Mostrar mensagens com a etiqueta política nacional. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta política nacional. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Quero ser deputada

Durante muitos anos não me interessei por política. Não achava graça nenhuma. Agora interesso-me imenso, sobretudo porque me divirto com a comédia negra. Não sei se antigamente a política portuguesa era assim tão anedótica. Não reparava. Agora é muito.
Gosto tanto de política que estou a pensar deixar a fábrica, onde se ganha pouco e se trabalha muito, com um desgaste que não é pago, para me imiscuir em listas partidárias conducentes ao sufrágio legislativo. Ninguém me quer? Gostava tanto! Sobretudo quando penso que me bastariam dois mandatos seguidos para passar direitinha à reforma, eu que tenho tanto para ler e escrever, e tempo zero para o fazer.


sábado, janeiro 12, 2008

Um país tão desgovernado

Não há problema algum no facto de o governo recuar nas suas medidas. Eu própria mudo de ideias pelo menos uma vez por semana. Ainda na quarta-feira, ao almoço, no snack-bar ao lado da minha fábrica, tive de chamar o senhor Lino, que é como se chama o empregado de mesa, e dizer-lhe, "olhe, desculpe lá, afinal não me traga a feijoada, que ando mal da figadeira; pode ser antes o peixinho", e não houve ondas. A questão não reside na mudança de ideias, mas no facto de, comprovadamente, o governo não pensar o que faz, quando pensa fazer. Trabalha em cima do joelho, logo, mal.
Enquanto habitante da Margem Sul, agrada-me que o distrito de Setúbal tenha sido escolhido como base para o novo aeroporto. No entanto, devo um reparozinho à acção do governo: se a escolha da OTA como localização para um novo aeroporto nunca foi consensual, os estudos adicionais encomendavam-se no momento em que se recebeu a pasta, não após o anúncio da primeira localização e respectiva contestação. E isto vale para todas as tomadas de posição, seguidas de recuo, nas quais o governo do cidadão Sócrates se tem visto envolvido. Primeiro pensa-se, pondera-se, depois age-se com certeza. Para além de que não se governa um país, nem uma casa, atirando culpas para o governo antecessor: avaliam-se situações e resolvem-se problemas.
Se me desse na veneta mandar construir uma vivenda de dois andares, com circuito de manutenção e parque de diversão para cadelas, preocupar-me-ia em eleger um local interessante, e possível, o lote de terreno mais adequado, uma boa arquitecta, empresa de construção civil, materiais, prazos, custos, entre outros. Só após ter reflectido tudo isso muito bem, ter pesado vantagens e desvantagens do empreendimento, me daria ao luxo de o tornar público junto de amigos e conhecidos. Trabalhar à cegas, sem avaliar abrangentemente um projecto, aparentando serviço e eficácia, só aparentando, isso é que jamé.
Igualmente, me sinto no direito de questionar se todas as medidas que o governo tomou até hoje, e nas quais não recuou, foram as melhores. Se calhar dava jeito que o governo reavaliasse, também, uma série de políticas injustas e desastrosas que implementou na Segurança Social, Administração Pública e outras áreas que se tornaria fastidioso enumerar. É legítimo pensar que também nessas se tenha enganado.
Cá fico, portanto, à espera da retractação.


sexta-feira, agosto 31, 2007

A corja de sempre

Luís Filipe Menezes visita meninos carenciados. Luís Filipe Menezes visita a Urgeiriça. Luís Filipe Menezes aparece nas notícias todos os dias. Luís Filipe Menezes quer liderar a oposição. Luís Filipe Menezes pretende trocar o seu palácio em Gaia pelo de Belém. Que traição à corja do Norte, precisamente igual à corja do Sul. Já não nos bastavam as negociatas escuras do que agora lá está! Que linda alternativa: Luís Filipe Menezes com carta branca para corromper o País às claras!

quarta-feira, agosto 22, 2007

As férias da corja

Este mês tenho andado invulgarmente feliz e bem-disposta. Ontem, ao ver o telejornal, percebi porquê: não são apenas as minhas férias: não, não. É que não tenho visto o Sócrates nas notícias, nem a ministra da educação nem o da saúde, e o resto dos hipócritas. Apenas o ministro da agricultura empunhando a maçaroca transgénica. As férias da corja dão-me saúde.


quarta-feira, maio 30, 2007

Duelo entre Só-Cartos e Filho-da-Putin

Só-Cartos - Eu cá faço sempre jogging em viagens oficiais!
Filho-da-Putin - Eu, em viagens oficiais, corro a meia-maratona, de preferência por zonas com curvas acentuadas e percursos sinuosos.

