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Sunday, December 04, 2022

Louvor das Aves do Sul

 


"Este texto não é um prefácio

Disseram-me que era a minha vez de escrever sobre este livro e o seu autor. Tarefa difícil a que darei o meu melhor, sendo que não sou de grandes escritas. Mas...
- quando se nasce no centro do país mas se tem campos de searas no olhar;
- quando se cresce no meio da natureza e se ganham asas dos pássaros que voam ao longe;
- quando as lágrimas afloram o olhar com a mesma naturalidade com que o sorriso se rasga numa brincadeira de menino;
- quando se respira sensibilidade por todos os poros da pele;
- quando a amizade é forma de amor mais bonita e um amigo é tudo na vida,
tudo o que se possa dizer sobre o autor ou a sua obra fica aquém do merecido.

O António é antropólogo e a profissão levou-o a viver algum tempo ao sul, tendo daí resultado duas experiências riquíssimas que se traduziram em obras já publicadas sobre os Assalariados Agrícolas de Ervidel e os Mineiros de Aljustrel, livros que reproduzem histórias de vida de quem as contou. Escreveu ainda uma história para crianças (e para adultos, diria eu) a que chamou Sebastião Toupeira, e que aborda a vida dos mineiros de Aljustrel. Acresce a Casa das Glicínias e Os Confins da Infância, estes dois de poesia. E se os primeiros livros que escreveu nos prendem pelas histórias de vida que relatam, é na Poesia que o António (Lains de Ourém, às vezes Lains de lado nenhum) se despe completamente e nos mostra todos os sentimentos em carne viva.

Não tenho a certeza de quando conheci o António, porque já sabia que existia antes de o ver. Um Amigo comum juntou-nos, e éramos bastantes. Nesse dia em Ervidel eu tive a certeza que era uma amizade para a vida. Seguiram-se as outras apresentações dos outros livros que já referi, e com outros Amigos comuns. Mas eu já lia o António nas redes sociais. E às vezes tinha de parar para respirar. O que acontece ainda hoje. E fomo-nos descobrindo.

O António é um jovem nascido depois de Abril. Mas tem hoje, em seu poder, toda a História da nossa Revolução em autocolantes, cartazes, emblemas, crachás e outros materiais que o transportam a tempos em que ainda não existia, mas que sabe terem sido intensos e marcantes para quem os viveu. Depois o António é um curioso da vida, e encontrámos mais dois pontos em que os nossos interesses são idênticos: a música e as artes plásticas, dois mundos enormes sobre os quais temos ainda muito para conversar e descobrir.

Passemos ao Louvor das Aves ao Sul.

Nunca há palavras bastantes para descrever o belo. Profundamente conhecedor dos terrenos que pisa, cada poema é sempre um voltar ao passado e ao mesmo tempo ao futuro. Um passado experienciado quantas vezes ao som do chilrear das aves, um futuro a construir com todos os sonhos que agarra com as mãos. Um voltar à casa.

Este livro é uma viagem profunda (ou será um voo?) aos imensos campos do Alentejo e do Sul onde o autor se cruza com o canto das aves e com todas as emoções vividas e ainda por viver, mas que adivinha. Uma viagem solitária, que não em solidão, para melhor sentir o cheiro da terra, das árvores, das searas. Uma viagem solitária, que não em solidão, aos afectos, lugares e gentes com quem se cruzou. Uma viagem em que está sempre presente a Família como pilar de tudo. A Mãe! A Casa! A ternura...
E quem pega no livro para o ler inicia com o autor uma magnífica viagem ao interior de quem o escreve. Como disse atrás, todos os sentimentos estão em carne viva. Nada nos é indiferente neste livro de poemas. Nem as palavras, nem as ilustrações feitas por vários artistas plásticos.

Amaciem os vossos corações e leiam este livro em silêncio. Para que possam ouvir o bater de asas das aves."
 

Já fez um ano. O tempo voa...

