alemanha não é um exemplo que possa ser seguido por outros países. Nomeadamente, aqueles onde os partidos deste tipo têm pouca expressão ou simplesmente não existem, como acontece no caso português.

A estagnação política dos partidos europeus da Internacional Socialista continua, pois, sem fim à vista; e o facto de se estar a passar com o SPD o que acima se refere agrava essa situação, em virtude da grande importância desse partido no PSE ( Partido Socialista Europeu ).


[ Pode clicar sobre o mapa e as infogravuras, para as poder ver aumentadas.]

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Eleições alemãs - o preço do bloco central

1. A infogravura acima apresentada, transcrita do site do semanário "Der Spiegel", mostra um sugestivo panorama dos resultados das eleições legislativas alemãs do passado dia 27 de Setembro. Venceu a coligação democrata-cristã, CDU/CSU, encabeçada pela srª Merkl, que se manteve assim à frente do governo alemão, embora abandonando os seus antigos parceiros sociais-democratas(SPD), pelos seus novos parceiros liberais (FDP).
Apesar de vencer as eleições, a CDU/CSU teve o seu pior resultado, desde 1949 (33,8%), enquanto o SPD teve o seu pior resultado de sempre (23%). Em contrapartida, os outros partidos, FDP (liberais-14,6%), Die Linke ( A Esquerda -11,9%) e Die Grünen ( Os Verdes - 10,7%), tiveram os seus melhores resultados de sempre.
Os dois partidos de direita somam agora 48,4%, enquanto os três partidos de esquerda somam 45,6 %, o que se traduz numa maioria parlamentar folgada da direita. Recorde-se que em 2005, o SPD, os Verdes e a aliança política que deu origem ao novo partido de esquerda, tinham em conjunto uma clara maioria parlamentar. A CDU/CSU foi então o partido mais votado, com uma pequeníssima vantagem sobre o SPD, o qual aceitou ser acólito da Srª Merkl numa grande coligação, recusando a hipótese de liderar um governo das três forças de esquerda então existentes.
O SPD tentou então congelar a possibilidade de afirmação de uma nova força política ( Die Linke) no panorama alemão, recusando coligar-se com ela. Não conseguiu. O novo partido ganhou vida, tendo vindo desde então a entrar para os parlamentos de diversos estados alemães e tendo atingido cerca de 12% nas recentes eleições. Nesta campanha o SPD insistiu na política de exclusão de qualquer aliança nacional com Die Linke, embora já tenha entrado em coligações com ele em governos estaduais. O SPD pagou um duro preço pela sua participação no bloco central alemão nestes últimos quatro anos: desceu 11,2%, enquanto que o seu parceiro(CDU/CSU) teve uma quebra modesta de 1,4 %.
A réplica alemã do "blairismo", o chamado "Novo Centro", continua assim a sua marcha lenta mas persistente, para o abismo.


2. Um dado elucidativo, que indicia uma mudança qualitativa no sistema político alemão, é a evolução da força eleitoral dos dois maiores partidos, desde 1976 até hoje ( veja-se a infografia, acima publicada). Como vimos, o contraponto à decadência evidenciada pelo gráfico é a conjugação dos resultados dos outros três partidos, cada um dos quais ficou, pela primeira vez acima dos dez por cento, somando todos eles 37,2 %.

Mas vale a pena sublinhar que a decadência do SPD, só parcialmente foi compensada pela subida dos outros dois partidos de esquerda: o SPD desceu 11,2%, mas os outros dois só subiram, no seu todo, 5,8 %. Ou seja, metade das perdas do SPD, foram perdas da esquerda como um todo.

Este exemplo, mostra como é uma ideia simplista e precipitada, pensar que o definhamento de uma força dentro da esquerda gera uma automática compensação, traduzida no reforço de outra ou outras forças de esquerda.

[ Clicando sobre as imagens, pode aumentá-las.]

sábado, 1 de agosto de 2009

O veneno dos blocos centrais


No jornal espanhol El País, de hoje, saiu um texto, assinado por Juan Gómez, que de seguida parcialmente reproduzo, com a devida vénia. Ei-lo:


El SPD pierde el voto de apoyo del mayor sindicato alemán


IG Metall rechaza los recortes sociales aplicados por los socialdemócratas

El jefe del sindicato alemán IG Metall, Berthold Huber, ha rehusado apoyar al candidato del Partido Socialdemócrata (SPD), Frank-Walter Steinmeier, en la campaña electoral recién inaugurada. En una entrevista concedida al diario Süddeutsche Zeitung, el líder del mayor sindicato alemán señala: "Se acabaron los tiempos en los que el sindicato recomendaba el voto para unos o para otros".

