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sábado, setembro 06, 2008

A pecar na santa paz do Senhor


Jose Mantero, padre espanhol que afirma ser gay

Os homossexuais católicos ibéricos reúnem-se em Évora, no último fim-de-semana de Setembro. Durante o encontro decorrerão palestras, debates e orações. Esta iniciativa merece destaque entre todas as outras que juntam grupos homossexuais, porque, como se sabe, não existem homossexuais católicos, nem as hierarquias da Igreja têm a ver com isso, porque, como é óbvio também não existem padres homossexuais. Mais, a expressão do desejo só existe no contexto procriativo da família, essa sim, a célula sagrada da Igreja e da sociedade.
Os promotores deste encontro informaram as estruturas da Igreja, solicitando um sacerdote para prestação de serviço espiritual. Se o arcebispado de Évora recusar, o que penso virá a acontecer, o problema resolve-se da seguinte forma:
um padre espanhol que acompanha o grupo de Málaga poderá ministrar os serviços religiosos.
Não sei o que é que a Igreja Católica vai fazer com estes fiéis que agora se dizem homossexuais, mas que está aqui um lindo problema, está. Não os podem abençoar. Não podem dar-lhes a comungar o corpo de Cristo. Não os podem casar segundo a lei de Deus. Só se os exorcizarem, regando-os com muita água benta, na tentativa de lhes arrancarem aquele bicho das entranhas. Ah, que saudades dos tempos em que estavam todos arrumadinhos no quarto escuro a pecar clandestinamente e na santa paz do Senhor sem incomodar a ordem estabelecida.

domingo, junho 22, 2008

Franjas de comportamento marginal


Alberto Gonçalves, sociólogo, com coluna em página direita do Diário de Notícias de hoje, dá destaque, com foto, ao casamento de duas lésbicas americanas, senhoras que já passaram os 70 anos, beijando-se no final da cerimónia de casamento. As duas mulheres viviam maritalmente há 55 anos e só agora puderam casar-se legalmente.
O sociólogo não questiona o casamento, mas que aqueles que pertencem às "franjas de comportamento marginal", e a expressão é minha, os quais sempre desprezaram o casamento enquanto instituição, optem por tal via assim que se torna possível. E pergunta o sociólogo: "De que forma é que o repugnante papel se tornou de repente imprescindível à união consumada de legítima de duas criaturas?"
Não sei onde é que o Diário de Notícias recruta os seus cronistas, esperando sinceramente que não venham todos da Universidade Moderna; como explicar que um designado sociólogo possa dar-se ao luxo de ignorar que pessoas do mesmo sexo, que vivem maritalmente, não possuem, na actual ordem administrativa, direitos civis que lhes permitam declarar-se acompanhantes em situações de apoio na doença, nomeadamente em hospitais?! Todos nós sabemos que os(as) homossexuais continuam a não poder beneficiar de seguros de saúde, ou outros, realizados por um dos parceiros; não podem reclamar-se herdeiros um do outros; em suma, não têm acesso aos mesmos direitos civis dos casais legais formados por pessoas de sexos diferentes, o que configura uma situação de estúpida desigualdade.
Portanto, a resposta é simples: o papel não consolida uma união, mas atribui direitos, e na ordem em que somos obrigados a viver, porque não conseguimos arranjar outra, por enquanto, faz sentido. É o chamado, do mal o menos.
Muito para além disso, "as franjas de comportamento marginal" têm todo o direito a mudar de opinião quando e como querem, como qualquer pessoa. Mudar de opinião é dos poucos direitos que ainda nos assistem.

