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quarta-feira, 3 de junho de 2020

11 - UM LIVRO,UM POETA - Manuel Bandeira




11 - UM LIVRO,UM POETA -  Manuel Bandeira
  
Hoje vamos recordar um poema emblemático do grande poeta brasileiro Manuel Bandeira [ Recife, 19 de abril de 1886Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968]. O livro de onde transcrevo o poema está incluído  numa edição  de 1956, da Editorial Minerva (Lisboa)." Obras Poéticas " é o título.                
No prefácio, de um algo inesperado Henrique Galvão, comenta-se e procura contextualizar-se a poesia de Manuel Bandeira.  Sucedem-se, ao longo de mais de quatrocentas páginas, vários  livros do autor até então publicados: A Cinza das Horas, Carnaval, O Ritmo Dissoluto, Libertinagem, Estrela da Manhã, Lira dos Cinquent'Anos, Belo  Belo e Opus 10.
Lembremos então o poema.



Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau de sebo
Tomarei banho de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcaloide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mais triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

UM LIVRO,UM POEMA - 11


Hoje vamos recordar um poema emblemático do grande poeta brasileiro Manuel Bandeira [ Recife, 19 de abril de 1886Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968]. O livro de onde transcrevo o poema está incluído  numa edição  de 1956, da Editorial Minerva ( Lisboa)." Obras Poéticas " é o título.                
No prefácio, de um algo inesperado Henrique Galvão, comenta-se e procura contextualizar-se a poesia de Manuel Bandeira.  Sucedem-se, ao longo de mais de quatrocentas páginas, vários  livros do autor até então publicados: A Cinza das Horas, Carnaval, O Ritmo Dissoluto, Libertinagem, Estrela da Manhã, Lira dos Cinquent'Anos, Belo  Belo e Opus 10.
 
Lembremos então o poema.
 
Vou-me embora pra Pasárgada



Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada



Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive



E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau de sebo
Tomarei banho de mar !
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada



Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar



E quando eu estiver mais triste
Mais triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

PALAVRAS ESCRITAS

1. Hoje, vou transcever três pequenos poemas e um poema um pouco mais extenso. Comecemos pelo mais extenso, que foi retirado da antologia de poesia japonesa, "Cem Haiku", publicada pela editora Vega, em 1984, traduzida do inglês por Ana Mafalda Leite e José Manuel Lopes, da autoria de Kyoroku[1656-1715] :


Tempestade de Outono


A tempestade no Outono

começa quando o vento

faz cair os espantalhos.


Arrastar espantalhos pelo chão

é o que a tempestade

faz primeiro.

[Kyoroku - 1656-1715]


2. Em seguida, publicarei dois poemas extraídos da Antologia "Os cem melhores poemas brasileiros do século" , organizada por Italo Moriconi, publicada em 2001, no Brasil, pela Editora Objetiva do Rio de Janeiro. O autor do primeiro é Manuel Bandeira [1886-1968] e o segundo é Francisco Alvim [1938-].


Poema do Beco

Que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte?

- O que eu vejo é o beco.

[ Manuel Bandeira ]


Argumento

Mas se todos fazem

[ Francisco Alvim]


3. Por último, vou recordar um poema de Joaquim Namorado [1914-1986], meu tio, por quem sinto uma imensa saudade, extraído do seu livro "Incomodidade" ( 1945).


Aventura nos Mares do Sul

Eu não fui lá...

[ Joaquim Namorado]


A propósito deste último poema, uma pequena história. Carlos Wallenstein, grande actor, de que alguns ainda se recordarão, era também um bom declamador de poesia, e amigo de Joaquim Namorado. Um dia, lá para meados do século passado, o referido actor meteu-se no combóio para Coimbra, vindo-se encontrar com o meu tio. E aí mostrou a sua determinação em declamr o poema que acima transcrevi, mas, querendo ter a aprovação do autor, foi fazendo sucessivas tentativas para obter a sua aprovação. Sem resultado, uma atrás da outra, no entanto, todas as tentativas foram esbarrabndo no juízo negativo do autor. E, ao fim da tarde, o grande actor acabou por regressar a Lisboa, sem ter conseguido encontrar uma maneira de declamar o poema que obtivesse a aprovação do autor.

sábado, 5 de junho de 2010

Vou-me embora pra Pasárgada


Este é um poema emblemático, na obra do grande poeta brasileiro Manuel Bandeira [ Recife, 19 de abril de 1886Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968], a quem deste modo aqui se presta homenagem.


Vou-me embora pra Pasárgada



Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada


Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive


E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau de sebo
Tomarei banho de mar !
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada


Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar


E quando eu estiver mais triste
Mais triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
[Manuel Bandeira]