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domingo, 4 de novembro de 2012
CORRIGIR E PEDIR DESCULPA
Ontem escrevi um texto, cujo sentido de fundo mantenho: quando alguém preconiza um hiato na democracia para executar a sua política, arrisca-se a que os adversários se sintam legitimados para fazer o mesmo , mas em sentido inverso.
Todavia, levado por uma notícia de um órgão de comunicação social, imputei à Dr.ª Manuela Ferreira Leite uma posição compreensiva perante essa hipótese, no que teria repetido uma célebre afirmação pública nesse sentido feita por si há uns anos atrás.
Múltiplas notícias sobre o mesmo evento colocam a referida dirigente política numa posição de preocupação por considerar que a democracia está em risco e não numa posição de compreensão perante esse risco.
Por isso, a Drª Manuela Ferreira Leite é naturalmente credora das minhas desculpas, que estendo a todos os leitores.
sábado, 3 de novembro de 2012
A DEMOCRACIA COMO INCÓMODO...
A Dr.ª Manuela Ferreira Leite,
insiste em defender que sem democracia será mais fácil resolver os
problemas que afligem o país. Esquece-se que, quando alguém acha que pode
retirar aos outros o exercício da democracia para decidir contra eles mais
facilmente, está a legitimar que esses outros se revoltem e lhe retirem a si a
democracia, para tomarem as decisões que achem justas, mesmo que desagradem à referida senhora.
sexta-feira, 25 de setembro de 2009
O naufrágio da ética política?
Ouvi há minutos na rádio o desesperado apelo final ao voto no jamício de encerramento da campanha eleitoral do PSD.
A Drª Ferreira Leite apelou directamente ao voto útil no PSD para varrer Sócrates. E disse, especificamente, que era um desperdício votar-se no PP, mas também, pasme-se, no BE. E assim apelou aos presumíveis eleitores no PP para que votassem no PSD. Compreende-se. Aliás, a combater isso anda o Dr. Paulo Portas de feira em feira há mais de um mês. Mas a desesperada senhora achou que esse campo era escasso e alargou a sua ambição, pedindo aos presumíveis eleitores do BE que votassem PSD.
Se a incoerência matasse a Srª, desta vez, não escapava.
Num dia, o iluminado Pacheco ribomba contra um hipotético governo PS/BE, proibindo o PR de permitir tal heresia. De facto, nesse momento o BE era apenas uma colecção de desqualificados sem legitimidade para ascenderem a um governo, tivessem os votos que tivessem.
No dia seguinte, os potenciais apoiantes do BE convertem-se em almejados confrades, convidados a somar os seus votos aos dos adeptos do PSD numa cruzada conjunta. Num dia excomungam-nos sem piedade; no dia seguinte, assediam-nos sem vergonha.
Entrámos no campo da asfixia mental...
quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Apanhados ou ofendidos?
Divulguei o texto acima reproduzido no Grande Zoo, no passado dia 17 de Setembro, tendo sublinhado, no respectivo comentário, que ele reflecte uma posição ideológica da qual se aproximam as posições de Manuela Ferreira Leite.
Foi este mesmo texto que José Junqueiro leu no Comício do PS, realizado ontem em Viseu. Não sei se quem mo enviou também o enviou a ele, ou se o conheceu a partir do meu blog. O que sei é que a reacção de fingida indignação do PSD, ao que se passou em Viseu, subentendendo que JJ conotou MFL expressa e directamente com o salazarismo, ou é precipitada ou é uma simples cortina de fumo para esconder um real embaraço.
De facto, como a Televisão mostrou, JJunqueiro leu o texto de Salazar sem dizer quem era o seu autor. Os participantes no Comício julgaram que ele era um texto de MFL e apuparam-no. Foi então que JJ revelou que, ao contrário do que pareceram julgar, o texto não fora escrito ou dito por MFl, já que fora escrito em 1928, não se lembrando ele quem era então o chefe de governo seu autor.
Ou seja, tendo sido lido um texto de Salazar, escrito em 1928, os participantes no comício do PS, espontaneamente identificaram-no como sendo de autoria da actual leader do PSD. Aliás, qualquer leitor encontrará óbvia proximidadee entre o texto de Salazar e vários aspectos do discurso de MFL. Esta realidade é incontornável e objectiva, não traduzindo nenhuma imputação caluniosa a MFL. Revela uma das raízes ideológicas do seu discurso, através de uma evidência objectiva.
É pois despropositado dizer-se que JJ tenha afirmado ou sugerido que uma vitória do PSD representaria o regresso ao salazarismo. Não o disse, pelo que não faz qualquer sentido lutar-se contra o que ele não disse.
De facto, o que está em causa é a evidência de uma deriva direitista do discurso de MFL e da sua pobreza ideológica, bem como da inconsistência da sua cultura política e do conservadorismo da sua atitude ideológica, cujo código genético assim se revela.
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Matilha de Sombras
Ficaram com um tique de proprietários do país, quando lhes foi dado fruir uma década de poder político. Depois, dispersaram-se, preparando um regresso. Conseguiram-no relativamente, mas apenas para um alto poder, por vezes demasiado alto, talvez mais simbólico do que real. Mas, no fundo comportam-se ainda como se fossem os "donos da bola".
Uma inesperada curva da política pareceu abrir-lhes de novo a porta do paraíso. E, assim, embriagados pelo despontar brusco de uma hipótese de regresso ao poder, quando pouco antes molengavam, cumprindo calendário, sob a égide de uma das mais cinzentas sombras da sua década de glória, explodiram sofregamente em todas as direcções, numa girândola de inventonas, mentiras, calúnias e dislates.
