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terça-feira, fevereiro 10, 2009

Da seriedade

Estou a pensar fazer uma colecta aqui no blogue para comprar um novo colar de pérolas à Manuela Ferreira Leite. Um cinzento. Ou em coral. E outro fatinho. Já não aguento mais o colar de pérolas brancas com os fatos cinzentos. Vários fatos de vários tons de cinzento. Não estava a pensar em nada caro nem farfalhudo, apenas diferente. Nas lojas Humana a coisa resolvia-se. Até os homens que, como se sabe, andam de uniforme com marca, mudam ao menos de gravata.
De entre as pessoas políticas que povoam o panorama partidário português, Manuela Ferreira Leite é de todas a que mais se assemelha, na imagem monocromática, e no discurso, ao falecido António de Oliveira Salazar, vénia, vénia, vénia até ao chão.

domingo, agosto 12, 2007

É só para a posteridade

Pintura italiana do século XVII.
Retrato de um senhor que também gostava muito de croissantes com fiambre, e de massa com queijo, manjericão e azeite.



Certas funcionalidades das máquinas fotográficas digitais vieram infernizar qualquer inocente fotografia de férias. O zoom, por exemplo, serve apenas para confirmar que já não somos o que ainda imaginaríamos ser, com boa vontade: as manchas na cara, os dentes mais escuros, a falta de pêlo na cabeça e o seu excesso no bigode, a celulite no rabo, uma borbulha que pensávamos ter conseguido disfarçar, as olheiras, a papada, a filha-da-puta da papada... nada engana.
Os instantâneos de férias são o espelho desenfeitiçado da madrasta da Branca de Neve. Não há tempo para perguntar, "diz-me, espelho meu..." Eles dizem-nos cruamente o que não quisemos perguntar nem conseguimos compreender: «Eis a figura que nunca escolherias no catálogo de aspectos. És aquela olheirenta. Vai ali uma gorda de costas, e és tu. Olha os teus dentes. Sim, fazes esta expressão com frequência. As sobrancelhas mal arranjadas?! Não gostas?! És uma mera figura do catálogo da biologia. Quando te moves, gesticulas, falas, ris, amuas, sentes-te uma personagem parecida contigo, mas que não és tu. Detestas-te. És ridícula, não és?! És tu. Isto és tu. Isto é o que os outros vêem, quando te vêem.»

E depois, num segundo momento, pensando bem, qual é o problema de se ser inevitavelmente aquilo que se é? Uma mulher de 30 ou 40, igual a todas as outras, sobre quem não se pensa nada de especial. Que bom! Aquela que vai deitar o lixo às 20, depois do jantar, com chinelos amarelos de enfiar no dedo. A que passeia os cães. A que tem o Opel Corsa azul. A mãe da miúda que namora nas escadas. É simpática? Sorri? Então é bonita. Que maravilha ser apenas um ser humano cuja riqueza depende de um sorriso, de uma palavra agradável.

Outra funcionalidade das modernas máquinas digitais socorre-nos, calando a amarga voz da inimputável lente: o botão do lixo. Carrega-se, e o sistema pergunta-nos, "deseja apagar esta imagem?" Sim, sim. Clique. Imagem apagada. Que alívio. Fintámos o espelho. Continuem a ver-nos como quiserem; como somos. Que interessa? Sei bem que sou uma princesa etérea, toda em ouro, chifon cor-de-rosa e azul-celeste, como nas mais belas ilustrações dos livros infantis que ainda recordo.


O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...