Mostrar mensagens com a etiqueta Gabriela. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Gabriela. Mostrar todas as mensagens

2 de setembro de 2020

Voltar ao trabalho.

Se excluirmos o mês em que as minhas férias foram canceladas mas só fiz urgências (ou seja, não voltei às minhas rotinas profissionais propriamente ditas), passei os últimos quinze meses fora do meu local de trabalho.

Foram meses de muitas adaptações: primeiro grávida em casa e a manter as rotinas do meu miúdo crescido, depois com uma bebé em casa e a manter as rotinas do meu miúdo crescido, depois com os dois em casa durante três meses, depois novamente com uma bebé em casa e a manter as rotinas do meu miúdo crescido, e agora a regressar ao trabalho, a Gabriela a entrar na creche e o Matias a ingressar na pré-primária (que só começa a meio do mês).

Foram meses muito bons, e sinceramente senti zero saudades de trabalhar. Não me aborreci e nunca me fartei porque adoro estar em casa. Não senti saudades de conversar com adultos porque sempre tive toda a gente à distância de um telefonema e, para ser muito sincera, acho os meus filhos mais interessantes do que grande parte dos adultos que me rodeiam (sorry not sorry). Mantive sempre as nossas rotinas e não senti falta nenhuma da azáfama de ter horas para chegar, do trânsito na Segunda Circular, do pesadelo para estacionar, das consultas e das urgências.

Maaaaaas tinha de ser. O internato não se faz sozinho, e começo a sentir-me desgastada de andar há tantos anos nisto. Sem os miúdos teria acabado o internato em Junho deste ano, assim acabo em Outubro de 2022, entrei em 2015 e parece que estou aqui há uma vida. Financeiramente também se estava a tornar difícil continuar em casa de licença alargada a ganhar um quarto do meu salário, por isso tinha de ser.

Quando voltei várias pessoas perguntaram-me se estava contente com o regresso. E eu fiquei sem saber bem o que dizer. Estou contente por estar de volta porque isso significa que estou a avançar e a progredir. Estou triste por estar de volta porque isso significa que uma das melhores fase da minha vida (sim, mesmo contando com a pandemia) chegou ao fim. Estou contente porque a Gabriela vai entrar na creche, e sei que isso significa que está a crescer. Estou triste porque a Gabriela vai entrar na creche, e sei que isso significa... Que está a crescer. Estou contente porque gosto de mudanças, gosto de novas adaptações e gosto de desafios. Estou triste, porque gostava das coisas como estavam antes.

Não, não estou contente com o regresso. Mas também não estou triste com o regresso. Sempre tive a certeza que iria voltar, e cá estou, pronta para a fase seguinte. Vamos a isto.

Gabriela no primeiro dia de escola

22 de agosto de 2020

Nove meses de Gabriela.

E eu que há três meses que não fazia um resumo da Gabriela? Realmente os segundos filhos são criados pelos lobos, coitados. Enfim, decidi aproveitar as férias e os nove meses da Gabriela para actualizar os progressos da nossa bolacha :)

A Gabriela continua a comer muito bem. Bebe 210ml de leite ao pequeno-almoço, come sopa, prato e fruta ao almoço, come iogurte natural com fruta ou papa caseira com fruta ao lanche, janta sopa e fruta e bebe mais 210ml de leite antes de deitar. Gosta de comer tudo, já provou imensas coisas diferentes e não há nada que não coma :)

Deita-se às 19.30h e dorme seguidinha até às 8.30h na maioria dos dias. Há um mês passou uma fase em que acordava algumas vezes durante a noite, que coincidiu com um surto de desenvolvimento da parte motora, mas agora já voltou ao seu registo habitual. Dorme com uma mantinha que gosta de pôr na boca :) Também continua a dormir três sestas, uma de manhã e duas de tarde, geralmente de 1h cada uma (às vezes mais, outras menos).

Gatinha imenso, já consegue passar da posição de gatinhar para a sentada e vice-versa, já tenta levantar-se e já consegue ficar de pé agarrada aos objectos. Já tem quatro dentes, dois em cima e dois em baixo.

Fez esta semana o seu primeiro episódio de febre: teve um exantema súbito. Tem uma predilecção especial pelos brinquedos do irmão (o que causa vários conflitos entre eles). Gosta de observar tudo com um ar pensativo e é a miúda mais sorridente que já vi. Está sempre bem-disposta. É incrivelmente apegada a nós, e entra em parafuso se por acaso está a brincar e nós saímos da sala por alguma razão. Como vai fazer a integração na creche já em Setembro achamos que vai ser mais complexo para ela esta nova etapa do que quando foi com o Matias (que nunca teve qualquer dificuldade de adaptação), mas cá estaremos para a ajudar com isso.

Continua a ter uma adoração enorme pelo irmão, pelo banho e por cócegas. É a nossa Gabizócas :)

Até com febre esta miúda está a sorrir :)

20 de maio de 2020

Seis meses de Gabriela.

Os últimos dias foram muito, muito felizes. O Matias fez quatro anos, a Gabriela fez seis meses, fizemos a festinha do Toy Story (fotos em breve) e começámos a sair de casa novamente para matar saudades dos nossos programas preferidos. A licença do Pedro terminou e ele regressou ao trabalho, por isso agora eu estou de licença alargada até Setembro e o Matias continua em casa (em princípio regressa à creche com calma no dia 1 de Junho). Já estamos perfeitamente adaptados à nossa nova normalidade e muito felizes por podermos dar os nossos passeios (ainda por cima com distanciamento social, o Pedro nunca esteve tão satisfeito com a vida) :D

No meio de tudo isto, a nossa Gabizocas fez seis meses. Não há muito para acrescentar, na verdade. A Gabriela continua a dormir sem interrupções das 19.30h às 8h ou 9h, e nós continuamos deslumbrados com isto. Também é uma miúda que adora comer, e não há nada que não goste (ao contrário do irmão, que era um esquisitinho com a fruta nesta fase). Também já gosta mais de beber água, embora ainda não seja a maior fã.

É saudável, tem uma pele impecável (adeus traumas com a pele atópica do irmão!), já tem um dentinho e já se senta bem, embora prefira ficar de barriga para baixo a dar às perninhas. Gosta de ficar sossegada no nosso colo ou na espreguiçadeira, a olhar para nós com ar de adoração. Delira com um telefone de brincar que era do irmão e consegue passar imenso tempo a brincar com aquilo.

É este.
Nesta altura o Matias já gatinhava, mas a Gabriela é mais adepta de ficar sossegadinha a olhar para as tontices do irmão. Mal o vê desata a rir-se porque sabe que vem aí pagode. Adora tomar banho com ele e mandar-lhe água com os pés.

Continua com a mesma rotina: dorme uma sesta de manhã e duas de tarde, no geral mais para o curtinho (por volta de 1h cada sesta), e até agora fazia quatro refeições por dia (pequeno-almoço, almoço, lanche e leitinho antes da cama). Nos últimos dias temos tentado dar-lhe mais um lanche, embora seja necessário gerir por causa da questão do peso :) Continua a comer sopas, papas caseiras e fruta.

