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segunda-feira, maio 09, 2005

O orgulho (brando)


Foto de Stefan Rohner.


Fêmea. Diz fêmea e reconhece a mulher, a criatura de intacta razão e sonho que envolve e abriga.
Diz fêmea e consome o orgulho, para que os homens, tão confusos, tão materiais, ainda, possam experimentá-lo ainda, ainda, ainda, como se valesse a pena, como se fosse uma qualidade que nos ensinaram em casa, "sê orgulhoso, teimoso, não cedas, levanta sempre a cabeça acima de todos os outros..."; oh, o judaísmo-cristão: o caminho certo da dor!
O orgulho, uma réstia de consciência inútil que a fêmea lhes oferece, para que possa, ela, vencer essa luta perdida à partida, e, eles, delicada, fragilmente, perdê-la. Quebrar o granito do medo, dos muros que não guardam. Tão simples. Tudo tão simples, afinal.
A fêmea, criatura, que engoliu o orgulho a seco, todos os dias - um pedaço certo e sanguinolento: uma massa de carne maligna cravada na garganta, atada à voz em nó apertado; que não permitia respirar nem sorrir. Nem dormir nem pensar nem viver. Tolhia o coração, serrava o peito.
A fêmea, a quem o orgulho roubava a vida, a poesia completa, a verdade que proferimos sem saber o que dizemos...
Imagina, agora, se puderes, a fêmea, essa mulher sem orgulho, que abranda o teu, tão sólido; serias capaz de, ao calmá-lo, erguer, um pouco, às vezes, a barreira contra o mundo; fruir a alegria calma dos dias de ouro que te são devidos, de um fragmento secreto, só teu, deste mundo perfeito?
Uma frase de cristal sussurrada sem medo, as mãos afagando o triângulo sensível, agora doído, do teu rosto. Sentir-te-ias feliz? Sem culpa? O que poderia arriscar dizer-te, agora, a fêmea sem orgulho?

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...