Steinmeier sufre un nuevo revés en su intento de rebajar la ventaja de Merkel
El sindicato renunciará también a valorar los programas electorales para orientar a los votantes. Huber, que es militante socialdemócrata, destaca también las distancias entre su sindicato y el nuevo equipo que Steinmeier presentó el jueves como pistoletazo de salida de la campaña veraniega para las elecciones generales del 27 de septiembre.
La entrevista supone un nuevo jarro de agua fría sobre el intento socialdemócrata de recortar distancias con su actual socio de Gobierno, la Unión Cristiana Democrática (CDU) de la canciller Angela Merkel. Mientras Merkel sigue de vacaciones, Steinmeier adelantó unas semanas el inicio de su campaña y trató de colocarse en el centro de la atención mediática presentando un gabinete en la sombra.
Ahora, la falta de apoyo de IG Metall oscurece el perfil social y combativo que Steinmeier quería imprimir a sus propuestas. Ante la crisis económica, el SPD quería presentarse como defensor de los puestos de trabajo y las prestaciones sociales.
Huber dirige desde hace dos años el poderoso sindicato IG Metall, que tiene más de dos millones de afiliados. El sindicalista arremete en la entrevista contra las políticas aplicadas por sus compañeros de partido durante 11 años en el Gobierno de Alemania. Huber ataca los recortes sociales del canciller Gerhard Schröder, que gobernó entre 1998 y 2005. En su opinión, "son percibidos como una amenaza" por los trabajadores alemanes. La participación de los socialdemócratas en el Gobierno de Merkel también es objeto de las críticas de Huber, en especial el retraso de la edad de jubilación hasta los 67 años, aprobada en 2007 por la gran coalición.
Las reformas de Schröder, conocidas como Agenda 2010, abrieron una gran división entre el SPD y sus sindicatos históricamente afines. La labor conjunta de SPD y CDU durante los últimos cuatro años ha dado a Merkel un halo centrista, mientras que ha disuelto el perfil político de su contrincante socialdemócrata. Así, Huber señala en su entrevista que tiene "menos problemas con la CDU que con el FDP", en alusión al Partido Liberal Democrático con el que Merkel quiere coligarse si no logra una mayoría suficiente para gobernar en solitario.
Las críticas al equipo de Steinmeier para las elecciones llegaron también ayer desde Los Verdes. Claudia Roth, presidenta del partido, acusó a Steinmeier de intentar "dar una imagen de renovación eligiendo de nuevo a los actuales ministros".
***************
Dedico este texto àqueles que no PS transigem com a ideia do Bloco Central, ainda que embrulhada numa vaga ladaínha que a remete para o lugar aparentemente distante de uma última hipótese, que aliás muito convenientemente dizem indesejar. Aconselho ainda a sua leitura a quem procura amarrar o PS ao pântano da transigência com hipotéticos governos minoritários de direita. Uns e outros deviam meditar sobre o texto acima transcrito.
De facto, o que se tem vindo a esboroar na Alemanha, como reflexo da teimosia no celebrado "novo centro", agora velho de mais de uma década, é um bloco político-social que levou mais de um século a construir.
A terceira via e seus sucedâneos, podem até render, no curto prazo, vitórias eleitorais, mas a longo prazo são apenas o suicídio suave do socialismo democrático e um sério contributo para o agravamento dos problemas dos países em que se instalem.
O maior contributo que os socialistas podem dar aos seus países é o de serem eles próprios. Para políticas de complacência com a direita e para a aceitação do capitalismo como fim da história, não é necessária a esquerda. É mais do que suficiente a direita que,afinal, existe para desempenhar esse papel.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Uma lição alemã ?



O resultado das eleições que recentemente tiveram lugar no Estado Alemão do Hesse, deve ser objecto de reflexão para os partidos que representam as várias áreas da esquerda em Portugal.

Note-se que o Hesse é um Estado importante, com mais de seis milhões de habitantes e cerca de 21000 quilómetros quadrados.

Estas eleições foram neste mês de Janeiro, uma vez que das anteriores eleições, ocorridas no ano passado, resultou uma relação de forças no parlamento estadual que, conjugada com as posições assumidas pelo SPD (socialismo democrático) e pela Esquerda (Die Linke), não permitiu que se constituisse uma maioria de governo.
De facto, no ano passado, o SPD, reflectindo um grande reforço eleitoral ( 7,6%), ficou então apenas a uma décima da CDU, que nessa eleição sofreu um apreciável recúo (12, 1%), ficando ambos os partidos, no entanto, com o mesmo número de deputados. Assim, a CDU não conseguiu apoio para formar governo, dado que a soma dos seus votos com os liberais (FPD), seus aliados tradicionais, não era suficiente. Já o SPD poderia ter liderado um governo com apoio maioritário, se tivesse tido o apoio dos Verdes(Die Grünen) e da Esquerda ( Die Linke). Mas as divergências dentro do SPD, quanto à aceitação do apoio da Esquerda ( Die Linke), impediram que se tivesse conseguido instituir um governo estável, obrigando a novas eleições. Se o SPD tivesse feito uma aliança com a Esquerda (Die Linke) ( ou se tivesse, pelo menos, aceitado o seu apoio parlamentar) isso não teria acontecido. Dividido internamente, quanto a essa hipótese, acabou por não a poder pôr em prática. Em virtude disso, as eleições tiveram que ser repetidas agora, em Janeiro de 2009.


O pouco tempo decorrido entre as duas eleições não impediu uma enorme diferença nos resultados eleitorais. Resultados esses que reflectiram uma pesada derrota do SPD. De facto, agora o partido mais votado passou a ser o da actual chanceler federal, a SrªMerkel, a CDU(democracia-cristã), com 37,2 % dos votos. Progrediu apenas 0,4 %, mas isso foi suficiente para poder formar governo, coligando-se com um aliado tradicional, o FDP (liberal), que subiu mais de 6,8 %, atingindo os 15,9% dos votos. Subida idêntica,(6,2) tiveram-na os Verdes (Die Grünen), que atingiram os 14%.

