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domingo, 7 de setembro de 2025

Biodiversidade na Natureza

O milho foi domesticado na América Central, há 10 000 anos. Os Maias cultivavam-no à mistura com o feijão, a pimenta de chili e as abóboras. As plantas apoiavam-se umas às outras e o feijão enriquecia a terra com nitrogénio, ajudando o milho a crescer.
Exatamente como os nossos ascendentes faziam!
Milho, feijão, grão, abóboras, tudo misturado, hoje não sei dizer se foram coisas descobertas por eles ou elas passaram nos testemunhos orais de quem trouxe o milho nos barcos comerciais da América para a Europa (?)

aumentar para ver melhor

Sei que nos modernos métodos de cultivo, os atuais separam todas as plantas, talvez porque achem aquela mistura menos produtiva nos nossos dias, mas ainda bem que a minha prima Bela ofereceu esta fotografia, para lembrar esta mistura e como os nossos antepassados conheciam as vantagens da biodiversidade na natureza!!

Nota Pessoal:
Mais uma vez, tenho de dizer BEM-HAJA a todos os que ainda cedem fotografias a este blog, pois ainda é uma página que se consulta e isso dá-me vontade de continuar pelos nossos ascendentes.
Obrigada a Vós e Eles.
Todos!

domingo, 22 de dezembro de 2024

Postal de Natal

Retirei do Facebook esta fotografia, por uma boa causa! 


Há lá imagem mais sugestiva e bucólica do Natal?
Nas aldeias vivia-se em harmonia com a natureza e com os animais. As campainhas e os chocalhos das ovelhas pareciam sinos da igreja que animava e vivia a natureza beirã. Até Aquele que os anjos anunciaram aos pastores desta forma: "Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade" aqui poderia ter nascido, tal a singeleza do sítio e a candura das gentes.
Feliz Natal com Saúde e Paz, são os meus votos muito sinceros!

sábado, 8 de julho de 2023

Mil abóboras no telhado

Agora que chegamos aos mil posts sinto que "é a altura de tirar as abóboras do campo e pô-las com a barriga ao léu...em cima do telhado", como fez Aquilino Ribeiro, in "Abóboras no Telhado" (1955).
Com uma dedicatória impressa a Jaime Cortesão que assim começa: "Dê-me licença, querido amigo, que lhe ofereça esta carrada de abóboras. Dou o que tenho. Faça de conta que lhe ofereço...o quê? os pomos de oiro das Hespérides...".


Com o Subtítulo "Polémica e Crítica" Aquilino analisa peripécias da carreira, ajusta contas com quem lhe plagiou textos, com quem escreveu isto ou aquilo por ter lido bem, por ter lido mal as suas obras ou até sem as ler! 
As abóboras eram, portanto, de espécie metafórica.
Faz balanços com humor e com lucidez. Escrever...Para quê? Para quem? Escrever para quê numa terra que lê apenas as contas que traça o merceeiro?
A princípio os editores sentenciavam:
- "O senhor não tem público" (p. 28)
- "Os livros de Aquilino não se vendem" (p. 41)
No entanto o seu primeiro romance/novela, "Via Sinuosa" (1918), vendeu duas edições em poucos meses, fenómeno que o escritor atenua: "Nesse tempo imperava o gosto da leitura. O futebol não esvaziara os cascos do honesto cidadão nem tão-pouco as suas algibeiras" (pp 45-46). 
Mais adiante avança esta afirmação provocatória: "Dentro de vinte anos não há mais literatura em Portugal. Não digo que não continuem a aparecer livros interessantes, mesmo superiores, mas de génese esporádica, mais ou menos eventual, como outrora os Lusíadas e as Peregrinações (p. 293). 
Depois explica: "Hoje tudo é febril, tumultuário, dinâmico e muscular. Nas belas-letras tudo é remanso, pausa, meditação" (p. 296). 
E conclui: "A leitura que supõe umas horas de ócio, e sobretudo concentração de consciência, não tem atmosfera propícia. A rádio, a gazeta, o cinema satisfazem as restantes e normais necessidades de bestunto" (p. 297). 
Passaram mais de sessenta anos após a publicação de "Abóboras no Telhado" (polémica e crítica) e o diagnóstico de Aquilino continua válido, as cabeças esvaziam-se cada vez mais e surgiram outros modos de vida, outros modos de leitura, pelo que acrescentámos à sua lista, a TV e o Facebook.