Plantaram histórias mirabolantes de escutas e espiões. Vestiram apressadamente fatos melífluos de vítimas aflitas. Multiplicaram insinuações e não resistiram à voragem de se embrulharem em mentiras, cada vez mais improváveis; náufragos de si próprios cada vez mais desesperados. A sombra cansada do cavaquismo, porta voz do momento, na sua rabugice mais cinzenta, não hesitou em incendiar de acusações malévolas os adversários políticos mais directos, movida pela impulsiva tentação de fulminar quem a embaraça.
Mas, à simples e plebeia verdade, laica e honesta, bastou espreguiçar-se, de surpresa, para fazer em estilhaços a máscara de virtude que o PSD pusera a si próprio em milhares de cartazes que nos assombram por esse país fora. A enorme VERDADE de Manuela Ferreira Leite, proclamada ao mundo por mil trombetas, transformou-se num cortejo de pequenas mentiras. E a cólera dos “anjos da vingança” do PSD, as suas diatribes plenas de virtude esfumaram-se, como a brisa envergonhada que se descobre nua.
E foi assim que a enorme VERDADE ambulante, que tem assolado o país, se esvaziou sem remédio pelas bocas incautas dos que mais a proclamavam. Não era afinal uma GRANDE VERDADE ÉPICA, asfixiada pela mentira, que procurava irromper pelas ruas do nosso país. Era apenas um prosaico rosário de pequenas mentiras, simples percevejos políticos degradantes e sujos.
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domingo, 20 de setembro de 2009
Asfixia democrática ou asfixiados pela democracia?
1. Ontem, em Coimbra, à entrada do comício do PS um pequeno grupo de manifestantes rodeava dois cartazes hostis ao PS, radicados nas reivindicações dos enfermeiros. É um facto lamentável, com alguns precedentes, embora raros. Durante muitos anos, após a estabilização da democracia, funcionou uma regra de conduta cívica por todos respeitada, que não permitia que se perturbassem comícios ou quaisquer actividades políticas públicas de qualquer partido, com manifestações hostis. É uma regra de elementar deontologia democrática e um afloramento mínimo de uma ética de convivência cívica. Não pretendo aqui sequer discutir a legalidade dessas realizações sem prévia autorização, porque entendo que este problema tem muito maior relevância ético-política do que jurídica.
Confesso que me irritei. Provavelmente com muitos dos inúmeros socialistas que estavam próximos da pequena manifestação aconteceu o mesmo. Continuo a considerar uma lamentável provocação qualquer manifestação deste tipo, junto de eventos politico-partidários.
Confesso que me irritei. Provavelmente com muitos dos inúmeros socialistas que estavam próximos da pequena manifestação aconteceu o mesmo. Continuo a considerar uma lamentável provocação qualquer manifestação deste tipo, junto de eventos politico-partidários.
Mas não posso deixar de sublinhar que durante as horas em que ali estiveram, rodeados de socialistas, ninguém correu com o pequeno grupo ou o molestou. Que eu tivesse conhecimento nada lhes aconteceu, enquanto ali estiveram. A comunicação social nem considerou isso notícia. E, desta vez, acho que teve razão. Todos acham natural que junto a um comício do PS, mesmo uma manifestação ética e deontologicamente questionável possa decorrer sem que os socialistas exerçam qualquer tentativa de correr com os provocadores. Também acho isso natural e reconheço que os meus camaradas com naturalidade projectaram assim com clareza uma das características identificadoras do PS, a tolerância e o respeito pelos que não pensam como nós.
Provavelmente, os manifestantes não eram mais do que apoiantes de outros partidos tentando perturbar a actividade legítima de um outro, embrulhados de uma circunstância profissional assim instrumentalizada. Mas, nem isso fez com que os socialistas perdessem a cabeça.
É a este partido que os pajens políticos continentais do trauliteiro das ilhas acusam de ser o autor perverso de uma asfixia democrática.
2. É também curioso que esses, que agora se fingem preocupados com um fantasma que eles próprios inventaram, se tenham sentido desasfixiados, durante o salazarismo. Realmente, não os encontrámos do lado dos que então resistiram à asfixia democrática, realmente existente, quando garrotava o povo português, talvez porque faziam parte da quadrilha dos seus fautores ou com ela se conformavam.
Arautos hipócritas de uma verdade imaginada, acabaram por apostar na sistemática mentira como estratégia aflita de quem se sente perdido num naufrágio de ideias, para onde se deixaram arrastar pela sofreguidão do poder.
É o regresso da direita caceteira, no fundo, alérgica à democracia, cujo código genético mais fundo repousa na memória do Sr. Dom Miguel e do seu afilhado do século seguinte, o Doutor Salazar. É a sombra do que há de pior no nosso passado colectivo que ameaça, uma vez mais, cair sobre nós. Ou menos dramaticamente, é a desorientação da direita a fazê-la esquecer o verniz da sua alegada modernidade, para a precipitar na arca sombria da sua mais funda identidade histórica.
3. Aliás, se por um momento concedêssemos ao fantasma da asfixia democrática o estatuto de um juízo discutível, facilmente poderíamos demonstrar o seu absurdo.
De facto, vivendo nós num Estado de Direito sob a égide de uma Constituição que todos aceitam como garante explícita de todos os direitos humanos, qualquer comportamento do Estado que configure agressão dos direitos políticos, cívicos, sociais e económicos dos cidadãos há-de encontrar pela frente uma norma ou um mecanismo que o sancione. Por isso, qualquer órgão do poder político, que pretenda asfixiar qualquer cidadão ou qualquer entidade, estará, desde logo, sob a alçada dos mecanismos de defesa da legalidade democrática.
