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quinta-feira, 31 de março de 2016

A China à conquista da Sibéria

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Ao norte da China estende-se a vasta zona russa da Sibéria, que vai de Vladivostok à Mongólia, com uma superfície equivalente à da Europa, povoada por 6 milhões de habitantes. Do lado chinês, três províncias, com 150 milhões de habitantes ávidos de expansão.


O interesse dos chineses nesta zona não se limita só ao petróleo, gás ao minerais (sobretudo ferro) necessários à economia deste país em pleno desenvolvimento, como Birobijan a 100 quilómetros da fronteira, mas também ao território em si.



 

Calcula-se que na Sibéria oriental existem cerca de 300 000 chineses.


Outrora proibida aos estrangeiros, desde a queda da URSS que são cada vez mais os chineses a instalarem-se do outro lado da fronteira. Esta presença começa a preocupar as autoridades locais.


Ao longo da fronteira russa com a China, existe uma destruição sistemática da floresta que abastece redes mafiosas de exportação para a China que a trata e reenvia para o mercado mundial. Esta destruição poderá colocar em perigo daqui a 20 ou 30 anos a floresta boreal.


Os chineses aproveitam amplamente a corrupção endémica russa. Em Dalnerechensk, ponto de passagem para a madeira da Sibéria, as regras são conhecidas: a polícia local recebe 200 a 300 dólares por cada camião (10% do valor do carregamento) para fechar os olhos.


Pela noite dentro numerosos são os camiões que assim atravessam a fronteira sem qualquer controle. A polícia local chega mesmo a servir de escolta nestas operações.


Em Vladivostok, 70% dos negócios estão nas mãos dos chineses. Muitas das empresas chinesas têm como representante um russo que serve de "testa-de-ferro" a essas empresas.


Perto de Khabarovsk, a 800 Km de Vladivostok, na ilha de Bolchoï Oussouriisk, a Rússia aceitou vender metade da ilha à China em 2004. Actualmente no lado chinês existe um aeroporto, centros comerciais e parques de distracção, uma espécie de mini-Hongkong. No lado russo, apenas alguns estábulos e uma igreja.


A verdade é que o poder central russo tem esquecido e menosprezado as populações da Sibéria. Esta região só serve para produzir matérias primas, sem que tenha sido feito qualquer investimento para melhorar as condições de vida dos seus habitantes.






Um oleoduto com 1 000 Km liga a cidade de Angarsk, a leste da Sibéria, à cidade chinesa de Daqing. Custo? 25 mil milhões de dólares, em grande parte pagos pela China. Contrapartida: 300 000 barris de petróleo por dia durante 20 anos. 








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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

A inacreditável pequena ditadura da Tchetchénia

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A tchetchénia, uma das repúblicas da Federação da Rússia, no Caucáso, com apenas 17 000 km2 e um milhão de habitantes, é governada com mão de ferro desde 2007 por um jovem e excêntrico ditador (38 anos de idade): Ramzan Kadyrov.




Milícias e ordem.


Após 5 anos de combates sangrentos, com o pretexto de luta anti-terrorista, contra os separatistas, Vladimir Putin retira 75% dos 100 000 militares russos da Tchetchénia e entrega o poder a Kadyrov para que este mantenha o ordem.


A ordem é mantida com eficácia e crueldade à custa de uma milícia composta por mais de 20 000 homens de confiança de Kadyrov, baptizados os "Kadyrovski". Em troca, Moscovo subvenciona generosamente a Tchetchénia com 6 mil milhões de euros (90% do orçamento) por ano.


Oficialmente, esse dinheiro destina-se a indemnizar os milhares de pessoas que viram as suas casas destruídas durante as últimas duas guerras. Na realidade, poucos são os que recebem uma pequena parte desse dinheiro, os poucos que têm trabalho são obrigados a pagar 30 a 50% para a fundação Kadyrov, se não querem ter problemas com as milícias.








O dinheiro de Alá.


A capital, Grózni, aparenta um ar faraónico com os seus edifícios novos de trinta andares, as suas sumptuosas mesquitas, avenidas grandiosas e estádios de futebol. Numa república com mais de 75% de desemprego, o dinheiro não vem só das subvenções de Moscovo. Existe uma corrupção institucionalizada e existe um acordo secreto com os russos para o trafico ilegal de petróleo.


Quando questionado sobre a origem do dinheiro, Kadyrov responde: "É Alá que o nos dá. Nós próprios nem sempre sabemos muito bem de onde vem o dinheiro".


Como na Rússia, a vida diária é pautada pela extorsão e corrupção, para ter um emprego tem de se pagar. Mas onde arranjar um trabalho quando não existem fabricas, quando tudo o que existe são campos de futebol, hotéis de luxo vazios, centro comerciais e mesquitas em construção?









O protegido de Putin.


Ramzan Kadyrov é um admirador incondicional de Putin, "Quando o meu pai era vivo, eu comparava-me sempre a ele. Agora, um só líder conta, Vladimir Putin: Ele é o meu modelo e tento seguir a mesma política que ele".


No entanto, pouco a pouco, Kadyrov está a ultrapassar as leis russas,com a islamização progressiva do território. Nos seus discursos televisivos, ordena que as mulheres tenha de cobrir o cabelo e saias abaixo do joelho, estimula a poligamia e apregoa o crime de honra. Nos últimos anos a violência física e psicológica sobre as mulheres aumentou.






A extravagância do poder.


Kadyrov não perde uma oportunidade para mostrar a sua devoção islâmica, participando activamente em todas as festividades religiosas, apesar de se deslocar frequentemente numa Rolls-Royce descapotável, seguida de mais de 60 Mercedes pretos para ir rezar à mesquita.


Além da mesquita Akhmad Kadyrov (pai de Kadyrov) construida à imagem da mesquita azul de Istambul, está prevista a inauguração, para o ano, uma mesquita ainda maior (a maior da Europa) a 30 Km de Grózni, com capacidade para mais de 10 000 fiéis.


Em 2011, o novo estádio de futebol foi palco de um jogo entre a Tchetchénia e uma formação internacional composta por nomes sonantes como Maradona, Barthez, Jean-Pierre Papin ou Baresi. Além de luxuosas prendas cada um desses jogadores terá recebido 100 000 dólares.







Luxo desmedido.


