Artigo de opinião, por Cristiana Wagner
(...) Contudo, o seu pontificado está repleto de contradições. A forma como ele dirigiu a Igreja internamente foi muito dolorosa para aqueles que tinham esperança numa reforma real. Infelizmente, apesar de ele próprio ter participado no Concílio Vaticano II, João Paulo II ignorou os apelos vindos do movimento mundial de católicos de base, que procuravam fortalecer o espírito de abertura e inclusão que se iniciou após o concílio.
Embora estivesse empenhado em mudanças no mundo, em geral, e no diálogo com esse mesmo mundo, a nível da própria Igreja ele fortaleceu as suas estruturas centralistas e autoritárias. Tudo isto criou um clima de temor e de rigidez. Não manifestou qualquer vontade em entrar num diálogo sério com "os católicos do Vaticano II", tais como as mulheres católicas que procuram a igualdade, os teólogos reformistas e o Movimento Internacional Nós Somos Igreja. As teologias que brotaram no espírito do Concílio Vaticano II, tais como a teologia da libertação, foram sistematicamente suprimidas sob o seu pontificado. (...)
Os direitos humanos na Igreja: João Paulo II foi um promotor dos direitos humanos na vida secular; mas não aplicava estes princípios à própria igreja. Entre os direitos humanos que clamam por reconhecimento dentro da Igreja estão: a igualdade de género - incluindo a ordenação de mulheres, o fim do celibato obrigatório para os sacerdotes, liberdade de consciência e de discurso, o direito a um julgamento justo, o direito a que a orientação sexual seja respeitada (...)