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domingo, agosto 31, 2008

Caixas de comentários outra vez


As questões sobre as desvantagens das caixas de comentários voltam periodicamente à blogosfera.

Dá-se-lhes excessiva importância. Os comentadores são apenas pessoas com opinões, como as que encontramos no nosso emprego, por exemplo, e com as quais temos de lidar. Ou não temos. O Blogger permite-nos eliminar ou não publicar comentários com toda a democracia. Quando apago um comentário muito estúpido presto um belo serviço à humanidade, e não me fica a pesar na consciência. Não tenho nada a ideia que qualquer maluco está no direito de me entrar estrebuchando pela casa dentro. No entanto, considero que existe um grau de loucura aceitável, que me diverte ou que pelo menos não me chateia especialmente. Se isto não é democracia...
Admito que a decisão de fechar os comentários durante cerca de mês e meio me concedeu umas férias santas. Agendei a maior parte dos postes e fui para onde tinha de ir, descansadinha, deixando o blogue a trabalhar sozinho. Mas não é o meu estilo. Gosto de comentar nos blogues alheios, gosto que comentem no meu. Poupar-me às más experiências poupa-me igualmente às boas, para além de que detestaria viver numa redoma. Por esse motivo, acabadas as férias, os comentários voltam a estar abertos.


sexta-feira, maio 30, 2008

Os blogues interactivos

Do que eu precisava mesmo era de uma tira com um padrão qualquer colorido e giro para entalar no layout, entre o título do blogue a caligrafia, e a descrição friendly. Uma tira comprida, com um centímetro e meio, ou dois. Uma coisa gira. E que ma mandassem para o email para eu escolher. E aproveito para lembrar que também está ali um cãozinho para adoptar
Quanto à limpeza da casa e outros assuntos chatos, deixem estar que trato disso.

domingo, março 09, 2008

Linguagens seculares e blogues

As linguagens seculares estão em declínio. Penso que o fenómeno reflecte, inapelavelmente, o tempo pouco rigoroso que atravessamos e atravessaremos. As linguagens seculares carregam o peso da erudição, de um discurso nem sempre fácil, reclamando concentração, e os tempos são outros: o leitor procura, na literatura, como no resto, o fácil e o rápido, conclusão a que chego sem censura: também estou cansada de certos discursos seculares, os quais, frequentemente, pouco me dizem. Os blogues têm sabido responder a esta procura, com texto curto, inteligente e satírico, cuja leitura não exige acurada atenção. Por outro lado, usando as linguagens não textuais, como a "caderneta de cromos", ou seja o fotoblogue, e a praga do You Tube. O You Tube fala pelo bloguista. Exige-lhe menos trabalho, e satisfaz por igual o leitor, confrontando-o com informação nova e inesperada. A questão da autoria é alheia ao leitor do blogue. Não lhe interessa quem produziu o que lê ou vê, mas a emoção produzida.

Este é o estado das linguagens seculares, e é assim porque o mundo mudou, nós mudámos, a cultura mudou. Deseja-se interacção, imediatismo e intensidade. A ficção tem dificuldade em superar a intensidade da vida real. O carácter excessivo da vida real colide com o pudor da ficção. Como ficcionar a realidade sem a tornar inverosímil, sem a transformar numa novela das 7? A ficção perdeu pathos. A grande literatura perdeu pathos. Os leitores emocionam-se com o big brother, por excelência a novela da vida real, e é nesse aspecto que o blogue de quotidiano, diarístico, confessional, entra, e funciona. O blogue torna-se uma espécie de big brother que o autor manipula a gosto, seleccionando as imagens do seu real que quer passar. E passando-as, escolhe a música de fundo com que pretende que sejam visionadas. A vantagem do blogue no qual se insere O Mundo Perfeito, e o seu sucesso, está neste equilíbrio inconfessado, nunca verdadeiramente declarado, entre o real e o ficcional. Por vezes não interessa nada ao leitor que aquele poste seja a realidade. Por vezes, só consegue lê-lo como autobiografia em estado puro. Para mim, enquanto bloguista, tanto faz. O texto postado é para o leitor aquilo que o leitor precisar de ler nele. Nisto, o blogue revela uma plasticidade insuperável, e é um meio de comunicação absolutamente surpreendente.