Kadyrov vive um enorme palácio com uma decoração ao estilo do Médio Oriente onde se misturam marbres , ouro, metais preciosos, palmeiras e fontes de água. À entrada aviões telecomandados (uma das suas paixões). No parque automóvel: Lamborghini, Maserati, Hummer e Mercedes.






Fora, um lago artificial, um hipódromo, onze puro-sangues e um jardim zoológico com tigres, leões, linces, panteras, ursos e avestruzes. última prenda: um tubarão. Também possui um número impressionante de cães de combate (outra das paixões do ditador), com os quais organiza combates ilegais, dado estes serem proibidos na Rússia.


Kadyrov sabe mostrar-se generoso com os seus fieis aliados, como quando ofereceu um Ferrari aquando do nascimento de um dos seus amigos ou quando ofereceu um lingote de ouro com o peso do bebé do presidente da câmara de Grózni.

Mas também é implacável com os seus opositores com detenções arbitrárias, tortura e morte.







O exemplo pela força.


Em 2013, acusou o seu ministro dos Desportos de não cuidar do prédio do seu ministério, esse foi convocado por Kadyrov num ringue de boxe. Kadyrov, antigo lutador de boxe inicio o combate com um golpe na cabeça do seu adversário para lhe ensinar que deveria por a sua cabeça a funcionar.

O ministro foi autorizado a colocar um capacete, dado que "deveria voltar ao trabalho no dia seguinte". 


Durante uma viajem de carro, um dos seus altos funcionários teve a infeliz ideia de contar uma piada que desagradou a Kadyrov, este abriu a porta do carro em andamento e empurrou-o para fora da viatura. Ainda com a cara em sangue declarou que fazia parte dos riscos da sua função.


Enormes fotografia de Kadyrov, Akhmad (o seu pai) e Putin decorram numerosos edifícios. Câmaras suspensas nos minaretes das mesquitas vigiam permanentemente ruas e jardins. O "olho" de Kadyrov vigia tudo e todos. Para manter o ambiente de terror, o ditador autoriza a difusão de pequenos filmes onde se podem ver torturas, profanação de cadáveres e outras barbáries.




O reino de Kadyrov poderá não durar para sempre. O Kremlin está atento a que o jovem Kadyrov não tenha uma ambição desmesurada, tal como querer um dia a independência da Tchetchénia. Por enquanto a calma e a ordem reinam na Tchetchénia, e para Moscovo isso é o mais importante, qualquer que seja o custo humano a pagar.







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segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Maldivas: o lado negro do paraíso

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As Maldivas constituídas por mais de 1200 ilhas paradisíacas, ocupadas por resorts de luxo, tem um problema escondido do turismo de luxo: o lixo.



O que fazer aos cerca de 7,2 kg de lixo por turista (contra 2,8 kg por habitante local) por pessoa por dia?


A solução foi encontrada em Thilafushi, antiga lagoa submersa, mas rente à superfície, meio escondida a 7 quilômetros da capital, Malé, cujo nas suas margens o governo decidiu aterrar os detritos vindos de a toda parte.








No início, buracos eram cavados nas bordas da lagoa, o lixo era lançado lá e coberto de areia. Aos poucos, a pilha foi subindo e foi se formando uma ilha artificial feita do lixo transportado diariamente das cidades e dos hotéis por balsas.


Thilafushi ganhou o apelido de "ilha do lixo" — uma mancha no cenário paradisíaco.

 
Calcula-se que mais de 300 toneladas de lixo sejam despejadas todos os dias e que a ilha aumente um metro quadrado por dia.







Cerca de 150 trabalhadores vindos do  Bangladesh trabalham no meio desta imundice pagos com salários de miséria, 350 dólares por mês por doze horas de trabalho, sete dias sobre sete.


Apenas o plástico, os metais e o papel são recuperados e enviados para a Índia, o resto dos detritos são queimados ao ar livre, desde pilhas a material electrónico poluído o ar e as águas. Chumbo e mercúrio vai assim para a cadeia alimentar.


Com 700 000 turista por ano (30% do PIB), duas vezes mais do que a sua população, este pequeno país tornou-se num dos mais ricos de Ásia com 4 500 dólares por habitantes, mas a que custo!


Mas o que fica são as praias de areia fina para serem desfrutadas por turistas abastados num ambiente paradisíaco...





700 000 touristes par an, soit pratiquement deux fois plus que d’habitants, une manne pour ce petit pays qui lui a permis de devenir un des pays les plus riches d’Asie avec un PIB de 4 500 dollars par an et par habitant. - See more at: http://www.ecoco2.com/blog/2738-lenvers-du-paradis-thilafushi-lile-poubelle-des-maldives#sthash.mZBOxSej.dpuf


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700 000 touristes par an, soit pratiquement deux fois plus que d’habitants, une manne pour ce petit pays qui lui a permis de devenir un des pays les plus riches d’Asie avec un PIB de 4 500 dollars par an et par habitant. - See more at: http://www.ecoco2.com/blog/2738-lenvers-du-paradis-thilafushi-lile-poubelle-des-maldives#sthash.mZBOxSej.dpuf
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700 000 touristes par an, soit pratiquement deux fois plus que d’habitants, une manne pour ce petit pays qui lui a permis de devenir un des pays les plus riches d’Asie avec un PIB de 4 500 dollars par an et par habitant. - See more at: http://www.ecoco2.com/blog/2738-lenvers-du-paradis-thilafushi-lile-poubelle-des-maldives#sthash.mZBOxSej.dpuf

sábado, 29 de março de 2014

Avião da Malásia: mais um banal acidente aéreo !

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A que deveria ter sido "apenas" mais um acidente aéreo tornou-se num verdadeiro enigma inimaginável nos dias de hoje. Como é que é possível um avião desaparecer, quando estamos todos vigiados nos nossos mais ínfimos gestos diários?





Os dados:


Um avião comercial que deveria fazer a rota entre Kuala Lumpur e Pequim, após uma hora de voo, desaparece dos ecrãs radares numa zona mista entre dois espaços aéreos.


Nenhum radar civil ou militar, numa zona sensível, o detectam.


Terá alterado a sua rota, mas nenhum radar o detectou.


Inesperadamente, vários países, além dos visados, dos quais os Estados Unidos, a Grã Bretanha e a França, deslocam vários meios aéreos e navais para o local, numa espécie de corrida para encontrar o avião.