Fontes: 

sábado, 27 de maio de 2023

Forninhos, terra de gente bonita

Forninhos foi sempre uma terra de mulheres bonitas. Desculpem-me as pessoas da Cortiçada e Dornelas, mas até se cantava:

Cortiçada é terra boa
Para dar as melancias
Dornelas para as cebolas
Forninhos para as raparigas



A foto foi tirada no terreiro de N.Senhora dos Verdes, no dia 15 de Agosto de 1966 e ao centro está a Natália Cavaca (que veio a ser a minha madrinha), à direita a sua prima Darcília e à esquerda está a Ema (que veio a ser a minha mãe). 
Mas os homens de Forninhos também sempre foram muito bonitos e temos a prova disso. Estamos no dia 15 de Agosto:


Da esquerda para a direita: António Carau, com a sua boina à espanhola que usou até morrer, ficava-lhe muito bem e era a sua imagem de marca, diga-se. De camisa branca, o Samuel Cavaca (que veio a ser o meu pai), António Moreira, de fato e gravata, ao centro o Vasquinho Baptista, à esquerda o Tónio Chispas, o Amaral (dos Valagotes) e  o Américo (da tia Purificação).
Os pequenitos, o meu pai acha que são: o Zé (filho da tia Isaura) e o que não se lhe vê a cara é um filho do Vasquinho. Já se não lembra bem do ano deste feliz instantâneo, mas julga ser de 1967, o ano antes de ele ir para o Ultramar ou depois de voltar da Guerra, em 1969.  

segunda-feira, 23 de janeiro de 2023

Caía neve, se Deus a dava

Só para lembrar como eram rigorosos os invernos no planalto beirão, cá está ela, a neve, mais uma vez.

Forninhos, Janeiro de 1971

"Caía neve, se Deus a dava, em rala, em grandes flocos, às mancheias, assim à tola, como grão lançado a um campo por semeador arrenegado ou pouco experiente de mão.
(...)
Não era desta neve que doba mansa do céu e parece, bailando, o esflorar das pereiras na Primavera; era a neve ladroa - como para aí lhe chamam - a neve das moscas brancas que voltejam, giram, rodopiam, vêm de trás, de diante, de baixo, dos lados, metem-se por todas as fisgas e grelhas à busca do coiro vivo em que ferrar.
Soprava-lhes o nordeste, o grande bufador, e era vê-las de asas ligeiras, enchendo o céu, a voar umas atrás das outras, ora muito juntas, ora desenrodilhadas, num vira sem fim."

Aquilino Ribeiro, O Malhadinhas, IX.

sábado, 7 de janeiro de 2023

Crisma

Passados que são os dias das chamadas Festas de Natal e Ano Novo, voltamos à actividade normal do BlogDosForninhenses, que é a de recordar, em textos ou em imagens, o passado, a História, estórias e memórias da nossa terra e das suas gentes.



A imagem acima mostra o ambiente da cerimónia religiosa do Crisma, que era um acontecimento de grande importância na pacatez social das nossas aldeias, ansiosamente aguardado pelos jovens adolescentes, carinhosamente preparado por párocos e catequistas, atentamente acompanhado pelos pais e pelos padrinhos. 
E lá estavam o Carlos Lopes e o tio Almeida ao lado dos seus afilhados, o Luís e o João, respectivamente, para estes receberem o Espírito Santo, através do Sacramento da Crisma ou da Confirmação.
Outras pessoas atrás também são fáceis de reconhecer.
Este dia de festa chegou à nossa aldeia passados 20 anos e nos preparativos para tão ansiada visita, ouvia-se "o Senhor Bispo já cá não vem há 20 anos" "Há muita gente por crismar"; fizeram um longo tapete de verdura na rua que dá acesso à Igreja Matriz, um arco enfeitado com folhagens e na parte superior inscrição a dar as boas vindas ao pastor diocesano Dom José Pedro da Silva, natural da Ilha de São Jorge, Açores e eleito bispo de Viseu desde 13 de Fevereiro de 1965 e até ser aceite a sua resignação, a 14 de Setembro de 1988, por ter ultrapassado os 70 anos de idade.
Tudo correu bem e eu fui crismada neste dia. Foi o padre Flor, Pároco de Forninhos que me preparou.
Bem-haja!