Só-Cartos - Pisei o solo da baía de Luanda. Paisagem maravilhosa!
Filho-da-Putin - Pisei o solo à volta da Casa Branca até Bush se sentir agoniado.

S-C - Pisei Copacabana. O Brasil parou para me ver.
F-d-P - Pisei Londres até Blair acusar vertigens.

S-C - Pisei o Parque de Beihai, em Pequim, com 10 graus negativos, e iam-me caindo os tim-tins.
F-d-P - Pisei Bona até o presidente alemão me gritar "ok, rendo-me, grande Filho-da-Putin".

S-C - Não se escandalize por ainda não ter tido tempo para descalçar os ténis, mas é que acabei agorinha mesmo de pisar a monumental Praça Vermelha.
F-d-P - Não há problema, eu piso frequentemente todo o povo russo sem que dele ouça um único lamento.
S-C - Ah, que aborrecimento para si, realmente! Eu também piso todos os dias os portugueses, mas, no meu caso, felizmente, eles aplaudem-me de pé e pedem bis.

cartos - dinheiro (galego)


Boas práticas na administração pública

Ontem, o ministro da Agricultura, Florestas e Pesca do Japão suicidou-se na sequência de graves suspeitas relacionadas com dinheiros que terá recebido indevidamente, etc, etc.
Hoje, o ex-director de uma agência ligada ao referido ministério seguiu o mesmo caminho.
Mesmo mantendo grande estranheza relativamente às idiossincrasias da cultura japonesa, considero que há que destacar aqueles hábitos salutares que muito me agradaria ver chegar à politicagem nacional.
O primeiro-ministro, a ministra da Educação, o da Saúde, tal como o da Economia não quererão seguir o exemplo das nações civilizadas?


sexta-feira, maio 11, 2007

Poder da Direita

Estava eu a dizer à minha prima afastada que até não me importaria de dormir com um homem de Direita desde que ele a endireitasse.

Série Venenos Letais

domingo, abril 15, 2007

Dúvidas que são já certezas


Ninguém, nem mesmo a oposição, está interessado na queda do governo. É essa singela razão que garante o primeiro-ministro, saltando sobre a sua credibilidade justamente afectada. Os portugueses podem manifestar tendência para estimar e respeitar ditadorzinhos de loiça, mas dificilmente engolem contradições.
O exame do primeiro-ministro na RTP, quarta-feira passada, foi relativamente fácil. Os examinadores mostraram-se mais nervosos que o examinando: claramente intimidados. Suspirei pela Margarida Marante dos velhos tempos. Margarida Marante descarnaria qualquer rei que já andasse nu!
O primeiro-ministro, compreensivelmente, levava a lição decorada, bem treinada, sobretudo a matéria relativa aos advérbios de negação. Mas argumentar, negando, bastas vezes em exercício de perigosa contradição, não esclarece. Foi exactamente o que aconteceu. Se havia dúvidas, tornaram-se certezas. Lamentavelmente, para o primeiro-ministro, não existe agora justificação para uma segunda entrevista.
Pelo que posso observar, o governo perdeu os "professores", e, cumulativamente, a opinião pública.

sábado, março 24, 2007

A crise identitária da Direita


A politóloga Marina Costa Lobo afirma que a Direita está sem conserto, mas não é bem verdade. Nunca esteve tão bem; desde a ditadura que não se via tão numerosa e impunemente representada em sítio algum.
A Direita tradicional está em crise, porque emergiu uma empresa que costumava laborar noutro sector, a concorrer no seu segmento de mercado, com o mesmo produto, o qual impôs sem discussão. Precisa agora de garantir a sua sobrevivência, reposicionando-se. É exactamente por atravessar um momento de glória que a Direita se sente em crise. Como pode fazer oposição a si mesma?!
Ninguém dá valor ao esforço que a Direita tem realizado para encontrar motivos de censura na governação actual. O partido do governo tem realizado tudo aquilo que para a Direita tradicional não passava de fantasia, um sonho, e tem-no realizado sem hesitações, sem escrúpulos, sem complexos de culpa. Claro que só pode concordar! Vê-se é ideologicamente espoliada da sua missão, pelo que os actuais conflitos partidários da Direita radicam neste ponto.
Só vejo duas hipóteses para a Direita portuguesa: ou se funde numa holding com o partido do Governo (as lutas interinas terão esse destino) ou se transforma numa Esquerda mutante (embora agora não esteja a ver como), porque os animais tendem a criar meios de adaptação aos novos habitats.
A primeira hipótese parece-me mais viável.

