Mostrar mensagens com a etiqueta Vegan. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vegan. Mostrar todas as mensagens

30 de setembro de 2015

Caril de grão e cogumelos para uma casamenteira falhada.

This is what you give me to work with?
Well, honey, I've seen worse!
We're going to turn this sow's ear into a silk purse.
We'll have you washed and dried,
Primped and polished till you glow with pride.
Trust my recipe for instant bride,
You'll bring honor to us all.

Mulan


25 de fevereiro de 2015

Semana da diabetes #3: Rancho vegetariano, um prato à prova de avós!

This is the modern way
Of faking it everyday,
And taking it as we come,
And we're not the only ones.
Is that what we used to say? 
This is the modern way.

Kaiser Chiefs


Desde que me lembro que sempre existiu em casa dos meus pais um livro de culinária antiguinho e sobejamente conhecido da Maria de Lurdes Modesto, o 'Cozinha Tradicional Portuguesa'. Lembro-me que quando comecei a cozinhar mais a sério fui desenterrá-lo do esquecimento com o objectivo de aprender umas coisinhas engraçadas e úteis, apenas para ficar estupefacta dez minutos depois: como é que as pessoas comiam aquelas coisas?

Entre receitas com banha (e azeite, e manteiga, e toucinho!), receitas com quilos de açúcar (não esquecendo a manteiga, claro!) e receitas com coisas estranhas (sangue, vísceras, enfim!), confesso que me surpreende como é que os nossos avós não entupiram as coronárias logo aos quarenta anos.


(No fundo o senhor Salazar era um incompreendido, ele era apenas um benfeitor que fazia os portugueses passarem fome para que eles não comessem estas coisas tão agressivas. Tratava-se apenas de preocupação genuína - afinal, quem é que entope uma coronária comendo apenas um terço de sardinha por refeição?)

(O facto do Salazar ter sido eleito o primeiro d'Os Grandes Portugueses em 2007 continua a ser uma das razões que me impele a emigrar. Recuso-me a partilhar o espaço físico com malta que acha que um ditador é porreirinho, quanto mais com quem o julga o maior.)

(Nota-se muito que os meus avós eram comunistas e que o meu avô até chegou a ser preso pela PIDE? Enfim, adiante.)


Creio ser esta uma das causas da grande dificuldade em fazer com que a nossa população idosa diabética tenha bons hábitos alimentares: depois de terem passado anos a comer aqueles toucinhos do céu carregadinhos de açúcar do bom da Maria de Lurdes Modesto, quem é que se delicia com satisfação com um bolinho sem açúcar? Depois de décadas com pratinhos cheios de arroz, batatas e enchidos, quem é que decide que grelhados e saladas é que sabem bem?

E se eu vos disser que não precisam de sacrificar o tradicional e saboroso para obterem o saudável?


Hoje trago-vos um prato tradicionalmente português: o rancho. Normalmente feito com carne de vaca, macarrão, grão-de-bico e quilos de chouriça da boa, mas desta vez com uma ou outra adaptação que o tornam mais saudável e igualmente delicioso. À prova de qualquer avó, garanto-vos :D


Rancho vegetariano

Ingredientes (para quatro pessoas):

* Uma cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Um fio de azeite;
* Uma colher de chá de pimentão-doce;
* Uma colher de chá de paprika;
* Uma colher de chá de coentros;
* Uma colher de chá de cominhos;
* Uma pitada de sal;
* Uma pitada de piri-piri;
* Macarrão integral q.b.;
* Uma lata grande de grão-de-bico cozido.

Confecção:

* Refogar a cebola picada e o alho picado num fio de azeite e juntar o pimentão-doce, a paprika, os coentros, os cominhos, o sal e o piri-piri;

* Acrescentar o macarrão e deixar refogar;

* Juntar água quente até cobrir a massa e deixar cozinhar até a massa ficar cozida;

* Adicionar o grão-de-bico cozido e misturar bem;

* Deixar cozinhar mais um pouco.