Depois de passar mais de dois meses sem sair de casa de todo, a Gabriela voltou a sair como se nada se tivesse passado e já nem sequer acha esquisito estarmos de máscara. Tal como o Matias, também não consegue adormecer sem ser na caminha dela (vicissitudes de ter filhos habituados a adormecer sozinhos na sua cama), por isso é necessário gerir horários de saídas. Por outro lado, não parece ficar particularmente irritada quando salta sestas.

E pronto, é a nossa bolachinha. O Matias agora chama-a 'a minha corujinha', o que eu acho amoroso. É lindo ver a relação dos dois a construir-se, o Matias tão irmão mais velho como achávamos que seria, a Gabriela uma autêntica deslumbrada com o irmão.

E tudo está bem.

Ontem no Jardim Zoológico a estrear o carrinho de passeio

Mal vê o irmão começa logo a rir-se
O Matias empurrava o carrinho e largava e depois corria atrás dele e a Gabriela... Ria-se :D

22 de abril de 2020

Cinco meses de Gabriela.

Eu sei que normalmente só faço estes resumos de dois em dois meses, mas achei que devia aqui ficar gravado para a posteridade que há duas semanas que a Gabriela dorme a noite toda. Toma banho às 19h, bebe o leitinho, deitamo-la às 19.30h e ela dorme seguidinha sem acordar até às 8h ou 9h do dia seguinte. Que rica filha.

O Matias também começou a dormir a noite toda por volta desta altura, o que fez com que o Pedro achasse que 'temos mesmo jeito para isto'. Já tentei dizer-lhe que é maioritariamente sorte, mas ele acha que também é mérito e pronto, pode ser que assim o convença mais facilmente a termos mais filhos (a Gabriela traumatizou-o mais do que a mim).

De facto, notamos uma diferença abismal na Gabriela desde os três meses. Ela que, tal como diz a música que lhe deu o nome, 'quando veio ao mundo não atinava em nada', tornou-se numa bebé super calminha (adeus berranço), super sorridente, que adora comer, dormir e ver os disparates do irmão. Continua a adorar tomar banho, passa a vida a dar às perninhas e é uma delícia vê-los a interagir (tomam banho juntos).

Já acha piada aos brinquedos. Infelizmente, parece achar mais piada aos brinquedos do irmão :D

Demorou uma semana a ambientar-se à sopa, e a partir daí nunca mais parou de comer. Gosta de sopa, gosta de fruta, gosta de papa. Só não gosta... De beber água :D

Tem uma rotina super consistente (que ela faz naturalmente, nós não impusemos nada) e que consiste em:

8h/9h: Acorda. Pequeno-almoço: 240ml de leite
9.30h: Sesta da manhã
11h: Acorda, hora das brincadeiras
12h: Almoço: sopa e fruta (se for banana já come uma banana inteira!)
12.30h: Sesta da tarde
14.30h: Acorda, hora das brincadeiras
15h: Lanche: 210ml de leite ou papa (voltei às papas caseiras)
15.30h: Sesta da tarde
17h: Acorda, hora das brincadeiras
19h: Banho
19.30h: 240ml de leitinho às escuras e cama

Pumbas, feito :D Não sei quem é este anjinho que veio substituir a outra tipa chata que vivia connosco, mas não me queixo nada :D

Nunca ficou doente, não faz febre com as vacinas, não tem pele atópica, enfim, é uma paz de alma de bebé... Por agora :D


18 de março de 2020

Quatro meses de Gabriela.

A Gabriela nasceu na madrugada de uma Segunda-feira. Tivemos alta na Terça-feira ao fim da tarde. Na Quarta-feira fomos com a Gabriela à creche buscar o Matias.

Depois disso conto pelos dedos de uma mão os dias em que a nossa Gabi não saiu de casa. Íamos levar o mano, íamos buscá-lo, íamos passear. A Gabriela foi à praia, foi ao parque, foi a museus e a exposições.

Há uma semana que a Gabriela não sai de casa. Hoje fomos as duas para a janela apanhar solinho, e foi basicamente isso. Dias estranhos, estes que vivemos.

Apesar de tudo, sinto que tenho muita sorte. Estou em casa com os meus dois filhotes, sossegadinha, a curtir o crescimento deles. Estar com eles 24h por dia é desafiante, sem dúvida, mas também é tremendamente enriquecedor. E sei que o Pedro dava um bracinho para poder ficar em casa com eles, em vez de sair todos os dias para ir para o hospital. Por isso não me queixo: daqui a um mês terei de voltar ao trabalho, e sei que vou sentir muita falta disto.

Hoje a Gabriela faz quatro meses. Quatro meses complexos. Quatro meses lindos. Os melhores quatro meses das nossas vidas. Assim é a Gabriela com quatro meses :)

* Não fazemos ideia de quanto mede ou pesa: já não a pesamos desde a consulta dos dois meses. Temos consulta no centro de saúde na próxima semana e ainda não sabemos se irá manter-se: liguei na semana passada e disseram que estavam a manter as consultas de saúde infantil, mas pediram para ligar na véspera a confirmar.

* Delira com estar despida. Nunca a vemos tão feliz como quando começamos a tirar-lhe a roupa. Gosta de palhaçadas e de cócegas. Adora ver os disparates que o mano faz.

* Adora estar com as mãos na boca. Nunca usou chucha e também ainda não liga aos brinquedos.

* Gosta de colinho e é muito observadora. Detesta o vento. Gosta imenso de passear, até porque vai sempre na mochila (onde ela adora estar). Já anda na Boba.

* Tem uma rotina bastante consistente já. Toma banho por volta das 19h, normalmente ao mesmo tempo que o mano. Bebe o biberão às escuras (neste momento já com 210ml), deitamo-la e ela adormece. Acorda uma vez entre a meia-noite e as duas, bebe mais 210ml e volta a dormir, geralmente até às sete. Bebe novamente 210ml de leite, volta novamente para a cama e dorme até às 11h ou 12h. Acorda bem disposta e pronta para a brincadeira. Bebe o leite (durante o dia ainda com 180ml) e depois fica cerca de uma hora acordada. Vai dormir a sesta por volta das 13h, acorda às 15h, bebe o leite por volta das 15.30h, volta a dormir às 16.30h e acorda por volta das 18h. Nesta fase o Matias já dormia a noite toda, mas durante o dia era bem mais chatinho para dormir.

* Dorme na caminha dela, no quartinho dela, e adormece sozinha. Está a passar uma fase muito tranquila e o berranço acabou.

* É uma miúda saudável e sem chatices. Não tem pele atópica como o irmão, não tem crosta láctea como o irmão, não fica assada no rabito como o irmão, nunca esteve doente, faz bem cocó e xixi, come bem... Continua a bolçar bastante, mas achamos que é dela mesmo, porque não parece nada maldisposta ou enjoada. Experimentámos o leite anti-refluxo mas ela odiou, por isso passámos do hipoalergénico para o normal e sentimos que o bolçanço melhorou ligeiramente. Bolça bastante quando anda de carro, ainda não percebemos porquê.