Tanto a China como a Malásia atabalhoadamente emitem comunicados de respectivas acusações de erros de pesquisa ou dados erradamente divulgados.




Avistamentos e erros:


Após três semanas de investigação os supostos locais de avistamento dos destroços não são confirmados pelos navios ou meios aéreos nos locais.


Abruptamente, o primeiro ministro da Malásia dá como confirmado, baseado em dados tardios dos ingleses, que o avião voou mais 6 horas e se despenhou a 2000 km de Perth e que não há sobreviventes.


O sistema ACAR inicialmente referiu que o voo se prolongou por mais de seis horas, depois foi desmentido, mas ulteriormente foi graças a ele que o local de despenho foi encontrado.


Nesse local foram encontrados destroços de um suposto avião que supostamente é desse voo, sem qualquer prova.


Passado uma semana esse local deslocou-se 1000 km.


O mau tempo impede que se recolham quais queres destroços.


As caixas negras já só têem mais uma semana de emissão.




Hipóteses:


Nada se sabe, e provavelmente nunca se saberá deste "banal" acidente aéreo.


Tanto mistério apenas nos fazem emitir hipóteses.


Será que um carregamento inusitado (biológico ou químico) disfarçado em voo comercial correu mal?


Será que os passageiros, 20 empregados da empresa Freescale, tinham o destino traçado pelas suas investigações na pesquisa aeroespacial?


Será uma certa forma de "alerta" em relação à China (maior número de passageiros) pela sua tomada de posição em relação à Rússia ao caso da Ucrânia?


Será uma forma de envenenar as relações entre a Malásia (muçulmana) e a região do pacífico?




Todas estas hipóteses estão em aberto, com este estranho caso de um avião que desaparece, em que os pilotos não emitem qualquer sinal de problema, em que nenhum dos passageiros emite qualquer mensagem de telemóvel, em que os radares não localizam a sua trajectória, em que nenhuma reivindicação terrorista é emitida e finalmente em que os satélites locais não detectam nada.






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terça-feira, 25 de março de 2014

Avião da Malásia: encenação final.

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O primeiro ministro da Malásia anuncio ontem que o voo MH370 tinha-se despenhado no oceano Índico e não havia sobreviventes.


Esta afirmação é feita após a informação fornecida pelo operador de satélites Inmarsat e o AAIB (organismo britânico que investiga os acidentes aéreos) que concluiram que o voo MH370 terá viajado no corredor sul e que sua última posição foi precisamente a oeste de Perth.


Porque é que só agora é que surge esta informação, ao fim de mais de 15 dias? 


Este novo método baseia-se na trajectória do avião através dos "pings" emitidos de hora a hora pelo sistema ACAR do avião.


Curiosa informação depois de nos terem sempre dito que o sistema ACAR tinha sido desligado.



Finalmente, os destroços avistados por satélite a 2000 km de Perth seriam os do avião desaparecido.

Temos portanto nesse local:

- supostos destroços,
- de um suposto avião, 
- que seriam supostamente do voo MH370.



Os destroços, a existirem, ainda não foram analisados, nada nos indica que sejam de um avião e ainda menos do avião procurado, mas afirma-se que são dele.


Os meios técnicos actuais estão tão sofisticados, que não precisamos de nos deslocar ao local para confirmação.



"J'ai été prévenu ce soir par les représentants de UK AAIB que Inmarsat, une compagnie britannique qui fournit les données satellites pour les couloirs nord et sud, a pu réaliser des calculs d'un nouveau type, inédits dans une telle enquête, a précisé le Premier ministre. Ils ont conclu que le vol MH370 a volé le long du couloir sud et que sa dernière position se trouvait au milieu de l'océan Indien, à l'ouest de Perth. Il s'agit d'une position loin de tout site d'atterrissage."
En savoir plus sur http://www.lexpress.fr/actualite/monde/asie/boeing-disparu-l-avion-reconnait-un-crash-dans-l-ocean-indien_1502785.html#8WQ7Vawhtb3rqGHR.99
Toda esta informação do trajecto exacto e local do acidente do avião procurado, através de um comunicado oficial, parece uma encenação em que todos os intervenientes se concertaram para construir uma tese que já tardava e que estava a embaraçar todas as partes envolvidas.







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segunda-feira, 24 de março de 2014

A impossibilidade do local dos destroços do avião da Malásia

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Os destroços do avião da Malásia terão sido encontrados a cerca de 2000 km a sul-oeste de Perth na Austrália, o problema é que pelas correntes oceanicas, existentes nessa zona, essa hipótese é praticamente impossível.




Pelas leis físicas de Coriolis, as correntes marítimas no hemisfério norte fazem-se no sentido dos ponteiros de um relógio, enquanto no hemisfério sul no sentido contrário, e as correntes no Oceano Índico não fogem à regra.


Como podemos observar no esquema abaixo, que visualiza as correntes nessa zona, essas correntes vão da região da Malásia em direcção à costa leste de África, descem e depois vão em direcção à Austrália. Em azul temos a direcção inicial do avião e depois a brusca mudança em direcção a sul-oeste. A verde temos a área dos supostos destroços.







Como se observa, e tendo em conta que o avião não tinha combustível suficiente para atingir essa área, e tratando-se de um acidente que terá ocorrido após a perda de contacto ou quanto muito nas duas ou três horas subsequentes, o "acidente" terá ocorrido numa zona onde as correntes o transportariam em direcção à costa este de África.


Dado que a velocidade da corrente marítima nessa região é de cerca de 5 km/hora, o que representa 120 km/dia e tendo sido o lapso de tempo de cerca de 20 dias, os destroços apenas poderiam ter percorrido cerca de 2400 km, e portanto, nunca poderiam ter atingido essa zona.





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terça-feira, 18 de março de 2014

Avião da Malásia desviado para Diego Garcia ?

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É difícil acreditar que no mundo hiper-vigiado de hoje, um avião do tamanho de um Boeing 777 desapareça durante 10 dias sem deixar rasto.

A investigação inicial foi recheada de contradições, a análise dos satélites dessa região tardia e surgiu um inhabitual conjunto de meios aéreos e navais rapidamente colocados no terreno, como se houvesse um interesse particular em chegar o primeiro ao local do suposto acidente ou em baralhar as pistas.