A actual tendência para a uma literatura rápida, curta, confessional, regista visível crescimento a nível editorial. Não me lembro de as livrarias exibirem tantas novidades editoriais na área do memorialismo, do texto biográfico e autobiográfico bem como irónico, auto-irónico. Os leitores procuram a confissão, o documento: mais uma vez, o pathos da vida real que tão bem serve o blogue-diário.
N' O Mundo Perfeito, por exemplo, os leitores preferem as aventuras pseudo-verídicas da Isabela, operária suburbana, solteirona, com excesso de peso, uma mãe, duas cadelas, que trabalha numa fábrica de parafusos, e evidencia uma certa má relação com os homens e o sexo. A Isabela tem um passado de vivências exóticas e intensas, sonha um futuro qualquer que há-de vir, e narra as aventuras da sua vida solitária e social, os amores e desamores, traumas, medos, caprichos, incoerências, revelando uma humanidade tão chã quanto nobre, com a qual o leitor vulgar se pode identificar. "A Isabela é perfeita, mas a Isabela não é perfeita. A Isabela é como eu ou a Isabela é tudo o que desprezo. Amo-a. Odeio-a." Escreva a Isabela bloguista o que escrever, o que até poderá ser a fórmula química da vacina contra a sida, e os leitores não recusarão ler e comentar, mas o que vende, o que aqui se procura, é a personalidade amorosa, mas brutal, contraditória, radical, teimosa, idealista, bastante romântica e vagamente fora de moda e contracultura da Isabela, que se pode amar e odiar livremente, a quem podemos deixar declarações de amor ou insultos, coisa que não podemos fazer relativamente à Clara Ferreira Alves ou outras "personagens" pelas quais sentimos igual paixão. As linguagens seculares pouco entram neste insuperável trânsito de pathos. Desprezam o confessionalismo, olham-no tão de lado quanto possível, mesmo que se declare contaminado.

Isto seria o que eventualmente teria dito sobre o tema "O modo como as linguagens seculares (que aprendemos sem ter em conta a rede) se moldam, hoje em dia, à rede e mais concretamente aos blogues", caso esta conversa tivesse ocorrido na Casa Fernando Pessoa, no passado dia 6. Como não aconteceu, deixo aqui a minha participação. Para a próxima, por favor, convidem-me a participar via net, e assim posso vir logo para casa vestir o pijama e meter-me debaixo do aquecedor enquanto vejo o telejornal.



Até tinha feito este esquema das ideias principais, à hora do almoço. Usei-o agora para escrever este texto.

segunda-feira, março 03, 2008

Não sei quê das linguagens seculares

Vou participar nesta conversa sobre blogues, na próxima quinta-feira, na Casa Fernando Pessoa, onde nunca entrei por medo de partir alguma coisa: os óculos do poeta, as teclas da máquina de escrever.
Agradeço as opiniões de leitoras e leitores que, na caixa de comentários, queiram ajudar-me a pensar sobre o tema em questão. Se só quiserem ouvir-me e conhecer-me, bem como aos restantes bloguistas, esses realmente famosos, não esqueçam que é na quinta, pelas 18h30, mais coisa menos coisa, altura em que Dadinho Pit, ai, caraças, que não posso, desculpem!, Eduardo Pitta, fará a apresentação do próximo livro de Luís Carmelo sobre a blogosfera. Se me estiver a enganar, alguém há-de vir corrigir-me.

domingo, janeiro 20, 2008

Uma gorda que não faz jogging e por isso não arranja namorado



Acabei de chegar a este comentário neste blogue, digitando omundoperfeito no Google. É um texto demasiado alucinado para não o partilhar com os leitores.

«Hi! I just found your blog because I know a portuguese lady that writes in a blog called omundoperfeito.blogspot.com, that translates to English as aperfectworld.blogspot.com! I love to annoy her because she is a fat lady, she does not do exercise like you do, and then she simply can't find a boyfriend and is always complaining about her sex life! It's a shame that you probably don't know portuguese and can't visit your Portuguese sister and make a few comments, because the debate is always interesting!
Your blog is fine, I don’t understand why you don’t get any comments!
I am a big fan of some music from Texas, particularly from Austin.
I’ll visit you again soon. Keep jogging!»

