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5 de janeiro de 2015

Twelve Days of Christmas - 12 - Bolo folhado com doce de ovos :)

On the twelfth day of Christmas my true love sent to me,
twelve drummers drumming, eleven pipers piping, ten lords-a-leaping,
nine ladies dancing, eight maids-a-milking, seven swans-a-swimming, six geese-a-laying,
five gold rings, four calling birds, three french hens, two turtle doves and a partridge in a pear tree.


Quando eu era criança nunca era escolhida para fazer o que quer que fosse nas festas de Natal e do fim do ano lectivo da escola. Era gordinha e tão alta como os rapazes mais altos, não cantava particularmente bem, era desastrada e pouco delicada e ria-me sempre quando era preciso actuar, por isso era sempre preterida em tudo o que envolvesse cantar, dançar, correr ou representar.

Um dia, uma professora particulamente insistente decidiu colocar-me a tocar xilofone numa das músicas. Fiquei na parte da frente do palco, em grande destaque, e juro-vos: toquei aquele xilofone como se a minha vida dependesse disso.

Foi absolutamente épico. Duvido que alguém tenha alguma vez tocado xilofone com tanta emoção, a sério.


É claro que o meu avô filmou todos os segundos - o texto sobre o meu avô e a sua obsessão carinhosa com filmar tudo merece ser escrito em breve - mas confesso que sempre achei que as imagens não faziam justiça à awesomeness daquele momento. As outras pessoas também não devem ter ficado particularmente sensibilizadas com a grandiosidade daquilo, porque pouco tempo depois levei novamente um pontapé no traseiro para o fundo do palco ou para os bastidores.

E pronto, é assim que se traumatizam as criancinhas.


Depois disso passei anos sem tocar qualquer instrumento de percussão, até ao dia em que decidi impulsivamente inscrever-me numa aula de bateria da minha escola de música. E a conversa inicial foi mais ao menos assim:

Professor: Então, já alguma vez andaste em aulas de bateria?
Joana: Não.
Professor: Mas já alguma vez tocaste bateria?
Joana: Não.
Professor: Sabes alguma coisa de bateria?
Joana com ar fofinho: Tem pratos e bombos e um pedal?


Foi uma hora bastante divertida - pelo menos para mim, não garanto que o professor tenha achado o mesmo. Apesar disso, no fim ele garantiu-me que eu tinha um óptimo sentido do ritmo e que não era particularmente desastrada ou pouco coordenada, principalmente tendo em conta que era a minha primeira aula de sempre.


Fiquei de pensar a sério sobre inscrever-me, mas no fim achei que iria ter dificuldades em conciliar o dobro da carga horária da música com os meus outros milhões de afazeres. No entanto, confesso que sempre que penso nisso tenho vontade de espremer a minha já muito apertada agenda e arranjar tempo para ir bater com pauzinhos em coisas.

Talvez um dia decida inscrever-me em aulas de bateria. Talvez não. Mas uma coisa é certa: o trauma, esse pelos vistos já foi embora.


Bolo folhado com doce de ovos (receita adaptada do blog 'As Minhas Receitas')

Ingredientes:

* 375g de açúcar;
* 225ml de água;
* Doze gemas;
* Dois rolos de massa folhada rectangular;
* 200g de amêndoa picada torrada.

Confecção:

* Para o doce de ovos juntar o açúcar com a água e levar a aquecer em lume brando;

* Deixar ferver durante aproximadamente dez minutos, retirar e deixar arrefecer ligeiramente;

* Juntar a calda em fio nas gemas batidas e misturar bem;

* Aquecer novamente a mistura em lume brando, mexendo sempre até engrossar;

* Retirar do lume e continuar a mexer até estar arrefecido;

* Estender a massa folhada e cortar cada placa ao meio;

* Picar cada placa com um garfo e levar ao forno pré-aquecido a 200º durante aproximadamente quinze minutos;

* Deixar arrefecer completamente;

* Para a montagem colocar uma placa de massa folhada num prato e cobrir com o doce de ovos, cobrindo com outra placa e assim sucessivamente até terminar a massa folhada e o doce de ovos;

* Polvilhar com a amêndoa torrada.



