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domingo, abril 09, 2006

O mito das Amazonas, essas comilonas

A edição de Março da revista francesa Historia trouxe para tema de capa um conjunto de artigos sobre mulheres soldadas. O primeiro focava o mito das Amazonas, as quais, segundo os gregos, terão combatido os Atlantes com bastante sucesso, formando um temível exército composto por cavalaria e infantaria. Acabaram por ser vencidas por helénicos expeditos, que, contudo, se terão apaixonado pelas guerreiras no momento em que as matavam, ao olhá-las nos olhos enquanto as atravessavam com as respectivas espadas. Exactamente. Com as espadas. Deram cabo delas.
Dos Atlantes, quem quer saber? Um tsunami exterminou-os. Um vulcão vaporizou-os. Vivem com barbatanas algures no triângulo das Bermudas. Mas as Amazonas, essas mulheres envergando túnicas de pele de leopardo, guerreiras, caçadoras, porém combatendo seminuas, com os mamilos eriçados pelo frio e pela adrenalina, são a melhor das fantasias eróticas. Entre esta e a do harém, torna-se difícil a escolha.
Catherine Salles, autora do artigo na revista Historia, descreve-as, de acordo como mito, como mulheres sanguinárias, implacáveis, intrépidas e desejáveis, que queimavam o seio direito para assim transferirem a força para o ombro e melhor lançar flechas e dardos.
Recusariam a presença de homens, mas, sentindo a necessidade de se reproduzirem, acasalavam como animais, desprezando as mais elementares regras humanas. E eis como o faziam, o que me deixa regalada. Imagine-se que estas desencaminhadas, uma vez por ano, deslocavam-se em grupo até às tribos vizinhas, e obrigavam os pobres desgraçados a ter relações sexuais. Violavam-nos. Não queriam saber se estavam ali as mulheres, os pais, os filhos, era a eito. Faziam-no na escuridão, ao acaso, tal e qual como no quarto escuro das saunas gay, tudo ao molho e pouca fé em Deus.
Imaginemos: as comilonas chegavam velozes, como os índios do faroeste, desmontavam, precipitavam-se para as casas, teria de ser noite alta para estar tudo às escuras, teriam de tactear em busca dos ocupantes, depois tactear sexos para identificar o macho de cobrição que se havia de se manter quietinho enquanto ela não o achava; achados, as cavalonas gritavam às mulheres, “chega-te para lá que preciso do teu assistente reprodutivo” e eles, coitadinhos, ali manietados, desapossados da sua energia vital, a serem completamente violados por uma mulher que nem lhes queria ver a cara para não morrer de susto, e que os usava a seu bel-prazer, como escreve Catherine Salles; aflitos, apanhados de surpresa. É obra! Devia ser traumatizante. Uma espécie de rapto das Sabinas, mas adaptado.
Portanto, os vizinhos das Amazonas tinham de viver sob o pavor daquela digressão anual, que deviam temer.” Oh, quanto tempo faltará para aquelas malvadas nos virem violar? Oh, que desgraça.” E nem pensavam em pôr termo a tal abuso, indo pedir-lhes satisfações, guerreá-las por causa disso, não senhor. Tal era o medo!
Passemos à parte das crianças. Os recém-nascidos do sexo masculino eram assassinados pelas malévolas mães. Mas não todos; alguns, mantinham-nos vivos para serem seus escravos, mas não sem antes lhes amputarem braços e pernas para que não pudessem fazer-lhes concorrência na guerra. Ora, nunca, na história, que me lembre, um ser humano amputado de braços e de pernas deu grande escravo. Se os mantivessem à parte, se os deixassem medrar para depois servirem como escravos sexuais umas das outras, para se poderem reproduzir sem a trabalheira de andar às apalpadelas no povoado vizinho, que às vezes deviam enganar-se e montar o avô, ou sei lá, compreendo, agora criá-los sem braços nem pernas para virem a ser escravos, não sei, tenho algumas dificuldades em compreender.
Segundo a lenda, também recusariam aleitar os filhos para não deformar o seio, pelo que os alimentavam a leite de burra. Também me questiono: quem não se preocupava com a estética de um seio queimado para melhor combater, preocupar-se-ia com uma mama descaída pela amamentação, sobretudo considerando que eram destituídas de sentimentos humanos a ponto de matarem os filhos? Não sei. Não sei. O que me parece é que este famoso mito está muito mal alinhavado, e, sinceramente, eu nunca contrataria os argumentistas para um filme meu. Não tenho qualquer dúvida de que foram os argumentistas. Jamais as.

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Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...