cela me rassure d'avoir la confirmation qu'il est des choses qui demeurent intactes * philippe besson

one of the secrets of a happy life is continuous small treats * iris murdoch

it's a relief sometimes to be able to talk without having to explain oneself, isn't it? * isobel crawley * downtown abbey

carpe diem. seize the day, boys. make your lives extraordinary * dead poets society

a luz que toca lisboa é uma luz que faz acender qualquer coisa dentro de nos * mia couto





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18.6.16

last night i dreamt

i went to manderley again

that somebody loved me


ha alturas em que a vida nesta CASA parece que foi ontem. ha alturas em que me parece que ainda estou de férias e que vou voltar para os alpes. e contudo, em março de 2014, quando fui passar uma semana, a val d'isère, e fiz questao de ir ver a CASA onde tinhamos morado pensei que tinha encerrado o circulo. pensei que tinha feito o luto da CASA onde mais gostei de morar por dentro (isto requer explicaçoes, mas agora nao ha tempo). na altura a ideia de vir para portugal era o paraiso e o inferno ao mesmo tempo. pensar que poderiamos voltar a ligar-nos às nossas raizes era um sonho e pensar na perspectiva de um futuro num pais desacreditado, que toda a gente estava a abandonar fazia medo. houve um tempo que até fui eu a dizer que se calhar nao era uma boa altura para sairmos de frança. mas saimos na mesma, com o empurrao dele, que era mais optimista do que eu.
voltar a viver aqui implicava mudar o chip. o da lingua, o dos costumes, o da mentalidade, o dos procedimentos. para um foi mais facil para o outro foi impossivel. 
e caiu a pintura, caiu o estore, caiu uma janela, caiu a porta, caiu o tecto e a CASA veio abaixo. sinto que a minha vida ficou cheia de metaforas desde entao. tudo o que nos pertencia se estragou.

passaram muito anos. 16 anos. e às vezes parece que nao nos podemos desligar de uma vida de tanto tempo que como todas as relaçoes teve altos e baixos e que estranhamento terminou no alto. paradoxal, nao é? talvez a dificuldade esteja precisamente neste facto. o tempo.

voltando à fotografia: quando la estivemos, acreditar que tinha sido o fim da vida nos alpes, para mim foi dificil. até os cortinados, de outra pessoa, pendurados na janela "do nosso quarto" me magoaram. e no entanto a CASA nao era nossa. nunca foi. mas vivi la como se tivesse sido. seria capaz de sentir o cheiro dela em qualquer parte do mundo, de tal maneira me era intima. vim-me embora a pensar que me tinham ocupado a CASA, sabendo que a pessoa que la vivia a tinha comprado. afinal ela nunca foi minha e era agora de uma pessoa nova. e pus-me a pensar nisso de uma CASA ser de alguem. um senhorio por exemplo tem uma CASA, mas nunca viveu nela. ela é dele sem realmente ser. uma CASA tem sempre um valor afectivo. por isso gosto tanto desta diferença entre home e house.

na noite passada sonhei que era uma nova vida. que tudo tinha mudado e que ainda havia uma possibilidade. que tinhamos voltado aos echines du dessous e que a nossa CASA estava vazia. ficamos radiantes porque poderiamos voltar a viver la e tudo voltaria a ser como antes. regressariamos ao lugar onde fomos (mais) felizes. 

mas foi um sonho.
manderley nao existia.
e a pessoa que me amava ja nao la estava.

22.2.15

my heart took a picture


como alguém disse uma vez "a vida vista através de um coraçao recortado na varanda"… sao os tempos das estaçoes, das cores, dos cheiros tao marcados, do meu olhar sobre o exterior todos os dias, sentada no braço do sofa que estava junto a grande porta-janela… e esta musica outra vez. esta letra, como neste post. foram, talvez, as coisas que mais fotografei quando vivia nos alpes. saudades destes tempos, de muitas coisas que nao voltarao a ser. pelo menos da mesma maneira. 

posso ter tirado muitas fotografias a este coraçao, mas o meu coraçao, esse, tirou infinitas fotografias.
… e sei que, se quisesse, podia voltar ja amanha, outra vez. 

23.9.14

outono


este ano nao teremos outra vez a macieira a anunciar o outono. nem teremos as cores o verao indiano. havera certamente carrinhos de castanhas a fumegar.
gosto tanto desta estação…

"eu digo: roda ao longe o outono, 
e o que é o outono? 
as pálpebras batem contra o grande dia masculino 
do pensamento"

20.9.14

quase outono e...