sábado, 1 de outubro de 2022

Bem-Hajam

Atingimos um milhão de visualizações de páginas!! 
O meu sincero bem-haja a todos os que aqui recordaram, opinaram ou simplesmente nos visitaram.
Então, em jeito de celebração, deixo um retrato de bons momentos vividos em Forninhos e que recorda gerações, pessoas, acontecimentos, vivências...na primavera de 1970, no dia do batizado duma amiga de infância (a Cristina Moreira).
Não faço ideia desde quando foi que as festas de batizado tiveram início, visto que o batismo já é praticado desde os tempos de Jesus Cristo, mas de qualquer forma, em Forninhos é uma festa familiar, na qual padrinhos, amigos e família festejam esse sacramento. Todos vão até à igreja para assistir ao batismo e após a cerimónia e registo final, todos vão almoçar, confraternizar...e...comer umas fritas (também conhecidas por rabanadas) que eram usadas obrigatoriamente nos batizados.

A madrinha é a Arminda Coelho. Do (nosso) lado direito está o Adriano Moreira (sentado numa cadeira) e do (nosso) lado esquerdo está o meu avô Cavaca e há ali mais gente conhecida que já cá não está, infelizmente!
Já passaram 52 anos!

sábado, 24 de setembro de 2022

Até ao lavar dos cestos é vindima

Embora com bastantes lacunas, inverdades e omissões, por ignorância ou por outra qualquer razão (será que somos contra a nossa história?), tenho de reconhecer que, sobre este tema, as fotos publicadas na monografia "Forninhos, a terra dos nossos avós" representam muito bem o nosso passado.


Antoninho "Matela" - meu avô materno

Na minha meninice ia sempre à vindima do meu avô e ele contava sempre aos netos que uma velha no Douro só com os bagos fez cem pipas de vinho!! Acho que a velha do Douro fazia parte das vindimas do Dão da altura.
Até parece que estou a ouvir o meu avô:
- Vamos lá meninos, toca a apanhar também os bagos do chão. Olhem que uma velha no Douro fez cem pipas de vinho só com os bagos...sabiam?
Coitada da velha, pensávamos! Longe de nós pensarmos que todo o vinho é feito com os bagos das uvas.

Fotos copiadas da referida monografia.

segunda-feira, 1 de agosto de 2022

Até à praia

Como Agosto é sinónimo de praias cheias, viajamos nas nossas memórias até à praia. Até à praia molhar os pés. Até à praia apanhar conchas do mar para trazer para casa como recordação. Até à praia ver as traineiras e os pescadores a puxar as redes e ver a sardinha a saltar.
Servia este dia certamente de bálsamo para os homens e mulheres que trabalhavam as terras durante todo o ano.


Bom mês de Agosto🏖️

domingo, 20 de março de 2022

Memórias 1961: A Escola Velha

Ora, aqui temos a "escola velha" caiada de branco e, embora não seja possível verificar, com metade do tamanho atual (pois sofreu um aumento do lado contrário há alguns anos atrás e foi construída uma cozinha do lado direito). 
Hoje é um Salão de Festas e é lá que a Junta de Freguesia de Forninhos tem a sua Sede.