Ora, não se conhecem processos visando o Governo que invoquem a existência dos pressupostos de facto de uma asfixia democrática verdadeiramente palpável. Quando muito podem citar-se eventos dispersos trazidos ao combate político, cuja discussão evidenciou , precisamente, o contrário de qualquer asfixia.
Aliás, MFL não cita como asfixiados as centenas de milhar de portugueses que o sistema capitalista pela sua própria natureza atirou para a pobreza e a exclusão, mas não se esquece de trovejar em nome de dois ou três ricaços que se queixam de que o Estado não lhes deu as benesses que almejavam; ou em nome de dois ou três militantes laranja que se julgavam com direito a eternizar-se nos lugares em que o compadrio laranja os colocou. Mas mesmo no caso dos militantes laranja furiosos com os privilégios perdidos, ou dos empresários indignados pelos subsídios que não alcançaram, é sempre possível recorrer aos tribunais, se realmente por parte do Estado houver práticas ilegais que configurariam uma asfixia democrática se de facto existissem. Tudo balelas para construir uma teia de invenções que desse base a um possível nominalismo de campanha que trouxesse para o palco mediático o fantasma de uma asfixia democrática.
4. De facto, para a direita que MFL, paradigmaticamente representa, o que a asfixia é a democracia, principalmente quando ela dita o seu afastamento do poder. Essa direita majestática e parasitária considera-se detentora de um direito divino ao exercício do poder. Quando fica muito longe dele começa a faltar-lhe o ar, quando sente que esse afastamento se pode prolongar muito sente-se asfixiada.
Por isso, subliminarmente, quando julga praticar a manhosa exploração de uma propaganda insultuosa a Dr.ª Ferreira Leite está afinal a exprimir o que no mais fundo da alma lhe provoca falta de ar: a democracia. Assim , por detrás do tosco ataque ao PS o que é real é esse incómodo profundo da direita por não ser poder, essa alergia atávica à democracia que apenas tende a suportar como um ónus, mas com a qual enche a boca para ocultar o pouco caso que realmente faz dela.
Pois é sentem-se asfixiados com a democracia? São alérgicos aos cravos de Abril ? Sonham com o poder eterno? Paciência. Mas estejam descansados a nossa democracia é tanto para ser fruída por nós como por vós. Não exclui ninguém Não esperem, no entanto, que vos peçam desculpa por sentirem falta de ar numa democracia.
Habituem-se.
É a este partido que os pajens políticos continentais do trauliteiro das ilhas acusam de ser o autor perverso de uma asfixia democrática.
2. É também curioso que esses, que agora se fingem preocupados com um fantasma que eles próprios inventaram, se tenham sentido desasfixiados, durante o salazarismo. Realmente, não os encontrámos do lado dos que então resistiram à asfixia democrática, realmente existente, quando garrotava o povo português, talvez porque faziam parte da quadrilha dos seus fautores ou com ela se conformavam.
Arautos hipócritas de uma verdade imaginada, acabaram por apostar na sistemática mentira como estratégia aflita de quem se sente perdido num naufrágio de ideias, para onde se deixaram arrastar pela sofreguidão do poder.
É o regresso da direita caceteira, no fundo, alérgica à democracia, cujo código genético mais fundo repousa na memória do Sr. Dom Miguel e do seu afilhado do século seguinte, o Doutor Salazar. É a sombra do que há de pior no nosso passado colectivo que ameaça, uma vez mais, cair sobre nós. Ou menos dramaticamente, é a desorientação da direita a fazê-la esquecer o verniz da sua alegada modernidade, para a precipitar na arca sombria da sua mais funda identidade histórica.
3. Aliás, se por um momento concedêssemos ao fantasma da asfixia democrática o estatuto de um juízo discutível, facilmente poderíamos demonstrar o seu absurdo.
De facto, vivendo nós num Estado de Direito sob a égide de uma Constituição que todos aceitam como garante explícita de todos os direitos humanos, qualquer comportamento do Estado que configure agressão dos direitos políticos, cívicos, sociais e económicos dos cidadãos há-de encontrar pela frente uma norma ou um mecanismo que o sancione. Por isso, qualquer órgão do poder político, que pretenda asfixiar qualquer cidadão ou qualquer entidade, estará, desde logo, sob a alçada dos mecanismos de defesa da legalidade democrática.
Ora, não se conhecem processos visando o Governo que invoquem a existência dos pressupostos de facto de uma asfixia democrática verdadeiramente palpável. Quando muito podem citar-se eventos dispersos trazidos ao combate político, cuja discussão evidenciou , precisamente, o contrário de qualquer asfixia.
Aliás, MFL não cita como asfixiados as centenas de milhar de portugueses que o sistema capitalista pela sua própria natureza atirou para a pobreza e a exclusão, mas não se esquece de trovejar em nome de dois ou três ricaços que se queixam de que o Estado não lhes deu as benesses que almejavam; ou em nome de dois ou três militantes laranja que se julgavam com direito a eternizar-se nos lugares em que o compadrio laranja os colocou. Mas mesmo no caso dos militantes laranja furiosos com os privilégios perdidos, ou dos empresários indignados pelos subsídios que não alcançaram, é sempre possível recorrer aos tribunais, se realmente por parte do Estado houver práticas ilegais que configurariam uma asfixia democrática se de facto existissem. Tudo balelas para construir uma teia de invenções que desse base a um possível nominalismo de campanha que trouxesse para o palco mediático o fantasma de uma asfixia democrática.