Por seu lado, o SPD, grande derrotado, ficou-se pelos 23,7%, tendo perdido 13% dos votos, de um ano para o outro. Mas deste desmoronamento eleitoral não tirou qualquer proveito A Esquerda (Die Linke) que pouco subiu (0,3), ficando com 5,4%. E, assim, o não entendimento entre estes dois partidos, que, neste caso, resultou mais directamente do facto de o SPD recusar alianças com A Esquerda (Die Linke), tendo punido o primeiro, em nada beneficiou o segundo.

Uma outra leitura, radicada num olhar para o conjunto do país, acentua a ideia de qua a grande coligação CDU/SPD, que partilha o poder no conjunto da Alemanha, e que só existe em virtude da mesma recusa do SPD em envolver A Esquerda (Die Linke) numa maioria federal, pode traduzir-se numa severa punição do SPD e numa ascensão do centro político que beneficiará por tabela a CDU, dando-lhe o poder, mas que em nada aproveitará à Esquerda (Die Linke).

Este exemplo, deveria fazer com que as actuais lideranças do PS, do BE e do PCP reflectissem muito cuidadosamente sobre o modo como se relacionam. E o que parece certo é que a diabolização do outro e angelização de si próprio revelam um tipo de atitude política que muito provavelmente levará ao desastre.

sábado, 14 de junho de 2008

Frutos amargos de um bloco central


1. As mais recentes sondagens divulgadas na Alemanha atribuem ao SPD cerca de 20% das intenções de voto, o que, se fosse um resultado eleitoral efectivo, seria o mais baixo desde 1949 e um desastre político inimaginável.

Não pode deixar de se pensar que são esses os mais ostensivos frutos, para a esquerda democrática alemã, da sua adesão ao bloco central dirigido pela Srª Merkl. É como se uma parte do relativo viço político dessa fogosa alemã fosse conquistado, à custa da anemia crescente do SPD.

2. Há quem veja neste declínio uma sequela política de mudanças estruturais de natureza social, ocorridas na Alemanha. Sem menosprezar esse ângulo de análise, não se podem ignorar outros factores.

Para mim, um dos que não pode ser ignorado é o que resulta do facto de o bloco central, por que se optou, ser uma solução que, tendo sido constitucionalmente válida e politicamente legítima, contrariou o essencial da mensagem transmitida pelo eleitorado, quando votou nas últimas legislativas.


De facto, nessas eleições defrontaram-se dois blocos, ambos internamente heterogéneos: à direita, o bloco democrata-cristão e o partido liberal; à esquerda, o SPD, os Verdes e um novo partido, resultante da fusão dos ex-comunistas com os dissidentes do SPD, liderados por Oskar Lafontaine ( Die Linke - A Esquerda).

Na competição entre os dois grandes blocos, a esquerda teve uma maioria clara. Na competição entre os partidos, o bloco democrata -cristão(CDU/CSU) foi o vencedor, com algumas décimas de vantagem sobre o SPD. Por isso, a srª Merkl nunca poderia ter sido chefe do Governo alemão, sem o apoio de algum dos partidos da esquerda. Pelo contrário, o leader do SPD poderia ter chegado a esse lugar, sem necessitar de qualquer apoio à sua direita.


O SPD, no entanto, recusou liminarmente ser governo, se isso dependesse do apoio do novo partido de esquerda. E, todavia, o apoio dos Verdes não lhe bastava para chegar à maioria absoluta de deputados. Assim, ao arrepio da vontade global dos eleitores alemães, aceitou apoiar um governo de coligação CDU-CSU/SPD, liderado por uma democrata-cristã, transformando uma vitória pífia da Srª Merkl num passaporte para um protagonismo prestigiante, que pode aniquilar as hipótese de poder do SPD, por muitos anos.


E se o SPD mergulhou nesta aventura imprudente, com a ilusão de que esse era um caminho seguro, para quebrar à nascença a afirmação de um novo partido de esquerda, viu as suas expectativas sucessivamente iludidas, em várias eleições em estados alemães, que foram palco da emergência desse partido, como um novo integrante nos parlamentos regionais.

Paralelamente, ilustrando o acerto dos que sempre acharam que a identidade dos Verdes, em vez de ser expressão duradoura de uma esquerda mais distante do centro político do que a esquerda tradicional, era uma identidade absorvível, a prazo, por possíveis cantos de sereia vindos da direita, desenha-se na Alemanha a possibilidade de uma aproximação dos Verdes com a direita.


3. Nestes termos, a quebra de popularidade do SPD ocorre numa conjuntura particularmente difícil. Os Verdes deixaram de ser um aliado imune aos apelos da direita; "Die Linke" parece firme num patamar de intenções de voto, acima dos 10% e enraíza-se nos Estados da ex- RFA, onde antes nem existia.

Ou seja, a uma deriva traduzida na impregnação pela ideologia neoliberal dominante, iniciada com o governo SPD/Verdes, seguiu-se a insistência em contrariar a mensagem do eleitorado de esquerda, atirando uma boa parte dele para o desespero, para o cepticismo e para a desconfiança quanto ao SPD, em si próprio.

Os sindicatos afastam-se cada vez mais dele, a sua ala esquerda ganha uma relativa proeminência interna, mas a sua ala direita conserva a força a suficiente para impedir uma revisão de alianças, que possa servir de base a um futuro governo, apoiado por todas as esquerdas alemãs.