Antes deste aspeto degradado, lembram-se os mais velhos que a escola tinha carteiras para dois alunos que tinham ao centro um tinteiro. A escola (não se dizia aula) começava às 09h00 e terminava ao pôr do sol, pois não havia elecricidade. A aldeia teve luz muito tarde, em Julho de 1959 é que foi inaugurada a luz eléctrica. Foi uma festa. Mas uma grande festa...
Em Junho de 1959 tinha sido inaugurada, maior, novinha, bem apetrechada e cheia de crianças, a escola nova, mas já tudo mudou, tanto que a escola nova também já passou à história, as crianças acabaram e fechou portas em 2006. Resta o edifício em degradação.
Lá está também a torre ou cabine da electricidade da aldeia e o Cruzeiro da Comemoração dos Centenários Nacionais, em Dezembro de 1940. Autênticos documentos colectivos que devíamos salvaguardar.
Soube a pouco a conversa...

Foto de João Albuquerque, 11-09-1961.

sábado, 24 de julho de 2021

A equipa "da minha infância"

Mais uma para sempre recordar.
Chega-nos de um amigo que nos segue, que diz ser a "equipa da sua infância" nos idos da década de oitenta de um Forninhos pleno de gente jovem.
Bem-haja! Esta mítica equipa estava a merecer esta homenagem recordatória, especialmente o João Pincho, o Arlindo Coelho, o Zé António Índio e o falecido Jorge Pina...que saudades.
Nas tardes de domingo deram muitas alegrias aos forninhenses. 

terça-feira, 30 de março de 2021

Até Ranchos chegou a haver


Chegou a haver na década de 1980 dois Ranchos Folclóricos (havia como que duas aldeias, mais ou menos isso). Pena foi que não tivessem continuidade, mas para recordar um pouco da história do "meu" rancho, deixamos aqui esta imagem, com um agradecimento especial à Jéssica de Melo, EUA. 
Impossível falar aqui da emoção que senti ao receber/ver este retrato.
A tia Olívia e o Sr. José Teodósio, tanto quanto me lembro, apoiados por um grupo de amigos forninhenses, eram os líderes e ensaiadores: ensaiavam na sua garagem umas danças populares e umas cantigas. 
Depois, íamos às festas, às feiras e romarias dançar muito e bem sempre e, no fim, fazia-se uma colecta para arranjar dinheiro. Foi assim que conseguimos alguns instrumentos populares: bombo,  pandeiretas, castanholas, ferrinhos...os lenços folclore e o tecido para as saias, que foram confecionadas pelas mãos das nossas mães. Bem-hajam todas.
Uma vez, em Julho, fomos dançar e cantar para o Sr. Presidente da Câmara de Aguiar da Beira, Joaquim Lacerda. Será que a foto é desse dia? 
GRANDE RECORDAÇÃO!!

sexta-feira, 12 de março de 2021

No Balcão


Não havia rua ou lugar da aldeia em que não houvesse uma casa com estas escadarias de pedra a que chamavamos de balcões...e ranchos de miudagem. 
Nestes balcões, no Verão era comum as pessoas sentarem-se para apanharem a fresca. Eram também ponto de encontro da mocidade que depois de mais um dia de escola e do trigueirar nos campos, ainda tinham genica para calcorrear as ruas e tantos jogos jogar nas quentes tardes de verão...depois e se ainda me recordo, no meio das picardias próprias da idade, ainda vinham cantorias cantadas ao desaforo, por vezes até invulgares...
Uma vez e moço novo, andava eu no seminário de Gouveia e lá na orquestra, tocava bandolim.
Nas férias de Carnaval, trouxe o instrumento para a aldeia e na Quarta-feira de Cinzas, deu-nos para a maluqueira no Lugar do Outeiro.
Coisa para os mais chegados, quase os mesmos de sempre no balcão das Brasileiras que se juntavam pela tardinha, e puxo do bandolim, dança a Nazaré e a Zita e outros que se foram juntando.
Caíu mal no povo por ser quaresma e o padre ralhou na missa do domingo seguinte. 
Ainda não havia a televisão e a rádio quem a tinha eram poucos. 
Bem-haja a Jessica de Melo pela fotoConfesso que me perco nos rostos, mas jamais no sentimento destas reuniões de carinhos.

sexta-feira, 7 de agosto de 2020

Verão, férias, festa...