* Ao contrário do mano, adora estar de barriga para baixo. Passa imenso tempo no tapete e já se vira bem. Também gosta de estar sentada com apoio e já parece uma senhora :) Já mexe os joelhos para tentar rastejar :)

* Hoje comeu a primeira sopa, mas não curtiu muito a cena. Por outro lado, noto que nisto a experiência ajuda imenso: tive zero problemas, estava super calma, fui oferecendo para ela provar e depois quando me pareceu que ela já não queria mais deixei de dar, tudo muito tranquilo.

E pronto, a nossa menina da canção está a crescer :)

20 de fevereiro de 2020

Carnaval 2020

O Matias deu a ideia. Durante a minha gravidez, e face às inúmeras vezes em que lhe perguntaram 'como se ia chamar a mana', o Matias começou a dar duas respostas: Maria Teresa (o nome de uma antiga amiguinha da escola dele)... E monstro das bolachas. Acredito que para ele fosse uma chatice responder sempre às mesmas perguntas (e ainda é, passam a vida a perguntar-lhe como se chama a mana, ou se gosta da mana, ou se a mana se porta bem e por aí fora). Quis a sorte que a Gabriela nascesse com carinha de bolacha, e estava o disfarce de Carnaval orientado.

O fato do Matias veio da Amazon, o da Gabriela eu fiz. E estão os dois super felizes com o resultado: o Matias porque tem um fato 'muito fofinho', e a Gabriela porque gosta de entreter-se a babar a bolacha :D



Um dia na vida da Gabriela #2

Olhando para a publicação que escrevi sobre o dia da Gabriela quando ela tinha um mês, é notória a diferença a todos os níveis, e compreendo perfeitamente porque andava a fritar a pipoca na altura e porque nos parece tudo tão mais tranquilo agora. Tal como sabia que aconteceria, agora já conhecemos a nossa miúda bem melhor e já conseguimos responder às necessidades dela com mais pontaria e rapidez, o que contribui para a saúde mental de todas as almas desta casa.

Mais uma vez, escrevi sobre o dia da Gabriela no dia a seguir a fazer meses (neste caso, três). Cá vai :)

5 de fevereiro de 2020

Dois meses (e meio) de Gabriela.

As primeiras semanas da Gabriela foram muito, muito difíceis. Tivemos muita dificuldade em adaptar-nos à chegada dela, quer porque já tínhamos as rotinas muito bem estabelecidas, quer porque tínhamos as expectativas claramente desajustadas (possivelmente porque reprimimos as memórias desta fase do Matias). Em comparação com o irmão a Gabriela parecia mais chata, mais chorona e bem menos cooperante, e sinceramente a dada altura senti mesmo dificuldade em vincular com ela. Quando ela começava com o berranço irritante só tinha vontade de abafá-la com uma almofada para que calasse aquela matraca, e depois sentia-me terrivelmente triste por pensar isso.

Uma vez falei disto à Joana e ela perguntou se eu não estaria com uma depressão pós-parto. Aquilo entristeceu-me ainda mais. Eu não estava deprimida, só não estava feliz. E senti-me sozinha e incompreendida.

Por outro lado, também sempre achei que eventualmente as coisas iam melhorar. Sabia que nós íamos passar a conhecer a Gabriela melhor e a saber responder de forma mais adequada às necessidades dela. Passei a falar mais com amigas que já são mães (e algumas mães de dois) e a perceber que passamos todas por isto, em graus variáveis. Passei a sair muito, a fazer programas giros, a combinar cafés com amigas. Passei a relativizar aquelas minhoquices que me irritavam tanto nas semanas anteriores: agora o Matias chega tarde à escola e eu não me preocupo, agora quando o Pedro dá o leite à miúda de noite e ela chora mais eu já não me irrito nem acho que sou a última bolacha do pacote e o Pedro é uma merda.

Na Segunda-feira fui com a Gabriela e o Matias passar o fim da tarde à praia. Foi lindo e espectacular. E a dada altura quando estávamos a voltar para casa ouvi o Matias a dizer 'pipoquinha, pipoquinha, pipoquinha'. Perguntei o que estava ele a fazer, e ele disse 'estou a fazer festinhas na cara da mana para ver se ela se ri'. E naquele momento eu tive a certeza que queria mais filhos. E soube que a fase pior já passou.

Sabem, na verdade a Gabriela é em muitos aspectos igualzinha ao irmão. Nós é que já não nos lembrávamos disso. Quando nos lembrámos, passámos a usar com ela o que sabemos que resultou com ele. E a vida passou a correr de forma muito mais suave.

Assim é a Gabriela com dois meses (e meio, vá, estou atrasada):

30 de janeiro de 2020

E como está a reagir o Matias à mana?

Esta é uma das perguntas que mais nos fazem: e como está a reagir o Matias à mana?

Confesso que nós estávamos razoavelmente optimistas. Sempre falámos ao Matias de ter manos (assim mesmo, no plural). Ele tem bebés bem pequeninos na escola dele, e por isso já tinha as expectativas ajustadas. É um miúdo muito independente e já bastante autónomo: veste-se, brinca sozinho, prepara o seu próprio pequeno-almoço, come sozinho, fala bem, etc. Nunca embandeirámos em arco esta questão de ter uma irmã, e sempre lhe explicámos que nos primeiros tempos a miúda ia basicamente existir. Nunca deixámos de lhe dar atenção, colo ou mimos (às vezes à custa de desinvestirmos um bocadinho na mais pequena, mas continuo a achar que nesta fase ela precisa é de mimos e descanso e isso pode ter no nosso colo enquanto brincamos com ele). Enfim, estávamos tranquilos.

Mas nada nos ia preparar para o que realmente aconteceu.

21 de dezembro de 2019

Feliz Natal :D

Por aqui entrámos oficialmente em modo de reclusão natalícia. O Matias voltou hoje de casa dos meus pais, o menu já está elaborado, as compras estão feitas, as prendas estão orientadas, ontem fomos ao cinema cumprir uma das nossas novas tradições natalícias (no ano passado fomos ver o Spider-Man: Into the Spider-Verse, este ano fomos obviamente ver o Star Wars: The Rise of Skywalker) e ainda fomos ver o bailado d'O Quebra-Nozes da Companhia Nacional de Bailado.

Tenham um feliz Natal, rodeado de amor e com muitos momentos felizes :)

Patuscos da mamã
Ando a rir-me desta foto há semanas, a sério. Vou mandar emoldurar isto :D






Feliz Natal! :D

20 de dezembro de 2019

Um dia na vida da Gabriela.

Cada vez estou mais desconfiada de que reprimimos à grande as memórias das nossas rotinas quando o Matias era bebé, e por isso a vida com a Gabriela parece-nos muito mais desafiante. Vamos achando que ela dorme pior e que chora mais, mas na verdade nenhum de nós se lembra quanto dormia ou chorava o Matias nesta fase, e começo a achar que agora nos parece tudo mais difícil por questões nossas e não dela. Vai daí, decidi escrever como era um dia na nossa vida, e pensei em começar a fazê-lo todos os meses, no primeiro dia de cada mês completo da Gabriela.