Thursday, July 02, 2020

SOPHIA

 

Na passagem do 4º aniversário da morte de SOPHIA, o Cravo de Abril presta a sua homenagem àquela que é uma figura de primeira grandeza da POESIA portuguesa de todos os tempos.
Assinalamos esta data com a publicação do notável texto lido por SOPHIA, em 11 de Julho de 1964, no almoço promovido pela Sociedade Portuguesa de Escritores por ocasião da entrega do Grande Prémio de Poesia a LIVRO SEXTO:

«A coisa mais antiga de que me lembro é dum quarto em frente do mar dentro do qual estava, poisada em cima duma mesa, uma maçã enorme e vermelha. Do brilho do mar e do vermelho da maçã erguia-se uma felicidade irrecusável, nua e inteira. Não era nada de fantástico, não era nada de imaginário: era a própria presença do real que eu descobria.
Mais tarde, a obra de outros artistas veio confirmar a objectividade do meu próprio olhar. Em Homero reconheci essa felicidade nua e inteira, esse esplendor da presença das coisas. E também a reconheci, intensa, atenta e acesa na pintura de Amadeu de Sousa Cardoso.
Dizer que a obra de arte faz parte da cultura é uma coisa um pouco escolar e artificial. A obra de arte faz parte do real e é destino, realização, salvação e vida.
Sempre a poesia foi para mim uma perseguição do real. Um poema foi sempre um círculo traçado à roda duma coisa, um círculo onde o pássaro do real fica preso. E se a minha poesia, tendo partido do ar, do mar e da luz, evoluiu, evoluiu sempre dentro dessa busca atenta.
Quem procura uma relação justa com a pedra, com a árvore, com o rio, é necessariamente levado, pelo espírito de verdade que o anima, procurar uma relação justa com o homem. Aquele que vê o espantoso esplendor do mundo é logicamente levado a ver o espantoso sofrimento do mundo. É apenas uma questão de atenção, de sequência e de rigor.
E é por isso que a poesia é uma moral. E é por isso que o poeta é levado a buscar a justiça pela própria natureza da sua poesia. E a busca da justiça é desde sempre uma coordenada fundamental de toda a obra poética.
Vemos que no teatro grego o tema da justiça é a própria respiração das palavras. Diz o coro de Ésquilo: "Nenhuma muralha defenderá aquele que, embriagado com a sua riqueza, derruba o altar sagrado da justiça." Pois a justiça se confunde com aquele equilíbrio das coisas, com aquela ordem do mundo onde o poeta quer integrar o seu canto. Confunde-se com aquele amor que, segundo Dante, move o sol e os outros astros. Confunde-se com a nossa confiança na evolução do homem, confunde-se com a nossa fé no universo.
Se em frente do esplendor do mundo nos alegrarmos com paixão, também em frente do sofrimento do mundo nos revoltamos com paixão. Esta lógica é íntima, interior, consequente consigo própria, necessária, fiel a si mesma. O facto de sermos feitos de louvor e protesto testemunha a unidade da nossa consciência.
A moral do poema não depende de nenhum código, de nenhuma lei, de nenhum programa que lhe seja exterior, mas, porque é uma realidade vivida, integra-se no tempo vivido. E o tempo em que vivemos é o tempo duma profunda tomada de consciência. Depois de tantos séculos de pecado burguês a nossa época rejeita a herança do pecado organizado. Não aceitamos a fatalidade do mal. Como Antígona, a poesia do nosso tempo diz: "Eu sou aquela que não aprendeu a ceder aos desastres." Há um desejo de rigor e de verdade que é intrínseco à íntima estrutura do poema e que não pode aceitar uma ordem falsa.
O artista não é, e nunca foi, um homem isolado que vive no alto duma torre de marfim. O artista, mesmo aquele que mais se coloca à margem da convivência, influenciará necessariamente, através da sua obra, a vida e o destino dos outros. Mesmo que o artista escolha o isolamento como melhor condição de trabalho e criação, pelo simples facto de fazer uma obra de rigor, de verdade e de consciência ele irá contribuir para a formação duma consciência comum. Mesmo que ele fale somente de pedras ou de brisas, a obra do artista vem sempre dizer-nos isto: que não somos apenas animais acossados na luta pela sobrevivência mas que somos, por direito natural, herdeiros da liberdade e da dignidade do ser.
Eis-nos aqui reunidos, nós escritores portugueses, reunidos por uma língua comum. Mas acima de tudo estamos reunidos por aquilo a que o padre Teilhard de Chardin chamou a nossa confiança no progresso das coisas.
E tendo começado por saudar os amigos presentes quero, ao terminar, saudar os meus amigos ausentes: porque não há nada que possa separar aqueles que estão unidos por uma fé e por uma esperança.»

