O imaginário sexual masculino deseja e teme, em simultâneo, as mulheres fatais.
Estas achincalham e ameaçam o poder, na medida em que não se sentem constrangidas pelas regras. Ora, o poder é assunto caro aos homens, por vezes titubeantes entre os direitos e as obrigações que o mesmo lhes atribui.
As mulheres fatais, subvertendo as normas, assumem-no e exercem-no, e, assim, ameaçam a construção social; o que as torna temíveis; mas dá-se que, o mesmo exercício de poder que as torna temíveis, as faz desejadas, já que o imaginário masculino anseia frequente, secreta e inconscientemente, ser desapossado do poder que a cultura lhe atribuiu como natural! Ou, pelo menos, partilhá-lo!
As mulheres fatais conseguiram a atenção do cânone que construiu a História na sua qualidade de devoradoras de homens; mulheres belíssimas, ou nem por isso, que, por algum motivo, se diz terem destruído a vida a grandes homens da arte, do pensamento, da ciência.
A História desvaloriza o facto de, coincidentemente, serem todas, ou quase todas, cultas, talentosas, extraordinárias; frequentemente mais cultas, talentosas e extraordinárias que os vultos cujas vidas acusam de ter destruído.
Por outro lado, valorizam-se-lhes os atributos sexuais, remetendo-as para práticas encaradas contra naturam ou, no mínimo, reveladoras de comportamentos dissolutos: lesbianismo, bissexualidade, poligamia, ninfomania, prostituição. Quando nada disto se aplica, atribui-se-lhes uma patologia mental e arruma-se o caso. Raramente se lhes concede o que as tornou únicas: o seu génio artístico ou científico, a sua excelência.
Vejamos alguns nomes: Mata-Hari, seduzia homens para conseguir segredos e fazer espionagem; Simone de Beauvoir; bissexual, recebia meninas e meninos em casa e, nos intervalos, criava uma literatura feminista; Virgínia Woolf, lésbica recalcada e escritora; Anais Nin, lésbica praticante e escritora; Isabelle Eberhardt, vestia-se como homem, frequentava bordéis, sexualidade inclassificável, escritora, Frida Kahlo, bissexual e pintora; Margaret Mead, casou demasiadas vezes, bissexual de certeza, lésbica provavelmente, antropóloga; Camille Claudel, maluca, desequilibrada total e escultora; irmãs Bronte, obsessivas, desequilibradas parciais, solteironas recalcadas, as que casaram fizeram-no sem amor, escritoras; Lou Andreas Salomé, devoradora de homens com vida dissoluta, escritora, pensadora; Marie Curie, costumes dissolutos após a morte do marido, arrogante, cientista; Isadora Duncan, ninfomaníaca, louca e bailarina; Carson McCullers, bissexual mais a tender para o lésbico, escritora; Marilyn Monroe, desequilibrada e burra, actriz; Marguerite Yourcenar, lésbica total e escritora; Marguerite Duras, ia a tudo, escritora; Clarice Lispector, maluca e escritora; Sílvia Plath, maluca e escritora; Alma Mahler, devoradora de homens e compositora.
E nem me abalanço a mencionar a nossa Carlota Joaquina que parece que era feia que nem um bode, má que nem uma cobra, que dormia com a criadagem toda, da cozinha à cavalariça, e maltratava o pobre do rei, coitadinho, impondo-se às suas decisões, a velhaca!
Dá vontade de rir, não dá? Parece caricatura, não parece?
A História não se limitou a ignorar as mulheres, como, quando as lembrou, as tratou mal e parcialmente!
E o que sabemos da História é o que a História escreveu!
Estas achincalham e ameaçam o poder, na medida em que não se sentem constrangidas pelas regras. Ora, o poder é assunto caro aos homens, por vezes titubeantes entre os direitos e as obrigações que o mesmo lhes atribui.
As mulheres fatais, subvertendo as normas, assumem-no e exercem-no, e, assim, ameaçam a construção social; o que as torna temíveis; mas dá-se que, o mesmo exercício de poder que as torna temíveis, as faz desejadas, já que o imaginário masculino anseia frequente, secreta e inconscientemente, ser desapossado do poder que a cultura lhe atribuiu como natural! Ou, pelo menos, partilhá-lo!
As mulheres fatais conseguiram a atenção do cânone que construiu a História na sua qualidade de devoradoras de homens; mulheres belíssimas, ou nem por isso, que, por algum motivo, se diz terem destruído a vida a grandes homens da arte, do pensamento, da ciência.
A História desvaloriza o facto de, coincidentemente, serem todas, ou quase todas, cultas, talentosas, extraordinárias; frequentemente mais cultas, talentosas e extraordinárias que os vultos cujas vidas acusam de ter destruído.
Por outro lado, valorizam-se-lhes os atributos sexuais, remetendo-as para práticas encaradas contra naturam ou, no mínimo, reveladoras de comportamentos dissolutos: lesbianismo, bissexualidade, poligamia, ninfomania, prostituição. Quando nada disto se aplica, atribui-se-lhes uma patologia mental e arruma-se o caso. Raramente se lhes concede o que as tornou únicas: o seu génio artístico ou científico, a sua excelência.
Vejamos alguns nomes: Mata-Hari, seduzia homens para conseguir segredos e fazer espionagem; Simone de Beauvoir; bissexual, recebia meninas e meninos em casa e, nos intervalos, criava uma literatura feminista; Virgínia Woolf, lésbica recalcada e escritora; Anais Nin, lésbica praticante e escritora; Isabelle Eberhardt, vestia-se como homem, frequentava bordéis, sexualidade inclassificável, escritora, Frida Kahlo, bissexual e pintora; Margaret Mead, casou demasiadas vezes, bissexual de certeza, lésbica provavelmente, antropóloga; Camille Claudel, maluca, desequilibrada total e escultora; irmãs Bronte, obsessivas, desequilibradas parciais, solteironas recalcadas, as que casaram fizeram-no sem amor, escritoras; Lou Andreas Salomé, devoradora de homens com vida dissoluta, escritora, pensadora; Marie Curie, costumes dissolutos após a morte do marido, arrogante, cientista; Isadora Duncan, ninfomaníaca, louca e bailarina; Carson McCullers, bissexual mais a tender para o lésbico, escritora; Marilyn Monroe, desequilibrada e burra, actriz; Marguerite Yourcenar, lésbica total e escritora; Marguerite Duras, ia a tudo, escritora; Clarice Lispector, maluca e escritora; Sílvia Plath, maluca e escritora; Alma Mahler, devoradora de homens e compositora.
E nem me abalanço a mencionar a nossa Carlota Joaquina que parece que era feia que nem um bode, má que nem uma cobra, que dormia com a criadagem toda, da cozinha à cavalariça, e maltratava o pobre do rei, coitadinho, impondo-se às suas decisões, a velhaca!
Dá vontade de rir, não dá? Parece caricatura, não parece?
A História não se limitou a ignorar as mulheres, como, quando as lembrou, as tratou mal e parcialmente!
E o que sabemos da História é o que a História escreveu!
Isadora Duncan