Em modo de férias, duas matérias "em cima da mesa": primeiro, um dos locais de maior atracção da minha infância: O Poço dos Caniços; segundo: A Festa de Agosto de toda a gente nos idos anos 50, 60,70,80...

No Poço dos Caniços

Com uma parte boa e uma má, deixo aqui alguns comentários relevantes sobre as duas matérias...

-Noutros tempos, descia-se aquela ladeira em direcção ao Poço dos Caniços, a escassas dezenas de metros, começavam todos a correr para ver quem era o 1.º a mergulhar; tempo em que as águas eram ainda limpas.
Após uns belos mergulhos, deitavamo-nos em cima da grande pedra, que se encontra junto àgua e ali se permanecia; era o nosso "bronze".
Observando a foto era capaz de me atrever a dizer que foi tirada na praia fluvial, a cerca de 200 metros a juzante da Ponte, local este onde se faziam alguns piqueniques, assim como se passava o tempo à pesca...

- O nosso rio Dão era a nossa praia de água doce no verão, quando iamos passas as férias. Nas tardes juntavamo-nos e iamos até ao rio tomar banho e comer a merenda.
Estes jovens são: Natália, Santa, o irmão Adelino, Teresa Russa, Agostinho Branco, Augusta Castanheira, Filomena Ingina, Ana dos Anjos, José do tio Abel, Margarida Cavaca e António Russo.
O rio agora leva pouca água, mas naquela altura levava bastante, os terrenos dos lados eram regados com aquela água, onde se cultivava batatas, bom milho e outros cereais. Também se pescava bom peixinho, depois de arranjado e frito era uma delícia.
Boas férias para todos.

-Este é o melhor local fluvial desta redondeza, daí a sua importância no tempo, digo no tempo, porque hoje com a facilidade que está ao dispôr dos jovens, já não querem estes locais que são nossos.
Quero lembrar os mais novos, inclusive a Paula, que este local, no tempo não era exclusivo de Forninhos, os de Dornelas deslocavam-se frequentemente ao poço dos caniços, por vezes fazia parte das "aventuras" noturnas dos rapazes de Dornelas e, por vezes, mesmo de noite, lá encontravamos também os de Forninhos, mas cabíamos todos.
Bons tempos que não voltam.

A Procissão da Festa

- A festa de 15 de Agosto para os forninhenses era a festa maior do ano porque era no verão e os ausentes vinham passar as suas férias. Ainda não emigravam para França e outros países, vinham mais os lisboetas.

- As procissões antigas eram diferentes das procissoes de agora, antigamente eram grandes, os andores iam cheios de crianças vestidas com os trajes correspondentes ao santo que ia no andor, não faltava a banda de música, nem os foguetes e ia sempre muita gente a acompanhar a procissão; quando eu ia vestida no andor ou de cruzada para mim era um orgulho.
Hoje as procissões são pequenas, já não levam quase ninguém, já vão poucas crianças vestidas de cruzada e nos andores.

- E aquelas "santinhas de açúcar que vendia a ti Isaura?
E a imagem de Nossa Senhora dos Verdes que os homens dobravam e colocavam no chapéu?
E as bebedeiras de "alegria" que começavam com a Moradia, passavam pela Matela e acabavam entre os de Forninhos?

- Nas procissões sempre me lembro e desde que fui para Forninhos de ver os mais pequenos vestidos com faixas de cruzados, eu ainda fui assim algumas vezes na procissão, pelo que não deveria acabar, mas...onde estão as crianças?