Esta foi a receita mais difícil de conciliar com o tema dos 'Twelve Days of Christmas'. Queria algo que me lembrasse um tambor, mas não me ocorria nada e por isso pedi auxílio à sempre criativa Avelã, que me disse que 'tambor' é em determinados locais o nome dado a um pastel de massa folhada e doce de ovos. Por isso aqui têm: um tambor em ponto grande :D

Espero que tenham gostado destes Doze Dias de Natal :D

4 de janeiro de 2015

Twelve Days of Christmas - 11 - Éclairs de chocolate e caramelo!

On the eleventh day of Christmas my true love sent to me,
eleven pipers piping, ten lords-a-leaping,
nine ladies dancing, eight maids-a-milking, seven swans-a-swimming, six geese-a-laying,
five gold rings, four calling birds, three french hens, two turtle doves and a partridge in a pear tree.


Lembro-me de ter escrito algumas vezes no blog a seguinte frase 'eu posso ter muitos defeitos, mas - inserir aqui um defeito qualquer - não é um deles'. E da última vez que o fiz (na receita de frango com Ervas de Provence da Julia Child) dei por mim a questionar-me:

Será que quem me lê sabe ao certo quais são os meus defeitos?


O que vos mostro é apenas uma pequena parte da minha vida. Aqui não há manhãs carrancudas, não há pessoas idiotas, não há choraminguices dramáticas nem há procrastinações desorganizadas. Aqui não há a realidade dura e crua do dia-a-dia, mas sim uma parte de mim - que corresponde claramente à verdade, mas que não deixa de ser apenas uma porção da minha alma.

Aqui, assumidamente, eu não falo assim tanto dos meus defeitos. E chegou a altura de isso mudar. Por isso aqui vai o pior. O mais vergonhoso, o mais escondido, o mais triste lado da minha personalidade:

Eu sou idiota no trânsito.


Sabem aquelas pessoas que buzinam à grande quando vocês cometem um erro? Sou eu. (Vá, a partir das oito da noite faço sinais de luzes - afinal, continuo a ser uma pessoa um bocadinho civilizada.)

Sabem aquelas pessoas que vos mandam para sítios horríveis quando vocês fazem uma azelhice das grandes? Sou eu. Sabem aquelas pessoas que vão na fila do meio só pela preguiça de não passarem para a direita e terem de ultrapassar carros? Sou eu. Sabem aquelas pessoas que reclamam quando demoram demasiado tempo a atravessar a estrada? Sou eu.


Os meus pais educaram-me muito bem. Sou simpática e educada, respeito os outros, não deito lixo para o chão e cedo sempre o meu lugar aos velhinhos e às grávidas. Mas metam-me um volante nas mãos, e transformo-me de um Bruce Banner querido e fofinho com pijamas de renas num The Hulk de buzinas e gritos.


Este é sem sombra de dúvida o meu defeito que eu mais detesto, mas confesso que todas as minhas tentativas para o mudar têm sido infrutíferas - creio que devido a uma combinação letal de impaciência e aumento da minha ansiedade enquanto conduzo. Assim sendo, presumo que não me reste mais do que assumir os meus erros, pedir desculpa a quem já levou com uma buzinadela ou um palavrão e rezar para nunca levar um banano de um condutor mais zangado.


Numa tentativa de melhorar a minha paciência, experimentei fazer estes éclairs no dia de Natal. Revelaram-se particularmente trabalhosos porque decidi fazer oito éclairs diferentes (com duas coberturas e quatro recheios), e confesso que tal como no trânsito também aqui acabei a barafustar e a reclamar. Mas no fim tudo correu bem, e é isso que realmente importa.