2.7.2008

Friday, January 14, 2011

Tem a palavra Francisco Lopes


Cinco afirmações do candidato dos trabalhadores:


1 - «A minha candidatura é a única que não tem responsabilidades ou quaisquer compromissos com as políticas que estão na base da actual situação e que protagoniza uma ruptura com a destruição da produção nacional, a exploração dos trabalhadores, a abdicação nacional, as injustiças sociais».

2 - «A verdadeira opção eleitoral é entre a minha candidatura, que denunciou e combateu um Orçamento do Estado destinado a impor mais sacrifícios, mais dificuldades e mais pobreza - e os outros candidatos que o patrocinaram, toleraram ou justificaram em nome dos interesses dos mercados, da acumulação dos lucros, das inevitabilidades ou de um alegado mal menor».

3 - «A verdadeira opção é entre os que, como nós, erguem os valores da solidariedade e da dignidade humana inseparáveis do direito ao emprego, de uma mais justa distribuição do rendimento, da valorização dos salários e pensões de reforma pelos quais lutamos - e os que, refugiados em discursos caritativos e encenada comiseração, exploram a pobreza que eles próprios promovem, instrumentalizando os sentimentos de solidariedade, iludindo as razões e responsabilidades pelo aumento sem fim do número de pobres».

4 - «Nesta candidatura e neste projecto não há lugar para o comprometimento com a política de direita, não mora a mínima promiscuidade com a especulação e os interesses do capital. Esta candidatura é expressão de um projecto e vontade colectivas, da coerência, da determinação, da identificação com os interesses dos trabalhadores e do povo».

5 - «O voto no dia 23 é uma oportunidade de mudança, uma opção entre dois caminhos e projectos distintos: aquele que a minha candidatura representa - a perspectiva de uma nova política capaz de livrar o País e os portugueses das dificuldades que a política de sucessivos governos têm imposto - ou a aceitação do rumo de injustiças e desigualdades que qualquer uma das outras candidaturas constitui».

A pergunta é:
algum dos outros candidatos está em condições de fazer sua qualquer destas afirmações de Francisco Lopes?


(post retirado daqui)

Tuesday, September 07, 2010

Acabado de ler no Cravo de Abril


EU PAGO PARA VER

Durão Barroso, presidente da Comissão Europeia, anunciou discurso no Parlamento Europeu.
E anunciou mais: fez saber que «vai utilizar pela primeira vez o modelo americano do discurso do Estado da Nação» - que é aquele discurso que o Presidente dos EUA profere todos os anos, perante as duas câmaras do Congresso e no qual apresenta as linhas mestras da sua política para os 12 meses seguintes.

Temos, assim, Barroso em bicos de pés, disfarçado de presidente dos estados unidos da Europa, na modalidade voz do dono, naturalmente acrescida do lusitaníssimo Porreiro, pá!...
E tamanho é o entusiasmo do homenzinho com o discurso anunciado - e com a suposta superior qualidade do dito - que deu ordens para que todos os deputados o vão ouvir.
Mais: exigiu a todos os deputados que picassem o ponto, para confirmar presença.
Mais ainda: ameaçou multar os deputados que não o fossem ouvir - anunciando, até, o valor da multa: 150 euros.


É claro que o presidente Barroso foi obrigado a desistir das exigências e a recuar nas medidas punitivas anunciadas: já não há ponto picado nem multas...
Mas fica o registo da predisposição do homenzinho, do que ele é capaz de fazer se o deixarem.

Portanto, cuidado com ele!
Não esqueçamos que o animal foi premiado com o cargo de Presidente da Comissão Europeia pelos serviços prestados no decorrer da reunião do bando dos quatro, onde foi decidida a invasão e ocupação do Iraque - invasão e ocupação que, concretizada, se saldou pela destruição do país e pelo assassinato de centenas de milhares de homens, mulheres e crianças inocentes.

E o facto de, na Cimeira dos Açores, o homenzinho apenas ter feito de porteiro e de criado de serviço às bebidas, não diminui em nada as suas responsabilidades no crime contra a humanidade que ali foi decidido e, posteriormente, cometido.