De férias,  envio um abraço virtual para todos vós.

quinta-feira, 9 de abril de 2020

In Illo Tempore


Já passou o Domingo de Ramos. Foi um dia de muita alegria. A igreja estava apinhada de fiéis com os seus ramos de oliveira, loureiro e alecrim, mais parecendo uma floresta cerrada onde era difícil romper.
Estamos na Semana Santa e os fornos do povo e os particulares não páram de cozer trigas-milhas, bolos de azeite, doces e pão-leves que fazem soltar pelas ruas o seu cheirinho agradável e inconfundível. Nem toda a gente faz bolos de azeite e pão-leves, por ficarem caros, mas os doces toda a gente os faz, sem excepção, mesmo as famílias mais pobres, pois na mesa do folar não pode faltar o célebre prato de doces. As latas onde se cozem andam de mão em mão entre famílias e vizinhança, que nem dá para sair do forno.
A paróquia de Santa Marinha de Forninhos anda agitassísima, não fosse a Guerra no Ultramar e a Alegria seria completa.
As paroquianas já fizeram a limpeza geral à casa, trocam ideias de como decorar a Igreja, onde estão as flores mais bonitas e os melhores rosmaninhos para enfeitarem as ruas...
Quinta-Feira Santa. Trabalhou-se só até ao meio-dia. Já se realizou a cerimónia do Lava-Pés. A Igreja estava à cunha e os Doze Apostolos muito compenetrados no seu piedoso papel.
Sexta-Feira Santa ninguém trabalha, será um dia triste, de luto. Silêncio, oração e o trac-trac das matracas a chamar os Cristãos para a cerimónia.
Todos se preparam para o grande dia: O Sábado de Aleluia. Afinal o Senhor Ressuscitou. Ressuscitou...Aleluia, Aleluia! 
No próximo Domingo será Domingo de Páscoa. Pela manhã, haverá missa na Igreja e depois a procissão da Ressureição. A seguir ao almoço: um almoço para tirar a barriga das misérias (foram muitos dias de jejum), começará a visita pascal. O Sr. Padre irá tirar o folar e levará o Senhor a beijar de casa em casa.
E Segunda-Feira da panelinha, rapazes e raparigas em fila percorrem as ruas a jogar com a panelinha de barro.
A Vida Vence a Morte!

Semana Santa dos anos sessenta em Forninhos.

domingo, 8 de março de 2020

Homenagem a todas as Mulheres


Eis uma imagem, de algumas mulheres de Forninhos, nos anos 60. 
Para elas e para todas as outras neste Dia 08.Março.2020 vai o nosso Obrigada, por tudo, o que com grandes sacrifícios fizeram por Forninhos, enquanto Mulheres, Mães, Companheiras, Amigas, Pessoas importantes no desenvolvimento e progresso da sociedade actual, quer como catequistas ou noutras actividadades ligadas à igreja ou à comunidade.

FELIZ DIA INTERNACIONAL DA MULHER!!

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

"Castelo", um mito secular

Para Fernando Pessoa, o mito é o nada que é tudo. Para Almeida Garret, trata-se de uma palavra grega que em tudo se mete e com a qual se procura explicar o que não tem explicação.
Os dicionários, consideram-no um feito fabuloso atribuído a divindades ou personagens desfiguradas; para ensaístas, trata-se de narração de factos ou tempos que a história não esclarece e contendo ora um facto real convertido em noção religiosa, ora a invenção de um facto com o auxílio de uma ideia.
Chegados a este ponto, afinal o que é o "Castelo"?
Simplesmente um monte alto, o monte mais alto da minha aldeia, onde está a cadeira do rei.
Hoje sei que foi um lugar fortificado das épocas pré-romanas e romana, na Penísula Ibérica, que era um povoado permanente e um refúgio das populações circunvizinhas em caso de perigo, também designado de castro, citânia, civita, forteleza, etc.
Mas vão lá vocês dizer isso a uma criança de oito anos nas décadas de  60 e 70 ou a jovens de 18 dos anos 40 e 50?