Circula na Internet, um documento que terá sido elaborado pelo departamento de Defesa da Federação Russa e no qual consta que um carregamento "altamente suspeito" terá sido descarregado na República das Seychelles pelo navio americano porta-contentores MV Maersk Alabama, no dia 17 de fevereiro deste ano.


Posteriormente essa carga foi carregada num voo dos Emirates em direcção a Kuala Lumpur, após uma passagem pelo Dubai. No dia 19 de fevereiro, ou seja dois dias depois, dois oficiais de segurança do MV Maersk Alabama foram encontrados mortos, a causa de morte ainda está a ser investigada.


No dia 8 de março, o carregamento terá sido transferido para o avião da Malásia agora desaparecido. Foi nessa altura que o Ministério de Segurança Chinês foi informado da suspeita relativa à carga transportada pelo avião. A China informou Moscovo que todas as medidas de segurança e discrição seriam tomadas quando avião entrasse no seu espaço aéreo.


A China planeava desviar o avião (com destino a Pequim) para o aeroporto de Haikou Melian, na ilha de Hainan.


Segundo tudo indica, o avião uma hora depois de descolar, terá emitido uma última comunicação verbal e desligado os seus sistemas de sinalização, de seguida terá efectuado um desvio "significativo" em relação à sua rota inicial, tendo tomado a direcção do Oceano Índico.


Terá baixado de altitude, passou a voar a 1500 metros de altitude, escapando assim aos radares. Informações iniciais revelaram que o sistema de monitorização dos motores Rolls Royce do avião continuaram a funcionar mais de quatro horas depois do seu desaparecimento. Este facto foi mais tarde desmentido.


O relatório avança que o avião ter-se-à dirigido para o atol de Diego Garcia, no arquipélago de Chagos, onde os Estados Unidos possuem uma das suas maiores bases navais, após terem deportado todos os seus nativos em 1970.







Essa base americana terá recebido, no dia seguinte ao desaparecimento do avião, quatro voos em que seguem a bordo especialistas americanos e chineses na prevenção e controlo de doenças (CDC e CCDCP).


O carregamento suspeito poderá ter sido de armas biológicas, ou eventualmente químicas.


O avião poderá ter sido desviado, e até controlado à distancia em direcção a Diego Garcia, o que explica a abrupta mudança de rota, o difícil voo a baixa atitude em comando manual e a rota predefinida que permitiu escapar aos radares.


É difícil compreender que um avião deste tamanho desapareça num espaço aéreo tão vigiado, porque estratégico, como este.
Curiosamente, a análise do simulador de voo encontrado em casa do piloto, aponta como treino preferencial cinco aeroportos, um dos quais Diego Garcia.







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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Kazantip: sonho e realidade

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Pouco conhecido no ocidente, Kazantip é um dos maiores festivais mondais de musica, que junta durante duas semanas 150 000 pessoas na Crimeia, republica autónoma da Ucrânia.


24 horas por dia, a festa faz-se ao som da música electrónica no meio de muito sol, praia, álcool, droga e sexo. A meio caminho entre as festas de Ibiza e Woodstock, este é o festival mais delirante do planeta.








No país do faz de contas...


A Crimeia sempre foi o local de férias de eleição das elites russas e ucranianas. Com praias e temperaturas de 40º no verão, é neste local que durante 15 dias em agosto, tem lugar anualmente o festival de Kazantip, em 60 000 metro quadrados de praia.


Todo começou em 1992 quando um certo Nikita, presidente da associação de kitesurf, teve a ideia de convidar DJs para animar as competições desportivas. Em 1997 teve a ideia de organizar uma noite de musica techno no interior de uma central nuclear abandonada. Em 2000 deslocou o festival anual para a praia de Popovka, onde ainda se realiza, e chamou a essa zona a Republica laranja e independente KaZantip.



Nikita Marshunok auto proclamou-se presidente desta "república", com o nome de Nikita I, tem um hino que muda todos os anos e até uma constituição. Esta constituição dita os direitos dos seus cidadãos: ser livre, acreditar nos milagres, tornar-se na pessoa que nunca teria ter oportunidade de ser na vida real e sobretudo ser positivo.


Neste mundo irreal podemos-nos cruzar com mulheres bonitas e meio despidas nas areias das praias ou dançando ao som da musica numa das 15 pistas de dança. A média de idade dos participantes é de 25 anos, vindos sobretudo da Rússia e da Ucrânia, mas também (10%) da Europa.








Hedonismo e drogas.


O artigo 15 da constituição de Kazantip "encoraja o amor, em todos os seus aspectos, excepto na promiscuidade", no entanto podemos observar aqui e além casais tendo relações sexuais sem se preocuparem com os passantes.


Este ambiente de conto de fadas, com liberdade e felicidade para todos os participantes é realizado à custa de muito álcool e apesar da organização o desmentir, à custa de numerosas drogas que circulam durante o festival. As relações de Nikita com as máfias locais é pouco clara, assim como com as autoridades locais que fecham os olhos ao tráfico de droga durante o festival.








 Um país onde o milagre é o lucro.


Esta utopia também tem um preço, e um preço elevado: cada ingresso custa 250 euros (quando o salário médio na Ucrânea é de 240 euros) e as bebidas são caras. O seu presidente-ditador, assim como os seus colaboradores tornaram-se milionários, como testemunham os vinte ou trinta yachts ao largo de Kizantip.


O festival atrai cada vez mais o jet-set de Moscovo e de São Petersburgo, mas também a máfia russa que gere o tráfico de droga local e é atraída pela beleza das ucranianas alvo fácil de futura prostituição.


O símbolo, desta república da boa disposição, é uma mala amarela, que os que não têm a quantia de dinheiro necessária para o ingresso no festival podem adquirir por um preço modesto, com a obrigação de a transportarem constantemente consigo, sob pena de exclusão do festival. As malas que vimos por todo o lado são a imagem de marca de Kazantip.


Essa mala tem origem num conto de fadas russo, em que um homem oferece rebuçados às crianças, proveniente de uma mala e assim torna as crianças felizes. A moralidade é que em Kazantip os que conseguem tornar os outros felizes recebem em troca alegria e felicidade.


