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terça-feira, fevereiro 12, 2008

Reposição 1

Ando sem tempo para alimentar o blogue. Podia ir enchendo com You Tubes, mas, sendo mulher piedosa, resolvi fazer a reposição de alguns textos já publicados, cuja recepção não me satisfez nem um bocadinho. Começa agora.


Dilema da carne


É paradoxal termos sido oferecidos de uma vida de carne para que possamos escolher viver sem ela.


domingo, dezembro 16, 2007

Os homens de que elas gostam



Há dois tipos de homens disponíveis no mercado heterossexual: os bons, com bom ar, lavadinhos, simpáticos, compreensivos, tolerantes, fiéis, que aceitam, sem questões, dividir tarefas domésticas, e tratam bem as companheiras, e os maus, porcos, brutos, egoístas, ciumentos, fodilhões do que quer que mexa, agressivos, maltratando todas, excepto as mães, essas santas (a mãe destes é sempre mais santa que a dos outros, não sei porquê).
As mulheres consideram adoráveis os homens bons: são uns queridos, e portanto dedicam-lhes afecto, embora não tanto como estes desejariam; por outro lado, casam e procriam com os maus, num fenómeno que poderei classificar como "sindroma da salvação do mundo".
Sobre os homens maus já se disse tudo: são maus, uns cabrões diplomados, e elas sabem, mas querem-nos a qualquer preço. Hão-de mudá-los, um dia. Dão-lhes imensa luta, normalmente a vida inteira, pelo que têm muito tempo para desenvolver por eles insanas paixões fatais. Vigiam-lhes as carteiras, os telemóveis, desconfiam de todas as vizinhas solteiras com que partilham o elevador, fazem-lhes esperas às amantes, essas putas que os desencaminham, porque eles, coitados, não são responsáveis; são elas, elas, as outras...
Aos homens maus, as mulheres querem pertencer até ao tutano, enfiarem-se por eles dentro, de todas as maneiras, fundirem-se-lhes nas peles curtidas de filhos-da-puta, cozinharem-lhes arrozinho-doce e canjinha que não merecem, comendo elas o pão que o Inferno amassou, lavarem-lhes as cuecas, anularem-se em desmesura, aturando-lhes as taras e psicoses, e arranjando, deles, um par de crianças malcriadas, destinadas à inevitável divisão judicial do poder paternal.
Enquanto descrevo as outras faço os possíveis por ignorar a quantidade de homens bons que se fascinaram por mim ao longo dos tempos, e que me teriam amado de forma realista e boa, os quais desdenhei só porque, e juro que me custa dizer isto!, eram bons, e sinceros, e decentes.

domingo, novembro 11, 2007

No peito dos desatarraxados também bate um coração


Uma colega da linha de montagem aproximou-se da mesa onde eu lia um manual sobre técnicas de atarraxamento, e desabafou:
- Estou como tu. Eu também não encaixo.

Sorri como resposta. Nunca falo com as colegas da linha de montagem sobre o meu sentimento de desencaixe. Na linha de montagem falo muito pouco, seja com quem for, e apenas sobre assuntos estritamente relacionados com o trabalho. Não faço pândega à hora do almoço no bar ao lado da fábrica. Não acompanho ninguém na sala de convívio visionando You Tubes divertidos. Não é por mal. Não tenho nada para dizer e custa-me sorrir forçadamente. Não pertenço, e este é um sentimento que conheço bem, que me acompanha desde que me lembro. Sei que aos outros devo parecer superior e chata. Paciência.
Há algo de paradoxal nisto: ser incapaz de me encaixar e, no entanto, fabricar parafusos que servem para atarraxar em estruturas e, caso sejam bons, ou mesmo maus, sustentá-las, para o bem ou para o mal.

segunda-feira, setembro 17, 2007

Uma paixão racional


Não sou muito dada a medos, com uma excepção: mulheres apaixonadas.
As mulheres apaixonadas são carros sem travões, air bags, gps, abs, direcção assistida e sistema electrónico para fecho de portas e janelas. Não há nada que se possa dizer a uma mulher apaixonada para que mude de ideias sobre uma relação catastrófica. Nada.
- Olha que ele bebe.
- Ah, mas o meu amor vai curá-lo!
- Tem cuidado que ele droga-se.
- Ah, mas o meu amor vai passar a ser a sua única droga!
- Contaram-me que o homem é um ladrãozeco, um vigas.
- Ah, não é bem assim, foram só 3000 euros para um écran lcd, e agora ele nunca mais!
- Ele bate-te, como é que toleras tal coisa?
- Ah, é porque gosta muito de mim e morre de ciúmes dos outros, coitadinho!
- Ele é um calaceiro que te explora sem escrúpulos.
- Ah, mas anda à procura de emprego, e se ainda não encontrou foi por excesso de habilitações, e além disso eu dou-lhe porque quero, o pobrezinho!
- Ele é casado.
- Ah, mas já nem dorme com a mulher, só estão juntos por causa dos filhos, e a relação está desgastada... por um fio!

Enfim, uma mulher apaixonada entra em estado catatónico para o mundo, para além de que cega e ensurdece. Larga as amigas, os amigos, os colegas, os hobbies, a família, e, caso tenha perdido totalmente as estribeiras, o emprego, ou seja, a autonomia, os meios de sobrevivência fora da relação, o que acabará por se revelar fatal.
Nisto, as mulheres têm de mudar muito. Não endeusarem o amado. Não darem o que não é retribuído. Não tolerarem o que não é tolerável, porque tolerá-lo é promovê-lo. Não se atirarem de cabeça até onde as leva o coração. Isso são apenas frases feitas para títulos de romances. O coração sozinho nunca nos leva a sítio de jeito.

domingo, agosto 19, 2007

O pensamento religioso


Gosto que os ateus me confrontem com os sete palmos abaixo de terra, e depois o nada, com o não-sentido da existência. Que puxem pelos meus incompreensíveis, improváveis argumentos de fé. O não-sentido da existência: eles têm razão. O grande paradoxo do ateísmo: um tão forte princípio religioso.

sexta-feira, maio 25, 2007

Os lugares mais solitários do mundo

Estão cheios de gente que se empurra, que atravessa gente, que pragueja, que procura um lugar onde possa sentir-se só, e livre.

Série Paradoxos

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...