domingo, março 11, 2007

Nas próximas legislativas voto Gato Fedorento

Esta é a democracia da Europa civilizada cuja oposição depende de um programa semanal de humor, com menos de uma hora, apresentado em estúdio de televisão por quatro putos que ninguém elegeu.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

A grande virtude de não se ter tento na língua

É verdade que este blogue tem aumentado o número de visitas, mas nunca imaginei que a fama do MP chegasse à Imprensa diária.
Hoje, lendo o DN, p. 6, fiquei a saber que José Lello desafia Ana Gomes a levar ao MP a tal questãozinha dos voos da CIA que terão feito escala nos Açores, com prisioneiros em trânsito, bem agrilhoados, situação que a eurodeputada tem denunciado, com base em testemunhos directos de que teve conhecimento.
Ana Gomes responde-lhe que não "perde pela demora", e que considera, de facto, recorrer ao MP.

Ora bem, o MP antecipa-se, e esclarece a situação sem delongas: Ana Gomes nunca foi mentirosa! Já José Lello, sabe-se, é um fantoche que movimenta os membros ao gosto do manipulador de serviço! Ana Gomes tem mais tomates no dedo mindinho que a família inteira de José Lello, reunidos os sacos testiculares viáveis.
O MP não gosta de José Lello. Mas o MP gosta da Ana Gomes, a qual não tem, felizmente, tento algum na língua, virtude tão esclarecedora como mal amada em Portugal, sobretudo pela classe política.
O MP sabe, porque sabe, que Ana Gomes jamais se envolveria na denúncia de uma situação a tal nível, se não tivesse provas em que sustentar as suas declarações. Não é uma mentirosa! Não é parva!
O MP reconhece que a autenticidade das afirmações de Ana Gomes vem incomodando, de há muito, o seu partido, e a classe política, em geral. Chamam-lhe emocional, descontrolada, histérica. Em suma, chamam-lhe mulher, e remetem-na para o gueto das que, tendo entrado na política, não cumprem as regras sagradas dos discursos hipócritas, dos discursos pour épater le bourgeois. Por isso, o MP chama-lhe cidadã de consciência activa, corajosa. É uma mulher do caraças, porque é um ser humano do caraças. Por esse motivo, o MP está com Ana Gomes para o que der e vier, e será feliz quando puder votar nela para liderar um governo. O MP tem dito.

domingo, janeiro 22, 2006

Eufemismos

A eleição de Cavaco Silva para a Presidência da República vem tornar o País mais governável.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Dar a mão à palmatória!

Publicado nO Eleito.


Tentando analisar o debate de fora, como se eu não fosse votar:

- Mário Soares está arrumado! As alegações finais foram determinantes. As de Soares: já lá estive, dei provas; não só sei fazê-lo, como vocês sabem que eu sei fazê-lo!
As de Cavaco: não ataco ninguém, e pensem no futuro dos vossos filhos!
- Os portugueses não gostam do estilo americano, demasiado solto, agressivo; não toleraram quase meio século de ditadura por acaso: gostam de gente séria, de gente humilde, respeitadora, que veio de baixo, que foi trabalhadora-estudante, que pensa nos filhos – e isto faz-me lembrar excelente frase-slogan, no cartaz do filme Flight Panic, com Jodie Foster: se alguém lhe roubasse os seus filhos, até onde é que você iria para os recuperar?
Para mim, que não tenho filhos, a resposta é óbvia: até onde tivesse de ir, até ao fim do mundo, da vida, e sem medo. A tirada “filhos” foi muito boa. E foi uma arma legítima.