Infelizmente esta "república" que preconiza a liberdade social, política e religiosa, o desenvolvimento da democracia, da cultura da ordem e da felicidade, só pode ser utópica. Trata-se no fundo de um festival entre a "rave" e a orgia, onde circula muito álcool e droga patrocinada pela máfia local, dirigiodo por um excêntrico e multi milionário que se intitula ele próprio de ditador.








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terça-feira, 16 de abril de 2013

Coreia do Norte: no xadrez mundial uma situação de "Pat"

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Como é que um país que depende de numerosas ajudas alimentares internacionais, dos quais faz parte a Coreia do Sul, consegue manter-se de pé, quando desde há muito tempo poderia ter sido riscado do mapa?


A simples cessação dessa ajuda da comunidade internacional faria cair a Coreia do Norte, palco de uma ditadura e fazendo parte do chamado "eixo do mal".


São factores geo-políticos que explicam que este país ainda não tenha colapsado.


A situação deste pião incomodo é conhecida no xadrez como "Pat", na pratica não é possível realizar qualquer jogada sem ou não substituindo o rei da batida, estamos na presença de um empate.










Em plena Segunda Guerra Mundial, os USA e a URSS decidem a partilha da península coreana em duas zonas de influência de cada lado do paralelo 38: a Coreia do Sul sob tutela dos USA e a Coreia do Norte sob tutela da China. 


Com uma história milenária, a Coreia raramente foi independente, entalada entre as duas potências asiáticas que são a China e o Japão. No entanto sempre sobe guardar um orgulho nacionalista que lhe permitiu sobreviver às várias tentativas de invasão e assimilação.


Após sessenta anos de armistício, as duas Coreais ainda não assinaram a paz. As actuais grandes potências  estão interessadas em que esta situação de "status quo" se mantenha:




A China

A Chine tem medo de ter de receber milhares de refugiados, caso o regime da Coreia do Norte colapse. Além disso, a Correia do Norte serve de tampão com a Coreia do Sul, que na pratica é uma base militar americana, com oficialmente mais de 25 000 soldados americanos no seu solo. 




Os Estados Unidos

Os Estados Unidos têm todo o interesse na existência da divisão das duas Correias para poder justificar a sua presença nesta região e conter o poder chinês.




A Rússia

A Rússia está interessada em manter a tensão sino-americana na Coreia do Norte e aproveitar-se das tensões que existem entre a China e os Estados Unidos no acesso às matérias primas, sobretudo em África, e fazer da China um aliado de conveniência. 





A Coreia do Norte tornou-se assim um ponto de convergência entre as três grandes potência na região: a China, os Estados Unidos e a Rússia. Nenhum destes países está interessado na reunificação das duas Coreias. Assim sendo, nestas condições, uma guerra entre as duas Coreias não poderá acontecer, mas também uma reunificação, neste quadro estratégico, torna-se impossível.






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segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Karachi: a cidade mais perigosa do mundo






Karachi, Paquistão, 18 milhões de habitantes, a terceira mais povoada do mundo, 32 milhões daqui a 15 anos, capital económica, 50% de desemprego jovem, 8 crimes diários, paraíso do terrorismo, polícia ineficaz e corrupta, sistema judiciário corrupto, partidos políticos corruptos, 24% da população consumidora de heroína, tráfico armas, conflitos étnicos e religiosos, máfias que controlam bairros inteiros; bem-vindo ao inferno.








Uma cidade desmesurada.



De 2 milhões de habitantes nos anos 50, a população actual ultrapassa os 18 milhões, 32 milhões daqui a quinze anos. Esse aumento deveu-se muito à emigração, particularmente depois da divisão da Índia em 1947 com a chegada de muçulmanos de língua urdus, mas também de pachtuns fugindo o Afeganistão.


Mais de 90% da população é muçulmana, a grande maioria sunita, mas também tem um grande grupo xiita, e uma pequena minoria de cristãos, menos de 2%. Juntando a isso, os números clãs tribais, temos então um cocktail explosivo marcado pelas rivalidades, sinónimo de violência e ajustes de contas sem fim à vista.


No entanto, Karachi também é a principal região económica do país: 33% da indústria, 26% do comercio, 61% da actividade bancária e também onde reside a alta burguesia que vai fazer compras a Londres e envia os seus filhos estudar nas melhores universidades americanas.







Quando islamismo rima com repressão.



Com mais de 90% da população muçulmana, insultar o profeta  maomé é um blasfema com direito à pena de morte. Este facto é utilizado pelas autoridades paquistanesas para pressionar as minorias religiosas. Mas, para além disso, a morte está presente em cada esquina dessa cidade, só em 2012, 2200 pessoas foram assassinadas nas suas ruas. A morte por ajuste de contas étnicas, religiosas ou mafiosas tornou-se banal.


A politização das forças policias e o laxismo do sistema judiciário fomenta a violência. Quanto os suspeitos são presos, são mortos pelas forças da ordem ou caminham para processos jurídicos sem fim, onde as testemunhas recusam participar por medo de represálias. Na maioria dos casos são libertados por falta de provas.


Os partidos políticos controlam grupos armados e controlam grande parte do crime organizado que encomenda o assassinato dos opositores, sendo as principais vítimas membros do partido oposto. Qualquer pessoa pode comprar uma arma que chegam sem qualquer controlo ao porto de Karachi.







O paraíso dos criminosos.



Karachi tornou-se assim o paraíso dos criminosos, dos gangues, de várias máfias que vivem do rapto, tráfico de armas e heroína, mas também dos talibãs na sua luta contra o ocidente. Mais de uma centena de navios aportam em Karachi, abastecendo a cidade e o país em toda a espécie de contrabando. Do porto também se pode embarcar sem qualquer controlo para qualquer país próximo. Milhões de dólares são aí transferidos para qualquer parte do mundo.


Nestas condições, a população miserável torna-se um alvo fácil de manipulação, em particular a religiosa. As mesquitas e madrassas abundam, e é possível "comprar" um atentado suicídio por apenas 220 euros.







A elite diverte-se.



Karachi também é a cidade mais liberal do Afeganistão, nos bairros ricos, protegidos por altos muros e uma guarda armada, os mais abastados fazem uma vida ao estilo europeu, as mulheres não usam véu, promovem desfiles de moda e organizam festa sumptuosas onde as drogas e o álcool, proibido pelo islão, é consumido sem moderação.


Esta elite utiliza o inglês e os filhos frequentam escolas inglesas: Saint-Patrick, Saint-Joseph e sobretudo a prestigiada escola Karachi Grammar School.