4. De facto, para a direita que MFL, paradigmaticamente representa, o que a asfixia é a democracia, principalmente quando ela dita o seu afastamento do poder. Essa direita majestática e parasitária considera-se detentora de um direito divino ao exercício do poder. Quando fica muito longe dele começa a faltar-lhe o ar, quando sente que esse afastamento se pode prolongar muito sente-se asfixiada.
Por isso, subliminarmente, quando julga praticar a manhosa exploração de uma propaganda insultuosa a Dr.ª Ferreira Leite está afinal a exprimir o que no mais fundo da alma lhe provoca falta de ar: a democracia. Assim , por detrás do tosco ataque ao PS o que é real é esse incómodo profundo da direita por não ser poder, essa alergia atávica à democracia que apenas tende a suportar como um ónus, mas com a qual enche a boca para ocultar o pouco caso que realmente faz dela.
Pois é sentem-se asfixiados com a democracia? São alérgicos aos cravos de Abril ? Sonham com o poder eterno? Paciência. Mas estejam descansados a nossa democracia é tanto para ser fruída por nós como por vós. Não exclui ninguém Não esperem, no entanto, que vos peçam desculpa por sentirem falta de ar numa democracia.
Habituem-se.
sábado, 19 de setembro de 2009
Última Hora!
Acabo de assistir em directo pela TV à adesão da Dr.ª Verdades Ferreira Leite ao "Clube dos Mentirosos". A enraivecida senhora foi mostrada a vociferar ao microfone, num repasto laranja, regougando que não admitia que o director do “Público” tivesse sido escutado.
Ora, nem na sua mais infeliz prestação o inefável Fernandes se queixou de que foi escutado por quem quer que seja. De facto, o referido inefável apenas intuiu, argutamente, que, se houve fuga de informação no seu jornal, isso só podia resultar de intrusão informática, a qual, como se fosse um oráculo dos nossos dias, assegurou que viera do SIS.
Perante o risco de verem a credibilidade do seu “jornal” esmorecer ainda mais, os donos já anunciaram hoje que não foi ainda encontrada qualquer evidência de que tenha havido qualquer intrusão no sistema informático.
Ora, como até o inefável Fernandes pode compreender, não tendo havido intrusão, não pode ter havido um intruso, e não tendo havido um intruso a sua acusação contra o SIS é objectivamente uma irresponsável difamação caluniosa.
E se nem a alegada intrusão informática alcançou um pingo de credibilidade, muito menos pode invocar-se uma escuta que nem o próprio Fernandes invocou.
Mas nada disso perturbou a vociferação caluniosa da MFL, que assim mostra bem como a sua enorme verdade de campanha é apenas um artifício de propaganda, que nem sequer impediu a sua fogosa adesão ao “Clube dos Mentirosos”.
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quinta-feira, 17 de setembro de 2009
A Hora da Verdade
Reduzir a luta política a um combate entre a "verdade" de que se tem o monopólio e a "mentira" que se procura incrustar na identidade dos adversários, como raiz de todas as suas posições, é o caldo ideológico que se encontra na atmosfera malsã que rodeia a pulsão autoritária que dá energia a todos os ditadores. Não chega para caracterizá-los, mas nenhum deles se pode dar ao luxo de a dispensar.
E a esta luz , podemos perceber que os célebres seis meses de pausa na democracia que MFL almejava para governar em paz, não foi atabalhoamento de senhora inexperiente, foi antes um apelo irreprimível de uma pulsão de "verdade" que se autolegitimou espontaneamente, para enclausurar todas as "mentiras" durante um moderado semestre.
Compreendo que se possa encarar como exagerada esta imersão de uma frágil avó no universo de ferro do defunto salazarismo. Seria, se a estivéssemos a imaginar, participando com toda a energia numa marcha da Mocidade Portuguesa Feminina, cantando o hino da restauração. Mas não estamos. Nem acreditamos que MFL pela calada da noite reze uma ave-maria, mesmo que piedosa, pela alma do ditador de Santa Comba, ou que tenha alguma saudade pungente do salazarismo.
Mas seguramente que se trata de um sinal objectivo de que, sob o verniz superficial dos lugares comuns da política quotidiana, passada que seja a camada, mesmo que apreciável, dos seus conhecimentos de economia, a MFL pouco mais resta do que um vazio cultural desolador. E quando a realidade lhe exige, pelo que tem de complexa, algo mais denso do que os lugares comuns da política e algo de menos linear do que os seus conhecimentos especializados da área económica, MFL não dispõe de recursos culturais enraizados na sua mundividência, correspondentes ao que as camadas mais superficiais do seu pensamento precisariam, para serem coerentemente prolongadas. E é assim, naturalmente, que automaticamente terá que recorrer à arca esquecida da sua identidade ideológica mais funda, às pulsões que moldaram a sua juventude. Uma juventude durante a qual, que se saiba, não sentiu o imperativo de tornar ostensiva qualquer resistência à real asfixia fascista em que viveu até 1974.
Ou seja, MFL, ao mostrar que, espontaneamente, está ainda influenciada pela ideologia conservadora que foi suporte do consulado do "financista" de Santa Comba, não revela apenas o código genético mais fundo do seu pensamento. Mostra também como o seu economicismo compulsivo não é, como nos querem fazer crer, um reflexo irreprimível da sua excelência como cultora da ciência económica, mas sim a modesta consequência do facto de, fora dessa área, MFL estar apenas atafulhada de lugares comuns político-culturais, por debaixo dos quais repousa o senso comum conservador da sua "desasfixiada" juventude, passada na "tranquila" bonomia dos "bons velhos tempos."
sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Os dislates de vó-vó rabujenta
"Não quero saber se há escutas ou não. As pessoas sentem que há" ─ eis a pérola de Manuela Ferreira Leite, citada com destaque pela imprensa matutina de hoje.