O comentador gosta de me aborrecer porque sou gorda, e não faço exercício. Podia ser porque sou chata, porque estou errada, porque tenho mau feitio, porque dou respostas tortas, porque não estou para aturar malucos, mas não, é por esse insuportável defeito: ser gorda. Tenho tido muito tempo ao longo da vida para pensar nos inconvenientes sociais disto de se ser gorda, sendo que o maior deles reside no facto de os outros nos olharem como uma espécie de deficientes por culpa própria. É possível um gordo fazer uma certa ideia do que significa ser cigano ou negro, e discriminado por esse facto, porque um gordo é discriminado todos os dias, olhado de lado. O gordo não tem apenas de lutar com o seu corpo, com o problema físico ou psicológico que o leva a engordar, mas trava, igualmente, uma luta contra o estigma que pesa sobre a sua aparência. Sinceramente, já houve dias em que me custou sair à rua. Não me apetecia levar com os outros. Suportar as alcunhas, os ditotes. Acho que ter sido gorducha desde a puberdade fez de mim uma pessoa desconfiada, reflexiva e só. Penso que um gordo é, como um alcoólico, gordo para sempre, mesmo que aparentemente seja igual a todos os outros. No que tenho de mais verdadeiro, de mais fundo, serei gorda para sempre.


segunda-feira, dezembro 31, 2007

Pobrezinhos, mas honestos refilões


Às leitoras e leitores de O Mundo Perfeito, os menos frequentes, os fanáticos da 17 entradas diárias, inclusive os que cá vêm só para dar e levar com o pau de marmeleiro, desejo um ano de 2008 cheio de profícuas lutas.
Resmunguem, refilem, falem alto, gritem, respondam, provoquem, saiam à rua, e saiam juntos, de preferência, mas não se deixem amarrotar pela sociedade global nem pelos invisíveis poderes do consumo. Acima de tudo, pensem o mundo e ajam nele de acordo com uma moral pessoal.
Aproveitem para rir com gosto e dar valor a pequenos gestos e coisas que só aparentemente não têm nenhum. O mundo perfeito é simples.

segunda-feira, dezembro 17, 2007

Don't give up

Tenho este fraco: gosto que as pessoas leiam o blogue e se divirtam, rindo-se lá em casa da minha confessada humanidade cheia de erros exactamente iguais aos seus, e digam "a gaja é maluca", ou se irritem com as minhas posições extremadas, desculpem, as minha indiscutíveis verdades, e me insultem, e me acusem de ressabiamento, e que o meu problema é a falta de sexo e ter sofrido com os homens. Gosto. É um óptimo pretexto para a seguir lhes dar uma libertadora carga de porrada.

sábado, novembro 03, 2007

Prazeres não usufruídos




Alba
, de A Clareira, pediu-me que:


1. Pegasse no livro mais próximo, com mais de 161 páginas – implicando acaso e não escolha.
2. Abrisse o livro na página 161.
3. Na referida página procurasse a 5.ª frase completa.
4. Transcrevesse na íntegra para o seu blogue a frase encontrada.
5. Passasse o desafio a cinco bloggers.

Eis:

Recomenda o Alcorão: "Sereis chamados a prestar contas de todos os prazeres permitidos na vida de que não tiverdes usufruído durante a vossa estada na terra".

in "Mulheres que Correm com os Lobos. Mitos e Histórias do Arquétipo da Mulher Selvagem", de Clarissa Pinkola Estés.

[Tenho de começar a fazer a minha longa lista. Não foi nada disto que me ensinaram na catequese.]

Passo aos primeiros cinco bloguistas que entrarem n'O Mundo Perfeito a partir da meia-noite e um minuto de amanhã, dia 4 de Novembro (aqueles cujas entradas conseguir identificar através do site meter - agora há muitos unknown).


E os felizes contemplados são:

1. Partícula, de A Seiva dos Dias

2. Mar, de Ponto sem Nó

3. Luís Maia, de O Sítio dos Eurocus (entre outros)

4. P., de Dias Úteis

5. JMS, de Desmancha-Prazeres


domingo, outubro 21, 2007

Os blogues sem comentários

Foto: Zak Pawel


Ter um blogue sem comentários é como ficar fechado em casa e não abrir a porta a vivalma. A não ser que vivalma tenha classe, quero dizer, poder, ou, desculpem, influências, conhecimentos, possibilidade de tachos. Mas, nesse caso, entra pela porta de serviço. Entra à socapa. Fechar as caixas de comentários é uma intolerável recusa a chafurdar na vida, e eu detesto cobardes.
Viver é chato e dá trabalho, mas viver é exactamente isso: chafurdanço. Levar com os outros. Aturá-los. Irritarmo-nos, mandá-los a todas as partes que nos ocorram. Levar porrada. Dar porrada. Arrependermo-nos, ou não. Escolhermos dar confiança a esta e não aquele, ou vice-versa. Detestar os outros. Não conseguir viver sem os outros. Ter dúvidas. Errar com todos os sentidos e, muito de vez em quando, acertar com um ou outro.
O que pode distinguir um blogue de uma ordinária publicação on line é a caixa de comentários. As pessoas gostam de mandar bitaites, e toda a gente tem direito ao seu bitaitezinho diário, até os malucos; sobretudo esses. Contraria-me muito visitar um blogue com textos giros, querer deixar o meu lamiré e não poder. Fico sem vontade de voltar. Que interesse tem um blogue que não se pode comentar? Para isso compro um livro e leio-o, e faço anotações nas margens, ora essa.
Um blogue serve para levar na corneta, para desenvolver largura nas costas. Se os comentários nos chateiam, e chateiam, apagamo-los. Depois havemos de levar porrada porque os apagámos. A porrada está sempre certa.
É impossível não ter inimigos. Passando na rua, em silêncio, arranjamos inimigos: aqueles que não vão com a nossa cara, que nos acham idiotas ou ridículos.
Blogues sem comentários dizem-me "sou uma pessoa muito importante e não desço ao vosso nível". Mentira. Os bloggers sem caixa de comentários sabem lindamente descer a qualquer cave, bastando-lhes esquecerem-se das usuais três camadas de verniz.
Blogues sem comentários dizem-me, "tenho muitas ocupações e zero tempo para manter atenção à caixa de comentários". Mentira. A maior parte dos bloggers sem comentários trabalha em casa escutando música clássica, e não pega às nove na fábrica de parafusos, e não chega a casa incapaz de ouvir uma nota musical, de tímpanos cansados pelo barulho das máquinas na linha de montagem.
Blogues sem comentários dizem-me, "não quero ouvir o que tens para dizer". E isso irrita-me. Os blogues sem comentários irritam-me tanto que juro, juro mesmo não comentar em nenhum.

quarta-feira, maio 02, 2007

Da verdade e da verosimilhança

Foto: Monika Wiechowska, Resting to the sun


Há uns tempos, poucos, li uma daquelas entrevistas do Mexia, nas quais costuma dizer que não sabe escrever, não vá alguém lembrar-se de lhe avançar a crítica. Enquanto defesa é boa técnica. Podemos sempre retorquir, em tom blasé, à primeira contrariedade, "nada que eu próprio não tivesse já dito". No caso de Mexia, considero despropositado: que o rapaz escreve graciosa e claramente, e nos entretém, não me parece haver dúvida.
Na mesma entrevista, Mexia expunha a sua teoria sobre intimidade e privacidade. No seu particular caso literário, Mexia procura criar intimidade, mas recusa a exposição da privacidade, a qual ocorre quando um autor apresenta referências precisas: nomes, datas e locais - e isso ele não faz.
No entanto, com ou sem referências precisas, com ou sem escancaramento da privacidade, quem lê Mexia e, nomeadamente, o seu Estado Civil, julga tudo saber sobre vida íntima do escritor: e, claro, vai espalhando que o rapaz é o que escreve, ou seja, que não fode nem sai de cima, o que, se calhar, é capaz de ser injusto!
Para o leitor, que diferença é essa, afinal, entre íntimo e privado, vocábulos sinónimos para designar realidades só nossas, pouco mais ou menos secretas, que não desejamos ver conhecidas? Não é tudo a mesma coisa? Talvez não, de facto. Talvez Mexia tenha razão, mas é uma tarefa inglória. Para o leitor, se Mexia diz que não fode, se, portanto, há ali alguém que não fode, só pode ser o Mexia. Se está na 1ª do singular, é exposição da experiência íntima, privada. Se está na 3ª, é um disfarce de vivências privadas que não nos atrevemos a contar, mas que o leitor capta a léguas, que ele não é parvo! Portanto, quer Mexia escreva sobre um raio dum fungo no pé, que não desaparece após quilos de Canesten aplicado duas vezes ao dia, ou sobre o tesouro escondido do rei da Prússia, estará, em última análise, sempre, a descrever-se intimamente. Portanto, nada de justificações. Para quê explicações? Não vale a pena. O que as pessoas querem, muito naturalmente, e isso é inevitável, é identificar-se com as experiências alheias. "Ah, que bom, eu não sou o único!" "Ah, olha, tal e qual como eu!"
É por isso que me estou nas tintas para as subtis diferenças entre íntimo e privado. O que é verdade e o que é mentira?! Cá no meu blogue é tudo verdade! É tudo íntimo, é tudo privado, é tudo secreto, as referências são todas verdadeiras! Cá no meu blogue, até me regalo de começar um texto revelando intimidades inauditamente privadas, e comprovadamente verídicas, como, por exemplo, "Nessa tarde, a minha mãe chegou mais cedo e apanhou o primo Jorge a sodomizar-me no sofá azul da sala, de frente para a janela da rua. Foi na antiga casa da Barrocas, uma semanas depois de ter morrido o filho da D. Maria, em Paris, carregadinho de Sida. Quão distantes vão esses dias de 1989!"
E é assim, meus amigos. Agora desculpem-me, que tenho de ir lavar a passarinha, porque me estão a dar umas comichões bárbaras; é que andei hoje muito a pé, e como tenho a perna gorda, e as coxas roçam uma na outra, e transpira-se... é chato; e a ver se ainda faço uma sopa de espinafres para jantar, depois de lavar as mãozinhas, claro.