Fundada em 1847 pela igreja inglesa, para as crianças dos oficiais das forças armadas na Índia, associada à universidade de Cambridge, a Grammar School, está no mesmo patamar que as melhores escolas inglesas, os país pagam 240 euros por trimestre, país onde o ordenado médio de um operário no Paquistão é de 35 euros.


As pessoa da alta sociedade frequentam os bairros chiques de Karachi, deslocam de carro e na maioria dos casos, um segurança senta-se ao lado do condutor, viajando a família nos bancos de trás. Mas na maioria dos casos, organizam festas particulares em casa de um deles, o que permite consumir álcool, proibido nos cafés e restaurantes desde o fim dos anos 70.








Interesses estratégicos dos USA e tráfico de droga.



Há 30 anos, o Paquistão era um ponto nevrálgico na defesa dos interesses do Estados Unidos contra o Afeganistão, que o financiaram e armaram, nessa altura as armas proliferavam.
Ainda agora, a "missão" da NATO no Afeganistão seria impossível sem o porto de Karachi, onde 80% do armamento com destino ao Afeganistão passa por Karachi.


O tráfico de droga serve para financiar parte do projecto da NATO e no recrutamento de rebeldes para atacar os postos fronteiriços com a Índia. A droga está a destruir o pouco que ainda resta de Karachi, é o próprio estado com os seus agente que controlam o seu tráfico. Muitos bairros forram construídos com o dinheiro da droga, a maioria dos bancos paquistaneses estão implicados directa ou indirectamente com o tráfico de droga.


A NATO e a CIA necessitam da droga produzida no Afeganistão e norte do Paquistão para se financiarem, e o mundo ocidental precisam dessa droga para se abastecer, sendo que as principais vítimas da violência em Karachi, não são os atentados mediáticos atribuídos aos extremistas, que abram os telejornais, as principais vítimas são os seus próprios habitantes sem qualquer solução para os problemas diários que enfrentam que para além de um problema étnico e religioso estão confrontados com domínios territoriais económicos mafiosos.






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quarta-feira, 6 de abril de 2011

15 euros, o salário da irradiação para os "heróis" de Fukushima

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Sabe qual é o montante do prémio oferecido aos bombeiros e técnicos encarregados de intervir na central nuclear de Fukushima no Japão?


Foi um senador do partido democrático do Japão (o PJD, nno poder) que colocou está questão pertinente, relata o jornal "Le Monde".

O governo japonês respondeu-lhe: os bombeiros enviados de Tóquio, recebem um prémio de 520 yens (4,5 euros) por intervenção, ao qual se juntam 5500 yens (48 euros) por dia de trabalho, num ambiente radioactivo.

O resto do pessoal, técnicos e forças da segurança civil, recebem apenas um prémio de 1680 yens (15 euros).


15 euros? Sim leu bem: 15 euros para tentar controlar a pior catástrofe na história do nuclear. 15 euros para arriscar a vida no país que é a terceira potência económica mundial.


15 euros num país onde a TEPCO (o operador japonês, equivalente à nossa EDP), quarto produtor de electricidade do mundo, teve em 2010 um volume de negócios de 133,7 mil milhões de yens (1,2 mil milhões de euros).


15 euros não representa sequer o preço de um sólido par de botas, que fez grande falta quando três operários foram enviados para dentro da salas das maquinas do reactor numero 3. Só tinham umas botas de plástico! Resultado: as suas pernas foram queimadas pela água irradiada com 400 milisierverts por hora (quando a dose máxima autorizada é de 250 miliserviets).


Os que escrevem continuamente nos jornais que o pessoal enviado a Fukushima são uns heróis, deveriam questionar-se sobre o seu real voluntariado e a sua protecção.

Não são heróis nem Kamikazes, são os sacrificados no altar do inconsciente do nuclear.





Artigo traduzido do francês por Octopus, proveniente do site:
http://www.internationalnews.fr/article-i-70725403.html

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Quando a China compra a Europa...

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Os dirigentes chineses estiveram na Grécia em outubro de 2010, depois em dezembro em Portugal e no início deste ano em Espanha, sempre com um objectivo: compra uma parte das dívidas destes países.

Para a China, isto representa uma gota de água dos seus 2648 mil milhares de dólares de reserva monetária de que dispõe, mas estas operações servem muito mais os seus interesses do que os dos Europeus.





No caso de Portugal, a China comprou 4 a 5 mil milhões de euros da nossa dívida. Apesar de esta operação representar apenas uma fracção da divida total portuguesa que está nos 130 mil milhares de euros, ou seja 80% do seu PIB. isto é bom para Portugal que necessita urgentemente de 15 mil milhares de euros para financiar a sua dívida até abril de 2011. O que não impediu a agência de notação Moody's de ameaçar com uma baixa da cotação de Portugal. Mas quem fica a ganhar é a própria China.



A China já detém 630 mil milhões de divida pública na zona euro. Para quê serve esta aposta?
A Europa já é o principal parceiro comercial da China, com 361 mil milhares de trocas comerciais, e estando a ajudar o euro está a ajudar as suas exportações. De facto para proteger as suas exportações, a China tem todo o interesse em que o Euro não esteja muito fraco e tem de impedir que a zona euro caia no caos. Sendo os principais clientes da China, um fornecedor nunca quer que o seu cliente vá à falência.



A China está muito preocupada em que a Europa mantenha a sua moeda única (assim com os Estados Unidos mantenham o seu dólar). Mantendo um euro forte e sobrevalorizado (como também o fazem com o dólar americano), a China beneficia deste modo as suas exportações. A China está a fazer o que faz com a Europa o que fez com os Estados Unidos: financia os défices desses países para ter a certeza que os consumidores americanos e europeus continuem a comprar os produtos chineses, duplamente favorecidos pelas condições salariais chinesas e um yuan muito desvalorizado.



A China aproveita a garantia financeira dada pela União Europeia aos estados que apoia para investir na Europa sem qualquer risco. Os mercados financeiros europeus fornecem desta maneira à China os meios para que os seus produtos sejam comprados na Europa pelos próprios subsídios europeus. As dividas compradas à Espanha, Portugal, Grécia ou Irlanda, têm uma remuneração dupla ou tripla dos da divida alemã, o que representa um excelente investimento para um risco quase nulo.



