cela me rassure d'avoir la confirmation qu'il est des choses qui demeurent intactes * philippe besson

one of the secrets of a happy life is continuous small treats * iris murdoch

it's a relief sometimes to be able to talk without having to explain oneself, isn't it? * isobel crawley * downtown abbey

carpe diem. seize the day, boys. make your lives extraordinary * dead poets society

a luz que toca lisboa é uma luz que faz acender qualquer coisa dentro de nos * mia couto





Mostrar mensagens com a etiqueta avó. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta avó. Mostrar todas as mensagens

27.4.14

4 anos


e ainda me lembro tao bem da tua voz doce e do teu riso malandro de quando te levava um chocolate às escondidas. era um segredo nosso, como tantos outros. coisas que existem numa dimensão diferente, na relação entre avos e netos. se aquele chocolate te fazia bem ao corpo? nao, nao fazia, mas era dos poucos "males" que valia a pena desafiar para proporcionar uns instantes de prazer à alma. 

sabes, isto anda cinzento, por aqui. ha muitas pessoas a irem embora para aí, onde quer que isso seja. gosto de pensar que ha uma vida depois da morte e gosto da historia de beber agua do rio do esquecimento. mas também gosto de pensar que ha uma vida na morte e que de facto as pessoas voltam a encontrar-se. juntam-se numa mesa, olham ca para baixo e conversam como quem sabe qualquer coisa que os outros nao sabem.

7.2.14

lisboa amarela verde e branca


a lapa é um dos lugares da minha infância. foi aqui que o meu pai nasceu, foi aqui que a minha avo viveu a vida inteira e sinto-me imensamente ligada a este bairro. hoje, sao poucas as vezes que vou para aqueles lados, porque nao é um bairro onde acontecem muitas coisas e ha pouco comercio. contudo cada vez que la vou fico encantada… encantada com as memórias, antes de tudo, e depois com os azulejos, com as portas, com as janelas, com as ruas íngremes com o tejo a espreitar.

se amanha nao estivesse mau tempo era para la que ia, mas dizem que o fim-de-semana nao esta para passeatas. voltarei à lapa. muitas vezes. acredito que devemos voltar aos lugares onde fomos felizes e, eu, fui muito feliz ali, junto à minha avo… a minha avo que teria feito anos ontem ♥

18.10.12

desta vez em lisboa...




quero muito ir jantar à minha primeira escola primaria, que é hoje o clube de jornalistas, na rua das trinas. e se o tempo o permitir, gostava muito de poder ficar numa mesa la fora, onde uma vez plantei uma arvore e fiquei triste quando me disseram que so dali a 20 anos seria uma arvore grande... talvez tenha crescido na esplanada do restaurante que um dia foi o meu recreio... razao de tantas conversas com a minha querida avo!

11.9.12

combinado dos céus



eu andava a ameaçar que qualquer dia me atirava a um combinado com dois ovos estrelados e quatro salsichas e, assim que me apanhei sozinha em casa, foi o que fiz. a mercearia portuguesa regressou das férias e la fui eu comprar uma lata (de) nobre para que nao lhe faltasse nada. e ei-lo. nao é o combinado do galeto, nem o do pastelinho, nem o do guarani (nos aliados), mas é um combinado à maneira de j. com uma pequena adulteraçao (ou duas): o arroz é basmati e tem uma rodela de chouriço com avelas... francesices à qual se veio juntar uma baguete para molhar no ovo...

enquanto comia esta simples delicia dos deuses (ja tenho dito que sou uma rapariga facil de agradar), nao pude deixar de voltar atras no tempo e de pensar que quando era pequena a minha avo me dizia para molhar o pao no tété... porque lhe chamaria, ela, tété? daqui veio toda uma reflexao sobre os ovos até que me lembrei das gemadas que ela me fazia para a sobremesa, marimbando-se completamente para as regras do nao dever-se comer mais de dois ovos por semana. quase que a ouço dizer baixinho: "nao faças caso, filha".

tirando o meu pai, ha alguém que ainda coma gemadas hoje em dia? ora, se o meu pai nao podia ser do sporting sozinho la em casa, também nao o vou deixar comer gemadas sozinho! esta semana ja vou tratar disso...

27.4.12

2 anos


dois anos depois, a unica coisa que mudou foi a ausência da tua presença fisica. porque tu continuas nas palavras, nas minhas memorias mais antigas e nas recentes. continuas na madragoa, no chafariz, à janela da casa da lapa, na porta mais bonita da rua braancamp. continuas junto das margaridas e ouves os barcos a apitar. e eu continuo a lembrar-me nitidamente da tua voz, do teu cheiro, do teu riso, dos teus cabelos brancos. estas sempre nos meus dias e estaras sempre sempre na minha vida.