terça-feira, novembro 07, 2006

Não fodem nem deixam foder

“Sexo na tua vida resolvia muita coisa…” ou “és uma ressabiada” é o comentário típico de quem não fode nem deixa foder, não vive nem deixa viver.
Pessoas que deambulam pela vida, e pelos outros, sem sorriso, origem ou destino; que não estão aqui para usufruir, muito menos para edificar; apenas para insultar na medida das suas próprias dores e desilusões, e disso tirarem um gozo perverso, a maior parte das vezes inconsciente. São mesmo coitados e coitadas. São mesmo pobres.
Não lhes interessa conteúdo algum, na blogosfera, nem na rua, nem no emprego: não se divertem nem se aborrecem. Precisam de destilar veneno, porque a vida lhes corre monótona, porque a ministra da educação e o das finanças e o da saúde lhes fodem o juízo e a carteira; dedicam, assim, a sua energia à análise minuciosa da vida alheia, que, por acaso, nem conhecem, mas que os distrai da sua, e onde podem soltar, clandestinos, o lastro das suas reservas de fel, sempre de cariz sexual, sobre a falta ou o excesso alheio, nunca o próprio. Isto, porque, na vida de quem não fode nem sai de cima, o sexo dos outros é a obsessão das obsessões: classificam o espectro humano que os rodeia segundo uma tabela que vai do não-fode/não-fodível ao fode-que-nem-coelho, como se não existisse vida para além da foda! Como se tudo confinasse apenas aí, ao buraco, não interessando que sexo se faz, nem porquê, porque o que interessa é fazê-lo, é abrir as pernas, enfiar o mangalho, gritar, arfar, ejacular. Para os que não vivem nem deixam viver, as pessoas que fodem é que são bué fixes; promíscuas, é certo, mas pelo menos fodem - e ocupam tempo imaginando-lhes promiscuidades atribuíveis. Quem não fode não tem lugar no mundo. Não é fixe e não possui merecimento. Quem não fode, para não ofender aos que "não fodem nem saem de cima", dedique-se, ao menos, a parecer que sim.
Eu, realmente, nunca fui uma fodilhona por atacado. Não é o meu género. Gosto mais de artesanato, peças manufacturadas, que levam o seu tempo, mas saem perfeitinhas, dignas de admiração. Em série, não.
De resto, tenho muito boa ideia do sexo. Não desgosto nada, mas, quando há, há; quando não há, não há! Do que não gosto é de obsessão, de doença, de tara.
Para além do mais, desconhecendo se este assunto já foi abordado na blogosfera, aproveito para informar que os períodos de pousio são óptimos para descansar a passarinha. Claro que os de actividade fazem maravilhas no que respeita ao convívio, à actividade lúdico-social. Mas há um tempo para tudo.
Literalmente, não me interessa o sexo dos outros, nem me passa pela cabeça avaliar alguém mediante uma bitola de prática sexual. Se fazem muito ou pouco ou nada, ou como fazem. É ridículo uma pessoa passar a vida nisto!
Felizmente, está para nascer o dia em que me dedicarei a frequentar casas alheias, para, com máscara ou sem ela, comentar o que julgo ser a vida sexual dos outros. Eu, que mal tenho tempo para ler e escrever!


