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domingo, fevereiro 15, 2009

Cadê o Partido Socialista?

Há uns meses, o PS, e o resto da direita na Assembleia da República, inviabilizou um projecto-lei do Bloco de Esquerda e dos Verdes, relativo à união civil de homossexuais. Não porque não concordasse, mas porque não considerava oportuno, alegando ser necessário encaminhar o assunto para amplo debate social. Ora, todos nós sabemos como o PS é exímio em encaminhar projectos-lei, os seus, para ampla imposição social.
Com a candidatura de Sócrates a secretário-geral do PS, e consequente apresentação da respectiva moção política, percebemos a nega ao projecto da oposição: o PS pretende para si os louros do casamento de homossexuais. É apenas uma questão de currículo; servirá para defender que "nós é que". Ora, como há aqui basto interesse nos potenciais votos da esquerda, e da comunidade LGTB, convém não esquecer que este assunto já poderia estar resolvido desde Outubro, que isto é um bom exemplo da política oportunista do PS.

domingo, fevereiro 01, 2009

Está tudo mudado

Almoço de domingo com a minha mãe, que faz 86 anos dentro de alguns dias.

Mãe - Então, mas que confusão é essa com o Sócrates? Não sai das notícias!

Expliquei-lhe tudo. A minha versão.

Mãe - E dizem que ele, mesmo assim, vai ganhar as eleições.

Isabela - É possível; é muito possível. A maior parte dos eleitores vota PSD ou PS, e qual é a diferença, sinceramente? Os partidos mais pequenos, e de esquerda, juntos ou separados, não têm hipótese de mostrar o que valem.

M. - Bem, mas o que é preciso é que o Sócrates não tenha a maioria absoluta, para não pensar que é o rei, que manda e desmanda como bem lhe aprouver.

I. - Sim, isso é fundamental. Senão qualquer dia voltamos a viver como no tempo de Salazar. No tempo do Salazar não era assim?! Tudo caladinho, tudo cheio de medo?

M. - Era, ninguém piava, mas o Salazar tinha princípios morais, e nós não vivíamos melhor, não tínhamos tanto, como agora, éramos uns atrasadinhos, não sabíamos nada, eram só os bailes, e a igreja, mas éramos mais felizes.

I. - As pessoas nunca são felizes, mãe. Ou seja, todos somos muito mais felizes do que pensamos, mas não reconhecemos essa felicidade...

M. - Mas o Sócrates, agora, vai ter o voto dos homossexuais todos...

I. - Porquê, por causa do projecto-lei para o casamento dos homossexuais? Não sei!

M. - Pois, eles andam todos contentes, querem casar uns com os outros e adoptar e tudo (riu-se).

I. - Oh, mãe, a gente não se deve meter na vida dos outros. Se querem casar, por que não? O que temos nós a ver com isso? Deixemos os outros serem felizes à sua maneira. A mim alegra-me que os outros sejam felizes.

M. - Mas adoptar...

I. - Sim, por que não? Se forem pessoas boas, pessoas honestas, com bons princípios, o que os impede de adoptar e de serem excelentes pais ou mães? Mas não creio que seja por aí que o Sócrates ganhe votos.

(Não lhe disse que o Sócrates ganha votos por ser bonito.)