Tal como Bush, Blair e Aznar, o presidente da Comissão Europeia é um criminoso.
Que um dia será julgado. E condenado.
E nesse dia, não será necessário cobrar multas a quem não for assistir ao julgamento...
Eu pago para ver...

Retirado daqui

Wednesday, June 09, 2010

A FOME



Eis alguns dados sobre a
fome:

- Mais de mil milhões de pessoas passam fome - ou seja: um em cada seis habitantes do planeta passa fome.
- Dessas, morrem todos os dias dezenas de milhares, na sua maioria mulheres e crianças.

- Em cada seis segundos morre uma criança. À fome.

- A imensa maioria dos que morrem à fome é oriunda dos «países mais pobres» - que são mais pobres porque os mais ricos lhes roubam as suas riquezas.

- A fome também marca presença nos «países mais ricos»: dos 10, 9 milhões de crianças com menos de cinco anos que morrem todos os anos nos «países desenvolvidos», 60% morrem em consequência da fome.

«A fome mata mais pessoas do que a sida, a malária e a tuberculose juntas».


Quer isto dizer que o número de vítimas da fome continua a aumentar.
Entretanto, prosseguem as «conferências», os «seminários», os «fóruns», os «anos europeus» e os «anos mundiais» que, desde há muito anos, garantem que vão acabar com a fome - mas que, até agora, apenas conseguiram aumentar as riquezas dos mais ricos.


Quanto a nós por cá... tudo bem:
«A falta de comida já afecta 95 mil crianças»
«O Banco Alimentar está a dar comida a 285 mil pessoas» - são «dez vezes mais do que a média do ano passado» e o brutal aumento deve-se, entre outras coisas, à entrada no reino da fome dos chamados «novos pobres» - que são aqueles que têm emprego e salário fixo, mas cujo rendimento não chega para comer.

É assim a vida no capitalismo que é, há centenas de anos, o sistema dominante.
E assim será enquanto o capitalismo dominar.
Até que as vítimas da fome se levantem e construam «uma terra sem amos»...


retirado do Cravo de Abril

(vou ali e depois volto. logo. logo)

Em termpo: cliquem aqui e revoltem-se!!!
http://www.publico.pt/Sociedade/criancas-vestemse-com-fardas-da-mocidade-para-reviver-100-anos-de-republica_1440933

Monday, April 12, 2010

UNO


Não creias senão em ti e naquilo que te cerca.
Porque aquilo que te cerca és tu.
E, por mais que te pareça estranho e primitivo,
tu és apenas aquilo que te cerca.
Não creias senão em ti.
Bem sei que há: o eco das montanhas e o mistério das sombras.
Mas o que é o eco das montanhas senão a tua voz?
E o mistério das sombras mais que uma ausência de luz?
Bem sei que para além da ilusão do horizonte
há ainda mais coisas.
Mas não as creias diferentes e superiores a ti:
crê antes que são longe e, sobretudo, coisas como tu.
Não creias no não sei quê:
o não sei quê é sempre qualquer coisa.
O papão do oó das histórias de menino
era afinal um pobre inofensivo
ou uma velha vassoura atrás de uma vidraça.
E a palavra do morto estendido no caixão
era apenas a ruptura duma artéria qualquer.
Os teus braços, tam curtos, estão na terra toda,
e a terra, tam pequena, está em todo o universo.
Não creias em existências para além ou para aquém.
Nem que tu estás aquém ou que tu estás além.

Tu que estás em toda a parte e tudo está em ti.



Mário Dionísio

(«Com Todos os Homens nas Estradas do Mundo»)

Trazido do Cravo de Abril

Saturday, January 16, 2010

LEMBRAM-SE DAS HONDURAS?

É aquele país onde, em Junho de 2009, um golpe militar fascista - organizado e concretizado com a cumplicidade dos EUA - destituiu o Presidente eleito, Manuel Zelaya e instaurou uma ditadura. Um golpe que foi condenado por quase todos os governos do mundo - com algumas excepções, entre elas a do Governo de Obama, que aqui iniciou a sua prática de apoiar fingindo condenar...