Por isso da próxima vez que alguém vos buzinar, tentem compreender. Do outro lado daquela buzina irritante nem sempre está um cabrão idiota sem consideração nenhuma: por vezes pode estar apenas uma miúda fofinha e simpática que tem um defeito tenebroso e uma paciência pouco treinada, mas que faz éclairs deliciosos porque quer realmente mudar :)


Éclairs de chocolate e caramelo

Ingredientes (para dez mini-éclairs):

Para a massa choux:
* 72g de água;
* 72g de leite;
* Uma pitada de sal;
* 4g de açúcar em pó;
* 50g de manteiga sem sal;
* 72g de farinha de trigo;
* 125g de ovos (dois ovos grandes);

Para o creme:
* 20g de açúcar;
* Dois ovos;
* 20g de amido de milho (farinha maizena);
* 250g de leite;
* 10g de cacau em pó;
* 55g de chocolate negro;
* 55g de natas para bater;

Para os diferentes recheios:
* Três colheres de chá de café;
* Duas colheres de chá de molho de caramelo;
* Raspa de uma laranja;
* Duas colheres de chá de compota de frutos vermelhos.

Para a cobertura de chocolate:
* 125g de açúcar;
* 125g de natas para bater;
* 125g de chocolate negro;

Para a cobertura de caramelo:
* 225g de açúcar branco;
* 65ml de água;
* 85ml de natas para bater;
* Uma colher de chá de essência de baunilha;
* 70g de manteiga sem sal.

Confecção:

* Para a massa choux juntar a água, o leite, o sal e o açúcar e deixar ferver;

* Acrescentar a manteiga e deixar derreter;

* Incorporar a farinha com uma espátula (forma-se uma bola de massa) e deixar cozinhar durante dois minutos;

* Retirar do lume, juntar os ovos batidos e mexer bem até a massa ficar homogénea;

* Alisar a massa numa superfície e deixar arrefecer;

* Colocar a massa num saco de pasteleiro e formar éclairs sobre um tabuleiro coberto com papel vegetal;

*  Levar ao forno pré-aquecido a 250º, baixar imediatamente a temperatura para os 160º e deixar cozinhar durante 25 a 30 minutos;

* Deixar arrefecer;

* Para o recheio bater o açúcar com as gemas e juntar a maizena, misturando sempre;

* Aquecer o leite e verter um pouquinho na mistura, mexendo bem;

* Juntar o cacau com o leite quente restante e incorporar na mistura anterior;

* Aquecer a mistura em lume brando até engrossar, mexendo sempre;

* Derreter o chocolate juntamente com as natas em banho-maria ou no micro-ondas e juntar 100g desta mistura ao recheio, batendo energicamente;

* Cobrir com papel aderente e reservar no frio;

* Dividir o recheio em quatro partes e misturar em cada uma o café, o caramelo, a raspa de laranja ou a compota de frutos vermelhos;

* Para rechear os éclairs, fazer um furo numa das extremidades com o auxílio de um bico de pasteleiro e pressionar o recheio;

* Para a cobertura de chocolate aquecer o açúcar em lume brando até que derreta e fique escurecido;

* Incorporar as natas aquecidas;

* Retirar do lume e juntar o chocolate;

* Para a cobertura de caramelo juntar o açúcar e a água numa panela e levar a aquecer em lume brando;

* Mexer com uma espátula até o açúcar dissolver;

* Aumentar o lume para o máximo e deixar ferver sem mexer até a mistura ficar da cor do caramelo;

* Retirar do lume, juntar as natas, a manteiga e a essência de baunilha e levar novamente ao lume, mexendo bem com a espátula até ficar uma mistura homogénea;

* Mergulhar os éclairs individualmente na cobertura desejada e deixar secar.



Até amanhã! :D

3 de janeiro de 2015

Twelve Days of Christmas - 10 - Trufas de chocolate negro com rum

On the tenth day of Christmas my true love sent to me,
ten lords-a-leaping,
nine ladies dancing, eight maids-a-milking, seven swans-a-swimming, six geese-a-laying,
five gold rings, four calling birds, three french hens, two turtle doves and a partridge in a pear tree.


Nas últimas décadas creio que temos assistido a uma mudança no paradigma da dinâmica relacional e familiar.

