Que ninguém espera nada de mim, que ninguém espera que eu seja assim ou assado, melhor ou pior. Que parece que eu me esforço para ser aceite. Que é incompreensível que sofra de ansiedade quando sou levada a estar no meio de muita gente, sobretudo quando não conheço muito bem os outros. Ninguém espera nada de mim. Que eu, como os outros, estamos ali em grupo mas que podemos livremente apagar-nos, fazer de conta que não estamos, que não existimos, portanto ninguém espera que eu fale, que tenha graça, que seja gente, uma voz.
Que tenho de ser racional.
Eu sou bastante racional. Nunca na minha vida fui tão racional. Devo ser a pessoa mais racional da minha rua.
Tenho uma pilha de socialização. Foi um órgão de que cuja presença me fui apercebendo ao longo dos anos. Algumas pessoas não têm. A minha pilha está instalada perto dos rins. Dá para umas horas de luz, e depois gasta-se, e é preciso recarregá-la. E eu digo-o sem embaraço, a pilha gastou-se, desculpem, tenho de ir. Quando a pilha se gasta sinto dores musculares. Cheguei ao um ponto em que sinto não precisar de disfarçar. Esta sou eu, se sirvo, óptimo, se não sirvo, por favor tomem outro caminho, e não me distraiam do meu. Preciso do silêncio da minha casa, do meu lava-louça cheio de tachos por lavar, do meu sofá, do canal Hollywood, das minhas cadelas, da noite que vejo da minha janela, do meu silêncio, da minha vida. Não preciso de sentenças sobre o que está errado na forma como encaro a socialização.
Que tenho de ser racional.
Eu sou bastante racional. Nunca na minha vida fui tão racional. Devo ser a pessoa mais racional da minha rua.
Tenho uma pilha de socialização. Foi um órgão de que cuja presença me fui apercebendo ao longo dos anos. Algumas pessoas não têm. A minha pilha está instalada perto dos rins. Dá para umas horas de luz, e depois gasta-se, e é preciso recarregá-la. E eu digo-o sem embaraço, a pilha gastou-se, desculpem, tenho de ir. Quando a pilha se gasta sinto dores musculares. Cheguei ao um ponto em que sinto não precisar de disfarçar. Esta sou eu, se sirvo, óptimo, se não sirvo, por favor tomem outro caminho, e não me distraiam do meu. Preciso do silêncio da minha casa, do meu lava-louça cheio de tachos por lavar, do meu sofá, do canal Hollywood, das minhas cadelas, da noite que vejo da minha janela, do meu silêncio, da minha vida. Não preciso de sentenças sobre o que está errado na forma como encaro a socialização.