27.4.11

1 ano


estou na parte das inscrições da biblioteca. faço os cartões de aderente e entrego os recibos com a data. hoje é dia 27 de abril. ha precisamente um ano atras também estava aqui e às 10h27 recebi uma mensagem que me atingiu em directo o coração. nunca mais poderei ouvir a tua voz, o teu rir, ver a gentileza dos teus gestos, das tuas mãos, a tua alegria quando nos vias chegar, os teus braços a enlaçar-nos. não é facil pensar que ha ausencias fisicas definitivas, restam-nos todas as historias e recordações, que foram muitas, para me encherem e aquecem o coração... e todos os dias penso em ti...

27.3.11

palavras que ela dizia vi

gatuno

adjectivo e nome masculino

que ou aquele que rouba, ladrão, larápio


que ou aquele que colhe lucros ilegitimamente, geralmente prejudicando alguém

(do cast. gatuno, «relativo ao gato»)

27.2.11

27.1.11

palavras que ela dizia iv

bucha

nome feminino

popular: pequeno bocado de alimento que se mete à boca de uma só vez
alimento ou comida leve que se ingere para atenuar a fome ou para preparar o estômago para uma bebida alcoólica

27.12.10

palavras que ela dizia iii

olha que isso ainda vai pr'o galheiro

popular: ir para o galheiro, fracassar completamente, morrer, estragar-se

27.11.10

palavras que ela dizia ii

parece que tens bichos-carpinteiros

ter bichos carpinteiros: estar irrequieto

27.10.10

palavras que ela dizia i

flausina

s. f. [famil] rapariga moderna que traja com todas as extravagâncias da moda

27.9.10

historias com a minha avo


antes de eu ir para a escola primaria, na rua das trinas, passava os dias inteiros com a minha avo. mas no ano antes de entrar para a escola primária, os meus pais resolveram pôr-me na infantil, no último ano da infantil, para eu me ir habituando. tenho poucas recordações de como se terá passado o meu primeiro dia de escola. estou certa que, em casa, no dia anterior a esse grande dia, devem-me ter dado só boas razões para eu ficar contente e ir para a escola de coração leve. o que eu gostava era de passear com a minha avo, conversar com ela, ouvir a rádio com ela, ver a avo tina fazer os croquetes de manhã, andar de triciclo no corredor de casa… porque razão me queriam pôr agora na escola?

de manhã, a minha mãe levava-me de carro até à casa da minha avo, na altura em que não havia obrigatoriedade do cinto de segurança. lembro-me que vinha deitada no banco de trás, nos dias mais sonhadores, ou de joelhos entre os dois bancos, nos dias observadores. na manhã do primeiro dia de escola vinha deitada no banco de trás a ouvir a minha mãe falar-me das vantagens de andar na escola. penso que era um dia de chuva e penso que era outubro porque, embora eu não soubesse o que queria dizer o 5 de outubro, sabia que dali a poucos dias era dia de não-escola. nessa manhã lá foi a minha avo levar-me, desta vez no sentido oposto ao da escola na rua das trinas. fomos por ali abaixo. eu, de impermeável de plástico e de galochas (antes de aparecerem as colibri) estava em dia de poucas conversas. como toda a gente, a minha avo falava-me das vantagens de andar na escola e lembro-me que me contava também que a escola ficava muito perto da casa do herman josé.

tenho memória do recreio, da sala de aula do corredor que tinha uma lojinha fechada e que às sextas-feiras se abria de forma magica e ali vendiam gomas e chocolates… nunca me tinham dito que uma escola podia vender gomas e chocolates… e lembro-me que nesta escola também aprendíamos inglês. não sei como se passou o primeiro dia, mas talvez não tivesse o coração tão pesado porque sabia que, dali a poucas horas, a minha avo vinha buscar-me para almoçar. o que me marcou desta escola foi, sem duvida, a loja das guloseimas que abria as portas, ou se desmontava ou se transformava em loja magica às sextas-feiras e que podíamos pedir aos nossos pais para nos darem umas moedas para comprarmos uma guloseima. na verdade, penso que esta foi a principal vantagem que vi em ir para a escola "antes do tempo". e na sexta-feira seguinte a minha avo pôs-me na “algibeira” umas quantas moedas pretas grandes, penso que fossem de cinquenta centavos para eu poder comprar umas guloseimas...