Os portugueses gostam de candidatos low-profile, mansinhos na aparência, estilo europeu discreto.
Então, um candidato vinha lembrar aos ouvidos lusitanos (Deus, Família, Hipoteca!) a segurança futura dos filhos, e não ganhava as eleições?! Estava para vir o dia! Ó meus amigos, eu quase que aposto o ordenado de Janeiro!
- Mário Soares, a certa altura, como o Karloos muito bem destaca, lembrava-me a personagem do Herman no “presidente da junta”. “Eu é que sou o presidente da junta. E já agora, deixem-me lembrar, eu é que sou o presidente da junta!”.
Os portugueses detestam gabarolas! Desculpa, Mário, na Califórnia safavas-te; aqui, com este adversário, no way!
- Cavaco tem tudo para agradar: caladinho, educadinho, bem-compostinho, respeita os senhores mais velhos... parece uma múmia, engravatada, claro, mas os portugueses gostam de múmias. Gostam, a verdade é que gostam! Paus de vassoura desvitalizados! De fato escuro. Gostam! Poucas conversas, que quem fala muito, muito erra.
- Cavaco teve excelente estratégia. A do desgraçadinho que está a ser atacado por todos os flancos, e que, por respeito, recusa ripostar.
“Filho-da-mãe daquele Soares, hein!?”, a provocar o desgraçadinho. Revelar que os amigos, políticos da Europa, lhe confidenciaram que Cavaco não sabe dialogar nas reuniões internacionais, não é um bon vivant, como ele, não tem savoir être! Muito mau. Muito baixo. Arma ilegítima.

- E depois, de mestre!, as tiradas sobre os livros. Cavaco não nos explicou o que lá escreveu: remeteu. Mas ao remeter, fez mais que isso: lembrou, “eu tenho livros, muitos: escrevi-os todos – não são entrevistas dadas à Maria João Avilez, as quais a Maria João escreveu com o seu punho - são livros a sério, de um homem sério”.
Matou quatro coelhos: não respondeu; amanhã vai acumular direitos de autor sobre livros vendidos, não efectivamente lidos, mas o que é que isso interessa?!; lembrou que Soares não tem escrito, e ganhou para si créditos de Autor sério, como se já não bastassem os de sério professor.
Quem desconhece o respeito que o português-médio, o português a dar no duro para ter a filha na universidade, tem por um bom calhamaço que ele nunca leu?! Chama-se “respeito de analfabeto”. Os livros não servem para ler, mas para expor. Uma estante, na sala, toda preenchida com livros encadernados, que nunca foram lidos, entremeados de peças Vista Alegre, isto, em casas com bom gosto: umas colecções de Júlio Dinis, de Camilo, de Eça, com todo os respeito pelos três, cada um no seu estilo; uma enciclopédia desactualizada, mas com muitos volumes, de bonita encadernação! Vermelha e dourada.
Está no papo. Não tenho dúvidas. Não as tive no dia em que Cavaco anunciou a candidatura. Depois, relativizei; pensei “o Soares!, quem é que bate a raposa velha?!”.
O lobo com pele de cordeiro! Cavaco Silva vai bater a raposa velha!
Bem, parte feliz disto tudo: consegui arranjar, pintar e secar as unhas durante o tempo do debate!

terça-feira, novembro 15, 2005

Cavaco e a estratégia «Big Brother»

(Publicado nO ELEITO)