Estando em causa uma grave imputação, envolvendo potencialmente dois órgãos de soberania, não teria mais gravidade se a nossa Dama de Cinza tivesses dito: "Não quero saber se a matou ou não. As pessoas sentem que sim". Ou então: "Não quero saber se roubou ou não. As pessoas sentem que roubou".
É esta senhora, rabujenta e impulsiva, que queremos como primeira figura do Governo de Portugal ?
É esta a paixão pela verdade que há meses MFL tem vindo a proclamar numa profusão de cartazes, por todo o país ?
Pixordices - 30 - Faltas de ar
A senhora tem falta de ar. Sente-se asfixiada. Toldada pela agitação dos tempos, embriagada pelo perfume de eleições teve uma intuição aguda: só pode ser uma asfixia democrática.
E, gostando pouco ou nada de Sócrates e do PS, há uma certeza ainda mais funda que a possui : só pode ser uma asfixia democrática provocada pelo PS, pelo governo do PS.
Compreendo: a senhora sentiu-se sempre confortável antes do 25 de Abril de 1974, não havendo qualquer sinal público de que então tenha resistido à asfixia realmente existente ou que sequer se tenha sentido afrontada por ela, pelo que, verdadeiramente, não sabe o que é uma asfixia política.
A direita é assim: quando não a deixam exercer sem peias o poder absoluto dos seus interesses e privilégios, aos quais julga ter direito por cominação divina, sempre grita como se a estivessem a asfixiar.
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
A verdade como engano
Por isso, uma das coisas que me intrigava na propaganda do PSD era o facto de MFL insistir tanto, na verdade, na ética, elevando-as a um patamar de quase santidade, que só ela alega poder garantir. E intrigava-me isso, pelo facto de a referida senhora não ter uma imagem negativa nesses campos, que pudesse obrigá-la a carregar tanto nas tintas de uma invocada virtude própria.
Mas a naturalidade, com que acolheu nas listas de deputados do PSD, alguém já pronunciado e prestes a ser julgado, abriu uma primeira janela de esclarecimento quanto à raiz de uma tão ostensiva campanha de paixão pela verdade e pela virtude. De facto, parece visível que, sabendo MFL com que tipo de partido pode contar, achou prudente maquilhar-se, sôfrega e preventivamente, com as cores da verdade e da virtude.
Dizem-me que na entrevista de ontem, valorizou especialmente esse registo. Porquê? - hão-de perguntar. Talvez na esperança de fazer esquecer eventuais episódios de que a integração nas listas do PSD de um elemento que está á beira de ser julgado é um exemplo gritante. Consegui-lo- á ?
terça-feira, 11 de agosto de 2009
O estranho caso da mulher silenciosa
Um esgar esquálido atravessou-lhe o rosto, numa tentativa de sorriso. A pergunta questionava-a sobre as listas do PSD. E, quando se esperava o esclarecimento cabal das dúvidas levantadas, ou algo que se pudesse assemelhar a isso, a pérola caiu imprevistamente: estava muito orgulhosa pelo facto de se preocuparem com as listas do PSD. E estava tudo dito.
Quiseram saber ainda o que pensava a senhora sobre um artigo de Sócrates, saído no JN. Quando esperavam que o estilete aguçado da sua imensa sabedoria reduzisse a pó os assomos políticos do dirigente do PS, ei-la que se recusa a comentar, em vésperas de eleições, afirmando uma ladainha qualquer sobre o que ela acha que o povo português pensa e vai fazer.
Quando lhe perguntaram por que razão há nas listas do PSD candidatos a contas com processos judiciais, esperando talvez uma explicação clara e esclarecedora, limita-se afinal a dizer que eles já eram deputados antes e que já outros os tinham posto em listas sem ninguém reclamar. De substancial, zero.
A senhora tem a pose solene dos maduros que abarrotam de experiências e vivências, mas, chegada aos momentos decisivos, limita-se a sair de cena sem nada dizer, numa pose algo semelhante à de um pavão que não sabe escapar a um sorriso amarelo.
A senhora é, afinal, uma simples pastora de silêncios embaraçados, atingível, como se vê, pela sombra de interesses pouco frequentáveis, estando, assim, longe de ser aquela poderosa águia da verdade que empenhadamente nos aponta o futuro.
A senhora, essa preciosa dama de cinza, é, no fundo, o rosto sombrio e crepuscular do passado, a resmungar, a advertir, a amedrontar. A senhora, como luninosamente lembrou o Pio Abreu, é, realmente, no essencial ( e sem menosprezo) uma nova e autêntica "Velha do Restelo".
sábado, 1 de agosto de 2009
A leal conselheira
Como não é de esperar que se tenha dado a tanto trabalho e a suportar tanta despesa para dar conselhos a si própria, pode concluir-se que ela não espera fazer parte desse novo Governo.
Também é curioso que os cartazes ostentem o emblema de um partido político que quando foi responsável por anteriores Governos ignorou por completo os conselhos que agora distribui.
sexta-feira, 24 de julho de 2009
A velha do Restelo
A velha do Restelo
Enquanto a frota de Vasco da Gama aguardava a partida, “um velho, de aspecto venerando, (…) tais palavras tirou do experto peito: – A que novos desastres determinas de levar estes reinos e esta gente? (…) Que promessas de reinos, e de minas d'ouro, que lhe farás tão facilmente?”. Como nos conta Luís de Camões, a frota partiu para a Índia enquanto o velho vociferava no Restelo.