Há muitos, muitos anos o homem era o responsável pelo sustento do agregado familiar. Era o homem que trabalhava fora enquanto a mulher criava os filhos, cuidava dos pais, tratava da casa, cozinhava, fazia pão no forno a lenha, tratava da horta e todas aquelas coisas que pertencem ao nosso imaginário infantil.

Eventualmente a mulher saiu. Começou a trabalhar fora também, continuando a equilibrar a vida familiar e as exigências domésticas o melhor que podia e conseguia. No entanto, era ainda esperado do homem que trabalhasse mais, que ganhasse mais e que tivesse um papel menos interventivo na vida familiar.


Actualmente somos todos iguais. As mulheres trabalham, tratam dos filhos, orientam a casa e cozinham - mas os homens também o fazem, e já é esperado que o façam. As tarefas são divididas - ou deviam sê-lo - de forma equitativa e justa, e ninguém tem mais direitos ou deveres por ter ou não nascido com pipi.


Cá em casa funcionamos assim, não de uma forma estática ou regrada (porque não há propriamente tabelas de tarefas como na escola primária), mas de uma forma equilibrada: se um chega mais tarde a casa, está cansado ou já fez determinada tarefa da última vez, o outro põe mãos à obra. E isto é válido para tudo, desde a arrumação da casa à organização da roupa e desde a lavagem da louça à confecção do jantar.

Mas por vezes dou por mim a ter um pensamento curioso: será que esta mudança de paradigma é boa? Será positivo estarmos a masculinizar o papel das mulheres e a feminizar o dos homens?


Cada vez é mais exigido às mulheres que sejam fortes e imperturbáveis e que tenham uma carreira profissional de sucesso. Por outro lado, cada vez é mais exigido aos homens que sejam sensíveis e românticos e que estejam envolvidos na vida familiar. E é inegável que isto tem feito maravilhas pelo equilíbrio dos sexos, mas a dada altura é impossível questionar-me: será que lutarmos pela igualdade de géneros faz sentido, quando por definição somos géneros opostos com particularidades e potencialidades completamente distintas?


Enquanto não chego a uma resposta concreta, vou fazendo o que me parece mais correcto. Cá em casa as tarefas físicas são divididas, mas as emocionais não. Não é exigido de mim que seja a pessoa racional e lógica, tal como eu não exijo que o Pedro se torne sensível e atento. Eu não espero que ele consiga ler-me os pensamentos e perceber o que se passa, tal como ele não espera que eu me transforme magicamente numa mestre do planeamento logístico. Eu cuido dele emocionalmente, ele protege-me fisicamente - no fundo, como sempre aconteceu ao longos dos tempos.

Somos diferentes, e por isso temos papéis diferentes na nossa relação. E isso não é necessariamente mau, desde que a complementaridade seja usada a nosso favor.


Por isso hoje trago-vos dois tipos de trufas: com cacau para ele, com coco para mim. Trufas diferentes, para pessoas diferentes com papéis e propósitos diferentes - mas que resultam na perfeição, tal como nós.



Trufas de chocolate negro com rum (receita adaptada da Saveurs Spécial Fêtes)

Ingredientes (para aproximadamente vinte trufas):

* 150ml de natas;
* 50g de mel;
* 300g de chocolate negro partido em pequenos pedaços;
* Duas colheres de sopa de rum;
* Cacau em pó ou coco ralado para a cobertura.

Confecção:

* Aquecer as natas e o mel numa panela até ferver e desligar o lume;

*  Verter a mistura das natas sobre o chocolate, esperar um pouco e mexer bem até obter uma ganache lisa e brilhante;

* Acrescentar o rum, envolver bem e refrigerar durante aproximadamente uma hora;

* Fazer pequenas bolas com a mão ou com o auxílio de um saco de pasteleiro e refrigerar mais uma hora;

* Arredondar novamente as trufas e passar pelo cacau em pó ou pelo coco ralado;

* Conservar sempre no frio.