domingo, março 04, 2007

Os humanos não-humanos


As inscrições impressas nos pacotes de açúcar que nos colocam nos pires de café são cultura de massas, e a mensagem costuma ser fácil, permitindo identificação e reconhecimento imediatos. É a regra. Alguns trazem anedotas bacocas sobre maridos, mulheres e pares de cornos a rasar o chão, outros, perguntas de história do tempo em que eu andava na primária, coisas do género, "em que ano Pedro Álvares Cabral descobriu o Brasil"? Infelizmente, os pacotes de açúcar não ensinam grande coisa, porque seria um excelente meio para divulgação de mensagens construtivas.
Ontem, porém, colocaram-me, no pires, um pacotinho de açúcar, embalado pelos cafés Chaves de Ouro, contendo o texto do artigo 16º da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Uma mensagem realmente interessante. E li, "Todos têm o direito de casar e de constituir família. No casamento, ambos os cônjuges têm direitos iguais."
Os pacotinhos de café são cultura de massas, repito, portanto, espera-se que o senhor Zé e a dona Eugénia leiam a mensagem e pensem, "pois, sim senhor, tá certo, casamento, família, iguais: Genita, qué que tu vais fazer pó jantar?!"; isto poderá ser assim tal e qual, mesmo que o senhor Zé assente a mão na dona Eugénia apenas porque sim, e ela consinta, porque até é mulher e, pronto, é fraca, ou seja, beta, porque parece que agora está na moda classificar os homens e mulheres como alfas e betas, tal como cães e lobos, sendo que há, portanto, fêmeas alfa, nas quais eu me incluo sem privilégio, como me escrevia um leitor, no outro dia, e as beta, lote a que pertencerá a dona Eugénia. E, de repente, ocorre-me que há fêmeas exactamente como eu, que foram à escola, que leram livros, e que continuam a levar porrada e a sujeitar-se a situações inenarráveis. E, também, que o senhor Zé a a dona Eugénia, em muitos, muitos casos perpetuaram-se no Tiago Bruno e na Cátia Vanessa, que eu bem os vejo.
Voltando ao acúcar, e juro não saber de onde vem tanto texto à volta de um pacote de seis por cinco, com apenas seis a oito gramas de conteúdo, o artigo da Declaração Universal dos Direitos Humanos que nele inscreveram não se aplica ao nosso país, e deveria, portanto, ser feita uma ressalva - em muito países, excepto em Portugal, etc. Porque em Portugal, nem todos têm o direito ao casamento: gays e lésbicas estão impedidos de o fazer. Porque em Portugal, nem todos têm o direito de constituir família: gays, lésbicas, mulheres e homens celibatários não têm acesso à procriação medicamente assistida. No caso dos gays e lésbicas, o acesso continua vedado à adopção. Nos casos que conheço de mulheres e homens solteiros candidatos à adopção, aceitaram ficar com crianças consideradas menos adoptáveis, ou seja, os restos, os rejeitados pelos casais, os meninos e meninas com deficiências psicomotoras.
Portanto, algo entra aqui em contradição: ou em Portugal não se aplicam as normas da Declaração Universal dos Direitos Humanos (e não!), porque estamos acima disso, porque somos melhores, porque temos as nossas tradições, e, nelas, gays, lésbicas e celibatários(as) não são humanos, ou a Declaração Universal dos Direitos Humanos está errada do primeiro ao último parágrafo, e, portanto, gays, lésbicas e celibários não são humanos.

sábado, fevereiro 25, 2006

Algo gigantesco falha todos os dias


Algo falhou, escrevia Ana Vicente, no DN de ontem, a propósito do crime praticado pelos adolescentes da Oficina de São José.
Algo.
Assim vago.
Algo que não lhe diz respeito. Algo, apenas.

Tudo falha, todos os dias, em grande escala.

E a vítima, um homossexual travesti toxicodependente sem-abrigo brasileiro? Não falhou nada? Um homossexual de 45 anos está a viver na rua, onde se droga, dorme e recebe clientes, e aqui não falhou...
algo? Tornou-se um alvo fácil por ser homossexual, travesti, toxicodependente, sem-abrigo ou brasileiro? Ou tudo? E era toxicodependente e sem abrigo, por que motivo? Por ser toxicodependente e brasileiro? Ou travesti?
Algo gigantesco falha todos os dias. Para todos. Por culpa de todos.


quarta-feira, dezembro 28, 2005

O fim do mundo, tal como o conhecíamos

Já cá tínhamos o "robotcop gay", eis que chega agora o cowboy gay.
Refiro-me ao último filme de Ang Lee, Brokeback Mountain, vencedor, este ano, dos mais interessantes prémios de cinema, pelos festivais Europa fora.