Hoje, os tempos são outros. Já não temos a ambição de descobrir a Índia e, menos ainda, de partir para uma aventura desconhecida. Apenas queríamos um comboio de alta velocidade que nos ligasse à Europa e um aeroporto que nos levasse a todos os continentes, em especial ao americano.
Os tempos também mudaram porque, com o aumento da esperança de vida e a redução da natalidade, existem hoje mais velhos que marinheiros. Alem disso, as mulheres, que vivem mais tempo, assumiram protagonismo e têm a sua voz, que é muito ouvida e ainda bem. Imaginemos então a cena nos dias de hoje. Em vez de um velho, existiria um coro deles, talvez com uma veneranda velha a dar o mote.
Então, a velha diria: "A que novos desastres determinas de levar estes reinos e esta gente?” Em pano de fundo, um coro de velhos responderia: "Ó glória de mandar! Ó vã cobiça desta vaidade, a quem chamamos Fama!”. Finalmente, a veneranda remataria: “Dura inquietação d'alma e da vida, fonte de desamparos e adultérios, sagaz consumidora conhecida de fazendas, de reinos e de impérios.”
Com tal cenário, a frota nem teria saído do estaleiro.
J. L. Pio Abreu
sábado, 4 de abril de 2009
A Drª Verdades Ferreira Leite
A Dama de Cinza é uma mulher de convicções: o que ela pensa é a verdade. O que for pensado de diferente é a mentira. Daí que, para ela, a luta política seja um combate entre os paladinos da verdade ( o seu séquito) e os mentirosos ( os seus adversários).
É por isso que a sua célebre “gaffe” dos seis meses de intervalo ditatorial, como remédio para as mazelas do nosso rectângulo, não o foi realmente. De facto, não foi uma “gaffe”, foi um desejo, ditado pela sua profunda convicção de que a única verdade limpa e inteira é a sua. Por isso, bem no seu íntimo, meter na ordem os “mentirosos”, durante seis meses, não seria um atropelo à democracia, seria um sobressalto de justiça, a favor da sua verdade, que permitiria, aliás, lançar no abismo do esquecimento as perniciosas ideias dos “mentirosos”. Generoso desígnio!
E como a sua “verdadezinha” neoliberal tem vindo a ser pulverizada pela “mentirosa” realidade, a Dama de Cinza tem-se acendido numa exacerbação de fúria, tonitroando ferozmente contra os seus adversários, com palavras que cada vez mais gostariam de ser balas.
É por isso que a sua célebre “gaffe” dos seis meses de intervalo ditatorial, como remédio para as mazelas do nosso rectângulo, não o foi realmente. De facto, não foi uma “gaffe”, foi um desejo, ditado pela sua profunda convicção de que a única verdade limpa e inteira é a sua. Por isso, bem no seu íntimo, meter na ordem os “mentirosos”, durante seis meses, não seria um atropelo à democracia, seria um sobressalto de justiça, a favor da sua verdade, que permitiria, aliás, lançar no abismo do esquecimento as perniciosas ideias dos “mentirosos”. Generoso desígnio!
E como a sua “verdadezinha” neoliberal tem vindo a ser pulverizada pela “mentirosa” realidade, a Dama de Cinza tem-se acendido numa exacerbação de fúria, tonitroando ferozmente contra os seus adversários, com palavras que cada vez mais gostariam de ser balas.
Com a questão da segurança social, a Senhora efervesceu de vez. Tricotara o PSD pacientemente uma teia, que deixasse ao Estado o ónus dos possíveis prejuízos e aos suados capitalistas, donos das seguradoras, o sacrifício de auferirem lucros fáceis, quando, inopinadamente, veio a crise, essa “mentirosa” contumaz, perversa devastadora de tão “boas” ideias, deixar insuportavelmente a nu a natureza íntima da proposta laranja. E os augustos cérebros de tão denodada proposta sentiram-se como os meninos traquinas que são apanhados a pilhar rebuçados. Mas, a Dama não se deixou impressionar. Foi directa e decidida: "Essa verdade é mentira!"
Mas o rilhar de dentes foi ainda mais raivoso. Se a Dama de Cinza tivesse o poder de transformar o governo de Sócrates e o próprio PS, em estátuas de sal, certamente que a teríamos visto, num gesto rápido, lançar a impiedosa maldição. Mas não pode: apenas pode desferir frases de chicote, erguendo-se como maldição contra uma “mentira” tão real, como o fantasma cansado do neoliberalismo perdido.
Vai daí, sai mais uma campanha da cartola da propaganda que se tem esfalfado sem êxito, para a fazer subir nas sondagens. E, ó milagre da criatividade política e do pensamento laranja, qual vai ser o eixo da campanha ? Adivinhem. Isso mesmo: a verdade. Uma verdade entaremelada e pesadona, repetitiva e trivial, esparramada em cartazes de parede ou ostentada nas ruas como um ruído ansioso.
Há, no entanto, um pequeno problema suplementar que pode somar-se perigosamente a algumas das pequenas dificuldades, acima sugeridas. É que a Senhora Drª Verdades Ferreira Leite (é justo chamá-la assim), vai iniciar esta nova cruzada conta a “mentira”, sob a bandeira de um partido político, que tem no seu código genético uma mentira fundadora.