Obviamente que isto é só exemplificativo. Neste momento não temos o Matias connosco e ele só regressa de casa dos meus pais amanhã, está um temporal do demónio lá fora e por isso não saímos com a miúda neste dia, o Pedro ainda está em casa mas neste dia em particular dormiu até às 13h, etc. Mas acredito que todos os dias irão ter as suas particularidades, por isso este foi um dia como outro qualquer :)

No fim concluí que, de facto, a miúda não é de todo tão má como a andamos a pintar. É verdade que é adepta do berranço, mas neste dia nem chorou assim tanto e dormiu que nem uma falecida, por isso acho que não nos podemos mesmo queixar.

E pronto, quando a Joana do futuro vier ler estas publicações (eu gosto de ler as minhas publicações antigas) já pode sentir-se mais confiante em ter mais filhos :D :D :D

Aqui vai um dia na vida da Gabriela. Aviso já que é uma seca :D

18 de dezembro de 2019

Um mês de Gabriela (parte 2).

Ontem estava bom tempo e aproveitámos para ir todos buscar o Matias à escola a pé. A caminho de casa ele pediu para ir ao parque, e quando estávamos a voltar do parque perguntou se podia ir para casa da vovó Mi (a minha mãe).

Ficámos sem saber o que responder. Os meus pais vivem no Porto e têm imenso trabalho nesta altura do ano, e não sabíamos se iam estar disponíveis para estar com ele. Dissemos que íamos tentar combinar, e eis que os meus pais ficaram histéricos com a perspectiva de terem lá o Matias e decidiram vir hoje buscá-lo de comboio.

Vai daí, há duas horas fui buscar o Matias à escola (aproveitei para deixar as prendinhas de Natal deste ano, que são as minhas bolachas de amendoim e chocolate) e levei-o à estação. Encontrámo-nos lá com a minha mãe, ajudei-os a instalarem-se, vi o comboio partir e meti-me novamente no carro a caminho de casa.

Liguei as minhas músicas e vinha no trânsito a cantar... Quando tocou esta música.

I don't have a cent, will I pay my rent?
And even my car doesn't work.
Me and my man, he's the one to die for, we have split up.
 
Can't you see? Life's easy, if you consider things from another point of view.
In another way, from another point of view.

I see life and lights, all the colours of the world,
So beautiful, won't you come with me?
I see birds and trees, all the flowers of the world,
So beautiful, won't you come with me?

In another way, from another point of view.
Can't you see? Life's easy, if you consider things from another point of view.

E lembrei-me. Lembrei-me da Joana de doze anos, quando a música saiu, a ver o vídeo na MTV. A achar que a letra fazia todo o sentido e que a felicidade era uma questão de ponto de vista, do alto da sabedoria da minha adolescência.

E chorei no carro feita totó. Chorei com saudades do meu miúdo que está neste momento super feliz num comboio com a avó, a caminho de três dias de entupimento com bolachas e de brincadeiras com a gata. Chorei de felicidade porque o Natal está mesmo aí. Chorei de agradecimento porque estou a construir a família com que sonhava quando era adolescente e ouvia a música. Chorei porque continuo a acreditar, tal como aos doze anos, que a vida é boa e que a felicidade é uma questão de ponto de vista. Às vezes só precisamos mesmo de nos concentrarmos nas partes boas. 

Um mês de Gabriela.

Parece que ainda ontem estava a ser a chata queixosa do costume com a gravidez, e agora a Gabriela já tem um mês inteirinho.

A Gabriela tem hoje 4120g e 53cm. É a nossa menina da canção, a nossa carinha de bolacha Maria, a nossa pipoca, a nossa pequenina.


Geralmente bebe 120ml a 150ml de leite por dia, em sete refeições. Vai para a cama dela às 20h, depois do banhinho, e tem feito intervalos de quatro horas durante a noite (já fez dois intervalos de oito horas em dois dias diferentes, riqueza da mamã).


Chora que nem uma desesperada, frequentemente porque tem sono e não consegue adormecer. Ainda não percebeu que chorar vai deixá-la mais frustrada e ainda menos capaz de adormecer (temo pela inteligência desta minha filha, se calhar é melhor cancelar a inscrição em Harvard). Quando abre aquela goela é capaz de chorar duas, três, quatro ou até cinco horas se-gui-das, e nada a parece ajudar a tranquilizar-se melhor: nem colo, nem cama, nem leite, nem chucha, nem estar quentinha, nem estar fresquinha, nem música, nada de nada. Por isso só nos resta mesmo gramar com a pastilha e rezar a Deus Nosso Senhor para esta fase passar rápido.

 

Apesar disso, não nos podemos de todo queixar. A Gabi é uma miúda saudável, está a crescer, dorme razoavelmente bem, come bem, gosta muito de passear e fica sempre super sossegadinha no pano ou na mochila. Gosta de dormir ao colo, mas também dorme bem na caminha dela. Gosta muito de tomar banho. Tem um mano muito entusiasmado, que adora dar-lhe beijinhos e fazer-lhe festinhas.

Ontem mega sonolenta no zoo :D Fomos lá tirar a foto, o Matias também tem uma foto todos os anos lá :D
Matias já um senhor bebé :D
Nós estamos muito, muito cansados. Mesmo nas noites em que dormimos 'bem' acordamos com ar de quem foi atropelado, fazemos as coisas mais tontinhas (a de hoje foi ter posto o cronómetro a contar o tempo das bolachas que ia pôr no forno, e quando acabou o tempo percebi que liguei o cronómetro mas as bolachas ficaram em cima da bancada), discutimos muito mais do que antes e temos imensas dúvidas existenciais.

Este caminho pela parentalidade da Gabriela está a ser mais desafiante, sem dúvida. Mas também está a ser mais feliz. A nossa família aumentou e todos os dias descobrimos uma coisa nova sobre a nossa Gabi (mesmo que no dia seguinte ela já esteja outra vez diferente). Enche-me de amor ver o Matias como irmão. Agradeço muito ao Pedro por termos tido mais um filho saudável (temos uma herança genética porreira, há que ser grato por isso também).

Agora o Natal vem aí, o primeiro Natal da nossa Gabizocas, o primeiro Natal 'nosso' cá em casa (tecnicamente há dois anos foi o primeiro, mas eu estava de urgência) e o primeiro Natal em que o Pai Natal vai aparecer :D Vamos a isso :D

17 de dezembro de 2019

Uma imagem real da maternidade #3

Primeira publicação
Segunda publicação

Quando o Matias nasceu estava preparada para um cenário demoníaco: esperava passar os meus dias fechada em casa, com ar de atropelada, sem tomar banho, sem ter tempo para nada e por aí fora. Entretanto ele nasceu e eu senti-me mesmo super feliz e cheia de energia. Olhando para trás, acho sinceramente que os meses em que estive de licença de maternidade foram dos mais felizes da minha vida, e só foram ultrapassados pelas fases seguintes porque, honestamente, acho muito mais piada ao Matias agora do que quando era bebé.