... e à saída da escola voltei a ter coisas para contar e a minha avó suspirou de alívio...

imagem daqui

30.8.10

caneta de tinta permanente



eu passei para a segunda classe, ainda andava na escola da rua das trinas. a professora tinha-nos dito que íamos aprender a escrever com caneta de tinta permanente e que por isso tínhamos que comprar uma. à saída da escola dei o recado à minha avó que o deve ter transmitido aos meus pais. já em casa, à hora do almoço, falávamos das novidades da minha manhã de escola e o padrinho lembrou-se que tinha uma caneta de tinta permanente que não usava e pôs-se à procura dela. quando a encontrou, a avó veio ter comigo e disse-me “pronto filha, aqui tens a caneta para levares amanhã para a escola. hoje à tarde vamos ao sr. emílio comprar tinta para a pôr a escrever”. eu fiquei contente por ter logo a questão resolvida, mas quando me mostraram a caneta que tinha sido do antónio josé (o padrinho), preta com uma argola dourada, todo o meu entusiasmo se desvaneceu. no dia seguinte cheguei à escola com a dita caneta. a professora começou logo a ensinar-nos a escrever com ela, tarefa que não achei nada fácil, e quando todos os alunos abriram os estojos e tiraram as suas, eu fiquei com uma lágrima no olho a olhar para a minha. todos tinham canetas com super heróis, no caso dos rapazes, e cor-de-rosa ou com corações no caso das raparigas. tive vergonha, digo-o hoje, quando tive que tirar a minha caneta preta de argola dourada do estojo, certamente cor-de-rosa. toda a manhã a escrever com aquela caneta, “feia” de bico estranho e com mau jeito… se ao menos ela tivesse a minnie… olhava para as outras meninas de língua ao canto da boca aplicarem-se a escrever com as suas novas canetas de tinta permanente tão bonitas…

a avó veio buscar-me para o almoço, perguntou-me como é que tinha sido a manhã na escola e eu, com duas lágrimas a deslizarem-me pela cara, contei-lhe a minha manhã de caneta-de-tinta-permanente-preta-de-argola-dourada. quando os meus pais foram buscar-me a casa dela ao fim do dia a minha avó explicou-lhes o caso. os meus pais registaram mas não reagiram logo, coisa que me angustiou e angustiou a minha avó só de me ver angustiada. rumo a casa sem pararmos numa papelaria para eu poder escolher uma nova caneta, o assunto tinha ficado em stand by. passaram-se mais uns dias e eu sem nova caneta de tinta permanente. e, uma tarde, quando a minha avó foi buscar-me à saída da escola, paramos na montra da papelaria do sr. emílio … tantas canetas de tinta permanente, deviam estar na moda, havia de todas as cores, com todos os motivos e super heróis… e havia uma com a minnie, cor-de-rosa. a minha avó entrou comigo no sr. emílio e resolveu ali todas as minhas preocupações e foi assim que no dia seguinte eu cheguei à escola com uma caneta nova, cor-de-rosa, com a minnie e com recargas descartáveis.
... querida avó

27.7.10

3 meses

... tenho medo de um dia não conseguir lembrar-me da tua voz, da maneira de rir... não sei por quanto tempo a nossa memoria guarda cheiros e sons...

28.6.10

2 meses e 1 dia...

não ha nada que me console, mas cheguei junto a ti, olhei para onde tu estavas a olhar e tranquilizou-me saber-te virada para o tejo e pensar que poderias lembrar-te da lisnave e desses doces tempos, em que tudo parecia tão mais facil... e de repente veio uma brisa, as magaridas que te levei abanaram levemente, os meus cabelos voaram... olhei para o fundo e ouvi um barco apitar... e gostei de pensar que naquele enorme jardim tivesses ficado neste lugar...

31.5.10

27 de maio, 1 mês...




não sei se alguma vez cheguei a ler-te esta historia que escrevi, parece-me, em 2003, mas aqui fica... relê-la aquece-me o coração...


vinha eu no outro dia, avenida da liberdade abaixo, a caminho do rossio, quando, qual não foi o meu espanto, dei de caras com a minha tia suzete. a tia suzete tem quase 80 anos e quando lhe perguntei o que andava a fazer por aqelas bandas ela respondeu-me: "olha filha, vou ali beber uma ginja!".