De facto, à luz dos critérios por que se regem os alinhamentos internacionais das famílias políticas, entre si diferenciadas, o Partido Social-Democrata não é um partido social-democrata. E, sublinhe-se, eu não estou aqui a pretender ser eco de um qualquer rigorismo ideológico que pudesse, por exemplo, sustentar que o PS não é verdadeiramente socialista, que o PCP não é verdadeiramente comunista, que o Bloco de Esquerda nem sempre é de esquerda e que o CDS/PP está bem longe de ser democrata cristão. É certo que dificilmente se pode sustentar que o PSD português seja ideologicamente social-democrata, mas não é disso que se trata aqui. A questão é outra; e é esta diferença que é objectivamente significativa.
Mas o rilhar de dentes foi ainda mais raivoso. Se a Dama de Cinza tivesse o poder de transformar o governo de Sócrates e o próprio PS, em estátuas de sal, certamente que a teríamos visto, num gesto rápido, lançar a impiedosa maldição. Mas não pode: apenas pode desferir frases de chicote, erguendo-se como maldição contra uma “mentira” tão real, como o fantasma cansado do neoliberalismo perdido.
Vai daí, sai mais uma campanha da cartola da propaganda que se tem esfalfado sem êxito, para a fazer subir nas sondagens. E, ó milagre da criatividade política e do pensamento laranja, qual vai ser o eixo da campanha ? Adivinhem. Isso mesmo: a verdade. Uma verdade entaremelada e pesadona, repetitiva e trivial, esparramada em cartazes de parede ou ostentada nas ruas como um ruído ansioso.
Há, no entanto, um pequeno problema suplementar que pode somar-se perigosamente a algumas das pequenas dificuldades, acima sugeridas. É que a Senhora Drª Verdades Ferreira Leite (é justo chamá-la assim), vai iniciar esta nova cruzada conta a “mentira”, sob a bandeira de um partido político, que tem no seu código genético uma mentira fundadora.
De facto, à luz dos critérios por que se regem os alinhamentos internacionais das famílias políticas, entre si diferenciadas, o Partido Social-Democrata não é um partido social-democrata. E, sublinhe-se, eu não estou aqui a pretender ser eco de um qualquer rigorismo ideológico que pudesse, por exemplo, sustentar que o PS não é verdadeiramente socialista, que o PCP não é verdadeiramente comunista, que o Bloco de Esquerda nem sempre é de esquerda e que o CDS/PP está bem longe de ser democrata cristão. É certo que dificilmente se pode sustentar que o PSD português seja ideologicamente social-democrata, mas não é disso que se trata aqui. A questão é outra; e é esta diferença que é objectivamente significativa.
O PSD português pediu a adesão e foi admitido no Partido Popular Europeu, que claramente nada tem a ver a social-democracia, mas nem por isso achou necessário mudar de designação internamente. Aliás, todos os partidos europeus que usam a designação de sociais-democratas estão integrados no Partido Socialista Europeu.
Portanto, do que se trata não é de discutir a natureza politico-ideológica de um partido. Trata-se de uma mentira, esta sim real: O PSD português, quando se integrou, por vontade própria, numa família política que não era a que abrangia os sociais-democratas, assumiu que já o não era, mas não quis adequar a sua designação nacional, à sua efectiva identidade europeia, uma identidade que expressamente assumiu.
Por isso, se pode dizer que, do ponto de vista da transparência politico-ideológica, o PSD, enquanto não adequar a sua designação nacional ao nome da família política europeia a que pertence, é uma verdadeira”mentira” ambulante.
Assim, a Drª Verdades Ferreira Leite, se quiser fazer jus ao seu novo nome, conquistado aliás com toda a justiça, tem que começar por promover a mudança de nome do PSD. Se não for esse o caso, podemos ser levados a pensar que, também aqui, o que mais se grita como nosso é aquilo de que se sente mais falta.
Portanto, do que se trata não é de discutir a natureza politico-ideológica de um partido. Trata-se de uma mentira, esta sim real: O PSD português, quando se integrou, por vontade própria, numa família política que não era a que abrangia os sociais-democratas, assumiu que já o não era, mas não quis adequar a sua designação nacional, à sua efectiva identidade europeia, uma identidade que expressamente assumiu.
Por isso, se pode dizer que, do ponto de vista da transparência politico-ideológica, o PSD, enquanto não adequar a sua designação nacional ao nome da família política europeia a que pertence, é uma verdadeira”mentira” ambulante.
Assim, a Drª Verdades Ferreira Leite, se quiser fazer jus ao seu novo nome, conquistado aliás com toda a justiça, tem que começar por promover a mudança de nome do PSD. Se não for esse o caso, podemos ser levados a pensar que, também aqui, o que mais se grita como nosso é aquilo de que se sente mais falta.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Um silêncio chamado Kosovo!
1. O "Jornal de Notícias" de hoje anunciou um transcendente evento : "Cavaco Silva recebe Ferreira Leite".
E esclarece: "O Presidente da República, Cavaco Silva, recebe esta tarde a direcção do PSD. Manuela Ferreira Leite solicitou a audiência com carácter de urgência por causa do Kosovo, segundo fonte social-democrata."
Com carácter de urgência!!- não esqueçam!
E por causa do Kosovo. Do Kosovo !- notem bem. Viram o alcance ? O Kosovo...
Pode dizer-se com propriedade: vai longe!
2. Este é o tempo em que o território da Drª Manuela está em chamas. As praças financeiras parecem incendiadas. Os circunspectos economistas, que não se esconderam ainda, bruxuleiam coisas profundas. Dela, espera-se o fulgor da solução, a palavra decisiva, o diagnóstico certeiro, a visão de longo alcance, percuciente e subtil.