M. - Bem, lá em Espanha, onde está o teu amigo, eles já podem casar e adoptar.

I. - Pois já. E o Gil e o Artur, que tu conheces, também casaram em França.

M. - Pois é. Isto está tudo mudado (riu-se).

sábado, setembro 06, 2008

A pecar na santa paz do Senhor


Jose Mantero, padre espanhol que afirma ser gay

Os homossexuais católicos ibéricos reúnem-se em Évora, no último fim-de-semana de Setembro. Durante o encontro decorrerão palestras, debates e orações. Esta iniciativa merece destaque entre todas as outras que juntam grupos homossexuais, porque, como se sabe, não existem homossexuais católicos, nem as hierarquias da Igreja têm a ver com isso, porque, como é óbvio também não existem padres homossexuais. Mais, a expressão do desejo só existe no contexto procriativo da família, essa sim, a célula sagrada da Igreja e da sociedade.
Os promotores deste encontro informaram as estruturas da Igreja, solicitando um sacerdote para prestação de serviço espiritual. Se o arcebispado de Évora recusar, o que penso virá a acontecer, o problema resolve-se da seguinte forma:
um padre espanhol que acompanha o grupo de Málaga poderá ministrar os serviços religiosos.
Não sei o que é que a Igreja Católica vai fazer com estes fiéis que agora se dizem homossexuais, mas que está aqui um lindo problema, está. Não os podem abençoar. Não podem dar-lhes a comungar o corpo de Cristo. Não os podem casar segundo a lei de Deus. Só se os exorcizarem, regando-os com muita água benta, na tentativa de lhes arrancarem aquele bicho das entranhas. Ah, que saudades dos tempos em que estavam todos arrumadinhos no quarto escuro a pecar clandestinamente e na santa paz do Senhor sem incomodar a ordem estabelecida.

domingo, julho 06, 2008

O lugar de procriação é o indíviduo, não a família





Manuela Ferreira Leite afirmou a semana passada, na TVI, que o casamento tem como objectivo a procriação, e que, portanto, as uniões de homossexuais, não sendo dessa natureza, não deverão beneficiar das mesmas regalias fiscais e civis de um casamento.

Manuela Ferreira Leite é uma política conservadora, pelo que as suas afirmações não devem causar espanto. Pessoalmente, parece-me bem que tenha enunciado o seu pensamento a este respeito. Gosto de pessoas que dizem muito claramente aquilo que pensam. Com quem fala claramente é possível dialogar; pelo contrário, quando não sabemos que filosofia se esconde por detrás de abundantes discursos eufemísticos, não é possível comunicar.

Manuela Ferreira Leite não fez mais do que enunciar em voz alta aquilo que 70 por cento da população portuguesa pensa: as uniões homossexuais são contra naturam.
A natureza contra naturam que as civilizações baseadas numa religião institucionalizada atribuiram às relações entre pessoas do mesmo sexo, baseou-se na preocupação com a procriação, e centrou-se numa visão exclusivamente sexual destes relacionamentos. Porém, a sexualidade é apenas uma parte da vida dos homossexuais, pelo que sempre considerei tudo isto de uma injustiça e preconceito atroz.

Ouço com ironia afirmações como, eles agora são todos do clube, antigamente não era assim, etc., etc., ignorando que a humanidade, desde os princípios dos princípios, foi livre sexualmente, muito mais livre do que hoje. O clube sempre teve inúmeros praticantes, adeptos e simpatizantes.
O relacionamento sexual entre pessoas do mesmo sexo não pode ser considerado um pecado de natureza universal, como o vêem algumas religiões, porque outras religiões, igualmente legítimas, nomeadamente algumas orientais, não excluem a homossexualidade, não a castigam, considerando-a apenas mais um meio para atingir um fim. Portanto, em que ficamos? Trata-se de um pecado "local". No fundo, de um normativo. A noção de pecado associada ao sexo e à homossexualidade veio criar uma ordem social e sexual aparente, porque debaixo dos panos, tudo se manteve igualzinho.

O que escapa à sociedade em geral, e a Manuela Ferreira Leite, em particular, embora seja remediável, é que a família não é realmente um lugar de procriação. Como explicar, então, os inúmeros casais que não têm filhos, que se recusam a tê-los, ou não podem, e que preferem adoptar, ou não? Perdem o estatuto de família por recusar procriar ou por não poderem fazê-lo? Conheço meia dúzia de casos deste género. Vamos tirar-lhes os benefícios sociais e fiscais que o Estado concede ao que chama família? Convém sermos coerentes. Que diferença existe, ao nível de constituição de família, entre o senhor Belarmino e a dona Maria, que moram no prédio da minha mãe, e nunca tiveram filhos, e a Patrícia mais a Xana, que moram no meu, e tiveram há poucos meses uma bebé fruto de uma inseminação artificial?
A Xana inseminou a Patrícia com o esperma de um norueguês que contactaram através de um grupo de dadores existente na internet. O homem veio cá passar uns dias, pagaram-lhe a estadia, e foi-se embora todo feliz e cheio de escaldões. Não sabem a morada dele nem ele a delas. Foram três felizes encontros no hotel dele, em dias estratégicos. Chegou. Digam-me, por favor, quem é mais família? O senhor Belarmino e a dona Maria, ou a Xana e a Patrícia? É fácil, não é?