Para além destas dificuldades, o SPD vive objectivamente um dilema: se o isolamento do novo partido não o impedir de crescer e se o SPD continuar com a sua deriva centrista, arrisca-se a ser um verdadeiro promotor do partido da esquerda que queria destruir. Mas aliar-se com ele, pode legitimá-lo, sendo objectivamente uma auto-crítica, por não o ter feito de modo a que a Srª Merkl nunca tivesse chegado à Chancelaria. Mantê-lo de quarentena, pode ser sinónimo de garantir, ao próprio SPD, que não voltará ao poder tão depressa, a não ser como parceiro subalterno (cada vez mais subalterno) dos democratas-cristãos.

É uma situação complexa, sendo cada vez mais claro que os partidos socialistas que se conformem com a eternização do capitalismo, renunciando ao eixo da sua própria identidade e da sua razão de ser, correm o risco de se meterem em situações desesperadas.

E, como a sua substituição por outros protagonistas de esquerda, como partidos de governo, nem é certa, nem seria nunca rápida, se colapsarem, abrir-se-á um tempo de domínio unilateral da direita na Europa, que pode ser a porta para graves convulsões sociais e para novas incertezas políticas. Convulsões, aliás, que há anos se têm vindo a anunciar, através de sinais que os poderes europeus irresponsavelmente ignoram.
Por seu lado, paralelamente, a maior parte das direcções dos partidos da Internacional Socialista tem vindo a embrulhar esses prenúncios num discurso redondo e repetitivo, incapaz de equacionar sequer os problemas que verdadeiramente bloqueiam as sociedades europeias, em tempo de capitalismo globalizado.


A situação do SPD é já dramática, outros partidos da Internacional Socialista estão em dificuldades. Em Itália, por exemplo, os ex-comunistas chegaram apenas há poucos anos à família socialista europeia, mas ei-los que já se aprestam a abandoná-la, numa vergonhosa caminhada para a direita, perante uma reacção, inesperadamente mole, das lideranças do Partido Socialista Europeu.

E nós? Dormimos tranquilamente rendidos ao aconchego das frases feitas, consentindo que os conservadores-liberais do Partido Popular Europeu reduzam a Europa às suas modestas medidas de luzidos pajens dos grandes interesses económicos do capitalismo mundial ?

E nesse sono haverá quem sonhe com um futuro bloco central, em sinergia com o que parece ser a melhor hipótese que a nova direcção do PSD a si própria coloca como futuro próximo ?
Enfim, durmamos...

domingo, 23 de dezembro de 2007

A Lição Alemã



O político alemão Oskar Lafontaine já foi um dos dirigentes mais carismáticos do SPD , que aliás chegou a liderar. Participou numa cisão desse partido com base na discordância quanto à orientação política do governo Schröder. Hoje, é um dos principais dirigentes de uma novo partido: Die Linke (A Esquerda). As sondagens atribuem-lhe 13%, ao mesmo tempo que reduzem o SPD a uns os magros 29%, se os compararmos com os seus resultados habituais.
No diário espanhol "Público", é hoje publicada um entrevista sua, pela qual é responsável Juanma Romero. Uma vez mais, resolvi difundi-la neste blog, por me parecer um documento político do maior interesse. Registo, aliás,a qualiade dest "jovem" diário do país vizinho, que tarda em ter uma presença visível nas nossos quiosques de venda de jornais.
Oskar Lafontaine é identificado como sendo Copresidente do partido "A esquerda", dizendo-se que este ex-líder do SPD "dejó esta formación en 2005, convencido de que las reformas de Schröder estaban traicionando los valores de la izquierda y abriéndose demasiado al neoliberalismo". Eis o texto da entrevista:

" No la suelta de su boca. Taladra con ella todas sus respuestas. Dibuja por oposición el espejo antagónico. “Neoliberalismo”. Su palabra fetiche. Aquella que combate, en un mundo nuevo, el nuevo Oskar Lafontaine (Sarre, Alemania, 1943). Ex presidente de su land (el equivalente a nuestras comunidades autónomas), ex presidente del SPD, ex ministro (efímero, muy efímero) de Finanzas del primer Gabinete de Gerhard Schröder. Le suena a pasado.
Desde junio, su proyecto se llama Die Linke (La Izquierda), el partido nacido de la confluencia de los ex comunistas del Este y los desengañados del SPD. Sus aliados son ahora también más zurdos: de la relación casi fraternal con Alfonso Guerra y el PSOE, ha basculado a la cooperación con IU, que el viernes le trajo a Madrid para debatir sobre la reorientación de la política exterior. Un potente gancho electoral para Llamazares.

Creo que tengo delante al ‘ave fénix’ de Alemania. Eso se dice en su país y también fuera.
Quizá es demasiado rotundo. Pero no negaré que, en dos años, desde que se coaligaron el PDS [los poscomunistas] y la WASG [los occidentales cansados del SPD], hemos cambiado la política alemana desde la oposición. La justicia social ha vuelto a la agenda. Hemos obligado a Merkel a corregir sus medidas, en subsidios de paro, pensiones, salario mínimo... Modestamente, pero ahí están los esfuerzos para llevar la política a la izquierda.

Está disparado. Tercera fuerza y potencial electoral de un 25%.
En las generales de 2005 obtuvimos el 8,7% de los votos y ahora, los sondeos nos otorgan un 10-13%. Mejor ser prudentes. Nos apuntamos haber roto el sistema cuatripartito.

Me pregunto qué reflexiones hizo tras perder contra Helmut Köhl en 1990. ¿Pecó por ser sincero?
Lo he pensado muchas veces. Avisé contra los riesgos de una rápida unificación monetaria de las dos Alemanias. Así ocurrió. Ahora, la economía ha superado algunas dificultades, pero el desempleo es muy abultado, sobre todo en el Este.