Até amanhã! :D

5 de fevereiro de 2015

Brownies vegan (com cerveja preta) para uma despedida :)

E o que foi não volta ser,
Mesmo que muito se queira,
E querer muito é poder,
E o que foi não volta a ser...

Xutos & Pontapés


Há pouco mais de um mês que deixei de trabalhar no Hospital de Vila Franca de Xira, e confesso que (e apesar de estar muito feliz no meu novo hospital) tenho imensas saudades.

Adorei trabalhar em Vila Franca. A experiência de trabalhar num hospital relativamente pequeno onde conhecíamos (quase) toda a gente foi indescritível. Conheci pessoas fantásticas, vivi momentos memoráveis e passei por experiências extraordinárias. Em última análise, aqueles corredores assistiram à minha adaptação ao meu primeiro emprego, ao meu acidente, ao lançamento do meu livro e ao meu casamento, tudo em apenas doze meses.


Fiquei verdadeiramente nostálgica quando chegou o dia de me despedir. Mas fiz o que tinha que ser feito: entreguei a bata e o uniforme da urgência, despedi-me do meu cartão de funcionária todo pimpolho e devolvi o cartão do parque de estacionamento. E continuei o meu percurso num novo hospital sem bata, sem uniforme da urgência, sem cartão de funcionária e sem parque de estacionamento, mas onde sei que serei muito, muito feliz.

Caramba, nunca fui boa em despedidas. Mas também, será que alguém o é?


Na última semana da minha estadia em Vila Franca levei estes brownies vegan para o hospital e, pela última vez, andei a distribuir a minha comidinha pelas pessoas que acompanharam aquele que foi o ano mais alucinante da minha vida até ao momento.

E já em casa, coberta com uma pequena nuvenzinha de tristeza e saudades do que já não volta a ser, comi um brownie coberto com molho de frutos vermelhos e soube que assim é também a vida: uma combinação de momentos deliciosamente doces e misteriosamente ácidos.


Novas etapas me esperam. Novas lutas, novos desafios, novos momentos e novas metas. Novos sucessos, novos fracassos e novas aprendizagens. Novos brownies, certamente.

Venham eles.


Brownies vegan (com cerveja preta) (receita adaptada do blog 'Chocolate-covered Katie')

Ingredientes:

* Duas colheres de sopa de leite de amêndoa;
* 250ml de cerveja preta (para consultarem as marcas de cerveja vegan em Portugal, é só espreitarem aqui);
* 110g de óleo vegetal;
* Uma colher de sopa de essência de baunilha;
* Duas colheres de sopa de sementes de linhaça moídas;
* 120g de farinha de trigo;
*  80g de cacau em pó;
* Uma pitada de sal;
* Meia colher de chá de fermento;
* 150g de açúcar amarelo;
* 100g de pepitas de chocolate negro;
* Nozes picadas a gosto.

Para o molho de frutos vermelhos:

* 90g de frutos vermelhos congelados;
* 30g de açúcar.

Confecção:

* Juntar o leite, a cerveja, o óleo vegetal, a essência de baunilha e as sementes de linhaça e misturar bem;

* Noutra tigela misturar a farinha, o cacau, o sal, o fermento, o açúcar, as pepitas de chocolate e as nozes picadas e envolver bem;

* Juntar os ingredientes líquidos aos ingredientes secos e envolver com cuidado;

* Colocar num tabuleiro com 22x33cm coberto com papel vegetal e levar ao forno pré-aquecido a 165º durante 15 a 20 minutos (o tempo de cozedura irá depender consoante o tamanho do vosso tabuleiro e da forma como preferem os vossos brownies);

* Deixar arrefecer completamente e refrigerar durante pelo menos doze horas antes de servir para os brownies ficarem firmes;

* Para o molho de frutos vermelhos, misturar os frutos com o açúcar e aquecer em lume brando até ficar espesso e homogéneo.



 Até amanhã :D

17 de novembro de 2014

Iogurtes de pêra (com compota caseira de pêra) e um amor sazonal :D

When all the world is a hopeless jumble
And the raindrops tumble all around,
Heaven opens a magic lane.
When all the clouds darken up the skyway,
There's a rainbow highway to be found,
Leading from your windowpane
To a place behind the sun,
Just a step beyond the rain.

