Primeiro Santo António
Depois São João
Depois vem São Pedro
Para a Reinação.
Esta época é altura dos Santos Populares. Como se sabe, são três, Santo António a 13 de Junho, São João a 24 e São Pedro a 29. Em Forninhos o único que não era festejado era o Santo António, mas não sei bem porquê...
Na noite do dia 23, véspera do dia de São João, os rapazes juntavam-se para dar a volta à povoação e já de madrugada, sorrateiramente, subiam às janelas e varandas/sacadas e surripiavam os vasos mais lindos de manjericos, sardinheiras, cravos e outras flores que encontrassem, que levavam e colocavam à volta de cruzeiros, alminhas e fontes.
Esses vasos normalmente tinham sido semeados ou plantados com todo o carinho pelas raparigas, para enfeitar as suas casas. E, tradicionalmente eram elas que iam buscá-los para os recolocar onde tinham sido retirados. Chegavam a ir aos vários cruzeiros à procura dos seus vasos.
Era também na noite de São João que os rapazes e raparigas faziam as fogueiras com rosmaninho, salpor e um pouco de São João (planta do caril selvagem), especialmente cortados e guardados com antecipação, para nesse dia saltarem a fogueira de S. João. Assim, ao saltarem a fogueira, que exalava um perfume muito agradável, cantarolavam: "São João vai, São João vem, minha mãe por casar me tem", "São João vai, São João vinha, minha mãe por casar me tinha", "São João fôr, São João vier, minha mãe por casar me tiver, hei-de a dar a quem me quiser". E elas esperançosas, entre saltos e ditos, se iam divertindo, numa brincadeira sã e alegre. Bons tempos, como dizem os (nossos) antigos. Para que o cenário se completasse também se cantava:
São João para ver as moças
Fez uma fonte de prata.
As moças não vão à fonte
São João todo se mata.
Esta época era também altura dos rapazes esperarem as raparigas na fonte. À noitinha, depois do regresso do trabalho do campo, as raparigas, cada uma com seu cântaro, iam à fonte para abastecerem a casa com a água necessária. Era nestes encontros que começava uma boa parte dos namoricos entre os rapazes e as raparigas da terra.
Será por isso que o São João, por ser considerado um santo casamenteiro, era tão popular em Forninhos?
Fica a pergunta no ar...
Pelo São Pedro havia que arranjar novamente molhos de rosmaninhos e salpor para a fogueira e também um pinheiro alto.
O pinheiro era estendido no chão para ser enfeitado com maçanetas e fitas de farrapos.
Os rapazes, faziam um buraco no chão, erguiam-no e prendiam-no ao chão. Preparava-se a fogueira ao lado e depois era aguardar pela noite. Mas a festa de São Pedro não era só popular ou profana, era também religiosa. De manhã havia missa em honra do Santo!
Chegada a hora acendia-se a fogueira e começava a festa. O entusiasmo era geral, saltava-se a fogueira sem parar e terminava-se com o fogo ao pinheiro, coisa bonita de se ver.
A nossa gente, quando motivada, é capaz de grandes feitos. O grande problema é que gente nova nas nossas terras cada vez vai havendo menos!