Véndame ‘Die Linke’. ¿Qué ofrece de nuevo? ¿Qué tiene de viejo?
Nuestro reto es luchar contra los grandes destrozos que el neoliberalismo ha causado en Alemania. Trabajar por las condiciones de los trabajadores, apostar por una política exterior respetuosa con el derecho internacional. ¡Logramos que se paralizase la privatización del ferrocarril! Los Verdes han tildado de erróneos sus recortes sociales con Schröder. ¡Claro! Lo dijo Jean Jaurès: “El capitalismo acarrea la guerra como las nubes la lluvia”.

¿Y no será difícil mantener la convivencia del PDS y la WASG? ¿Son un partido homogéneo?
Los ex comunistas han evolucionado como en otros países. Yo mismo, cuando propuse la fusión, miré con detalle ambos programas, y eran prácticamente idénticos. Hay mentalidades diferentes, pero como las hay entre vascos o catalanes de un mismo partido. Las discusiones internas no son más agrias que las de otras formaciones.

¿Y el SPD? Le sitúan por debajo del 29%. ¿Ha llegado a tocar fondo?
[Medita] Propongo otra pregunta: ¿va a corregir su política fallida?
Va reculando en los últimos meses
Deberá aclarar si reorienta su programa. Si no, caerá más. También le empujamos. Die Linke ha surgido a raíz de la política equivocada del SPD.

Y del desencanto y de la falta de un líder como Schröder
Lo decisivo es que ni trabajadores ni pensionistas se reconocen en el SPD.

¿Se reforma o se destruye?
Si no cambia, se desplomará, sí.

¿A pesar de Kurt Beck?
El presidente del SPD apoyaba hasta hace poco tiempo la dirección de su partido y del Gobierno. Ahora revisa sus convicciones. De acuerdo. Esperaré a ver cómo evoluciona.

Una eventual alianza con el SPD se cobraría peajes. Freno a las rebajas del Estado del bienestar y...
Retirada de las tropas. Ésa es nuestra línea roja. Dos condiciones básicas.

¿Es compatible la globalización con un Estado grueso?
Por supuesto. El neoliberalismo propala una gran mentira: la sociedad actual, más rica, no puede permitirse un Estado fuerte que sí era viable en una sociedad más pobre. No tiene lógica ese razonamiento. Pero cala.

¿Merkel ha arramblado con el SPD, sus dirigentes y sus ideas?
La CDU sólo ha arañado una ventaja de tres puntos con respecto a 2005. Siete ha bajado el SPD. Merkel habla de justicia social, se ha separado de sus creencias más derechistas, pero su neoliberalismo está ahí. Ha bajado impuestos a las empresas, ha subido el IVA. Los alemanes no palpan el crecimiento.

Es vista como una líder europea.
Son valoraciones. Prefiero hechos. En la cumbre del G-8, en Heiligendamm, Merkel dijo haber arrebatado a Bush un cambio en política medioambiental. Bali lo ha desmontado.

¿Es una canciller de transición?
[Se lo piensa] No puedo predecir cuánto se mantendrá. Pero no tiene agenda propia. Le falta identidad.

Facilitó el Tratado de Lisboa
Quizá contribuyó a que los gobiernos se pusieran de acuerdo. Sin embargo, Europa no debe ser un proyecto antidemocrático, de las grandes empresas, sino de los ciudadanos, a los que no se va a consultar. Craso error.

Le pido una reflexión de la izquierda europea. Ségolène Royal se hundió, Prodi pasa apuros y Zapatero quizá no gane
La izquierda europea ha perdido credibilidad. Se ha abierto demasiado al neoliberalismo, que significa destrucción del orden social. Si regresa a sus orígenes, volverá a ganar.

De ahí sus relaciones con IU
Sintonizamos. Fundamos en 2004 con ellos el Partido de la Izquierda Europea. Queremos promover una nueva izquierda, preocupada por una Europa democrática y social.

Mencionaba la subsistencia del Estado del bienestar. La inmigración es un dilema global
La integración nos preocupa, cómo no. Primero hay que procurar que los inmigrantes aprendan el idioma local y que existan suficientes posibilidades de empleo para todos.

¿Y el terrorismo? ¿Ve una psicosis colectiva por la seguridad?
Son necesarias medidas. Aún más respetar el derecho internacional.

