Mostrar mensagens com a etiqueta Festa Mexicana. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Festa Mexicana. Mostrar todas as mensagens

17 de maio de 2020

Festa Mexicana!

Mostrei as fotos da festa da minha mãe, mas ficou uma história dessa noite por contar.

Tive um dia atribulado. Queria ir já penteada e maquilhada de Lisboa, mas fiquei à conversa com a maquilhadora, o tempo passou e acabei por sair só com metade da maquilhagem feita. A Joana já me esperava em casa, apanhámos um Uber e chegámos ao Oriente tão depressa que dei dez euros de gorjeta ao motorista. Subimos a correr pela estação, e mal entrámos no comboio as portas fecharam-se atrás de nós. Quando chegámos tudo estava uma confusão, roupas aqui, maquilhagens ali e saiotes pelos cantos. Fiz a maquilhagem restante, vesti-me e os convidados começaram a chegar. Tudo acalmou. Os meus filhos estavam com o Pedro, a minha família estava ali. Bebi um gin, depois outro. Talvez uns quantos depois disso.

E fiquei bêbada.

Acho que se nota aqui que eu sou a versão humana de um cãozinho fofinho, e quando bebo isso aumenta exponencialmente. Mandei dezenas de mensagens ao Pedro a dizer que ele era lindo e sexy. Disse à Joana que a amava como se ela fosse minha irmã. Troquei mensagens no Instagram com uma pessoa que segue o blog e disse que devíamos ‘ser amigas a sério’ (tudo verdades, no regrets). Gostei tanto da sopa do jantar que comi umas cinco sopas seguidas e não comi mais nada a noite inteira. Dancei muito, daquela forma livre e desengonçada que só quem bebeu demais domina. Cantei o Volare, o Toda a Noite do Toy e o Bamboleo.

Não queria que a festa acabasse nunca. E à uma da manhã, já com o DJ a desligar o computador, as luzes acesas e a grande maioria dos convidados a sair, cismei que faltava dançarmos... O Apita o Comboio.

E foi assim que nove ou dez almas (provavelmente as mais bêbadas), de vestidos de roda e perucas na cabeça, acabaram a cantar e a dançar o Apita o Comboio, primeiro sem música e depois com música. A Joana filmou e eu vejo esse vídeo sempre que preciso de rir. Também já mandei esse vídeo a amigos meus que precisam de rir. Se algum dia se sentirem em baixo, já sabem a quem recorrer.

Não queria que aquela noite acabasse nunca, e hoje sei porquê. Sabem, quando vivemos longe dos nossos aprendemos a aproveitar cada momento até ao fim, até não sobrar nada, até as luzes acenderem e os últimos convidados saírem. Aprendemos que um momento pode ser o último em muito tempo e que aquelas pessoas não assistirão às mil gargalhadas seguintes, por isso enquanto ali estão devemos-lhes as gargalhadas todas do mundo.

Desde esse dia que não via os meus pais, o meu irmão, a minha cunhada, a minha avó ou a Joana, há mais de dois meses. Alguns deles ainda não voltei a ver. Sei que muitos de vocês também passaram meses sem ver os vossos. Sei que há quem não irá ver alguém que ama nunca mais.

Mas às vezes, quando o Pedro dorme ao meu lado e os meus filhos dormem nos seus quartos, no silêncio de mais uma noite, eu ligo aquele vídeo sem som e fico a ver-nos, vestidos desalinhados, perucas perdidas, fatos já meio despidos, a fazer uma fila indiana e a cantar. Felizes. Despreocupados. Juntos. E juro, juro que consigo sentir na alma a chegada do dia em que isso voltará a acontecer.

Que festa que vai ser.

Há duas semanas íamos para o México. Não fomos. Íamos celebrar o exame do fim da especialidade da Joana e do Bernardo. Eles não fizeram exame. Não fiquei de braços cruzados, e todos os dias dessa semana houve cá em casa música mexicana, comida mexicana... Ou margaritas :D No último dia daquela que seria a nossa viagem, fiz um almoço mexicano só para o grupo do costume cá de casa, com direito a decoração a rigor, músicas e sombreros. Soube muito bem. Foi muito bom.

Um dia, vamos fazer uma festa mexicana como deve ser. E voltar ao México como deve ser. E que festa que vai ser. Até lá, também não se esteve nada mal :)

Faixa da Funidelia. Comprei num dia, entregaram dois dias depois, fiz a festa no dia seguinte. Foi tudo super rápido :)