foto de Ilídio Marques, no Castelo-Forninhos

Como se fosse uma espécie de chamamento acima do real...
O "Castelo" era uma das maiores atrações da nossa meninice e como tal, ligado a uma época de juventude; gerações e gerações imaginaram ali encontrar o tesourou do Ali Babá e daqui gritaram o"abre-te-sésamo", embevecidos pela lenda da grade e cambão de oiro por ali enterrados que encantava as crianças que nós éramos ou da moira encantada que numa noite especial penteava os seus longos cabelos ao luar.
Era a nossa maravilhosa cultura popular a impressionar-nos...
A gente desta foto (Adriano Moreira, Zé Pina, Samuel Cavaca...rapaziada agora para os 80, 75 e 65 e mais)  "viveu"  de certeza o encanto do "Castelo".
É nós hoje? 
Fico muito feliz quando vejo promoções de caminhadas pela nossa Serra (esta e outras) para apreciar as suas belezas, mas será o suficiente?

sexta-feira, 19 de julho de 2019

O DIA DA LUZ

Domingo - 19 de Julho de 1959
Faz hoje precisamente 60 anos que foi inaugurada a rede elétrica em Forninhos.
Dia festivo, celebrado com pompa e circunsntância por alguns, aqueles que eram convidados para o repasto do lauto banquete e os outros sempre habituados aos candeeiros e candeias,  dançavam no terreiro em frente à casa do Sr. Zé Bernardo, não descalços por ser dia de festa, mas com as melhores sandálias, ao som da banda de Vila Cova à Coelheira; e, à noitinha ficaram assustados aquando ligaram a "cabine" e viram luz nos poucos postes eléctricos.
A partir daí, tudo jamais seria como dantes, até o habituar a estas modernices. 
Poucos que iam tendo a rádio em que ouviam as rádios-novelas tal como a "Simplesmente Maria", eis que, apareciam as primeiras televisões. O tempo havia mudado graças à electricidade,  isto que nos aproximou dos tempos modernos.
Faz hoje, neste dia, 60 anos.
Também no mesmo ano foi inaugurado o edifício das escolas primárias.
A sra. professora deve lembrar-se... 
Pergunto: qual a razão por estes tempos históricos terem caído no esquecimento, melhor, não serem lembrados ao ponto de serem perpetuados na dignidade que merecem? 
E eis que tantos anos depois, começaram a brincar com as nossas memórias, nem era necessário tanto alarvismo, bastava o respeito pelo passado e tal dignificar. Bastava a humildade de não vestirmos os nossos antepassados de heróis à nossa imagem e semelhança, mas não, sereis recordados no dia em que for ditado e aí, surge o dia da freguesia, inócua, comercial que até agora não compreendo a Santa Marinha ser tão cordata e engolir ter sido eleita e jamais lhe calhar esse dia...

sábado, 1 de junho de 2019

Cantigas de roda



01.Junho.19 - DIA DA CRIANÇA, em Portugal

Uma imagem, de algumas crianças de Forninhos, nos anos de 1960, para elas e para todas as outras, neste dia vai o nosso obrigada, por tudo o que fizeram naquele tempo em que as antigas cantigas de roda ecoavam na aldeia:

Ai, ai, ai,
minha machadinha!
Quem te pôs a mão,
sabendo que és minha?

Outras vozes de crianças, respondiam:

Sabendo que és minha,
também eu sou tua.
Salta, machadinha,
pró meio da rua.

Enquanto isso, carros-de-bois chiavam pelas ruas, umas vezes indo, outras regressando dos campos.
E baliam ovelhas e cabras, vigiadas pelo pastor, entre toques do sino - do Anjo ou Trindades.

Foto retirada da monografia de Forninhos, pág. 79 que ofereço à Anete do blog  "ciranda de frases".

sábado, 9 de março de 2019

Do baú das memórias "As Sementeiras"

Porque estamos na altura de preparar as terras para as sementeiras (para colhermos, temos de semear), deixo-vos estas fotos tiradas no século passado nos campos da nossa terra e que mostram um pouco do que foi a vida dos nossos progenitores:


Não se usavam copos, bebia-se pelo garrafão, assim era também nas tabernas, a rodada era um copo de quartilho por onde bebiam todos os da roda.