Ella Fitzgerald (original da Judy Garland)


Os meus sabores preferidos vão mudando consoante as estações.

Na Primavera não resisto a morangos e framboesas, no Verão não passo sem nectarinas (muitas!), no Outono lambuzo-me de pêras maduras e no Inverno adoro laranjas, por isso é normal que as pessoas fiquem confusas quando me perguntam qual é o meu sabor preferido e eu respondo sempre coisas diferentes.

Quer dizer, o limão é o meu amor intemporal vá.


Mal Outubro começa a adivinhar-se no horizonte começo a trazer do supermercado sacos cheios de pêras, que ficam uns dias a amadurecer até serem devoradas umas atrás das outras. E só o facto de ser absolutamente e completamente louca por pêras maduras explica porque é que não há aqui no blog mais receitas com esta frutinha deliciosa: a melhor forma de comê-la é mesmo ao natural.

Mas há excepções a esta regra, claro.


Quando a ideia dos iogurtes de butterscotch começou a desenvolver-se na minha mente, logo me ocorreu que gostaria de os tornar ainda mais decadentes - afinal, havia ali potencial para criar os melhores iogurtes de sempre. A resposta ocorreu-me automaticamente: melhores do que os pecaminosos iogurtes de butterscotch, só mesmo uns iogurtes de butterscotch e pêra.


Meti mãos à obra, e dessa fornada saíram quatro iogurtes diferentes: os simples (que vos mostrei na semana passada), os de pêra, os de butterscotch e os de pêra e butterscotch. E enquanto me deliciava com um destes iogurtes do céu só conseguia pensar em quão bem consegui descrever-me na apresentação do blog:

'Obcecada por queques. Louca por viagens. Aprendiz de fotografia. Eternamente criança. Fanática do Natal. Defensora dos direitos das vaquinhas. Fã da Disney, de pêras maduras, de bananas verdes, de torradas com compota, de chávenas de chá a fumegar e de pijamas com renas.'

É tão bom conhecermo-nos bem.


Iogurtes de pêra (com compota caseira de pêra)

Ingredientes:

* Duas pêras maduras descascadas e cortadas em pedaços;
* 40g de açúcar branco;
* 800ml de leite de amêndoa;
* 200ml de leite de arroz;
* Três colheres de sopa de açúcar branco;
* Um iogurte de soja natural.

Confecção:

* Levar os bocados de pêra ao lume com o açúcar e deixar cozinhar até engrossar;

* Triturar com a varinha mágica e deixar esfriar;

* Numa panela colocar o leite de amêndoa, o leite de arroz e o açúcar e mexer com uma vara de arames;

* Levar ao lume até ferver e deixar arrefecer;

* Quando estiver morno juntar o iogurte, misturando com a vara de arames;

* Colocar a compota de pêra nos compinhos e cobrir com o leite;

* Levar à iogurteira durante cerca de dez horas;

* Transferir para o frigorífico durante pelo menos quatro horas.

Tenham uma óptima semana :D

11 de novembro de 2014

Sopa de espinafres para um jogo divertido :D

É urgente estar atento, ver para onde corre a maré,
Ver de onde sopra o vento, não vás tu perder o pé.

B.P. é quem to diz, impele a tua própria canoa.
Se queres mesmo ser feliz, não te deixes ir à toa.
Impele a tua própria canoa, impele a tua própria canoa.

A vida não é um deserto, não queiras ficar no cais.
Lenço rubro é rumo certo, decide tu para onde vais.
Não queiras ficar no cais.

 

Quando o meu irmão era pequenino era frequente eu dormir com ele ao fim-de-semana. Algumas das minhas mais felizes memórias da adolescência estão relacionadas com aquelas horas intermináveis que passávamos a conversar, a rir e a cantar, e só parávamos quando a minha mãe gritava ensonada do quarto para que nos calássemos.

Aí havia duas coisas que adormeciam quase instantaneamente o meu irmão. A primeira era cantar-lhe músicas das guias, algumas das quais ele ainda se recorda hoje em dia (como a que está acima).