… e as saudades destas montanhas regressam com mais força, em dias cinzentos. sobretudo as saudades das estações. a vida dentro de casa. olhar la para fora através da janela. conheço esta montanha de cor. mesmo que eu nao quisesse ela entrava-me pela casa dentro. era como um quadro que ocupava uma parede inteira. abrir a porta, olhar para o fundo do corredor e ver este espectaculo. todos os dias. durante 6 anos.

e esta música...

i pictured you mad 
and i pictured you cold 
pictured you mean 
and I pictured you bold 
but I can't hide 
i'm hurting babe 
but I can't cry 
lay your love on me 
lay your love on me 
lay your love on me 
lay your love on me

2.5.14

o tempo voa



ha um ano atras, precisamente, chegavamos a lisboa. connosco traziamos o recheio da casa às costas e mademoiselle sidonie dentro da sua casinha. chovia na manha em que deixamos os alpes, lembro-me bem e a parede, em frente a nossa casa, estava cheia de flores de varias cores. hoje a vida é tao diferente. mas eu continuo ligada aquele lugar, pelas memorias, claro, e porque sei que se quiser poderei voltar. por enquanto estou bem na grande alface.

este ano passou a correr. 

26.4.14

viajar sem sair de casa ou a nao-vida



a preguicite faz-me ficar na cama até tarde aos fins-de-semana. e aqui faço tudo. durmo, leio, escrevo, vejo filmes, leio os mails, vejo as novidades no facebook, olho pela janela, vejo o tempo e, agora, até como torradas e bebo leite com chocolate. levanto-me quando tenho qualquer coisa de urgente para fazer ou um compromisso agendado. 

quando regresso a casa vou para o sofa e repito as mesmas coisas até adormecer e voltar de novo para aqui. era por isso que eu queria tanto regressar a lisboa, para passar os dias na minha cama e no meu quarto luminoso.

hoje, acompanhei as torradas com a leitura deste blogue. bateram-me as saudades da neve e lembrei-me dele e que ja nao tinha novidades ha algum tempo. a minha alma gemea emigrante é esta. mas a minha alma gemea do frio e da neve (que agora se aproximou do sol e do calor) é esta.

e agora vou cometer uma excentricidade, vou levantar-me do leito para ir pintar as unhas a 100m da minha casa. depois, claro que tenho imensos projectos como ir comprar kiwis ao supermercado, ir ao cinema, mas sei que nada disto se fara e que voltarei ao sofa.

e pergunto-me: esta letargia so reina por aqui?

13.3.14

les echines


eu sou uma idealista, uma romantica. o passado para mim é quase perfeito. sou uma nostalgica cronica e  nao tenho grande orgulho nisso. voltar à savoie, depois dos anos que vivi aqui, trouxe-me uma série de emoçoes que nao imaginava. quando vim viver para ca pensei que se as coisas nao corressem bem, por algum motivo, poderia voltar a lisboa e agora que estou em lisboa penso que se as coisas nao corressem bem poderia sempre voltar aux echines. mas as coisas nao sao assim. a vida nao é a mesma. a minha vida nao é a mesma, o meu trabalho ja nao é o mesmo, no meio dos livros, a sidonie ja nao ca esta. eu propria também ja nao sou exactamente a mesma.

e eu preciso de ver certas coisas para saber que nao poderao nem voltarao a ser. e preciso de voltar aos lugares onde fui feliz. por isso, desci das montanhas de val d'isere para ver as pessoas que conheço no vale e para voltar a subir às montanhas de les echines. subir aquela estrada que conheço de olhos fechados foi maravilhoso. tirei fotografias, apanhei pedras e folhas do chao, que fizeram parte dos meus dias e sempre farao parte da minha vida. entrei na aldeia como se fosse meio dia e eu so tivesse ido almoçar a casa. vi os vizinhos nos terraços a apanharem sol, passei pela antiga escola e parei em frente ao chalet. a pa da vizinha estava à porta. a "nossa" escada continuava igual e, pela porta, percebi que novas pessoas moravam ali. dei a volta, vi as janelas dos quartos abertas e cortinados novos postos. desci. na varanda ja nao havia dezenas de vasos de flores e plantas e canteiros a espreitarem as montanhas, ja nao havia os nossos esquis, os nossos espanta espiritos e tudo o que fazia da "nossa" casa a nossa casa. demos a volta, passamos ao pé das caixas do correio e voltamos a descer. que dias lindos. a relva verde, a agua azul turquesa, as mesmas pessoas na rua e tudo tao diferente. clic clic clic. respirei fundo e pensei "agora o circulo esta fechado".

no final da estrada des echines, estava em bourg saint maurice. comecei por almoçar especialidades libanesas no restaurante dela e depois decidi começar pelo cimo da grande rue. dois passos e uma cara conhecida. queriam novidades e eu também. encontrei o y. que me disse que tinha vendido apartamentos do chalet onde moravamos nos echines e que quem estava agora no nosso apartamento era um senhor, sozinho. sorri com este pormenor. o tempo passava a correr e ainda nao tinha ido à biblioteca. entrei e vi a pessoa que me substituiu. subi as escadas, abracei as minhas colegas, entre exclamaçoes de surpresa, porque eu nao tinha dito que ia, e era como se sempre tivesse estado ali e tivesse so ido de ferias mais prolongadas do que o normal. subi ao bureau e a minha mesa estava intacta, com toda a bonecada em papel pregada nas vigas de madeira e os origamis que me tinham oferecido, em cima da mesa. o meu coraçao ficou apertadinho. fomos para a cozinha beber um cha, sentei-me de frente para a janela, a mesma onde o olhar se perdia pelo céu e pelo topo do pinheiro da s. nos dias de neve e sorri outra vez. 
pus em ordem as memorias e os sentimentos. este dia valeu muito e arrumou muitas coisas dentro de mim… mas eu sei que eu nunca consigo ter tudo arrumadissimo...