Agora a Gabriela nasceu, e algumas das coisas que escrevi na altura mantêm-se. Continuo a sentir que tenho imenso tempo. Todos os dias vejo filmes enquanto ela dorme ao meu colo (às vezes mais do que um). Consigo sempre tomar banho (nem que seja com ela na espreguiçadeira à minha frente). Não passo de todo os dias fechada em casa (embora ultimamente esta chuva não ajude lá muito). Vá, pareço um bocado atropelada, pronto.

Mas estou indiscutivelmente mais cansada. Estou tão cansada que há três dias fui abastecer o carro que conduzo há seis anos e fiquei cinco minutos parada na bomba porque não me lembrava se o meu carro era a gasóleo ou a gasolina (entretanto contei isto aos meus amigos e pelos vistos diz na portinha do combustível em letras gigantes, mas enfim, não vi). Estou tão cansada que há dois dias abri a embalagem de cebola picada com uma tesoura e depois deixei a cebola na bancada e guardei a tesoura no congelador. Estou tão cansada que ontem liguei a Actifry com a colher medidora lá dentro, por isso a dita (que é de plástico) derreteu. Estou tão cansada que passei a beber café todos os dias, apesar de ser desaconselhado por causa da minha frequência cardíaca. Estou estúpida, pronto.

(Por outro lado, estou uma estúpida com muito tempo livre, por isso ando a ler sobre a história da Swazilândia (agora Eswatini) e ontem li sobre as origens históricas do aperto de mão! Muito interessante!)

No entanto, estar cansada tem algumas coisas boas. Tendemos a simplificar imenso as rotinas do dia-a-dia, ficámos óptimos na gestão da ansiedade nos contactos do Matias com a miúda (ou seja, deixamo-lo brincar à vontade com a irmã e envolver-se imenso em tudo) e estamos especialistas a priorizar as nossas coisas.

Mas é difícil. Este cansaço. O peso deste amor, como diz aquele texto que eu gosto tanto. No Sábado fomos à festa de Natal da escola do Matias, e enquanto voltávamos no carro a miúda decidiu berrar durante vinte minutos seguidos. O Matias vinha ao lado dela a ler em voz alta um livro que ele adora, o 'Há Um Dragão No Teu Livro'. O Pedro vinha a falar de qualquer coisa. Vínhamos na Segunda Circular e a dada altura subiu um avião por cima de nós, e eu só pensei que queria ir-me embora e fugir dali, para algum lado com silêncio. E álcool. E depois a Gabi parou de chorar e o Matias disse:

'Fiz uma festinha na carinha da mana e ela gostou e parou de chorar.'

É claro que cinco segundos depois a Gabriela voltou a chorar, mas o Matias foi o resto do caminho a dizer 'tem calma minha pequenina, estamos quase a chegar a casa'.

O meu coração explodiu ali, e sempre que penso neste momento só me apetece chorar. Porque me sinto cansada, porque me sinto sozinha, porque me sinto insegura. E porque, ao mesmo tempo, nunca estive tão feliz, tão agradecida e tão forte. Nunca me senti tão completa.

Ser mãe é a coisa mais difícil da minha vida neste momento. Mas também é a mais bonita.

'It doesn't get lighter, but you'll get stronger, I promise.'

13 de dezembro de 2019

Primeiro filho versus segundo filho.

Acho que é inevitável compararmos experiências quando temos mais do que um filho, e cá em casa isso tem acontecido. Vai daí, decidi escrever sobre as diferenças que noto entre as nossas vivências com o Matias e com a Gabriela. Aqui vai :)

Pré-gravidez

Engravidei do Matias logo à primeira, de tal forma que fiz o teste de gravidez por descarga de consciência porque achava impossível estar grávida logo quando as pessoas que conhecia demoravam meses ou anos a engravidar. Vai daí, quando decidimos ter a miúda estava convencidíssima que ia engravidar naquele segundo, claro, somos tão férteis, um prodígio da natureza, recordes do Guinness connosco já.

Quando não engravidei no primeiro mês achei normal. Pronto, acontece, não se pode ser perfeito, até os campeões olímpicos da fertilidade têm direito a dias menos bons e tal. Mas depois não engravidei no segundo mês também, e aí comecei seriamente a fritar a pipoca.

Achei que era de ser velha (recordo que tenho trinta anos), que algo tinha corrido mal no meu primeiro parto (nada que indicasse isso, mas ok) ou que estava como naquela frase do Saramago no início do Memorial do Convento 'já se murmura na corte, dentro e fora do palácio, que a rainha, provavelmente, tem a madre seca'. Mentalizei-me que ia demorar meses a engravidar e pumbas, engravidei no mês seguinte.

(Sim, eu sei que sou histérica.)

Vai daí, diria que vivi um pré-gravidez mais ansiogénico da segunda vez, até porque o pré-gravidez do Matias durou pouquíssimo tempo.

Gravidez

Quando vi o teste positivo na gravidez do Mati fiquei feliz, mas também surpreendida e ansiosa. Não sabia bem o que era suposto fazer. Depois fomos almoçar com a minha sogra e tivemos de agir como se tudo estivesse normal. Contei às minhas pessoas na semana seguinte, no trabalho às oito semanas, aos meus amigos às doze e aqui no blog às treze.

Quando vi o teste positivo na gravidez da Gabi fiquei histérica (até porque já andava a achar que tinha a madre seca, recordo-vos). Duas horas depois estava a ligar às minhas pessoas e a mandar mail à minha médica de família, e no dia seguinte contei no trabalho e aos meus amigos. Escrevi pela primeira vez sobre a gravidez no blog às oito semanas.

O início da gravidez do Matias correu razoavelmente bem, sem grandes sintomas. Fomos a Nova Iorque, onde eu recebi o resultado da sexagem fetal e descobri que íamos ter um rapaz. Depois fomos ver o musical do Rei Leão e eu chorei tanto que a Joana e o Bernardo acharam que íamos ter de ir embora. 

O início da gravidez da Gabriela foi tenebroso. Desatei a vomitar que nem uma pescada, a única coisa que tolerava no estômago era leite com chocolate da Ucal fresco (true story) e fiquei logo com a frequência cardíaca mais alta e por isso fui logo medicada. Às seis semanas sangrei e achei que seria 'só' uma sensibilidade aumentada do colo, mas no dia seguinte percebi que estava com uma ameaça de aborto por causa de um descolamento da placenta. Sangrei durante mais uma ou duas semanas. Chorei muito. No fim, tudo correu bem.