A outra era jogarmos ao jogo dos legumes.


O jogo dos legumes era a brincadeira mais idiota e parva de sempre, e consistia em imitarmos os legumes à nossa escolha. Se fôssemos uma cenoura ficávamos bem esticados, se fôssemos um tomate ficávamos enroladinhos numa pequena bola humana... Independentemente da forma que fizéssemos, uma coisa era certa: tínhamos que estar calados.

Percebem? Porque os legumes não falam.


Quando comecei a jogar este jogo o meu irmão tinha uns dois anos, o que explica que tenha caído tão depressa na cantiga. Sempre que ele dizia alguma coisa, logo eu retorquia com um ar adulto:

'Tiago alguma vez viste uma cenoura a falar? Não podes fazer barulho, és uma cenoura!'.

Com o tempo esta parvoíce totó manteve-se, e é com um grande carinho que admito que jogámos ao jogo dos legumes durante muitos anos (já as músicas das guias ainda são comuns quando dormimos juntos, mas enfim!).


Hoje o jogo dos legumes é diferente, mas nem por isso menos divertido. Implica usar o maior número possível de legumes numa receita, comer vários tipos diferentes de legumes durante o dia e tornar extremamente saborosos os pratos que nos fazem bem. E eu sou tão boa neste jogo que às vezes juro que tenho medo de me tornar efectivamente num legume.

Bem, nesse dia pelo menos seria a melhor jogadora do jogo dos legumes de sempre. Havia era aquele aborrecimento de não poder falar, mas segundo certas e determinadas pessoas isso até era uma vantagem (não era Pedro?) :D


Sopa de espinafres

Ingredientes:

* Duas courgettes;
* Três cenouras;
* Uma cebola;
* Três dentes de alho;
* 400g de espinafres;
* 200g de couve-flor;
* Uma pitada de sal;
* Uma lata de feijão vermelho cozido;
* Um fio de azeite.

Confecção:

* Cortar as courgettes, as cenouras, a cebola e os dentes de alho e colocar numa panela juntamente com os espinafres e a couve-flor;

* Cobrir com água, temperar com sal e deixar cozinhar;

* Passar com a varinha mágica e acrescentar o feijão vermelho;

* Deixar cozinhar mais um pouco e desligar o lume;

* Acrescentar o fio de azeite quando a sopa estiver morna.


Até amanhã :D

6 de novembro de 2014

Almôndegas de grão-de-bico (vegan) para uma equipa fantástica :D

(Porque há músicas que são simplesmente nossas, em toda a sua essência)

There's times when I want something more, someone more like me.
There's times when this dress rehearsal seems incomplete.
But you see the colors in me like no one else,
And behind your dark glasses you're something else.

You're really lovely, underneath it all.
And you want to love me, underneath it all.
I'm really lucky, underneath it all.
And you're really lovely.

No Doubt


Eu sou do Porto, tu és do Sporting. Eu sou a sonhadora, tu és o racional. Eu sou a dorminhoca, tu és o despachado. Eu sou a histérica, tu és o relaxado.

Eu sou a diva, tu és o sidekick. Eu sou a nervosinha, tu és o optimista. Eu sou a pessoa que se envolve em 1001 coisas, tu és a pessoa que está ao meu lado para ter a certeza que não fico maluquinha com tudo isto.

Eu sou a viciada em sonhos, tu és o meu trampolim. E graças a ti consigo sempre sonhar cada vez mais alto.


Apesar de estarmos constantemente em equipas diferentes, é inegável que na nossa relação funcionamos como uma equipa unida, consistentemente a lutar por um objectivo comum: a felicidade de ambos.

Nós contra o mundo, como costumas dizer com carinho. E eu sorrio. É tão fácil acreditar nas palavras que sussuras ao meu ouvido, quando o mundo está do lado de fora da janela e cá dentro só se ouvem as nossas gargalhadas.