O lugar de procriação nunca foi a família, mas o indivíduo. Pensar desta forma implicaria voltarmos ao tempo de Salazar e ressuscitar o estatuto distinto do filho bastardo, com toda a ignomínia que acarretava.

A procriação não tem regras, ou melhor, recusa-as, por muito que no-las tentem impor. Quem quer ter filhos, tê-los-á, independentemente da natureza emocional ou sexual da relação mantida, ou na sua ausência; quem não quiser filhos, há-de evitá-los; e os acidentes, o foi sem querer, agora não calhava nada, o que é que eu faço, acontecerão sempre, com a mesma certeza com que vem a chuva e depois o sol.

Actualmente, com auxílio da reprodução medicamente assistida ou sem ela, porque os métodos artesanais também funcionam lindamente, nada, nada, nada impede um homem ou uma mulher, homossexuais, heterossexuais ou assim-assim, solteiros, casados ou a viver uniões de facto de se reproduzirem livremente. E aos núcleos de pessoas que escolheram viver juntas chama-se família, porque não há outra palavra para os designar. Que a porca torça o rabo como quiser torcê-lo, mas estas são famílias efectivas, funcionais, existem aos milhões por todo o lado, é impossível ignorá-las, não podem ser desfeitas, e terão de beneficiar dos mesmos direitos que os outros tipos de família, ou estaremos a estabelecer diferenças entre legítimos e bastardos, o que a própria lei não permite.

Portanto, é isto que temos de explicar à Dra. Manuela Ferreira Leite, com a formidável calma que advém da certeza e da segurança.

domingo, junho 22, 2008

Franjas de comportamento marginal


Alberto Gonçalves, sociólogo, com coluna em página direita do Diário de Notícias de hoje, dá destaque, com foto, ao casamento de duas lésbicas americanas, senhoras que já passaram os 70 anos, beijando-se no final da cerimónia de casamento. As duas mulheres viviam maritalmente há 55 anos e só agora puderam casar-se legalmente.
O sociólogo não questiona o casamento, mas que aqueles que pertencem às "franjas de comportamento marginal", e a expressão é minha, os quais sempre desprezaram o casamento enquanto instituição, optem por tal via assim que se torna possível. E pergunta o sociólogo: "De que forma é que o repugnante papel se tornou de repente imprescindível à união consumada de legítima de duas criaturas?"
Não sei onde é que o Diário de Notícias recruta os seus cronistas, esperando sinceramente que não venham todos da Universidade Moderna; como explicar que um designado sociólogo possa dar-se ao luxo de ignorar que pessoas do mesmo sexo, que vivem maritalmente, não possuem, na actual ordem administrativa, direitos civis que lhes permitam declarar-se acompanhantes em situações de apoio na doença, nomeadamente em hospitais?! Todos nós sabemos que os(as) homossexuais continuam a não poder beneficiar de seguros de saúde, ou outros, realizados por um dos parceiros; não podem reclamar-se herdeiros um do outros; em suma, não têm acesso aos mesmos direitos civis dos casais legais formados por pessoas de sexos diferentes, o que configura uma situação de estúpida desigualdade.
Portanto, a resposta é simples: o papel não consolida uma união, mas atribui direitos, e na ordem em que somos obrigados a viver, porque não conseguimos arranjar outra, por enquanto, faz sentido. É o chamado, do mal o menos.
Muito para além disso, "as franjas de comportamento marginal" têm todo o direito a mudar de opinião quando e como querem, como qualquer pessoa. Mudar de opinião é dos poucos direitos que ainda nos assistem.

segunda-feira, outubro 15, 2007

Peixinhos

Da série Conversas com a Minha Mãe.