O resto da gravidez do Matias foi correndo. Comecei a desmaiar todos os dias, por isso fui medicada com um beta-bloqueante e vim para casa. Passei o segundo trimestre em repouso relativo, a aproveitar os dias bons para fazer compras. Tinha listas infinitas relacionadas com o enxoval, comprei imensas coisas inúteis (e outras muito úteis também), fiz um baby shower, duas sessões fotográficas e duas ecografias 4d. Vibrei com tudo. Delirei com tudo. Comprei um fato de cozinheiro para o Matias. Chorei porque não conseguia montar a cama, a poltrona ou o ovo no carro.

O resto da gravidez da Gabriela foi correndo também. Vim para casa sensivelmente na mesma altura do que na gravidez do Matias. Passei os meses restantes a organizar a chegada da miúda com muita calma. Usei as listas infinitas da gravidez do Matias, mas comprei pouquíssimas coisas. Fiz um baby shower, uma sessão fotográfica e zero ecografias 4d. Vibrei com tudo e delirei com tudo na mesma, mas de uma forma mais serena. Dei muito colo ao Matias e imaginei como seria dar colo a dois (é óptimo). Comprei vários vestidos com tule para a Gabriela. Não chorei a montar nada, já somos especialistas em montagens.

No geral, sinto que a gravidez da Gabriela foi mais difícil. Não tive dor ciática como na gravidez do Matias (muito chato!), mas tive vómitos e incontinência urinária (que entretanto desapareceu depois do parto, realmente o meu corpo detesta estar grávido!). Sentia-me fisicamente debilitada e enorme na mesma, mas sem aquele encanto das primeiras gravidezes em que tudo é novo, a barriga é linda, o mundo parece todo cor-de-rosa, os coelhinhos saltitam nos prados e etc.

Parto

Na minha aula de yoga para grávidas eu era a única que já era mãe, e as outras moças (grávidas pela primeira vez) adoravam falar sobre como não queriam epidural, queriam um parto natural com músicas e velas e danças, isto das dores era uma questão psicológica e conseguíamos todas parir sem fármacos só com o poder da mente. Geralmente eu fazia uma expressão assim: 

Resultado de imagem para oh honey gif

Não me interpretem mal: eu admiro muito as pessoas que não levam epidural, a sério. A minha mãe teve dois filhos sem epidural, a minha avó teve dois filhos sem epidural, a minha bisavó teve nove filhos sem epidural. Sabem quem tem gostou mais do seu parto? Aqui a pessoa que levou epidural. Dito isto, tenho várias amigas que não levaram epidural (umas por opção e outras por razões médicas) e estão vivas na mesma e adoram os filhos e algumas também gostaram dos partos. Mas claramente há toda uma linha que separa os primeiros partos dos seguintes.

No primeiro parto eu não sabia para o que ia. Fiz a depilação às 32 semanas 'não fosse ele nascer às 36'. Levei duas malas de rodinhas cheias de bodegas, achei que corria o risco de ter o miúdo pelo caminho porque o hospital era a vinte minutos de carro de minha casa (e depois gramei com 38h a ter contracções), fui para o hospital cedíssimo e sentia-me aterrorizada com a perspectiva de passar a ser mãe. Tive um parto lindo.

No segundo parto eu sabia exactamente ao que ia. Fiz a depilação às 38 semanas e meia, e aproveitei para cortar e pintar o cabelo e pôr gelinho nas unhas. Levei um saco do ginásio com coisas para o primeiro dia e depois o Pedro trouxe o resto. Fui para o hospital muito mais tarde, com contracções de tal forma dolorosas e próximas que temi ter a miúda pelo caminho. Estava super tranquila. Tive um parto ainda mais lindo. Sabia o que queria, sabia o que fazer e deixaram-me fazê-lo.

O meu segundo parto foi melhor. Foi mais rápido, menos doloroso, mais intuitivo e muito mais natural.

Pós-parto imediato

O baque imediato foi exactamente o mesmo com o Matias e a Gabriela. Amei-os, ali, logo, naquele segundo em que os vi. Fiquei cheia de hormonas felizes, estava pronta para tudo, queria correr a maratona se me deixassem.

Levantei-me duas horas depois do parto do Matias e fui tomar banho. Ainda andei uma ou duas semanas com dores no braço que tinha partido e na episiotomia (um dos pontos abriu), mas andava impecável e cheia de energia. Um mês depois estava pronta para outra e não fiquei com qualquer sequela do parto.

Levantei-me duas horas depois do parto da Gabriela (porque não me deixaram levantar antes) e fui tomar banho. Tive contracções durante três ou quatro dias, mas de resto tive zero dores. Por outro lado, senti-me (e sinto-me) com menos energia. Fisicamente estou bem e uma semana depois já estava pronta para outra, mas mentalmente sinto-me muito mais cansada. Até ver não fiquei com qualquer sequela do parto.

Quando trouxemos o Matias para casa foi um namoro pegado. A amamentação foi um dramalhão, mas fora isso achei tudo lindo e maravilhoso e no geral a adaptação foi muito fácil. O Matias comia e dormia, e tirando ali umas três horinhas ao fim da tarde em que chorava bastante era um bebé muito tranquilo.

Quando trouxemos a Gabriela para casa foi uma aventura. A amamentação não foi um dramalhão porque acabou antes de o ser. A adaptação foi, e ainda é, um desafio. A Gabriela comia e dormia, mas chorava como uma desalmada e berrava como se a estivessem a matar, de tal forma que decidi que mal a miúda faça seis anos vou logo inscrevê-la nas aulas de canto para começar a rentabilizar estes pulmões.

No geral, diria que houve um investimento diferente no Matias. O tempo era todo para ele, o resto ficou em segundo plano, ele era a nossa única prioridade. A minha pasta das fotos da altura era assim:


Com a Gabriela foi diferente. O Matias continuou a ter mais investimento (porque é mais crescido e exige coisas diferentes e mais complexas), a casa tinha de estar habitável, a roupa tinha de estar lavada, a sopa tinha de estar feita, precisávamos de ter leite e pão e fruta e por aí fora. Por isso, a pasta das fotos de agora tem este aspecto:


Também senti que desta vez tivemos muito menos ajuda externa, por vários factores. As nossas famílias ficaram cá menos tempo, os nossos amigos vieram menos vezes, e acabámos por sentir-nos um bocadinho mais sozinhos e desamparados.

Pós-parto a médio prazo

Com o Matias a rotina instalou-se depressa. O Pedro voltou ao trabalho passado um mês, e no geral diria que tudo correu de forma tranquila. Eu estava focada no miúdo, íamos dando uns passeios, dormia umas sestas, tudo muito relaxado.

Com a Gabriela a rotina demorou mais tempo a instalar-se, mas acho que estamos finalmente a acalmar. O Matias já não acorda durante a noite com a miúda a chorar (o que é logo uma grande ajuda porque já só temos uma criança para gerir de madrugada e não duas). O Pedro volta ao trabalho daqui a dez dias. Andamos fartos de passear, até porque a Gabi fica tranquila na rua (leia-se, fecha a matraca), e nos dias em que saímos sentimos que ela dorme melhor. A Gabriela dorme e come tão bem como o irmão (possivelmente até melhor ainda), mas nós achamos que as noites, embora melhores, custam mais agora (não sei se estamos efectivamente mais acabados ou se simplesmente reprimimos o quanto nos custaram os primeiros meses do Matias).