segunda-feira, outubro 02, 2006

Um blogue-tempestade

Manter um "blogue-tempestade" acarreta pressões de dentro, dos próximos, relativamente ao que se publica, e não se devia, e dos de fora, leitores mais ou menos assíduos, relativamente ao que consideram que o blogue é ou deveria ser.
Quase todos acham que podem interferir, definindo orientação temática, pedindo explicações sobre textos e respostas a comentários.
Há os que me alertam para o facto de eu ser melhor nisto do que naquilo, sendo que, portanto, estou a perder-me naquilo. Há os que acham que isto deveria ser um livro, uma revista de actualidades, um consultório de sexualidade, o espaço privado de uma diva sem donos ou donas, uma coisa com classe ou sem classe alguma... imensas opiniões.
Muita, muita resistência à mudança.
De forma geral, penso que se desse ouvidos a tudo o que me pedem, se não fosse caprichosa, irredutível, teimosa, se não fizesse no blogue só o que me apetece, e só, e não o gerisse como me dá na gana, conforme a lua, conforme me correu o dia de trabalho, quase sempre nos limites do irrazoável, excedendo-me, barafustando, boicotando, já tinha encerrado portas. Se alguém perdia, como às vezes me dizem, estou-me espalhafatosamente nas tintas: eu cá perdia, porque eu preciso disto como de pão para a boca!
Por isso, valha-me eu!


domingo, setembro 03, 2006

90% dos machos leitores d'O Mundo Perfeito

Se escrevo um texto erótico ou romântico-piegas ou sobre o corpo, o amor, o afecto, qualquer coisa que vá parar ao marmelanço, os que já foram meus namorados, e os que queriam ser, e os que pensam que sofro por eles ou que estou perdidamente apaixonada, ou os nada, portanto, cerca de 236 depósitos de testosterona, pensam, "é para mim; aquilo é para mim; ela está perdida; ela ainda não recuperou; é óbvio que aquilo foi o beijo que me deu/me quer dar!".
Ou seja, cada um dos meus textos para "constituir família" tem duas centenas de destinatários simultâneos.

Se num texto me refiro à minha ignorância sobre ciências, ou aproveito o desconhecimento para uma brincadeira qualquer, ou até mesmo só porque quero pensar sobre o assunto, 95% dos leitores engenheiros, médicos, biólogos, físicos e químicos e afins pensam, "ela está a desafiar-me, a malandreca; eu bem sei o que ela quer; está perdidinha... vê-se mesmo que isto é para mim! Então, se ela falou sobre Galileu Galilei, aquilo só pode ser para mim!"
Este tipo de textos tem sempre quase uma centena de destinatários em simultâneo.

Se escrevo a cascar nos homens, só porque me apetece, gratuitamente ou não, metade dos leitores toma o assunto como pessoal. "Pá, aquilo é para mim, embora eu não seja assim! Outros homens até podem ser, mas eu não! A gaja julga que é boa, que sabe muito, mas passa a vida a entrar em contradições; deve ter um feitio do caraças, por isso é que está sozinha - porque ninguém está para a aturar. Diz mal dos homens, mas faço ideia a miséria que ali vai. Ninguém a quer, daí o ressentimento. As mulheres não se libertam (1), esse é o problema!"




Se escrevo sobre assuntos feministas... tenho falta de homem! E precisaria de cada um deles em particular.

Se escrevo sobre filosofia ou religião... não tenho mais nada com que me entreter, porque não tenho homem, e é óbvio que precisava deles para me acalmar! Por isso é que escrevo sobre essas coisas, para parecer interessante e conseguir engatar algum.

Se escrevo sobre África, sou uma grande traumatizada, por isso é que fiquei ninfomaníaca recalcada, e por isso é que sou fascinada pelo meu pai, que é o símbolo do homem que nunca possuí! E estou a mostrar-me interessante para engatar. É isso!

Se escrevo sobre mim é porque estou a lançar o isco a ver se arranjo homem. A promover-me, embora deva ser um estafermo como as outras todas que têm blogue mas não saem para a rua, não se mostram. Mas ando à caça!