Mãe - O Manuel Luís Goucha diz que a coisa de que mais gosta é de chocolate. Mas agora já não o pode comer. Quer ser elegante.
Isabela - Hum.
M. - Havias de o ver ontem naquele programa da... com uma camisa cheia de ramagens, e fios. O que ele gosta daquelas coisas. Parece...
I. - Amaricado?!
M. - Há quem diga que é "peixinho". Agora os homens são todos. Por isso é que não querem casar com as mulheres.
I. - Oh mãe, o Goucha não é "peixinho", já é peixão.
M. - Diz que até nas boas famílias há deles "peixinhos". Até doutores.

sexta-feira, julho 13, 2007

Um corpo diferente todas as semanas

Foto: Michael V.

Percebi que os homens encaram a sexualidade da mesma forma, quer sejam gay ou straight.
Quando pergunto a amigos homossexuais como conseguem dissociar sexo e amor, é frequente responderem-me que sexo é uma forma de amor.
Medito no caso. Sinceramente, não consigo conceber tal separação, embora tenha momentos de honesto esforço; infrutífero.

Sexo é amor?! Como poderá ser assim? Sexo só poderá ser amor se existir amor, ou seja, um afecto consistente, que não termina com o final da excitação sexual. Sim, sou teimosa nisto; ano após ano, nego tornar-me moderna, podres de gira, e liberalíssima.

Porém, quanto aos meus amigos gay, quando os ouço descrever as suas variadas e recentes aventuras, aqui, acolá, com aquele, com o outro, parece-me perceber, naquele discurso, a realização do sonho de diversidade e inconstância sexual da maior parte da população masculina lusitana dita straigh, com ou sem aliança: uma pessoa diferente a cada semana. Nenhuma promessa. Nenhum compromisso. Nenhuma obrigação de amar. Relações abertas, etc.
Neste aspecto, os homossexuais servem-se melhor uns aos outros, porque, em princípio, ambos, ou os três ou os quatro, querem o mesmo, não existindo limites para a liberdade sexual da qual todos estão conscientes, e que desejam.
Não é que não conheça homossexuais que vivam juntos e fiéis há muito tempo, mas é raro. Embora o desejem, a partir de certa altura, as melhores intenções acabam por falir; o apelo do sexo fora da relação é muito forte. O apelo do sexo é sempre absurdamente forte nos homens.
Para os heterossexuais, coitados, é uma trabalheira quase sempre: o ritual de cortejamento, os piropos que convêm ser criativos, quando é que um não é um não ou um sim. As mulheres são labirínticas, e é raro o processo reger-se por um certo esquema gay explícito "és lindo, tu também, queres?, quero, vamos".
Mesmo na net, é preciso alimentar conversa de palha até chegar ao que interessa. Os gays que conheço, entram no mirc, e entabulam conversa aleatória, escrevendo, "olá, sou o Mike, 34, activo, chaser admirer, Picheleira, interessa?!" Não estou a ver isto resultar com uma mulher, a não ser que seja muito jovem, muito gira, muito moderna e precise de carregar depressa o telemóvel com 10 euros.
É por isto que às vezes tenho pena do macho lusitano não gay. Episodicamente. Só por instantes que rapidamente se evaporam. O paleio que têm de inventar! As mentiras que têm de conceber para convencer a mulher de que estão com os amigos, e a amante sazonal de que têm trabalho, ou vice-versa. Deve desgastar psicologicamente, e, claro, depois o sexo não compensa.
Era tudo muito mais fácil se aderissem ao movimento gay. O que o machão lusitano quer, mas não compreende, é ser gay com mulheres, e às vezes, inconfessadamente, com homens. E adiante.

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...