É aquele pais onde, em Novembro passado, os golpistas realizaram «eleições» à velha maneira estadunidense, de que saiu «vencedor» um tal Porfírio Lobo, homem de mão dos EUA e do fascista Micheletti - eleições fraudulentas e como tal consideradas pela quase totalidade dos governos do mundo - com algumas excepções, entre elas a do Governo de Obama que as considerou «livres e justas».

É aquele país onde a resistência ao golpe - encabeçada pela Frente Nacional de Resistência contra o Golpe - assumiu expressões grandiosas, com o povo nas ruas em múltiplas manifestações pela democracia e pela liberdade - manifestações regra geral brutalmente reprimidas pelos golpistas instalados no poder.

É aquele país sobre o qual os média dominantes de todo o mundo fizeram cair um espesso manto de silêncio - silêncio que é, de facto, um inequívoco apoio desses média ao golpe fascista.

É aquele país onde, após a farsa das eleições de Novembro, a repressão tem vindo a acentuar-se, com as forças golpistas a cumprirem um plano de liquidação física de dirigentes da Frente Nacional de Resistência.

É aquele país donde nos chegam notícias concretas das consequências dessa repressão: em Dezembro, os golpistas assassinaram a tiro, numa rua nos arredores de Tegucigalpa, cinco jovens ligados à Resistência: Roger Aguilar, de 22 anos; Kennet Rosa, de 23 anos; Marcos Acosta, de 39 anos; Gabriel Zelaya, de 34 anos e Isaac Coello, de 24 anos.
Ainda no mês de Dezembro, foi preso e assassinado dez dias depois da prisão, Walter Trochez.
Outro resistente, Santos Corrales, foi preso, torturado e uns dias depois encontrado decapitado.
Um terceiro, Carlos Turcios, foi levado de casa no dia 16 de Dezembro e encontrado decapitado e sem mãos no dia seguinte.

É aquele país onde o Congresso Nacional - depois de ter designado Micheletti como «deputado vitalício» pelos seus «esforços a favor da democracia»... - se prepara para aprovar uma amnistia que abrangerá todos os golpistas - amnistia cujo conteúdo está a ser discutido entre Micheletti, Porfírio Lobo e... Hugo Llores, embaixador dos EUA.

É aquele país onde Porfírio Lobo se prepara para tomar posse com o apoio do Governo de Obama assim explicitado pelo embaixador Hugo Llores:
«Apoiamos tudo o que Porfírio Lobo está a fazer; apoiamos o seu esforço para fortalecer a democracia nas Honduras».

É aquele país onde a resistência do povo continua: a Frente Nacional de Resistência - a funcionar na clandestinidade - anunciou uma série de acções a levar a cabo nas próximas semanas.

É aquele país
É aquele povo
É aquela resistência,
aos quais temos o dever imperativo de manifestar a nossa total SOLIDARIEDADE.

(retirado do Cravo de Abril)

Saturday, December 05, 2009

FOI BONITO O ENCONTRO, PÁ!

Foi bonito, muito bonito o encontro do Zé Carlos com os milhares de amigos que, esta noite, encheram o Coliseu.

Foi uma Festa: ouvimos o Poeta a dizer «As Portas que Abril Abriu», cantámos com ele e com o Carlos do Carmo - coisas de «Um Homem na Cidade» e de «Um Homem no País», mais a «Estrela da Tarde» e a «Lisboa, Menina e Moça», mais a «Sonata de Outono»... - e emocionámo-nos, com a lagriminha ao canto do olho ou a correr pelas faces...
Foi uma Festa de amigos em convívio e confraternização com o Amigo.

Lá lhe ofereci o Cravo de Abril.
Ele gostou.
E manda dizer que «isto vai, meus amigos, isto vai».

Fernando Samuel

Thursday, September 03, 2009

A palavra Camarada

(Li este texto há muito tempo. Andei a procurá-lo durante muito tempo. Encontrei-o há um ano e pouco. No Cravo de Abril, post de João Filipe Rodrigues. Porque o coloco aqui hoje? Porque me apetece...)

Camarada é uma palavra bonita. Sempre. E assume particular beleza e significado quando utilizada pelos militantes comunistas.

O camarada é o companheiro de luta - da luta de todos os dias, à qual dá o conteúdo de futuro, transformador e revolucionário que está na razão da existência de qualquer partido comunista.