A estratégia de Cavaco Silva, tão legítima como outra qualquer, desde que legal, lembra-me o Zé Maria do
Big Brother 1, com uma única diferença: acredito que o Zé Maria não teve estratégia, ou, pelo menos, até certa altura, não a teve; quanto a Cavaco, já a tinha delineada no dia em que saiu do governo para se tornar O Humilde Professor.
A estratégia é óptima, dificilmente não resultará, e Soares, que, aqui, desempenha o papel do Marco, o da pontapé na Sónia, no mesmo BB1 (isto, para situar quem não teve, como eu, acesso a tais momentos de cultura pura!), tem de levar o adversário muito a sério: Cavaco não será a raposa velha, como Soares, não tem o seu dom da palavra nem a sua mundividência; não se desembrulha de improviso; não consegue enfrentar um argumento forte, arrumando-o com graça, ironia; sabe apenas responder lateralmente, e fugir; ou seja, no que respeita ao exercício de combate verbal político, Cavaco não chega à sola do sapato de Soares, nunca. E, nesta fase, é isso que está em questão.
Isso poderia ser suficiente para o colocar em séria desvantagem na corrida, não tivesse Cavaco outros trunfos: a consciência do que o distingue de Soares! Sabe que não deu provas, a não ser as que tão bem conhecemos, que não tem, portanto, a papa feita, como Soares. Sabe que o seu estilo tem de ser diferente, e escolheu um muito caro aos portugueses: o que granjeou votos a todos os vencedores de Big Brother’s, em Portugal: ser humilde e honesto, falar pouco, fugir de questões, não se irritar, vir de baixo, ser pobrezinho ou mais ou menos! Se Cavaco se aguentar neste registo, até ao final, se não lhe saltar a tampa, ganha este Big Brother, quero dizer, estas eleições.
O mesmo bolo-rei com que os media o achincalharam, assaloiaram há anos, pode servir agora para o eleger: a simplicidade, a autenticidade de alguém que é apenas um honesto e inteligente professor, discreto, modesto, pobre mas limpinho – português como todos os portugueses, não um menino de família que sabe francês e tem manias de estrela, não um menino humanista provindo de uma elite intelectual urbana da qual nunca saiu.
Nada disso, eis Cavaco, um homem do povo, que conhece os seus problemas, que viveu na terrinha, na província, que ajudou o pai, que subiu sozinho, e que recusa a linguagem gasta de um confronto eleitoral. E recusa porquê? Porque o mundo mudou, vive uma crise profunda, e, agora, apliquemos-lhe o código da crise: o do silêncio. Por isso, não, não ataca o adversário, porque o mundo mudou!
Este falho argumento pode não me servir, mas servirá a muitos, que nele verão um Cavaco-Zé Maria a recusar, por respeito, valor tão caro aos portugueses!, confrontos gratuitos com a raposa Soares-Marco. O candidato Cavaco-Zé Maria conquistará uma aura de simplicidade e boas-intenções, sem nada na manga. É inofensivo, respeitador, tão bom senhor, e faz muito bem em não se enxovalhar na lama política com o outro, que é um sabidão dos maus. E quando, na próxima feira de Natal, lhe cair dos beiços o farelo do bolo-rei, vamos dizer: ai, que simples que ele é, que espontâneo, tal e qual o meu tio Manel...
Cavaco não é simpático, não sorri como Soares, não mostra ser capaz de se descontrair, mas quem é que disse que os portugueses gostam de políticos simpáticos? Os portugueses, a quem sorri, chamam leviano (muito riso, pouco siso); os portugueses gostam de ver o chicote pendurado na parede, de saber ali bem presente a ameaça, pronta a cair, sem dó nem piedade; porque a ordem é precisa, porque isto andava bem era no tempo do Salazar, tudo direitinho: não havia desemprego, nem crise, nem pretos, a não ser nas colónias, e estavam lá muito bem! E se não temos colónias, que boa falta nos fazem, devemo-lo ao Soares, que negociou a vergonha toda! Não podíamos falar, e que importância tinha isso, para que queremos nós falar, de que se fala hoje, não é de futebol?, ora alguma vez o Salazar nos proibiu o futebol? Pelo menos tínhamos emprego.
É por isso que Cavaco é perigoso. É por isso que quando o vejo dizer que não vai responder a ataques, até tremo. Discussão de ideias? Qual discussão de ideias? Um ditador não discute ideias, porque um ditador não tem dúvidas e raramente se engana.
Portanto, como fazer para se ser um Zé Maria de Barrancos, uma Catarina dos Açores, um Henrique seminarista, um Fernando, mecânico no Seixal, e ganhar o Big Brother, digo, as eleições para a Presidência da República: não reagir a provocações, falar o mínimo (pode até não saber falar ou escrever!), não se envolver em disputas, manter-se, até ao fim, a personalidade menos interessante, a que dá menos espectáculo, aquela de quem há menos a dizer... E assim, está no papo!
É por isso que é urgente pôr o Cavaco a falar. É urgente instigar o “bicho” a mostrar dentes e garras antes das eleições, os que tão bem lhe conhecemos, e que uma década de distância não nos pode ter feito esquecer.

sexta-feira, novembro 04, 2005

Cavaco Silva: o português que não muda, por Osvaldo M. Silvestre

Publicado n'O ELEITO

Eu também gostava de conseguir dizer isto sobre o político Cavaco Silva: dizê-lo assim - mas não seria capaz: havia de começar pela primeira cereja do cesto, introduzindo personagens, contextualizando-as numa acção, visualizando um espaço, um tempo... e, antes, que chegasse à vaca fria, iam-se páginas inúteis.
E, além disso, já está escrito, e bem! Se fosse um poema, de amor ou de ódio, valeria a pena esgotar o tema. Mas não é. E, se fosse, seria satírico: um O´Neil, um Alberto Pimenta!
Resta-me acrescentar que mantenho acesa a esperança numa prematura, consciente desistência do político Cavaco. E tenho argumentos: ele nunca desrespeitará o político Soares, nunca se pronunciará contra o adversário... Não se servirá de quaisquer meios políticos...

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...