No querría eludir su parecer sobre la política de Zapatero.
No la conozco a fondo. Me impresionó cómo retiró las tropas de Irak.
devo diser. "
Comentário-
Há uma hipoteca política invisível que pesa sobre a esquerda alemã no seu conjunto: não ter sabido encontrar uma solução política que desse corpo a um goveno de esquerda, tal como os resultados eleitorais das mais recentes eleições indicavam. De facto, os democratas-cristãos mais os seus aliados sociais-cristãos conseguiram apenas algumas décimas de vantagem sobre o SPD. A CDU mais os liberais do FDP não bastavam para gerar uma maioria parlamentar.Mas a soma dos deputados eleitos pelo SPD, pelos Verdes e pela Aliança de Esquerda ( hoje, "A Esquerda"), conduzia a uma clara maioria parlamentar. O SPD, contudo, preferiu uma Grande Aliança com a CDU da Srª Merkl. Desapareceu debaixo das asas da nova líder. As sondagens, como atrás se viu, já o assombram, tendo começado a revelar-se algumas clivagens no seu interior.
Se a anemia do SPD levar a SrªMerkl a um segundo mandato, mas desta vez sem o contrapeso dos seus adversários, ninguém sabe como evoluirá no quadriénio seguinte a relação de forças no seio da esquerda alemã. Conservará o SPD o nível de predomínio actual ?
Mas se por um daqueles caprichos da sorte em que a política é fértil, se repetir um resultado semelhante ao das últimas eleições, mas agora com um SPD ainda mais fraco e com os seus parceiros de esquerda mais fortes, dificilmente se poderá repetir uma grande coligação. E se, nestas circunstâncias, acabar por se chegar a uma solução que afaste a direita do poder, poderá então perguntar-se por que não foi ela encontrada mais cedo, de modo a impedir-se o consulado da Srª Merkl.
É visível que, para além destas reflexões, radicadas no incontornável argumento da relação de forças, há uma grande dificuldade política no estabelecimento de uma aliança de esquerda na Alemanha. Bem maior do que a que a implicada por uma inflexão da política do SPD que tivesse tido em conta todas as sensibilidades internas, de modo a retirar espaço a qualquer dinâmica de cisão. Isso não aconteceu, a cisão ocorreu e agora a realidade é a que é.
Mas há outros países em que outros partidos socialistas devenm olhar com atenção para o que vai ocorrendo na Alemanha. De facto, é sempre mais fácil encontrar equilíbrios e chegar a consensos, no quadro de um mesmo partido do que a partir de diferentes instâncias partidárias. E as rupturas serão sempre mais fáceis de prevenir, quando se compreende que a regra da maioria não exprime por si só a natural e desejável diversidade de um grande partido de esquerda.
Por isso, as minorias, especialemente quando bem enraizdas na identidade histórica do partido e na sua projecção futura e quando disponham de uma base social espontânea e duradoura, não podem ser ignoradas politicamente. Politicamente, sublinhe-se, e não apenas convivial e simbolicamente.
De facto, as cisões mais perigosas são as que levam tempo a amadurecer, por derivarem muito menos de protagonismos pessoais de circunstância do que de uma dinâmica social e política profunda e estratégica, eventualmente potenciada por movimentos duradouros de uma parte do respectivo eleitorado para fora do seu voto habitual.
Por tudo isso, se as minorias não devem ser sectárias nem intransigentes, a maioria também não pode ser politicamente autista nem arrogante.

domingo, 28 de outubro de 2007

Mais vale prevenir do que remediar...


O jornal espanhol "El País" publicou hoje um texto de José Comas que com a devida vénia transcrevemos. Os socialistas portugueses, em especial os órgãos nacionais do partido, não podem ignorar os factos e as indicações que o Congresso aqui relatado lhes oferece. Nós ainda estamos a tempo de evitar seguir o mesmo triste trajecto. Como o povo nos ensina : "Vale mais prevenir do que remediar."
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El SPD contenta a la izquierda con sus nuevas propuestas

Las iniciativas del congreso socialdemócrata alemán disgustan a la CDU, su aliada en el Gobierno federal

JOSÉ COMAS - Berlín - 28/10/2007

Las resoluciones del congreso que los socialdemócratas alemanes celebran este fin de semana en Hamburgo han tenido buena acogida en los partidos de oposición, La Izquierda y Los Verdes, pero recibieron fuertes críticas por parte de los democristianos (CDU/CSU), socios del SPD en el Gobierno federal.
En el congreso intervino ayer el vicecanciller y ministro de Trabajo, Franz Müntefering, que en las últimas semanas libró una dura batalla contra su presidente del SPD, el primer ministro de Renania-Palatinado, Kurt Beck, para no modificar los recortes que la Agenda 2010 de Schröder había aprobado para los parados. Müntefering no tocó el tema en su discurso. El conflicto ha quedado barrido bajo la alfombra y al concluir su discurso se estrechó la mano con Beck en un gesto de reconciliación.
El SPD y Beck intentan por todos los medios frenar la irresistible caída del partido en los sondeos de intención de voto, que se mueven en torno al 25%, casi quince puntos menos que la CDU/CSU. El partido, que en 140 años de historia adquirió la fama de ser el defensor de los más débiles y paladín de la justicia social, pagó con una enorme sangría de votos y militantes la política de recortes sociales que llevó adelante el canciller Gerhard Schröder (SPD) en coalición con Los Verdes. Beck parece haber encontrado en la corrección de esa política un trampolín para intentar subir la cotización demoscópica del SPD.
Cambio climático
El congreso del SPD camina en esta dirección, dar marcha atrás en algunas de las reformas y actuar como contrapeso al socio de coalición, los democristianos (CDU/CSU), a los que acusan de neoliberalismo desalmado. La tarea del SPD no resultará nada fácil. La canciller Angela Merkel (CDU) se ha destapado como una especie de criptosocialdemócrata que ha sorprendido a los sectores más conservadores de su partido y le ha robado el espectáculo al SPD en temas como el clima o la política de protección a la familia.
Conscientes de la necesidad de recuperar la imagen progresista, los delegados del SPD aprobaron mociones en esa dirección. La sorpresa ayer fue la resolución a favor de limitar la velocidad en las autopistas a 130 kilómetros por hora para reducir la emisión de gases nocivos, en contra de la dirección del partido. La no limitación de velocidad es una de las vacas sagradas en Alemania, defendida por la industria del automóvil y muchos ciudadanos. Cuando llegó a adquirir visos de realidad la posibilidad de reducir la velocidad, surgieron las pegatinas en los coches con la frase "ciudadanos libres exigen vía libre". La resolución de limitar la velocidad es en realidad un brindis al sol, porque no tiene la menor posibilidad de lograr una mayoría parlamentaria, pero queda como un gesto, un mensaje que el antiguo socio de coalición Los Verdes acogió con satisfacción.