"so a tia suzete, mesmo", pensei eu. e comecei a lembrar-me de quando era pequena. a tia suzete sempre foi uma mulher muito forte, nos dois sentidos, fisica e espiritualmente, é daquelas mulheres à moda antiga, cantava fados aos fins-de-semana nos clubes de campolide. pois, quando eu era pequena, a minha mãe, por vezes, deixava-me em casa dela, mas eu fazia sempre um berreiro, não sei bem porquê, até gostava muito dela, sobretudo quando ela me dizia "toma la 100 mérreis, filha (entenda-se, cem mil reis) para ires comprar um raja" - e sempre que a vejo, lembro-me desta frase. porque é que ja não dizemos cem mil reis parece-me obvio, mas raja... porque raio deixamos de dizer raja? quando é que ficou decidido que começariamos a dizer gelado? e com este encontro com a tia suzete comecei a lembrar-me de outras palavras que cairam em desuso. o resultado foi uma enxurrada de frases e palavras que me lembro de ouvir na infância e que, com o passar o tempo, ficaram esquecidas.


na verdade, o que eu gostava mesmo, era de ir para casa da avo maria que me incutia algumas responsabilidades, como a de eu ir à padaria da mercedes; dizia-me muitas vezes "olha filha, leva 50 mérreis para ires ao pão, guarda-os na algibeira, fica atenta à demasia, podes fcar com o que sobejar para comprares um caramelo" - e a mercedes perguntava-me "o que é que quer esta freguesa?" e eu sentia-me crescida. mas a avo maria, no meio de tanta bondade, também tinha crises de furia e, às vezes (quase nenhumas), também se zangava e dizia-me "sai dai, não te empoleires! olha que das uma queda e ainda levas uma galheta por cima". em casa da minha avo, onde passei muito tempo, até aos sete anos, as coisas tinham outros nomes: a televisão era o aparelho, o radio era a telefonia, às fotografias chamavamos retratos e aos anuncios reclames. os meus pais, quando chegavam ao fim da tarde, perguntavam-me se tinha feito os trabalhos da escola e a minha avo, que estava sempre do meu lado, dizia "deixa a miuda", ao que o meu pai respondia "se isto agora é assim quando fores grande não tens o canudo".


gostava tanto desses dias em casa da avo maria, ela dedicava-me todo o seu tempo. de manhã levava-me à escola na rua das trinas, depois ia buscar-me para o almoço, às vezes fazia-me açorda, era a minha comida preferida, e gritava la do fundo da cozinha: "queres primeiro a sopa ou o conduto?" e da parte da tarde, deixava de ter tempo para ela, porque eu queria fazer tudo... e agora penso, como é que uma pessoa de 7 anos e outra de 55 podem ter tanta coisa para conversar 12 horas por dia? tinha muita paciência, ela... às vezes punha-me em cima do sofa aos pulos, naquela altura chamavamos-lhe maple e ela, da sua maquina de costura gritava "olha que isso ainda vai pr'o galheiro, arre!". nos dias de sol no inverno, ela vestia-me o kispo, apanhavamos a carreira 28 e la iamos as duas para o jardim da estrela, ao fim da tarde voltavamos para casa e ela dizia-me "senta-te ai, que a avo traz-te uma bucha" e la ficava eu a ver os bonecos animados, como ela lhes chamava... e aquele conforto para mim era tudo.


e hoje em dia, ja ninguem passa a infância com os avos, não ha tempo para passar tardes à janela, ja não se salta à corda nem ao elastico, ja não se joga aos berlindes, ao pião ou ao iô iô e muito menos nos lembramos destas palavras. eu não consigo lembrar-me quando deixei de as utilizar, nem porquê (muito possivelmente porque mudei de escola e deixei de ir para casa da avo maria). e la fui eu, perdida nestes pensamentos, até à praça do comércio, a pensar se sera este o verdadeiro sentimento português, o da saudade. então, dei meia volta, e fui à espinheira beber uma ginja.

26.4.10

avó

hoje gostava tanto que continuasses a ser a mesma maria das dores... mas que pudesses mudar de nome e que te chamasses maria da força e que conseguisses superar isto tudo... escrevo-o aqui, porque hoje ja o disse muitas vezes para dentro de mim, e ja o disse muitas vezes em voz alta ... e agora escrevo-o e espero que estas três formulas todas juntas cheguem a ti, que as oiças e que elas te acordem... e que o teu coração volte a bater como dantes e o sangue te traga cor... ou simplesmente te traga...

6.2.10

parabéns querida avó...

este post é para uma mulher que deve ter tanta idade e tanta historia como esta casa... para ela que faz anos hoje fica esta fotografia e estas palavras que ela nunca podera ler... esta mulher que foi viver para outro lugar mas que deixará para sempre nas nossas vidas uma magnifica luz... parabéns querida avó...

25.9.07

constatação do dia... e ainda em cólera...

... o dinheiro que o estado de francês não ganharia por cada carro que não para na passadeira...

... se a minha avó estivesse aqui dizia: "tem calma que ainda ficas debaixo de um carro"...