Ao apostar na Europa, a China também está a dividir as suas apostas diversificando os mercados de investimento. Pequim já tem mais de 900 mil milhões de dólares em obrigações públicas americanas.



Este problema do euro face à China, faz lembrar os primeiros tempos da moeda europeia, em que perante uma subvalorização do dólare, os responsáveis do Banco Central Europeu deixaram-se anestesiar pela ilusão de um euro forte. Com uma paridade de 0,84 euros por dólar, os problemas de competitividade na zona euro face aos produtos das zonas dólar ou yuan eram praticamente inexistentes. Progressivamente, o dólar passou de 0,84 para 1,30 e atingir mais tarde 1,45 e os países europeus começaram a ter imensa dificuldade em tornar os seu produtos competitivos.


Com a China, estamos perante um facto absurdo e inédito em que um país em via de desenvolvimento financia o consumo de países qualificados de desenvolvidos.





http://gaulliste-villepiniste.hautetfort.com/archive/2011/01/21/l-europe-les-nouveaux-etats-unis-de-la-chine.html

http://www.rtbf.be/classic21/article_pourquoi-la-chine-a-sauve-l-euro-la-semaine-derniere?id=153381

http://bruxelles.blogs.liberation.fr/coulisses/2010/10/la-chine-investit-la-zone-euro.html


quinta-feira, 26 de agosto de 2010

As guerras ocultas dos Estados Unidos contra a China.

Os Estados Unidos têm medo da China que está a um passo de se tornar na maior potência industrial e económica do mundo.

Para o impedir, estão a tentar destabilizar a região circundante fazendo que a China não consiga o aprovionamento petrolífero de que tanto necessita. É raro o dia em que esses países não aparecem nos média, fruto sobretudo dos atentados neles perpetrados. Quem está por detrás desses atentados e guerrilhas são os que deles beneficiam.

Abordagem de uma visão geoestratégica da região...



A situação estratégica do Xingjiang.


A província chinesa de Xingjiang ocupa uma situação impar. Faz fronteira com o Cazaquistão, o Quirguistão, o Tajiquistão e o Uzbequistão, mas também e sobretudo com o Afeganistão e o Paquistão. Tudo países com uma população predominantemente muçulmana. Estes paises têm sido palco, nos últimos anos, de atentados e conflitos armados que como iremos ver não são apenas fruto de tensões internas.

A região de Xingjiang pertence à China desde 1759 e é composta por uma maioria Uigur (45% da população), sendo a restante de 40% chineses Han e 15% chineses Hui. Dada a instabilidade dos países vizinhos e uma fronteira com mais de 5 000 km, representa a província mais vulnerável da China. Por ser uma região estratégica para a China, os Estados Unidos tentam de destabilizar esta província desde 1979 com guerrilhas permanente vínculas na comunicação social como etnicas.



Quem controlar a região de Xingjiang controla parte do sul da Rússia e sobretudo parte do eixo Europa-Ásia como podemos verificar neste mapa:






Obama desloca a guerra para o Paquistão.



Não podendo fazer frente directamente à China, tanto do ponto de vista militar como económico, os Estados Unidos estão a deslocar uma das suas guerras do Afeganistão para o Paquistão. Motivo? Cortar a alimentação energética chinesa cujo petróleo iraniano, principal fornecedor, passa pelo Paquistão. Neste país os atentados não param de aumentar e têm como finalidade justificar a intervenção americana. Como podemos ver no mapa seguinte, a propósito do gás, mas também os oleodutos, que abastecem a Índia e a China percorrem o território paquistanês:





Uma outra rede de gasodutos e oleodutos abastece a China através das antigas Repúblicas Soviéticas muçulmanas, também elas palco de recentes conturbações sociais:






A guerra contra o terrorismo serve de desculpa para os Estados Unidos intervirem igualmente no Iémen e na Somália, onde várias guerras etnico-religiosas assolam as regiões, grande parte delas orquestradas pela CIA. Isto não é puro acaso, pelo estreito de Ormuz circula 40% do petróleo transportado por via marítima, ou seja 20% das trocas petrolíferas mundiais.


O exemplo do Cáucaso.



A recente crise do Cáucaso está estreitamente ligada ao controlo dos oleodutos que o atravessam. O ataque da Geórgia à Ossétia do Sul, no dia 7 de Agosto de 2008, foi cuidadosamente planificado pelos Estados Unidos. Este deu-se uma semana após os imponentes exercícios militares conjuntos entre os Estados Unidos e a Geórgia do dia 15 a 31 de Julho desse ano. Com efeito, a Geórgia é um posto avançado da NATO na fronteira com a Rússia e perto dos teatros de guerra da Ásia Central. A Geórgia é sobretudo o ponto de passagem do oleoduto "Baku-Ceyhan Pipeline" que permite o transporte do petróleo de Baku sem o controlo da Rússia, como podemos verificar no mapa seguinte:








Destabilizar as regiões com "atentados terroristas".



Henry Kissinger dizia há 30 anos: "O domínio por parte de um só país da Europa ou da Ásia do bloco Euro-asiático, constitui um perigo para os Estados Unidos. Porque esse país poderia ultrapassar os Estados Unidos do ponto de vista económico ou militar e portanto temos de combater esse perigo".


E pelos visto conseguiram-no bastante bem. Trinta anos mais tarde e milhões de mortes depois, olhando para trás vemos uma sucessão de conflitos dos quais o Afeganistão foi apenas o princípio.


Zbigniew Brzezinski, conselheiro de Obama, escreveu que todos os futuros desafios económicos eram Euro-asiáticos. Quando lhe perguntaram numa entrevista ao "Nouvel Observateur", após ter revelado que a guerra entre a URSS e o Afeganistão fora provocada com base na sua estratégia e do então presidente Jimmy Carter, se não estava arrependido; ele respondeu: "Foi uma ideia genial. Os russos caíram na armadilha afegã e queria que eu estivesse arrependido?".




Muitos são os que acreditam que mais tarde ou mais cedo o Irão irá ser atacado pelos Estados Unidos e Israel. A verdade é que, sendo este o principal fornecedor energético da China, representa um obstaculo aos planos americanos que estes gostariam de ver ultrapassado. Neste momento, o Irão encontra-se completamente cercado pelas tropas americanas como podemos facilmente constatar neste mapa:







segunda-feira, 21 de junho de 2010

Bangladesh: A morte silenciosa.