30.1.14

regresso aos alpes



ha imagens pela casa à espera de um clic... ou de um déclic…

ha uma caixa azul turquesa que trouxe presentes do meu amor. das montanhas altas.

… e nos meus planos ha uma viagem que devera levar-me aos dias silenciosos, brancos, luminosos. mesmo que agora tudo seja diferente. 

mas voltarei aqui. les echines du dessous. le chalet les soldanelles. preciso disso. preciso de me pôr no caminho dos veados. preciso de ver o "meu tapete" outra vez. as escadas. as ervas e a terra que foram da sidonie

1.5.13

ultimo dia


ha 6 anos que vivia aqui, numa aldeia perdida nas montanhas, por cima de bourg saint maurice, chamada les echines du dessous. adorava esta casa, foi a mais bonita onde vivi em toda a minha vida... e a vista... a vista era (e ainda é, mesmo que ja nao estejamos la) deslumbrante. quando nos mudamos para la, em 2007 e entramos na varanda nao pensamos duas vezes e dissemos logo que ficavamos com ela. 
e anteontem foi o ultimo dia que la estivemos. as mudanças fizeram-se por debaixo da chuva, mas tinhamos a primavera à porta, como todos os anos. nunca me esquecerei deste lugar, tao marcado pelas estaçoes do ano, pelos animais nocturnos, pela neve imaculada e silenciosa, tao aconchegante nos dias em que ficava em casa, pelo verde magnifico das montanhas na primavera, pelas belissimas cores de outono. e agora outra vez lisboa. por enquanto nao estou nostalgica (incrivel), mas acho que ainda nao acredito que, isto, é tudo verdade.

20.4.13

dos alpes, vou ter saudades ii


de quando a montanha acaba e o céu AZUL começa.
na quinta-feira à tarde estavam 32° dentro do meu carro, estacionado ao sol. 
hoje a neve voltou à paisagem

17.4.13

dos alpes, vou ter saudades i


da preguiça. destes dias, que foram muitos, em casa a ler e aprender a fazer coisas que nunca tinha aprendido antes em lisboa... porque em lisboa sempre houve tanto para fazer que sobrava pouco tempo para preguiçar.

19.3.13

uma palavra * uma fotografia ii


esta imagem é para a rosa ramos que me pediu para fotografar o silêncio das arvores cheias de neve. amanheceu assim, hoje, na véspera da primavera. as arvores estavam tao carregadas que pareciam deixar cair pompons. que manha linda, tenho a maquina cheia de fotografias. nao me canso de fotografar as arvores. vejo-as todas diferentes, mesmo quando sao parecidas. ha um silencio surdo no ar quebrado apenas pela doce queda da neve. 

espero que gostes, rosa.

14.3.13

beautiful morning


o sol regressou nas ultimas semanas e fez desaparecer quase toda a neve. a paisagem começa a ficar esverdeada, as temperaturas amenas deixam-me sair de casa de ténis e deixam-me pôr o casaco de inverno de lado, por uns momentos. hoje, quando acordei estava tudo branco outra vez. ja nao me lembrava da neve, nem dos giboulées de mars. março é o mês da primavera e apesar do frio e dos flocos de neve, que voavam no ar, o sol insistia  em perfurar as nuvens e deixou uma luz tao bonita...

1.3.13

light


não é nada prudente parar nas curvas, mas aqui estou eu parada hoje e ontem e no outro dia. é a ultima curva antes de entrar na aldeia onde vivo e, qualquer que seja o tempo, fico sempre maravilhada. deixo-me estar assim um bocadinho. até que alguém me interrompa o deslumbramento com uma apitadela.

25.2.13

a liberdade e um dia de sol






eles andaram em bando toda a manha. gritavam e voavam pelo céu azul e branco cheio de luz. pareciam felizes. os movimentos do grupo formavam desenhos no ar. para mim continua a ser um grande mistério vê-los neste vai e vem, tao próximos uns dos outros e sem se tocarem

18.2.13

uma palavra para alpes = uma fotografia



sei que os leitores deste blog nao sao muito dados a posts que pedem feedback, mas gosto muito de ler as vossas sugestoes de musicas ao domingo e gostei das sugestoes de livros que deram num post recente. muitas vezes nao respondo aos comentarios, mas leio com atençao, registo, sorrio e imagino as pessoas que estao por detras deles. 
qualquer dia, senhorita j. deixa os alpes e, como anda muito preguiçosa, pensou que precisava de qualquer coisa para a animar e para (mais tarde) recordar, por isso, gostava de saber se desse lado gostavam que eu tirasse uma fotografia para vocês de alguma coisa que imaginam que existe aqui e que gostavam de ver. ou uma fotografia de algo que ja tenha sido falado aqui ou mesmo fotografado, mas com um novo olhar. se sim fico à espera. pode ser so uma palavra... a imaginaçao fica por minha conta...