Na vida real, no nosso trabalho das 8h às 18h e na correria do dia-a-dia, sermos uma equipa manifesta-se de uma forma diferente. Na vida real não somos aqueles que querem ter três filhos, dois gatos e uma quinta. Na vida real não somos aqueles que querem uma loja de queques e uma empresa para ensinar xadrez aos miúdos. Na vida real não somos aqueles que se escondem debaixo dos cobertores aquecidos pelo calor do nosso abraço e pela magia dos nossos sonhos.


Mas na vida real somos a equipa da marmita - sempre unidos por um almoço mais saudável, mais saboroso, mais barato e mais reconfortante.

Eu sou da equipa do grão-de-bico, tu és da equipa do entrecosto. Mas nunca deixaremos de ser da mesma equipa. Nós contra o mundo, como costumas dizer com carinho. E eu sorrio.

E acredito em ti.


Almôndegas de grão-de-bico vegan

Ingredientes (para oito almôndegas):

* Uma lata de grão-de-bico cozido;
* Meia cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Uma colher de chá de ras el hanout (mistura de especiarias marroquinas);
* Uma colher de chá de pimentão-doce;
* Uma colher de chá de paprika;
* Uma pitada de sal;
* Uma pitada de piri-piri;
* Pão ralado q.b. (em alternativa podem usar farinha de trigo ou de aveia ou sementes de linhaça);
* Um fio de azeite.

Confecção:

* Juntar o grão-de-bico, a cebola, o alho, o ras el hanout, o pimentão-doce, a paprika, o sal e o piri-piri e triturar bem com a varinha mágica;

* Acrescentar o pão ralado (ou uma das alternativas) e moldar até conseguir formar bolinhas;

* Cobrir com um fio de azeite e levar ao forno pré-aquecido a 180º durante trinta minutos (eu fiz na Actifry).


Até amanhã! :D

3 de novembro de 2014

Iogurtes naturais (vegan) e um objectivo cumprido :)

And all I wanted was the simple things, a simple kind of life.
And all I needed was a simple man, so I could be the wife.

No Doubt


Há muito tempo que queria fazer iogurtes vegan, e o facto do Pedro ter começado a seguir a dieta paleo - e ter eliminado o leite de vaca da sua alimentação - impulsionou-me a agir.

Na verdade, mal comecei a fazer iogurtes normais questionei-me logo como seria fazer iogurtes sem leite de vaca, mas esbarrava sempre num pequeno problema: eu sou intolerante à soja, e por isso fazer iogurtes de soja estava fora de questão.

Ora, é quase imprescindível usar um iogurte como fonte de probióticos para os iogurtes restantes: há outras alternativas, mas honestamente não me pareciam tão práticas. Como eu não encontrava iogurtes feitos integralmente de arroz ou de amêndoa (ou de outras coisas que não fossem leite de vaca ou soja) vi-me perante a necessidade de ter de arranjar uma solução de compromisso. Vai daí, usei um iogurte de soja e leite de amêndoa e arroz.


O meu objectivo era fazer iogurtes líquidos (são mais práticos para levar na marmita e para beber naqueles intervalos entre consultas) e por isso não utilizei nada para 'solidificar' mais os iogurtes, mas se pretenderem ter iogurtes sólidos vegan basta utilizarem ágar-ágar - em breve vou experimentar e partilhar aqui :)

Por isso aqui têm: iogurtes vegan saudáveis, deliciosos e práticos. Não são particularmente baratos (os senhores da indústria dos leites vegetais devem estar milionários), mas são bastante bons. E são tão versáteis que desta fornada saíram iogurtes simples, de pêra, de butterscotch e de pêra e butterscotch (cééééééééu!).


Hoje trago-vos os iogurtes simples, perfeitos para quem quer descomplicar. Não foram os meus preferidos (o meu coração continua a bater mais depressa pelos de butterscotch e pêra), mas são uma boa base para algo mais :)


Iogurtes naturais (vegan)

Ingredientes:

* 800ml de leite de amêndoa;
* 200ml de leite de arroz;
* Três colheres de sopa de açúcar branco;
* Um iogurte de soja natural.

