Tenho muita roupa que me está larga ou apertada ou que já não uso. Debato-me com duas hipóteses, doá-la à Humana, fundação que financia projectos de desenvolvimento em África, através da venda de peças em 2ª mão, ou tentar negociá-la numa loja em Lisboa, ainda não sei qual. Aceito indicações. Talvez opte por uma solução mista, que consistirá em doar uma parte e vender outra.
Estou a escrever isto porque enquanto seleccionava as peças de que quero desfazer-me, deparei-me com t-shirts dos anos 80, blusas e túnicas que a minha mãe me fez quando ainda podia. Já não as uso, mas não sou capaz de me ver livre delas. Estive quase, mas ao olhar para os costurados da minha mãe, desisti. Seria como deitar fora uma parte da minha vida, e mesmo considerando que seja bom isso de se deitar fora partes inteiras da vida, estas não quero. Tenho-lhes demasiado afecto. Estou presa por vício a essa juventude, a esse amor dedicado. Há uma t-shirt de riscas vermelhas que nem me fica particularmente bem, mas que usei muito; vivi muitos dias com ela no corpo, e não consigo...
Há trapos que vou ter de carregar sempre comigo, e que alguém, um dia, deitará fora por mim ou venderá a bom preço para uma loja vintage.
Estou a escrever isto porque enquanto seleccionava as peças de que quero desfazer-me, deparei-me com t-shirts dos anos 80, blusas e túnicas que a minha mãe me fez quando ainda podia. Já não as uso, mas não sou capaz de me ver livre delas. Estive quase, mas ao olhar para os costurados da minha mãe, desisti. Seria como deitar fora uma parte da minha vida, e mesmo considerando que seja bom isso de se deitar fora partes inteiras da vida, estas não quero. Tenho-lhes demasiado afecto. Estou presa por vício a essa juventude, a esse amor dedicado. Há uma t-shirt de riscas vermelhas que nem me fica particularmente bem, mas que usei muito; vivi muitos dias com ela no corpo, e não consigo...
Há trapos que vou ter de carregar sempre comigo, e que alguém, um dia, deitará fora por mim ou venderá a bom preço para uma loja vintage.