Futurologia

Estou muito curiosa para ver o que aí vem. O Pedro volta ao trabalho mesmo antes do Natal, e estou expectante para perceber como vai ser gerir a miúda e o seu berranço, levar o Matias à escola e ir buscá-lo, gerir a casa sozinha durante o dia e gramar com as noites.

Também me parece que no geral a Gabriela vai ser uma bebé menos investida do que o Matias. A nossa vida está diferente, temos outro miúdo e outras responsabilidades, e possivelmente também temos outro enamoramento por esta fase porque sabemos que as seguintes são, sejamos honestos, mais fixes e divertidas. Por outro lado, e porque não pode ser tudo mau, também sentimos que somos agora muito mais confiantes e eficazes do que éramos antes, e no geral sinto que conseguimos corresponder às necessidades da miúda de uma forma mais rápida, até porque agora somos mais experientes.

Um óptimo exemplo disso é a questão das noites. O Matias sempre dormiu muito mal no nosso quarto. Por outro lado, eu também dormia muito mal com o Matias no nosso quarto. Vai daí, passámos o miúdo para o quarto dele com um mês. Na altura foi um mega drama, os protocolos isto, a morte súbita aquilo, que negligentes. Agora voltou a repetir-se a problemática, por isso a miúda foi para o quarto dela esta semana, sem qualquer drama, com zero sentimentos de culpa e com noites muito melhores para todos.

Por outro lado, também é muito mais giro ver a interacção do Matias com a Gabriela. Ele continua muito entusiasmado, adora encher a irmã de beijos e faz as perguntas mais deliciosas. Esta semana quando passámos a miúda para o quarto dela ele disse logo 'Yey, mana está tão crescida! Já fala?' :D

E pronto, a vida corre tranquila :)

9 de dezembro de 2019

Três semanas de Gabriela.

Uma semana depois, diria que no geral está tudo mais tranquilo. Não sabemos se a Gabriela está menos chorona ou se nós já estamos dessensibilizados (possivelmente será uma mistura das duas), mas os dias têm corrido de uma forma aparentemente mais pacífica.

A Gabriela adora dormir quando há confusão (gente cá em casa, passeios, barulho, por aí fora), mas também não tem dado noites nada más (come uma a duas vezes por noite, com intervalos entre as 3h e as 6h, riqueza da mamã).

Bebe 120ml de leite em seis ou sete mamadas diárias. Nos últimos dois dias tem andado mais comilona, possivelmente estará a fazer um pico de crescimento. Ao contrário do Matias, que gostava mais dos biberões da Dr. Brown's, a Gabriela gosta mais dos da Avent. Continua sem ser grande fã da chucha, mas sinceramente nós também não a estimulamos muito nesse sentido.

Na pesagem da semana passada as enfermeiras ficaram preocupadas porque a Gabriela só tinha ganhado 17g por dia, e a verdade é que ela passou uma fase em que não parecia assim tão interessada em comer. Entretanto parece-nos que isso passou, vamos ver como corre a pesagem amanhã (que também vai ser o dia da administração da vacina da BCG!). 

O Matias parece cada vez mais crescido. Quer ajudar com tudo. Gosta de dar banho à irmã e até já arrastou um banco para o trocador para poder ajudar a mudar a fralda. Também já acorda menos de noite (houve uma fase difícil em que a dada altura tínhamos os dois miúdos acordados, uma a chorar e o outro porque não conseguia dormir com o choro!).

Enfim, tudo está melhor. Ou então está igual e nós estamos mais habituados. O que quer que seja, não nos podemos queixar :D

É assim, a minha mãe só me veste com estas bodegas de fidalga, quero fatos com dinossauros como os do meu irmão!


Dezembro (parte 1).

Normalmente estes registos são mensais, mas a verdade é que começámos Dezembro em grande e já fizemos um montão de coisas. Vai daí, decidi dividir a foto-reportagem do mês para não sobrecarregar ainda mais a publicação, até porque ainda vem aí o Natal :D :D :D

No início da semana passada fizemos a nossa sessão fotográfica anual de Natal, desta vez a quatro (depois mostro as fotos) :D O Bernardo voltou de Roterdão depois de ter vivido lá três meses (gostou imenso). Também voltámos ao Dote para matar saudades das francesinhas, agora com a nossa Gabi. Enviámos os postais de Natal, e mais uma vez o Matias divertiu-se imenso a colaborar. Fomos à Harry Potter: The Exhibition com a Gabriela, que dormiu no pano o tempo todo. Depois da exposição ainda comemos um belo bife na República da Cerveja, e no fim deste dia fomos ao centro de saúde para a pesagem da Gabi e a vacina do Mati (que fez a Nimenrix). Mandámos vir pizzas da Lucca e matei saudades da minha pizza de trufas. Entretanto comecei a minha operação pós-parto, por isso adeus pizzas todas as semanas (snif). 

No fim-de-semana andámos muito entretidos: no Sábado a Carina, o Miguel e a Leonor vieram cá almoçar (e trouxeram com eles uma mousse de chocolate saudável e deliciosa), passámos a tarde a jogar Risk e depois a Joana e o Bernardo juntaram-se a nós para o lanche, que se prolongou até à hora do jantar. Ontem fomos à Cascais Christmas Village, dormimos uma sesta deliciosa os quatro e à noite fui ao The World of Hans Zimmer - A Symphonic Celebration :D
 
Pequeno-almoço: sumo de laranja, café e torrada com Nutella


5 de dezembro de 2019

Sair com um recém-nascido?

A Gabriela farta-se de laurear a pevide. Nasceu numa Segunda-feira, tivemos alta na Terça ao fim do dia e na Quarta fomos buscar o Matias à escola. A Gabi veio connosco levá-lo ou buscá-lo à escola praticamente todos os dias depois desse, de carro ou a pé. Também já foi ao parque, ao Glood e almoçar ao Dote. Ontem foi à exposição do Harry Potter e depois fomos almoçar à República da Cerveja. Em resumo: todos os dias saímos de casa com a miúda.

Vou mostrando algumas destas rotinas no Instagram, e há imensa malta a mandar mensagens dizendo que os médicos assistentes dos seus miúdos não recomendam sair de casa antes deles terem um ou, em alguns casos, dois meses.

Fiquei em choque, confesso. Pensei que seriam recomendações em relação a locais fechados, mas não: há colegas que recomendam não sair de casa com os miúdos de todo, nem para apanhar ar fresco. Só mesmo ir às consultas e fim.

Por via das dúvidas, voltei a confirmar com a Joana. Já com o Matias éramos super fãs de dar uns passeios, e agora que não se coloca a questão do calor (somos um bocadinho paranóicos com o sol e tal) basicamente agasalhamos bem a miúda e saímos pela porta fora. Mas tendo em conta a quantidade de pessoas que diziam o mesmo, se calhar nós é que estávamos a assumir que não haveria problema.