O camarada é aquele que, na base de uma específica e concreta opção política, ideológica, de classe, tomou partido - e que sabe que o seu lugar é o do seu partido, que a sua ideologia é a da classe pela qual optou.

O camarada é aquele com cujo apoio solidário contamos em todos os momentos - seja qual for o ponto da trincheira que ocupemos e sejam quais forem as dificuldades e os perigos com que deparamos.

O camarada é aquele que nos ajuda a superar as falhas e os erros individuais - criticando-nos com uma severidade do tamanho da fraternidade contida nessa crítica.

O camarada é aquele que, olhando à sua volta, não vê espelhos... - vê o colectivo - e sabe que, sem ter perdido a sua individualidade, integra uma outra nova e criativa individualidade, soma de múltiplas individualidades.

O camarada é aquele que, vendo a sua opinião minoritária ou isolada, mas julgando-a certa, não desiste de lutar por ela - e que trava essa luta no espaço exacto em que ela deve ser travada: o espaço democrático, amplo, fraterno e solidário, da camaradagem.

O camarada é aquele que, tão naturalmente como respira, faz da fraternidade um caminho, uma maneira de ser e de estar - e que, por isso mesmo, não necessita de a apregoar e jamais a invoca em vão.

O camarada é aquele que olhamos nos olhos sabendo, de antemão, que lá iremos encontrar solicitude, camaradagem, lealdade - e sabemos que esse olhar é uma fonte de força revolucionária.

O camarada é aquele a cuja porta não necessitamos de bater - porque a sabemos sempre aberta à camaradagem.

O camarada é aquele que jamais hesita entre o amigo e o inimigo - seja qual for a situação, seja qual for o erro cometido pelo amigo, seja qual for a razão do inimigo.

O camarada é o que traz consigo, sempre, a palavra amiga, a voz fraterna, o sorriso solidário - e que sabe que a amizade, a fraternidade, a solidariedade, são valores humanos intrínsecos ao ideal comunista.

O camarada é aquele que é revolucionário - e que não desiste de o ser mesmo que todos os dias lhe digam que o tempo que vivemos é coveiro das revoluções.



Camarada é uma palavra bonita - é uma palavra colectiva: é tu, eu, nós: é o Partido. O nosso. O Partido Comunista Português.




José Casanova

(in Avante!, 20.6.2002)


Obrigada João. Foi tão bom ler este texto... e tentar ser um pouco mais Camarada...

Monday, March 09, 2009

O GESTO É TUDO

Às vezes, Deus dorme. E quando assim é, algo de mau e injusto acontece a pessoas de bem.
Foi o caso, ocorrido há mais de seiscentos anos ali em Vila Franca de Xira, com uma senhora - de seu nome Guilhermina de Jesus - que quando fritava sardinhas para a ceia familiar, «sofreu lesões no olho esquerdo por ter sido atingida por salpicos de óleo a ferver».

Depois, Deus acorda. E quando assim é, algo de bom e justo acontece a quem o merece.
Foi o caso de, por acaso divino, ter passado nesse dia por Vila Franca de Xira, Nuno Álvares Pereira, o qual, sem o recurso a quaisquer remédios ou mezinhas terrenas, com um simples GESTO curou a senhora Guilhermina - após o que é bem provável que tenha comentado: o gesto é tudo...
Milagre!, Milagre!: gritaram as gentes.

A Igreja foi averiguar se, sim ou não, era milagre.
E após um longo processo iniciado em 1940, depois parado e finalmente reaberto, há cinco anos, pelo cardeal Policarpo, o MILAGRE foi confirmado.
Assim, Nuno Álvares Pereira vai ser canonizado em Roma, no próximo dia 26 de Abril.

Comentando a canonização, o cardeal José Saraiva Martins disse que ela «é um dom de Deus à Igreja portuguesa, que todos os portugueses devem agradecer».
Aqui fica, então, o meu agradecimento a Deus.
E já agora - e sem querer abusar - junto ao agradecimento o pedido para que Deus não durma tanto e nos vá dando uma mãozinha na luta que travamos contra esta política de direita que, qual óleo a ferver, há mais de 32 anos anda a atingir o olho esquerdo, o olho direito, a cara e o corpo todo da imensa maioria dos portugueses e portuguesas.

Fernando Samuel - Cravo de Abril
(retirado do Cravo de Abril)