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sexta-feira, outubro 14, 2005

Mulheres fatais, 1

O imaginário sexual masculino deseja e teme, em simultâneo, as mulheres fatais.
Estas achincalham e ameaçam o poder, na medida em que não se sentem constrangidas pelas regras.
Ora, o poder é assunto caro aos homens, por vezes titubeantes entre os direitos e as obrigações que o mesmo lhes atribui.
As mulheres fatais, subvertendo as normas, assumem-no e exercem-no, e, assim, ameaçam a construção social; o que as torna temíveis; mas dá-se que, o mesmo exercício de poder que as torna temíveis, as faz desejadas, já que o imaginário masculino anseia frequente, secreta e inconscientemente, ser desapossado do poder que a cultura lhe atribuiu como natural! Ou, pelo menos, partilhá-lo!

As mulheres fatais conseguiram a atenção do cânone que construiu a História na sua qualidade de devoradoras de homens; mulheres belíssimas, ou nem por isso, que, por algum motivo, se diz terem destruído a vida a grandes homens da arte, do pensamento, da ciência.
A História desvaloriza o facto de, coincidentemente, serem todas, ou quase todas, cultas, talentosas, extraordinárias; frequentemente mais cultas, talentosas e extraordinárias que os vultos cujas vidas acusam de ter destruído.
Por outro lado, valorizam-se-lhes os atributos sexuais, remetendo-as para práticas encaradas contra naturam ou, no mínimo, reveladoras de comportamentos dissolutos: lesbianismo, bissexualidade, poligamia, ninfomania, prostituição. Quando nada disto se aplica, atribui-se-lhes uma patologia mental e arruma-se o caso. Raramente se lhes concede o que as tornou únicas: o seu génio artístico ou científico, a sua excelência.

Vejamos alguns nomes: Mata-Hari, seduzia homens para conseguir segredos e fazer espionagem; Simone de Beauvoir; bissexual, recebia meninas e meninos em casa e, nos intervalos, criava uma literatura feminista; Virgínia Woolf, lésbica recalcada e escritora; Anais Nin, lésbica praticante e escritora; Isabelle Eberhardt, vestia-se como homem, frequentava bordéis, sexualidade inclassificável, escritora, Frida Kahlo, bissexual e pintora; Margaret Mead, casou demasiadas vezes, bissexual de certeza, lésbica provavelmente, antropóloga; Camille Claudel, maluca, desequilibrada total e escultora; irmãs Bronte, obsessivas, desequilibradas parciais, solteironas recalcadas, as que casaram fizeram-no sem amor, escritoras; Lou Andreas Salomé, devoradora de homens com vida dissoluta, escritora, pensadora; Marie Curie, costumes dissolutos após a morte do marido, arrogante, cientista; Isadora Duncan, ninfomaníaca, louca e bailarina; Carson McCullers, bissexual mais a tender para o lésbico, escritora; Marilyn Monroe, desequilibrada e burra, actriz; Marguerite Yourcenar, lésbica total e escritora; Marguerite Duras, ia a tudo, escritora; Clarice Lispector, maluca e escritora; Sílvia Plath, maluca e escritora; Alma Mahler, devoradora de homens e compositora.
E nem me abalanço a mencionar a nossa Carlota Joaquina que parece que era feia que nem um bode, má que nem uma cobra, que dormia com a criadagem toda, da cozinha à cavalariça, e maltratava o pobre do rei, coitadinho, impondo-se às suas decisões, a velhaca!

Dá vontade de rir, não dá? Parece caricatura, não parece?

A História não se limitou a ignorar as mulheres, como, quando as lembrou, as tratou mal e parcialmente!
E o que sabemos da História é o que a História escreveu!


Isadora Duncan

Mulheres fatais, 2

Alma Mahler foi brilhante, apaixonada, dotada de enorme talento e inteligência; uma compositora excepcional, a quem Mahler exigiu que deixasse de escrever para que, por amor, se dedicassem mutuamente sem o fantasma da competitividade – o que ela fez – até se cansar dos remoques narcísicos!
Alma amou e desamou. Depois amou outra vez.
Que se saiba, não dilacerou intencionalmente, física ou psicologicamente, aqueles que desamou, os quais, sim é verdade!, ficaram fundamente abalados após tê-la perdido. Ou fizeram fita.
Ela inspirava-os; eles, pelo contrário.
É provável que nenhum deles a tenha amado emancipadamente, livre dos constrangimentos sociais da época, e dos preconceitos daí sobrevindos.
Mahler teria deixado de compor para que se anulassem as questões de competitividade autoral que sentia relativamente a Alma?
Mas alguém tem de abdicar da sua arte em nome do amor?

Quantos homens, naturalmente, amaram e desamaram ao extremo, sem que a História os guarde como fatais?!
Quantos homens, ontem e hoje, levaram à total ruína emocional, e sem consequências de qualquer ordem, mulheres com vidas sociais e profissionais diferentes?!
Lembro-me de Camile Claudel e Frida Kahlo, que constam da lista de malucas que a história consagra. E a nossa vizinha do lado?
Por que motivo não parece incomodar a ninguém que um homem leve uma mulher à ruína emocional, e o contrário seja uma aberração digna de referência?

Numa vida sucedem-se muitos dias. A vida carece deles como oficina onde exerce a sua arte.
Escolhemos, constantemente, de acordo com o que nos faz falta ou com o que acumulamos em excesso. Procuramos, damos, negamos...
As mulheres fatais limitaram-se a viver totalmente a usura dos dias. Se calhar sofreram e fizeram sofrer. Mas não nos tem acontecido?

Se admiro Alma Mahler? Óbvio que sim! Se penso ser legítimo ferir emocionalmente, por leviandade? Óbvio que não! Mas não creio que Alma Mahler tenha sido leviana nos seus amores, apenas honesta e coerente.

Agora, se eu, Isabela, teoricamente, gostaria de dar umas bengaladas a certos cavalheiros, retribuindo-lhes em moeda do mesmo cunho, e não olhando a meios para o conseguir?
Caro/a anónimo/a cujo comentário motivou este texto, por favor, não lembre tal coisa ao pequeno, mas poderoso animal selvagem (aprisionado) que habita as paredes internas dos meus ventrículos e aurículas, e que contra eles se arremessa: a tentação é grande! Deus me perdoe!


Alma Mahler

quarta-feira, junho 29, 2005



Thelma & Louise, 199(e qualquer coisa, que agora não tenho tempo de ir confirmar).

Uma hora depois:

- a Espelho acabou de me esclarecer: 1991. É verdade, fica aqui a ligação.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...