Se escrevo, tudo o que escrevo é autobiográfico, é o meu retrato. Tem de ser, não há dúvidas! Porque sou uma ressabiada com falta de mangalho.
Este texto, por exemplo, é o meu típico texto autopromocional de engate. Porque é assim que arranjo as minhas vítimas para sexo inconsequente e outros fins menos interessantes.
Por outro lado, o macho leitor deste texto concreto, considera que nada aqui lhe é dirigido em particular. "Ah, ela diz isto para desabafar, mas é óbvio que a mensagem não é para mim, é para os outros, os engraçadinhos, porque ela curte-me, ela é perdida por mim. Isto é só para os marialvas, os chatos que ela não suporta. Eu, não! A mim, ela adora-me. O que ela queria era apanhar-me!"

(1) Tradução:
ou seja, as mulheres, a maior parte, não são ainda capazes de se deixar montar, quando, onde e quanto vezes nos apetece, sem nos perguntarem o nome e o estado civil, como a gente gostaria! E preocupam-se demasiado com o afecto e o amor, que não passam de uma ilusão dos livros da Anita e outros que elas lêem.


Leitura complementar 1: crónica, sobre mim, de um dos meus leitores!

Leitura complementar 2: o distinto cronista é filósofo, pintor e professor, vade retro.


sábado, abril 22, 2006

Pulgas, piolhos e carraças da blogosfera



A oportuna reflexão de Pacheco Pereira, no Público de dia 20, possível de ler no Da Literatura, e não no jornal onde foi publicada. Agradecimentos à blogosfera, não ao jornal, cuja edição on-line jamais subscreverei. Tenho pena, mas jornais, revistas e livros pago para ler em papel, com muita pena por já não sujarem os dedos; blogues, na internet, isto porque, a cada macaco, o seu galho.
A crónica de PP serve pessoas sãs, com os seus defeitos e virtudes, mas não mal formadas, sem valores. Esses, parasitas da blogosfera e do mundo, vão lê-la, distorcer-lhe o sentido e responder bugalhos. Não sabem existir de outra forma. É do que mais me queixo. Não da discordância relativamente ao que escrevo, mas dos bugalhos, daquilo que é nada, que serve nada, que não está remotamente relacionado com o que se escreveu. Do ataque grátis e malevolente. Do que é vaidade do vazio. Porque a vaidade justificada posso compreender: quem produz com brilho pode dar-se ao luxo de ter um ego enorme, de ser vaidoso relativamente ao que é capaz de gerar. Os parasitas são parasitas, ponto final, e, não se podendo reeducá-los (e é para isso que serve o Estado, caros amigos da direita liberal - essa invenção do pós-cavaquismo), sinceramente, isto muito sinceramente, sem os idealismos a que costumo dedicar-me, seria tão bom se pudessémos, com ajuda da química, eliminá-los a baixo custo, como às pulgas, aos piolhos e às carraças.

quarta-feira, abril 05, 2006

Uma casa de vidro

O problema dos blogues muito visitados é que vem logo a censurazinha: perde-se a porra da liberdade, a privacidade doméstica; parece que temos a obrigação de nos portar bem, de não errar, de não descalçar os sapatos, de não escrever as asneiras que nos passam pela cabeça. Uma pessoa chega ao cúmulo de ir verificar as vírgulas! E isso, desculpem lá, mas não. Não vendo a minha liberdade no blogue a nada nem a ninguém, porque a outra já a vendo o estritamente necessário: casa e comida.
Metam isto na cabeça: primeiro, escrevo as asneiras cabeludas que me apetecer; segundo, não estou aqui para ser contrariada. Comigo, sempre paninhos quentes. Percebido? Não é preciso responder; basta assentir com a cabeça.

terça-feira, março 28, 2006

Um ano de textos demasiado longos

Que se lixe. Só lê quem quer, até onde quer. Isto é à borla, não temos que agradar a ninguém. E mesmo que tivéssemos, a gente não obedece.
Eu sei que blogues com frases curtas são melhor lidos. Tenho-me esforçado. De vez em quando até saem. Mas, por natureza, e as mais das vezes, preciso de espaço. Já aqui postei textos com lençóis e lençóis, que nunca imaginei alguém viesse a ler. Curiosamente, lêem.
A moda dos "blogues de frase" vai passar. Porque o textozinho é o textozinho, nada a fazer. Vão por mim que não vos estou a vender peixe fraudulento.