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Desventuras do SPD ou o preço da rendição.



Se a Alemanha se constipa a Europa espirra. Sob as águas plácidas da grande coligação o SPD vê crescer a angústia dos seus eleitores e dos seus militantes. Aproxima-se um Congresso decisivo. Será que os sociais-democratas alemães vão "pagar o pato" tranquilamente saboreado pelos seus parceiros de coligação, com a Srº Merkl espreguiçando-se sensualmente numa popularidade crescente ?
É neste contexto que me permito transcrever um artigo do "El Pais" de hoje que aborda essa problemática.


El SPD alemán, en caída libre

La división interna y la aparición del partido La Izquierda afectan a los socialdemócratas

JOSÉ COMAS - Berlín - 09/10/2007


El Partido Socialdemócrata de Alemania (SPD), que a finales del mes de octubre celebrará un importante congreso en Hamburgo para renovar sus dirigentes y el programa, sigue hundido en los sondeos de intención de voto. Al mismo tiempo, el SPD atraviesa una crisis de liderazgo que deja en entredicho a su presidente, el primer ministro de Renania-Palatinado, Kurt Beck, de 58 años, y además se abre una profunda división sobre la línea que debe seguir el partido. En vísperas del congreso de Hamburgo, los socialdemócratas alemanes discuten sobre si avanzar en el programa de recortes sociales Agenda 2010, iniciado por el canciller Gerhard Schröder en el gobierno, o dar marcha atrás para recuperar el voto de la izquierda y a los descontentos.
El presidente del SPD no pudo aguantar más. Indignado por el fuego amigo y las emboscadas de algunos de sus compañeros de partido, Beck dio un puñetazo en la mesa en una reunión de la presidencia en Berlín y pronunció una frase que hizo las delicias de la prensa y ocupó los titulares: "No estoy dispuesto a soportar esta mierda por más tiempo". Beck tiene una apariencia apacible, de gordo bueno, pero la permanente puesta en tela de juicio desde sus propias filas de su capacidad para dirigir el SPD le agotó la paciencia. En posteriores entrevistas Beck explicó el motivo de su exabrupto: "Alguna gente de tercera o cuarta fila que se esconde tras los arbustos y dice cosas más o menos inteligentes, pero irresponsables. No voy a tolerar que se entorpezca el trabajo de construcción en el que estamos empeñados".
Lo de tercera o cuarta fila es un eufemismo. Beck podía haber pronunciado con más propiedad la histórica frase "el enemigo está dentro", incluso en la primera línea del SPD. Apenas un par de días antes de la bronca de Beck dos de sus futuros vicepresidentes, el ministro de Exteriores, Frank Steinmeier, de 51 años, y el de Hacienda, Peer Steinbrück, de 60, que saldrán elegidos en el congreso de Hamburgo, más su antecesor en el cargo de presidente del SPD, el primer ministro de Brandeburgo, Matthias Platzeck, de 53 años, presentaron en la sede del partido en Berlín un libro con el título A la altura de los tiempos. Llamó la atención la ausencia de Beck en un acto que congregó a los primeros espadas del partido y que no figurase entre los autores de un libro que contiene una propuesta programática que consiste en continuar la línea trazada por el Gobierno de Schröder con la Agenda 2010 de recortes sociales para sanear las cuentas públicas y la Seguridad Social.
La izquierda del SPD, representada por la futura vicepresidenta Andrea Nahles, de 37 años, y el diputado Ottmar Schreiner, de 61, se oponen a las propuestas del trío Steinbrück-Steinmeier-Platzeck. Sostiene Schreiner la necesidad de corregir las reformas que introdujo el canciller Schröder: "Tenemos que mirar adelante y si algo salió mal hay que tener el valor de corregirlo". El deslenguado ministro de Hacienda Steinbrück calificó de "llorones" a los que se oponen a llevar adelante el programa de recortes que, según sus defensores en el SPD e incluso sectores de los socios de gran coalición democristianos (CDU / CSU), ha sentado las bases de la actual recuperación económica.
En esta división en las filas socialdemócratas, Beck ha optado por situarse al lado de la izquierda del SPD y ha propuesto modificaciones en la Agenda 2010 tales como aumentar el periodo de percepción del seguro de desempleo. No se sabe si cuando Beck llamó la atención sobre los que le disparaban escondidos tras los arbustos pensaba en el vicecanciller y ministro de Trabajo, Franz Müntefering, de 67 años. Este veterano político ex presidente del partido salió al paso de las propuestas de Beck y afirmó que no se puede dar marcha atrás en las reformas. El enfrentamiento entre estos dos pesos pesados, Beck y Müntefering, es el tercero en poco tiempo. A la propuesta de Beck de que ha de intentarse la prohibición del neonazi Partido Nacional Democrático (NPD) se opuso Müntefering. Cuando Beck dijo que el SPD nunca formaría coalición en el oeste de Alemania con el partido La Izquierda, Müntefering replicó que esa decisión corresponde a los dirigentes de cada land y no a la dirección federal del partido.
Todas estas divisiones socavan el liderazgo del presidente del partido, que sigue refugiado en su gobierno de Renania-Palatinado, a 700 kilómetros de Berlín, donde se cuecen las decisiones políticas. La ausencia de Beck deja un vacío que ocupan sus potenciales competidores con declaraciones que evidencian la división existente y la falta de un rumbo claro en la socialdemocracia.
Esta situación tiene reflejo en los sondeos de intención de voto. Los más recientes dejan al SPD en torno a un 25%, casi 15 puntos menos que los democristianos (CDU / CSU), que acarician el 40%. Más de un 70% aprueba la gestión de la canciller democristiana, Angela Merkel. En un enfrentamiento electoral simulado, Merkel arrollaría a Beck, que ni siquiera ganaría la votación entre los que se declaran simpatizantes del SPD.
Con un líder en tela de juicio y sin rumbo programático, el SPD celebrará a final de mes un congreso que deberá elegir la nueva dirección. La suerte de Beck es la ausencia de alternativa. Tal vez porque en el SPD nadie está por la labor de quemarse en lo que parece una derrota anunciada en las elecciones de 2009, aunque hasta entonces las cosas pueden dar muchas vueltas. La socialdemocracia alemana está en crisis y a punto de perder por la izquierda una vez más en su historia los votos y la adhesión de los jóvenes. En los ochenta la aparición del partido ecopacifista Los Verdes supuso una enorme sangría de votos y militantes a la izquierda del SPD.
Ahora esto podría repetirse con la irrupción de La Izquierda, el partido formado por los poscomunistas del Este y los socialdemócratas decepcionados del oeste. Los últimos sondeos dan a La Izquierda una intención de voto del 12%, que se produce a costa del SPD. Un dato pone de manifiesto el envejecimiento del SPD, además de la caída vertiginosa de afiliados. La media de edad de sus militantes ronda los 58 años.