Confecção:

* Numa panela colocar o leite de amêndoa, o leite de arroz e o açúcar e mexer com uma vara de arames;

* Levar ao lume até ferver e deixar arrefecer;

* Quando estiver morno juntar o iogurte, misturando com a vara de arames;

* Levar à iogurteira durante cerca de dez horas;

* Transferir para o frigorífico durante pelo menos quatro horas.



Pêra
Butterscotch
Pêra e butterscotch
Espero que gostem e tenham uma óptima semana :D

14 de outubro de 2014

Chili de legumes e uma escolha de vida.

It's the music that we choose,
It's the music that we choose,
It's the music that we choose,
It's the music that we choose.

Gorillaz


Durante a minha passagem pelo serviço de psiquiatria fui contando à minha tutora algumas coisas sobre mim. Um dia estávamos a conversar sobre coletes de Milwaukee enquanto esperávamos pelo elevador e eu partilhei com ela a minha própria experiência pessoal, uma vez que durante a adolescência usei um que ia do pescoço até à anca por causa da minha patologia da coluna vertebral. Ela ficou visivelmente surpreendida e logo comentou:

'Pareces uma pessoa tão despreocupada e feliz, mas a verdade é que já te aconteceram na vida situações muito tristes e aborrecidas.'

Fiquei estupefacta, confesso. Nunca penso na minha vida como um conjunto de acontecimentos menos bons - muito pelo contrário, sempre me considerei incrivelmente feliz. Mas isso é apenas uma questão de perspectiva: na verdade, se decidir concentrar-me apenas nas coisas negativas que vivi no passado é um facto que já ultrapassei situações dolorosas e difíceis.


Há uns dias conversava sobre isso com o Bernardo, e ele comentou que de facto eu raramente falo sobre os meus problemas - como aliás já devem ter reparado aqui no blog. Dizia ele que isso poderia dar a quem me rodeia ou lê a ideia errada de que (e cito) 'nasci com o rabinho virado para a lua' e que a minha vida é perfeita, o que não corresponde obviamente à realidade.

Fui operada duas vezes ao meu estrabismo, que regressou novamente no ano passado. Voltarei a ser operada no futuro.
Fui operada à miopia há quatro anos e estou outra vez míope. Vou voltar a usar óculos.
Passei por vários meses de fisioterapia e por anos de utilização de um colete. Continuo a ter dores fortes diariamente.
Usei aparelho nos dentes durante três anos. Dez anos e o nascimento de um siso depois, tenho novamente um dente torto.
Fui vítima de agressões físicas e verbais na escola. Lidei com a tristeza e a solidão.
Fui gordinha durante anos. Quando decidi fazer dieta fiquei demasiado magra e lidei com um distúrbio alimentar.
Descobri uma insuficiência numa válvula cardíaca.
Passei pela morte traumática do meu avô e pelo longo e demorado processo legal que se seguiu.
Acompanhei o tratamento complicado e doloroso da doença do meu pai e temi pela vida dele.
Tenho infecções urinárias recorrentes e sofro muito com elas.
Questiono-me diariamente se escolhi a profissão certa e se não seria mais feliz noutra coisa.
Lido constantemente com o medo de não ser boa o suficiente: boa pessoa, boa amiga, boa irmã, boa filha e boa profissional.

Como vêem, a minha vida não é perfeita. Tenho os meus problemas, tal como toda a gente. Mas sabem que mais? Isso nunca me definirá. Nunca serei a pessoa que passou por isto ou aquilo, e nunca deixarei de ser a pessoa despreocupada e feliz.

Porque a vida é assim mesmo: todos vamos passar por momentos bons (que não serão melhores do que os dos outros por serem nossos) e por momentos maus (que não serão piores do que os dos outros por serem nossos), e vamos simplesmente continuar em frente com um pé depois do outro.


Ser feliz é uma escolha, por isso escolham-no. Não sejam amargos, não arremessem sentimentos maus ou palavras agressivas, não se magoem com ruminações que não resolvem nada. Riam, abracem, beijem, leiam, passeiem. Cozinhem. Acima de tudo, nunca deixem de valorizar o que a vida tem de bom e nunca deixem de fazer aquilo que realmente gostam.