Um ano de leitores viciados e masoquistas

Não faltam um dia. Não faltariam mesmo que lhes tirássemos um olho. Pediriam aos colegas, e aos filhos, "olha lá, pá, deixa lá o analgésico, que eu cá me aguento com as dores, e lê-me mas é o que eles escreveram hoje. Foi a Isabela, foi a Isabela? É reinadia, a moça, e criou aqueles heterónimos todos, que ela ainda há-de desenvolver melhor; o CB, já viste, foi bem criado, que bem que escreve poesia?! Até é pena ser um heterónimo dela. Se o gajo existisse mesmo, a escrever assim, ainda podia chegar a deputado, a membro de uma assembleia regional, no mínimo. Mas nota-se que é uma poesia muito feminina, ainda; essa parte, ela tem de trabalhar melhor. E depois, a Alma, esse amor de menina tímida e decente, tudo o que a Isabela não é! Ela tem jeito prós heterónimos, mas ainda pode ir mais longe, ainda pode".
Este é o retrato-robot dos leitores do blogue. Talvez mais homens que mulheres, penso. As mulheres também cá estão, mas não comentam, ou comentam pouco, excepto meia-dúzia. É uma pena que tenho. Porque queria ouvi-las mais a elas, e menos aos infiéis que não sabem o que dizem.
Os leitores de O Mundo Perfeito consomem seja o que for que aqui se escreva; concordem ou não, marcha tudo. E, graças a Deus, embora não faltem, comentam pouco, e manso. Quando levantam a garupa para me ensinarem as suas ciências omnipotentes, e eu lhes respondo com a minha, ficam amuados, porque eu devia perceber que eles é que são gajos, que eles é que sabem, e que a um gajo só se responde "pois é, ai que giro, nunca tinha pensado, pois, tu é que tens razão!" Esses, que não podem comigo, devido às minhas alegadas posições radicais, estão cá batidos todos os dias. Viciados do caraças. Para eles está tudo bem, amputem-lhes as pernas direitas, reduzam-lhes os salários, tirem-lhes o pão e o circo, mas, porra, não lhes roubem O Mundo Perfeito.
Os nossos leitores, porque são masoquistas, e nos aturam tanto, é que mereciam todos uma garrafa de champanhe.
E vão aturar mais, muito mais.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

Os comentários

Com algumas ideias, mas sem tempo para escrever.
Uma reflexão sobre posts, apesar das contingências:
- sei escrever bons textos, e sei escrevê-los para encher chouriços. Há dias em que me apetece farra, e desejo, nesse caso, dissertar sobre meias de rede, ser uma diva da blogosfera.
Há dias em que apetece escrever a sério. Esses são os que penso serem tristes, mas que são o melhor da minha vida.
Verifico que os textos mais lidos, mais comentados são os que abordam a problemática da meia de rede, ou realidades superficiais: farra: maquilhagem, lingerie, hábitos femininos ou masculinos estereotipados.
O amor, a morte, a dor, coisas sérias não merecem muito comentário. Existe constrangimento público perante esses textos, demasiado íntimos para esta exposição, como se os tivesse editado por engano.
Acontece o mesmo noutros blogs.
Gosto de textos arrasadores. De me envolver, comover, apaixonar.
Gosto de tese e argumentos.

Há dias em que não sou uma diva.

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Os comentários preferidos de Isabela II

Eu sei francês e inglês (este melhor que aquele), mas condeno igualmente tanto a Inglaterra quanto a França (e, mais próximo a nosso tempo, os EUA) pelas infinitas atrocidades cometidas durante a era do imperialismo tout-court (olha ele aí, merda!), que até hoje expõe suas consequências p'ra quem quiser ver. O problema do Iraque. Ah. É muito cômodo a França se colocar contra a guerra, pois se ela e a Inglaterra dividiram aquele território todo na régua, e agora não quer se meter na reorganização dos diferentes grupos étnicos envolvidos. E a mesma coisa na África, na Indochina, no raio que o parta. Primeiro a gente explora até não mais poder, depois deixa a galera se matar, porque a "mão invisível do mercado", o liberalismo será a redenção...
Como diria o Sartre, l' enfer c´est les autres. Com certeza.

Zanzerê

Entradas de referência para o Google - eu amo este homem!

quarta-feira, novembro 16, 2005

Sobre leitoras e comentadores

Por que motivo as meninas entram numerosamente neste blog, que eu sei muito bem, mas quem esmagadoramente o comenta são os meninos?
(A isto é que eu chamo meter ordem numa casa!)

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...