Até amanhã! :D

2 de janeiro de 2015

Twelve Days of Christmas - 9 - Daiquiri de frutos vermelhos :)

On the ninth day of Christmas my true love sent to me,
nine ladies dancing, eight maids-a-milking, seven swans-a-swimming, six geese-a-laying,
five gold rings, four calling birds, three french hens, two turtle doves and a partridge in a pear tree.


Era o primeiro jantar de Natal do nosso grupo de amigos e fomos todos a um qualquer restaurante com sangria à descrição. Eu e a Joana tirámos umas duzentas fotos a fazer cara de parvas, tu e o André divertiram-se a gozar connosco do outro lado da mesa.

Seguidamente fomos para uma discoteca aleatória e ficámos umas duas horas na fila para entrar. A dada altura o André comentou que não fazia a mínima ideia de como se engatava uma miúda e eu decidi dizer-lhe algumas das coisas que apreciava num rapaz.

Disse-lhe que gostava de rapazes que tocavam instrumentos musicais, tu disseste-me que tocavas piano. Disse-lhe que gostava de rapazes que faziam desporto, tu disseste-me que fazias futsal e judo. Disse-lhe que gostava de rapazes inteligentes, tu disseste os imperadores romanos por ordem cronológica. Disse-lhe que gostava de rapazes com óculos, tu... Bem, acho que já percebeste a ideia.


Eventualmente desistimos de ficar na fila e fomos todos para minha casa. Deitámo-nos ao monte no sofá e no chão, e tu ficaste ao meu lado. E nunca esquecerei a explosão incontrolável de química que senti naquele momento. Queria tocar-te, mas não podia. Não devia. Não queria. Ou queria? Meu Deus.

Fizemos pipocas, bebemos cervejas, vimos episódios da Rua Sésamo na RTP2. Às sete da manhã toda a gente foi embora de minha casa, mas tu nunca mais saíste da minha alma. E esse foi o dia em que me apaixonei por ti.

No dia seguinte fomos todos para o Porto. Deitámo-nos ao monte no chão da minha casa antiga, agora vazia, e tu ficaste ao meu lado. E mais uma vez, aquela química idiota e incontrolável apareceu. Queria tocar-te, mas não podia. Não devia. Não queria. Ou queria? Meu Deus.


Os dias passaram. Conhecemos o Porto, conhecemo-nos um ao outro. Já não me restavam agora dúvidas de que o que sentia por ti era mútuo, por isso fechei os olhos, respirei bem fundo e saltei para o desconhecido - terminei a minha relação de três anos.

No último dia da vossa viagem acordámos abraçados. Queria beijar-te, mas não podia. Não devia. Não queria. Ou queria? Meu Deus.

Foste embora. E eu ali fiquei, a ver o comboio partir e o meu coração a voltar para dentro do meu peito.

Voltámos a encontrar-nos na estação de metro, a caminho para a faculdade no primeiro dia de aulas depois do Natal. Tínhamos passado as férias a trocar mensagens, a sorrir atrás de ecrãs e a partilhar emoções com sorrisos virtuais. 'Gostas de mim?' - escrevi um dia. 'Adoro-te.' - respondeste tu. E naquele momento eu soube que queria. Que podia. Que devia. Meu Deus.


Fomos estudar para a biblioteca: eu, tu e a Joana. Logo a Joana recebeu uma mensagem misteriosa - nitidamente mandada por ti, que sempre foste mau a disfarçar - e desapareceu de cena. Tu perguntaste-me se queria sair para o corredor. E foi ali, no corredor frio das aulas de Bioestatística, em frente da janela através da qual conseguíamos ver o Castelo de São Jorge, que te ajoelhaste com um ramo de flores na mão e me perguntaste se queria namorar contigo.

'Não.' - disse eu. 'Não, Pedro, não, não, não me faças isto'. Beijaste-me. Era o teu primeiro beijo, mas eu só soube disso uma semana depois. Abracei-te. E olhei para esses olhos lindos e profundos e soube que já me tinha perdido neles. Meu Deus.