Foi então que um frémito de emoção varreu as redacções, insinuando-se nos telejornais. E um vento de ansiedade acordou as multidões agitadas: A Senhora vai a Belém! Vai a Belém! A Belém!
E, por fim, soube-se: Kosovo.
A inefável Dama de Cinza despertara do seu pesado silêncio; não para falar da crise económica, do descalabro da banca, do pânico nas Bolsas. Não foi sequer oferecer, ao seu amigo Presidente, a sua coruscante competência genérica em matéria económica. Como águia silenciosa, escapada às servidões terrenas, pairou, pairou, pairou, até se abater, fulminantemente, sobre o Kosovo!
O seu circunspecto Borges teve um sobressalto de pensamento profundo e quase relampejou de preocupação. Quanto ao Dr. Menezes, limitou-se a um espreguiçado sorriso de prazer, a um daqueles sorrisos de gibóia, que saboreasse de antemão uma presa que sabe que já lhe não pode fugir.
Por mim, perdido neste labirinto que nos desafia, apenas quero dar um viva:
Viva a costela albanesa da Drª Manuela!
sexta-feira, 20 de junho de 2008
A dama de cinza
Liguei a Televisão. Uma Senhora murcha arrastava um discurso cinzento. Na plateia algumas figuras pachorrentas, numa dormência triste, concediam palmas num ritual cansado. Era o congresso do PSD.
A oradora subira penosamente as pregas do discurso numa sucessão de lugares comuns. No que pareceu um golpe de asa, reuniu todas as energias, declarando que não desmentia aquilo que se esperava que ela desmentisse, porque não gastava o tempo com fantasias. Grande frontalidade.
Subitamente, os congressistas, que espalhavam pela sala uma modorra lenta, pareceram querer regressar à vida: a Senhora ia a atacar o PS, a Senhora ia a atacar Sócrates.
Ainda uma pausa e o ataque partiu. Por um momento, os aplausos prometeram-se nos olhares dos congressistas. Mas, num golpe de gelo, em vez da farpa fatal que deixaria Sócrates desmoronado, a Senhora limitou-se a sussurrar melancolicamente que o Governo socialista estava esgotado. Esgotado - eis o máximo de farpa de que foi capaz. Esgotado, diriam depois os acólitos, num eco já desesperado, como se procurassem conquistar, na repetição apressada de uma palavra baça, um renovado viço, ou um inesperado veneno.
Continuou, entrando garbosamente pela economia. Mas, quando se esperava o diagnóstico certeiro que desnudasse a incipiência económica do Governo, perante a luz ofuscante da competência da Senhora, ela apenas titubeou num breve trovão envergonhado: que o Governo se excedera em fantasias e agora ia pagá-las caro.
Alguns pavões que passeavam pela sala uma importância solene, puderam aplaudir esse abismo de profundidade. Ou seja, o máximo de exultação possível concedido aos barões laranjas era o eco forçado de uma banalidade: a Senhora sugeria-se, por contraponto, fresca como uma alface, garantindo que não ia em fantasias.
Mesmo com os pés presos à terra, faltava-lhe, contudo, o retoque final. Um detalhe que prenunciasse glória, uma frase que semeasse infinito. Mas, finalmente, a Senhora disse-a: "Acabou o quero, posso e mando do governo!"
No livro verde das anedotas escreveu-se um novo sorriso: "Quero, posso e mando" - o célebre tripé que a contra-informação celebrizou, pela boca de humor de um boneco do Dr. Carvalhas.
Ou seja, a dama de cinza, glória suspensa do PSD, quando quis ribombar, esmagando a alma do PS, arrasando-o com o vento impiedoso de uma única frase, não conseguiu melhor do que a esforçada cópia de uma sombra esquecida de um ex-secretário-geral do PCP, em versão humorística.
Uma brisa melancólica chamava para jantar os congressistas. A Senhora, presa a um labirinto de palavras dispersas, por um discurso sem norte, esmaecia. Súbito, mais uma vez, uma última vez, pareceu querer ressuscitar. Do seu baú de secas palavras, pareceu, finalmente, extrair a consistência de um facto. Um facto robusto, contido mas forte, perante o qual o PS se tivesse que ajoelhar, temeroso e apreensivo.
E o facto chegou, ufano e imponente: "O PS sempre menosprezou o PSD. Nunca lhe ligou a mínima ! Tratou-o como se não existisse."
Houve um momento de suspensão. Porém, já as primeiras palavras partiam para os afagos dos primeiros ecos, e eis que uma sombra tolheu todas as brisas, dizendo: "Mas isso não é um facto. É uma galga!"
Uma galga !?-- titubeou receoso o espírito laranja. Sim! -- teimou a sombra da verdade-- esqueceram o pacto sobre a justiça, esqueceram o acordo para a lei autárquica?".
"Mas os pactos foram furados", atreveu-se o espírito. "Por quem?", perguntou a sombra.
"Pelo nosso ex-Presidente!" desmoronou-se vencido o espírito laranja.
E foi assim que, voando nas asas de uma mentira, a Senhora se deixou reconduzir afinal ao clube dos anteriores líderes. Um clube de meninos guerreiros que assustaram o país.
Frustrado, mudei de canal, enquanto as câmaras iam mostrando pequenos grupos, escorrendo tristemente rumo ao jantar; e um ou outro notável procurava sem êxito uma pepita de interesse nas palavras que a Senhora desenrolara em cinzento nesse fim de tarde, previsível e triste.
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