Afinal, a Joana não tem nada contra os passeios, com as precauções do costume (evitar espaços fechados, agasalhar bem a criançada, etc).

E tem-nos feito um bem do caraças, a sério. Saímos, passeamos e apanhamos sol. Voltamos sempre mais bem-dispostos e relaxados - com a grande vantagem da Gabriela normalmente ficar muito tranquila no pano ou na mochila.

Gabi na alcofa no Dote
Gabi ao colinho da titi Joana / pediatra assistente na República da Cerveja :)
E as doenças? - pergunta a malta no meu Instagram. Bem, no dia em que o Matias foi conhecer a Gabriela estava constipado (aquela constipação da ranhoca amarela e espessa, sabem?). Entrou no quarto, quis pegar nela ao colo e encheu-a de beijos. E nós íamos fazer o quê? Impedir isso? Não é o nosso estilo. Eventualmente a ranhoca passou, mas há dois dias que o Matias tem umas pintas estranhas. E continua a encher a irmã de beijos. E nem nos passa pela cabeça impedi-lo, aliás, por nós ele vai continuar a encher a irmã de beijos para sempre (vá, até à adolescência).

A partir do momento em que o Matias está na creche a apanhar as viroses do costume e nós saímos de casa pelo menos para ir levá-lo e buscá-lo (e daqui a duas semanas o Pedro regressa ao trabalho nesse antro de doenças que é o hospital), a Gabi já está em risco de contágio, agravado pelo facto de ter nascido em segundo lugar. E é verdade que o Inverno é uma altura mais chata, mas no Verão também andam sempre por aí as gastroenterites e afins.

É melhor termos serenidade para aceitarmos as coisas que não podemos mudar, e apanhar ar 'puro' (vá, tendo em conta que vivemos em Lisboa não deve ser assim tão puro) nunca fez mal a ninguém. E quando ela ficar doente, tem aqui os papás médicos para a ajudarem e o irmão para a encher de beijinhos :D

4 de dezembro de 2019

Mati e Gabi.

O Matias foi um bebé relativamente tranquilo. Teve ali uma fase entre as duas semanas e os dois meses em que chorava bastante entre as 21h e as 23h (o que frequentemente se acha que serão 'cólicas', mas que nós achávamos que era mais 'azeitanço'), e fora isso era um bebé-come-e-dorme. Como parecia dormir pior no nosso quarto (e nós claramente dormíamos mal com ele lá) passou para o quarto dele com um mês e passou a dormir relativamente bem. Com o tempo foi espaçando as mamadas e por volta dos cinco meses já dormia a noite toda (depois entre os sete e os onze bateu-lhe em cheio o surto de desenvolvimento do andar e acordava umas dez vezes durante a noite, mas quando isso passou voltou a dormir que nem um santo).

A Gabriela já é diferente. É adepta fervorosa de estar de goela aberta a berrar como se alguém a estivesse a matar (juro que penso que vou pôr a miúda nas aulas de canto o mais cedo possível, porque claramente resistência tem ela). Parece preferir o horário do berranço entre as 19h e as 2h, mas na verdade gosta de exercitar as cordas vocais a qualquer altura. Durante horas e horas seguidas.

Eu sempre fui relativamente imune aos choros, quase ali a roçar a psicopatia. Não me faz confusão nenhuma, não me importo, fico como se nada fosse. Conseguia fazer 16h de urgência de pediatria na maior sem ficar com os ouvidos cansados, adormecia naqueles voos tenebrosos em que os bebés choram o tempo inteiro e nunca entrei em pânico quando o Matias chorava. E depois chegou a nossa cantora.

Modéstia à parte, continuo a não entrar em pânico. Mas isso acontece porque claramente não há rigorosamente nada que possamos fazer: quando a Gabriela decide chorar nada a convence a fechar aquela matraca, nem colo, nem leite, nem chucha, nem orações a Deus Nosso Senhor. Por isso resta-nos aguentar, fantasiar com todas as formas de vingança (pessoalmente já tenho gravações do choro dela e planeio pô-las a dar às sete da manhã quando ela for adolescente) e aproveitar o silêncio enquanto ele dura. E torcer para que, tal como aconteceu com o Matias, também isto seja só uma fase.

Matias com um dia
Gabriela com um dia
Matias com quatro dias
Gabriela com quatro dias
Cinco dias
Cinco dias (claramente mais investimento nos outfits agora, isto realmente é um prolongamento narcísico)
Matias com duas semanas
Gabriela com duas semanas (não se iludam pelas fotos sempre a dormir, isso acontece porque quando a cachopa está acordada está praticamente sempre a chorar!)

2 de dezembro de 2019

A aguinha do cu lavado, parte 2.

Lembram-se de quando a minha avó (sim, foi a minha avó!) tentou dar água do banho ao Matias, dizendo que 'a aguinha do cu lavado torna um filho bem-comportado'?

Depois das considerações que conto nessa publicação, surgiram inúmeras. O menino não podia ver-se ao espelho até ter um ano senão qualquer-coisa-que-não-me-recordo, coitadinho do menino que bebe o leitinho frio e isso faz-lhe mal por razões, o menino está sempre muito magrinho e por aí fora.

Mas desde que nasceu a Gabriela temos um conjunto novo de avisos, e temos achado imensa graça a isto. Vejamos:

(Quando comentei que a miúda é chorona): 'A menina chora porque tem dores porque as meninas tomam as dores das mães. Se a mãe não tem dores, tem a filha.'

(Quando disse que ia deixar de amamentar): 'Tens é de ter cuidado por causa do teu peito. Olha quando foi da tua mãe pus dois raminhos de salsa debaixo dos braços para me secar o leite e resulta!'

(Quando me queixei que a Gabi dorme que nem uma morta durante o dia e chora que nem uma desesperada durante a noite): 'Está com os sonos trocados! Quem sabia uma oração mesmo boa para isso era a minha madrinha. Ias para um cruzamento, andavas no sentido dos ponteiros do relógio e dizias aquela oraçãozinha e resultava mesmo! Que pena que a minha madrinha já não está cá...' (aposto que depois disto a minha avó foi perguntar a todas as velhinhas de Leça da Palmeira se conhecem a dita oração) (por acaso não conhecem? Sei lá, mal não faz!) :D

(Quando conto o que vamos fazendo durante o dia): 'Não podes sair de casa Joaninha! Estás no resguardo filha! Ainda nem tens um mês de parto e já andas a passear?'

(Estava a dizer que ia lavar roupa): 'Não dês roupa tua do resguardo para ninguém lavar Joaninha! Conheço quem tenha recebido muito mal por ter dado essa roupa a lavar, olha o mau-olhado!'

E isso sem falar na preferida 'E quando é que baptizas essas crianças Joaninha? Ai coitadinhas dessas alminhas que não entram no céu' :D

Nós achamos imensa graça a isto, confesso, até porque a minha avó não é nada invasiva com estas coisas e diz isto porque gosta de nós, gosta de cuidar e fica preocupada. E pronto, é engraçado e não ficamos nada ofendidos :)