Hoje o tema pedia uma bebida alcoólica de meninas, ideal para beber na discoteca. Mas foi precisamente por termos evitado a discoteca naquela noite que a nossa linda história de amor começou. E há sete anos certinhos que me fazes perder a cabeça.

Com um morangão ficámos noivos, com um daiquiri de frutos vermelhos te pergunto novamente: 'Gostas de mim?'. E sei que a resposta será 'Adoro-te'. Para sempre.


Daiquiri de frutos vermelhos

Ingredientes (para duas pessoas):

* 90g de frutos vermelhos congelados;
* 25g de açúcar branco;
* 90ml de rum;
* 50ml de sumo de lima;
* Gelo picado q.b.

Confecção:

* Colocar os frutos vermelhos numa panela juntamente com o açúcar e levar aquecer em lume brando até ficarem em compota;

* Triturar com a varinha mágica e coar;

* Juntar 30ml (duas colheres de sopa) do xarope de frutos vermelhos com o rum e o sumo de lima;

* Misturar bem, colocar em dois copos e cobrir com o gelo picado;

* Servir bem frio.


Até amanhã :D

1 de janeiro de 2015

Twelve Days of Christmas - 8 - Affogato de caramelo

On the eighth day of Christmas my true love sent to me,
eight maids-a-milking, seven swans-a-swimming, six geese-a-laying,
five gold rings, four calling birds, three french hens, two turtle doves and a partridge in a pear tree.


Nunca achei grande graça à passagem de ano. Nunca vi o fim do ano como uma altura para fazer balanços, não sou adepta de fazer resoluções (à excepção desta, que ainda cumpro) e não fico toda sentimentalona como se estivesse perante o início de uma nova etapa - normalmente faço este tipo de introspecção no meu aniversário, mas não na passagem de ano.

Sou oficialmente o Grinch do Ano Novo.


De facto, fiz esta introspecção quando fiz 24 anos e também quando fiz 25. Recordei os momentos felizes, reprimi os tristes, senti-me abençoada por ter tantas coisas boas na minha vida e agradeci por ter as melhores pessoas do mundo à minha volta para as partilhar. 

No Ano Novo? Bem, simplesmente juntei-me com os meus amigos para comer e beber durante toda a noite. Afinal, também tenho direito a desligar a minha mente hiperactiva de vez em quando.


Há cinco anos atrás, fui passar a passagem de ano a casa dos meus pais. Jantámos todos juntos, ficámos algum tempo na conversa, vimos o fogo-de-artifício e recolhemo-nos aos nossos aposentos para descansar depois de tal noite tão intensa. E eu fiz o que me parecia lógico: comecei a adiantar o nosso trabalho de grupo de farmacologia sobre a difenidramina, cujo prazo de entrega era o dia 20 de Janeiro. 

E foi assim que as outras três pessoas do grupo receberam um extensivo mail sobre o assunto às 4 da manhã. Na noite da passagem do ano.


Na altura, as outras pessoas do grupo não me conheciam bem e certamente desconfiaram que eu não jogava com o baralho todo, que não fechava bem a tampa ou que não batia bem da bola. E quando efectivamente me conheceram melhor, tiveram a certeza que isso correspondia à realidade.

Independentemente disso, foi um trabalho de sucesso. Já a passagem de ano, foi assumidamente uma grande porcaria.


Desde então as minhas passagens de ano melhoraram um bocadinho. Comecei a passá-las com os meus amigos ou com os amigos do Pedro, sempre de uma forma descontraída e sem grandes planeamentos complicados. Afinal, não é preciso muito para nos divertirmos: basta boa comida, boa bebida, boa música e boa companhia e fazemos a festa :D

Por isso lamento, mas este não vai ser um texto bonito sobre a mudança do ano e a mudança que isso imprime dentro de nós. Nenhum de nós está diferente do que era ontem - à excepção das células hepáticas em sofrimento, claro! :)  


Daqui a uns dias será o meu 26º aniversário, e vou fazer toda a introspecção a que tenho direito. Vou recordar os momentos felizes, reprimir os tristes, sentir-me abençoada por ter tantas coisas boas na minha vida e agradecer por ter as melhores pessoas do mundo à minha volta para as partilhar. 