Chili de legumes

Ingredientes (para duas pessoas):

* Uma cebola picada;
* Dois dentes de alho picados;
* Meio pimento vermelho picado;
* Um fio de azeite;
* Mistura de legumes congelados (usei feijão-verde, ervilhas e cenoura);
* Uma colher de chá de pimentão-doce;
* Uma colher de chá de paprika;
* Uma colher de chá de cominhos;
* Uma colher de chá de coentros;
* Uma pitada de sal;
* Uma pitada generosa de piri-piri;
* Uma lata de feijão vermelho;
* Molho de tomate q.b.
* Uma fatia de queijo (opcional).

Confecção:

* Refogar a cebola picada, o alho picado e o pimento vermelho num fio de azeite;

* Juntar a mistura de legumes e deixar refogar;

* Temperar com pimentão-doce, a paprika, os cominhos, os coentros, o sal e o piri-piri e mexer bem;

* Acrescentar a lata de feijão fermelho e cobrir com o molho de tomate, envolvendo bem;

* Desligar o lume e juntar uma fatia de queijo cortada em tiras (opcional).


Até amanhã! :D

20 de agosto de 2014

Arroz de pimentos (bem vermelhinho, como a inveja).

Do not overrate what you have received, nor envy others. 
He who envies others does not obtain peace of mind.

Buddha


Eu sempre soube, desde o primeiro dia, que escrever no blog era abrir uma janela para a minha alma, o meu coração e a minha vida. Desde que criei esta página tenho recebido em troca coisas absolutamente estrondosas e extraordinárias, mas não pensem que tudo são rosas e coelhinhos a saltitar nas nuvens: abrir a janela da nossa alma faz com que toda a gente espreite lá para dentro - inclusivamente as pessoas com quem não simpatizamos.

Com o tempo percebi que algumas pessoas faziam isso: espreitavam cá para dentro para coscuvilhar e depois divertiam-se a comentar o quanto eu sou sortuda porque tudo me foi dado na vida e o quanto elas têm azar porque não quiseram estudar, não arranjam trabalhos bons e não conseguem ser independentes financeiramente.


Agora que vou casar e escrevi o meu livro as coisas pioraram substancialmente, e se antes só vinha um ou outro comentário de mau gosto agora é toda uma miríade de frases invejosas e atitudes infelizes.

Apesar do tom relativamente zangado deste post confesso-vos que tudo isto não me faz a mínima confusão: há muito, muito tempo que sei quem é realmente importante. Passei muitos anos da minha vida a preocupar-me com pessoas que não interessam, e garanto-vos que não pretendo repetir a receita nos próximos. Mas incomoda-me saber que há minhas pessoas que sofrem com isto. Que ainda esperam que os outros mudem e que deixem de ser ressabiados. Que ainda se perguntam porque não somos uma família grande e unida como as outras.


E por isso hoje vou aproveitar que a malta anda sempre aqui com o nariz enfiado para deixar um recadinho especial: lamento muito se a vida não vos corre como queriam, mas espero que um dia percebam que a culpa do vosso insucesso é vossa (e não minha) e metam mãos à obra. E adivinhem - a partir desse dia a vossa vida vai melhorar substancialmente, até ao dia em que o sucesso dos outros deixe de vos fazer tanta comichão.

E agora que já exorcizei isto o blog vai voltar à sua programação feliz habitual.


Arroz de pimentos

Ingredientes (para quatro pessoas):

* Uma cebola picada;
* Três dentes de alho picados;
* Meio pimento vermelho picado;
* Um fio de azeite;
* Quatro medidas de arroz (fazemos sempre a olho, desculpem!);
* Uma lata de tomate pelado;
* Uma pitada de sal.

Confecção:

* Refogar a cebola picada, o alho picado e o pimento vermelho picado num fio de azeite;

* Juntar o arroz e misturar bem, deixando 'fritar' até que o arroz mude de cor;

* Juntar o tomate e temperar com sal;

* Acrescentar água, se necessário.


Até amanhã :D