Mostrar mensagens com a etiqueta pais e filhos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pais e filhos. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Os filhos são umas verrugas

Criamos os filhos para que sejam responsáveis, cumpridores, e uma série de outras coisas altamente positivas, que sabemos serem incompatíveis com a vida real, mas, paciência, é o que está certo, portanto fazêmo-lo. Depois crescem, enchem-se de soberba sobre o certo e o errado, mil razões lógicas, cegas como a Lei, muito certas, certo, mas literais como uma pedra, e acusam-nos de sermos irresponsáveis, irrealistas, incapazes de cumprir seja o que for, o que me parece o equivalente a morder a mão do dono, sendo-se cão. Esta mania dos filhos, que eu, por acaso, acho que também tive, de se considerarem acima dos mortais, logo melhores que os pais, é chata, e, se não fossem nossos filhos, apetecia mandá-los para a puta que os pariu.

segunda-feira, maio 07, 2007

Fui um saco de pancada, e sobrevivi.

(Clicar para aumentar)

Quando era menina andava descalça, quase nua, e suja de tudo o que atravessava. Quando era ainda uma pequenina leopardo-fêmea, beijava o focinho do Piloto, o cão sarnoso e escanzelado dos pretos que tinham a palhota do cajueiro, do outro lado da rua. Beijava esse, e outros, todos os cães, e comia terra com caca de galinha, entre outras liberdades que a família moderna não autoriza.
Era uma menina naturalmente saudável. Recordo que fui três vezes ao hospital onde nasci, sempre porque o meu pai me bateu e magoou.
Uma bofetada do meu pai deixava-me a sangrar do nariz, copiosamente, e um puxão seu no meu braço lesionava-me músculos e tendões. Era um homem enorme, e não controlava a força, mas o meu pai não era um monstro; não tinha qualquer prazer em bater-me - ficava doente! - mas, antigamente, os pais educavam à bofetada, tão certa como o pão de cada dia, em casa e na escola. Eu fui um saco de pancada, e sobrevivi. Apesar de tudo, entre as crianças da época fui particularmente poupada. Era frequente rapazes e raparigas apanharem com o cavalo marinho, sobretudo os rapazes. Os meus pais faziam-me chegar notícias sobre filhos martirizados dessa forma, e resultava. Eu tinha medo do cavalo marinho, oh, se tinha, embora não houvesse nenhum lá em casa! Mas as notícias eram eloquentes, "O Vitinho levou ontem com o cavalo marinho, porque saiu sem autorização do pai, e não foi à escola porque nem se consegue mexer!". "A Nídia apanhou. O pai tosou-a com o cinto, e vai ficar fechada em casa todo o mês, porque começou a namorar sem autorização." As raparigas apanhavam por desobediência na escolha de namorados, ou por se darem aos calores muito cedo. Os rapazes, por respirarem para o lado esquerdo quando lhes tinham dito que o fizessem para o direito. Apanhavam violentamente, todos. Os pais possuíam os filhos como se possuí um bezerro para a matança, e abusavam.
Hoje, os filhos possuem os pais, e abusam.
Hoje, o meu pai seria acusado de violência infantil e o tribunal haveria de lhe aplicar uma multa. No caso do meu pai seria injusto, mas penso que muitos dos actuais progenitores beneficiariam de penalizações sérias. As crianças precisam de ser educadas com autoridade e afecto em igual proporção. Ter-se perdido a autoridade, gerou um caos generalizado nas atitudes e valores. A violência de que os professores se queixam vem de casa, e existe em casa: os filhos reinam sobre todos os territórios. Vejo crianças bater no pais. Ouço adolescentes dialogarem com os pais de forma absolutamente inaceitável, independentemente dos contextos que tenham gerado tais conversas. Não me parece mal responsabilizar os progenitores pela ineficiente educação que proporcionam, mas não seria mal pensado, e eu sei que custa!, reabilitar a humilhante bofetada que a minha amiga sueca diz ser fascista. Que seja, mas a bofetada, a exemplar bofetada aplicada com conta, peso e medida, faz falta.

domingo, março 11, 2007

Os filhos dos outros

Sou míope, mas compenso com bom ouvido. Gosto pouco de café, mas ocupo os lugares onde este se consome, umas vezes lendo, outras fingindo, mas pagando sempre pelo comprazimento de escutar e observar os outros. Os portugueses falam baixo, ao contrário dos espanhóis, e da maior parte das culturas de Roma, o que muito me desgosta. Os discursos dos outros fascinam-me. As temáticas, vazios, mas também o vocabulário, os gestos, expressões.
Eis as conclusões que tirei relativamente aos discursos dos pais sobre os respectivos filhos:
- quando dialogam entre si sobre o futuro e educação dos rebentos dizem, "a Maria Francisca isto, o Lourenço Tomás aquilo".

- quando falam com terceiros sobre os prodígios da Maria Francisca ou do Lourenço Tomás afirmam "o meu filho já sabe isto, a minha filha conseguiu aquilo."
Quando os filhos fazem asneira, ou se existe discordância relativamente às suas acções ou pretensões, pais ou as mães dirigem-se mutuamente interpelações com o seguinte teor: "viste a merda que o teu filho fez?!, já sabes que a tua filha quer aumento da semanada?!"


Café Bagdad, Percy Adlon, 1987

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...