Não vou fazer resoluções, porque não mudaria rigorosamente nada na minha vida. Mas vou fazer balanços e vou ficar toda sentimentalona com o início de mais nova etapa: os meus 26 anos. 


Tenho muitos sonhos para concretizar durante os meus 26 anos. Por conseguinte, terei também muitos sonhos para concretizar em 2015. 

Espero que desse lado tenham também muitos projectos, objectivos, desafios e ambições. Espero que 2015 vos trate muito bem, a todos. Espero que o ano vos faça concretizar sonhos e concluir resoluções.

Eu continuarei por aqui, sempre o eterno Grinch do Ano Novo.


Affogato de caramelo

Ingredientes (para uma pessoa):

* Uma bola de gelado de caramelo;
* Um café expresso cheio;
* Raspas de chocolate ou pepitas de chocolate para cobrir.

Confecção: 

* Colocar uma bola de gelado de caramelo num copo e cobrir com o café bem quente;

* Decorar com o chocolate e servir de imediato.



Tenham umas óptimas entradas :D

31 de dezembro de 2014

Twelve Days of Christmas - 7 - Bolinhos de bacalhau

On the seventh day of Christmas my true love sent to me,
seven swans-a-swimming, six geese-a-laying,
five gold rings, four calling birds, three french hens, two turtle doves and a partridge in a pear tree.


Há mais de sete anos que vivo em Lisboa. Grande parte do sotaque já se perdeu, alguns dos traços típicos da personalidade nortenha estão mais tímidos e até já tenho dúvidas existenciais sobre o meu clube de futebol.

No entanto, creio que há coisas que nunca irão mudar.


Ainda digo pingo (garoto), fino (imperial) e molete (papo seco). Digo sertã (frigideira) e estrugido (refogado). Digo cruzeta (cabide), sapatilhas (ténis), cordões (atacadores) e meias-calças (collants).

Ainda digo 'nove menos cinco', em vez de 'cinco para as nove'. E digo 'anda cá à minha beira' em vez de 'anda cá ao pé de mim'.


Ainda digo aguça (afia-lápis) e aguçar (afiar), safa (borracha) e safar (apagar). Digo calcar (pisar), pinchar (saltar) e tombo (queda). Digo 'está quilhado' (está estragado) e 'está enxertado' (está aberto).

Ainda digo catota (macaco do nariz), guna (mitra), repas (franja) e espinha (borbulha). Digo 'dezôito', e não 'dezóito' e digo 'bácina' em vez de 'vâcina'. Digo 'IKEIA'.

Ainda digo bolinhos de bacalhau.


Por isso aqui têm: uns bons bolinhos de bacalhau, mesmo à moda do Norte. Já tinham tido a sua versão no forno aqui, hoje vêem a luz do dia na sua forma original - fritos com amor e cuidado pelas mãos enrugadas e suaves da minha avó.

Porque as nossas origens nunca saem realmente de dentro de nós.

 


Bolinhos de bacalhau

Ingredientes (para cerca de trinta bolinhos):

* 800g de bacalhau;
* 400g de batata sem pele;
* Três gemas;
* Salsa picada;
* Uma cebola picada;
* Uma pitada de pimenta preta;
* Uma pitada de sal;
* Óleo para fritar.

Confecção:

* Cozer o bacalhau, desfiar e reservar;

* Cozer as batatas na água de cozer o bacalhau;

* Colocar as batatas e o bacalhau dentro de um pano lavado, fechar e espremer bem;

* Juntar as gemas, a salsa e a cebola e temperar com a pimenta preta e o sal;

* Amassar bem e formar bolinhos;

* Fritar em óleo bem quente, retirando o excesso antes de servir.



Estes bolinhos são uma óptima sugestão para a noite de passagem de ano: são práticos e fáceis, e podem sempre dar-lhes um toque mais gourmet fazendo pequenas bolinhas :D

Feliz Ano Novo! :D