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

SPD - o fim da via sacra ?




O texto que a seguir transcrevo foi publicado hoje pelo diário espanhol "Público".




El SPD alemán se desvincula de la herencia de Schröder

El partido se despedirá de la 'tercera vía' para adoptar el "socialismo democrático".
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GUILLEM SANS MORA - CORRESPONSAL EN BERLÍN - 04/10/2007 20:25


“La desigualdad de la distribución de ingresos ha aumentado en Alemania”. Esta cita no es de un político socialdemócrata, sino que la pronunció con solemnidad y expresión preocupada el presidente federal, Horst Köhler.

Sorprendió este mensaje del jefe de Estado, porque de hecho abundaron otros más propios de una manifestación sindical: “El ascenso de unos no puede significar la caída de otros”, proclamó por ejemplo.

Esta retórica domina ahora mismo el debate público en Alemania. Los alemanes están hartos de que se recorten las prestaciones sociales mientras los ejecutivos se forran con fondos de inversión de alto riesgo.

En una atmósfera semejante, el Partido Socialdemócrata Alemán (SPD) tendría las mejores cartas para sacar provecho de la situación. Al fin y al cabo, la retórica de la justicia social es un patrimonio clásico socialdemócrata. Pero los camaradas no están para fiestas.
Ensombrecidos por la buena prensa de Angela Merkel, el SPD roza el 25% en intención de voto (frente al 40% de la CDU de la canciller). Además se muestran divididos ante la herencia de Gerhard Schröder, las reformas sociales conocidas como Agenda 2010. El actual presidente del SPD, Kurt Beck, acaba de desa-tar una tormenta entre los ex ministros de Schröder al cuestionar parte de estas reformas. Beck quiere, por ejemplo, que los desempleados de más de 45 años vuelvan a cobrar el paro durante más tiempo.
La agenda de Schröder sigue dividiendo al partido y tiene muy mala prensa. “Parte de la población la vio como una amenaza directa de su seguridad social”, señala el economista Oliver Nachtwey, estudioso de los modelos sociales europeos.

Las reformas no sólo provocaron protestas en las calles, sino también deserciones masivas en el SPD. Desde que llegó al Gobierno en 1998, el partido ha perdido nada menos que 200.000 afiliados.

La otra izquierda
Liderados por el ambicioso desertor Oskar Lafontaine, ex ministro de Schröder y ex presidente del SPD, algunos de ellos fundaron un partido alternativo en el oeste del país que se ha fusionado con los poscomunistas del este. La nueva formación se llama La Izquierda, y ronda el 10% en intención de voto.

El SPD no ha reaccionado de una forma clara al auge de esta nueva Izquierda con mayúscula. Figuras destacadas del partido en el este del país, como el primer ministro de Brandeburgo, Matthias Platzeck, y el alcalde de Berlín, Klaus Wowereit, verían bien coaligarse con Lafontaine y Los Verdes para desalojar a la CDU del poder, pero son una minoría. “Pese a una canciller conservadora, Alemania experimenta un giro a la izquierda. Entonces, ¿por qué tendría que dejar el SPD de aspirar a forjar mayorías a la izquierda del centro?”, señaló Wowereit al diario Die Welt.

Los socialdemócratas aprobarán a final de este mes en un congreso en Hamburgo sus nuevos postulados oficiales después de ocho años de debate programático.
El partido se despedirá de la “tercera vía”, que proclamaban Schröder y Tony Blair, para adoptar el “socialismo democrático”. El ambiente que se respira en Alemania no le deja otra opción.