Ignorado nos meios de comunicação social, o Bangladesh, um dos países mais pobres e povoados do mundo, enfrenta o maior envenenamento massivo de uma população em toda a história da Humanidade.

O envenenamento acidental atingiu pelo menos 85 dos 125 milhões de habitantes, devido à contaminação por arsénio inorgânico das suas fontes de abastecimento de água para consumo humano.


Esta situação foi considerada, pela Organização Mundial de Saúde (OMS), uma catástrofe mais grave que inundações, ciclones e até mesmo que o acidente nuclear de Chernobyl.






Cronologia de uma tragédia...




Antes dos anos 70 não havia perigo de contaminação pelo arsénio, já que as pessoas bebiam água da superfície. No entanto, 250 mil crianças morriam anualmente por diarreia provocada por microrganismos na água.


O governo e a Unicef colocaram então em marcha um programa, que custou milhões de Dólares, para que as pessoas se habituassem a beber água dos poços e 95% da população passou a fazê-lo. Existem actualmente cerca de 1 milhão desses poços.

Como é que foi possível que só recentemente é que tenha sido confirmada a presença de arsénico nas águas? Simplesmente porque ninguém teve o cuidado de analisar essas águas. Ainda hoje em dia, ninguém quer assumir as suas responsabilidades, nem a UNICEF que esteve na origem do financiamento, nem o Banco Mundial que apoiou as operações, nem as autoridades do Bangladesh, nem os engenheiros na sua maioria estrangeiros.

Os primeiros sintomas surgem no prazo de oito a vinte anos: manchas na pele, sensação de ardor, cansaço crónico, perda de sensibilidade nas extremidades, gangrena nos órgãos internos que pode evoluir para cancro, principalmente de pele, bexiga e pulmão.

Pensa-se que serão necessários 30 anos para recensear e analisar todos os poços, mais tempo do que demorou a sua perfuração. No entanto nos anos 70, a população estava renitente em utilizar esses poços que na sabedoria ancestral qualificavam a água subterrânea de "água do diabo".


O Banco Mundial, financiador do projecto, refere que antes de 1993 nunca foi medido o teor em arsénio das águas, no entanto o engenheiro Peter Ravenscroft contesta e declara que já nos finais dos anos 80 se sabia da presença de arsénio nas águas subterrâneas Seja como for, só em 1998 é que a comunidade internacional reconheceu alguma responsabilidade nesta catástrofe.


Mais de 20 000 pessoas estão em risco de morrer todos os anos devido ao arsénio. Este número é difícil de prever, dado que alguns cancros só se irão declarar ao fim de 20 anos. Actualmente uma em cada cinco mortes no Bangladesh já é causada pelo arsénio.


Quase tão dramático, é que mais de metade dos fundos monetários canalizados para ajudar a resolver este problema é utilizado para pagar consultores estrangeiros, dado que o país se tornou um laboratório a céu aberto para os países ocidentais.






Uma verdade bem diferente da versão oficial...










A questão polémica é: de onde vem o arsénio? Este existe em pequenas quantidades nas rochas, na terra, na água e até no ar. Todas as organizações responsáveis tentam fazer passar a tese que em certas condições naturais particulares a concentração de arsénio pode aumentar e contaminar os lençóis de água subterrânea O que é verdade. Mas será só esse o motivo?




Nos finais dos anos 60, a chamada "Revolução Verde" era apresentada como uma necessidade pelos países ocidentais, em particular pelos Estados Unidos, para que certos países do terceiro mundo pudessem sair da fome.


Mas porque é que os promotores da Revolução Verde, os USA, o Banco Mundial e outras organizações privadas americanas estavam tão preocupadas com o destino de povos como os do Bangladesh? Puro altruísmo?


Não, na realidade, a história começa muito mais cedo, com o excedente de produtos químicos utilizados durante a primeira guerra mundial e que encontraram uma utilização providencial na composição de adubos. Estes eram produzidos a baixo custo, mas as sementes tinham que suportar este novo tipo de adubos, foi então que apareceram as sementes de alto rendimento.


Estas sementes deveriam ter um rendimento extraordinário, mas eram muito susceptíveis ao ataque de insectos, felizmente os Estados Unidos tinham umas enormes sobras de químicos para produzir pesticidas. Só faltava encontrar escoamento para este modelo de agricultura.



Foi então que apareceu a ideia da Revolução Verde que permitia às empresas americanas vender as sementes e os produtos químicos a elas associadas. Os países escolhidos foram a Índia e o Bangladesh. As culturas dessas sementes necessitavam cada vez mais de uma maior utilização de adubos e pesticidas, ora estes continham grandes quantidades de arsénio que pouca a pouca se ia depositar nos solos contaminando os poços que serviam, não só para o consumo, mas também a irrigação dado que estas sementes necessitam uma quantidade de água três vezes maior que as sementes tradicionais.


As sementes transgénicas entram na mesma lógica, com custo que chegam a ser 1000 vezes superior às sementes tradicionais e algumas com gene "terminator" que impede a sua reprodução e obriga os agricultores à compra de novas sementes no ano seguinte.



Em nome do progresso foi sugerida a mudança do estilo de vida das gentes do Bangladesh, mediante implementação de um moderno sistema de agricultura, baseado em novas tecnologias e uso de agro-químicos contendo arsénio.



A “Revolução Verde”, conhecida como “fertilizantes, pesticidas, sementes, água”, esteve, provavelmente, na origem da contaminação das águas do subsolo do Bangladesh. Desta forma, um veneno invisível e inodoro apoderou-se da água potável deste país, determinando uma sucessão de mortes e enfermidades.


Afinal, a principal causa da presença de elevados níveis de arsénio na água poderá estar aqui, e constituir o maior envenenamento colectivo da história da humanidade.




http://www.ff.up.pt/toxicologia/monografias/ano0405/arsenio/arsenio_ficheiros/Page3531.htm

http://www.ionline.pt/conteudo/16362-intoxicacao-em-massa-no-bangladesh-agua-contaminada-com-arsenio

http://www.unesco.org/courier/2001_01/fr/planet.htm

http://www.naturavox.fr/biodiversite/Les-OGM-une-seconde-Revolution-Verte-Sera-t-elle-aussi-meurtriere