Espero a estreia há dois meses; penso que se seguirá ao ano novo - filmes destes nunca estreiam no Natal: o Ministério da Saúde proíbe-o e as distribuidoras respeitam: não chegam, já, as urgências hospitalares a, comumente, abarrotar, nesta época, de avós consumidos pelas consequências gástricas e intestinais do bacalhau, do perú e dos fritos mais os vinhos, quanto mais pelos AVC´s, pelas paragens cardíacas que um filme destes causaria em pleno idílio familiar natalício!
Os cowboys gays, valha-nos Deus! Não sei se o meu pai, amante do western, do Tesouro da Sierra Madre, de Liberty Valance, de El Dorado, depois de confiar anos de escalpes e assaltos a carruagens aos índios mais mal encarados, vinganças justas protagonizadas por um Clint Eastwood crispado, por um Yul Breyner magnético, cigarros da espera mordidos ao canto da boca por John Wayne, meninas raptadas por índios e feitas índias, indios raptados por ianques e feitos ianques, e o largo sorriso-trinitá do Trinitá, o Cowboy Insolente, sobreviveria a um filme de cowboys que preferem abandonar a parafernália bélica, as armas, cartuchos e esporas, para se rebolarem que nem uns loucos pelo meio dos rochedos do Grand Canyon, perdidos de amor e beijos na boca, entre outros pormenores.


El Dorado

Ai, Viriato, ao que tu escapaste! Homens a deixarem em casa as respectivas esposas e prole, para se irem esfregar uns nos outros lá para o meio do oeste selvagem - os mais selvagens impulsos! Ai, Viriato, bem te dizia a tua mãezinha: no fim-do-mundo havíamos de ver tudo às avessas. E cá está!

Ru Henriques Coimbra, o delicioso colunista gay que o Expresso, felizmente, sustenta em terras californianas, para gozo da nossa leitura, já nos avisou: jamais Bush voltará a posar com o seu tradicional fato rancheiro, após a estreia de Brokeback Mountain nos Estados Unidos. Mal posso esperar.
Também já tínhamos um presidente negro, na famosa série televisiva 24 horas. Precisamos, agora, para continuar a mudar o mundo, de um presidente gay branco, seguido de um presidente gay negro. Depois talvez possamos passar à fase das presidentas: Hillary Clinton, presidenta branca, hetero; seguida de Condoleeza Rice, presidenta negra, lésbica, entretanto incompatibilizada com os conservadores. A ordem poderá será outra, mas os negros e gays ficarão para último, isso a gente sabe.
Estarei a ir longe demais ao afirmar que, no dia em que os Estados Unidos forem governados por uma democrata, negra, lésbica, poderemos morrer sossegados que isto já levou a volta que urgia? Nós, os/as feministas, nós os/as activistas de todas as paridades?
Se estiver, esteja. Que alguém vá longe demais.
Cause, I too, have a dream...



Liberty Valance

sexta-feira, setembro 23, 2005

Só nos lembramos do dentista quando temos dor de dentes

Os paneleiros andam na boca de toda a gente.
Quero dizer, entro num blog e a questão do dia é a homofobia, sim ou não, porquê, podem adoptar, não podem, qual a diferença entre paneleiro e homossexual; abro outro, a mesma coisa, com outras palavras; uns a sério, outros no gozo: os paneleiros chegam a todos!
Não sei se foi do Festival Gay e Lésbico...
Eu, em relação às pertinentes questões que envolvem os chamados paneleiros, mariconços, que pegam de empurrão, homossexuais, gays..., que, não sei se já repararam, é assunto para o qual as mulheres se estão nas tintas, e que os machos heterossexuais debatem efusivamente, só tenho a dizer isto: a gente só se lembra do dentista quando tem dor de dentes!

O tempo de um gelado no McDonalds

Sentia-me gulosa e fui ao McDonalds de Almada comer um McFlurry de Oreo. O gelado ia-me sabendo bem, enquanto meditava nas calorias e obser...